Zombie apocalypse - You need to survive
6 As ruas estão infestadas
Notas iniciais
#Ruby Leens
Quem são vocês? Virem-se devagar! — Disse uma voz masculina às nossas costas.
Nos viramos lentamente, Lett soltou o machado no chão enquanto se virava e eu fiz o mesmo com a machete. Quando já estávamos de frente para o dono da voz desconhecida, Scarlett soltou um gritinho de empolgação e só então, percebi que se tratava do garoto que entrara na sala de aula junto com Scarlett ontem. Era alto, tinha pele extremamente pálida, seus cabelos castanhos e desgrenhados caiam-lhe sobre os ombros. Seus olhos verdes se iluminaram ao ver um rosto conhecido, ele sorriu. Seu sorriso era lindo.
— Jeff! — Exclamou Scarlett abraçando o garoto.
Ele a envolveu em seus braços fortes, dando a impressão de que já se conheciam à anos.
Seu rosto se voltou para mim assim que ele soltou Lett, sorriu e disse:
— Oi, sou Jefferson Collin, muito prazer!
— Ruby Leens, prazer!
Ele se inclinou para mim e me deu um beijo na bochecha. Sorri.
— Então, como vieram parar aqui? — Ele perguntou.
Contamos tudo que havia acontecido e tudo que sabíamos, ele confirmou com a cabeça.
Fui até a janela e puxei um pouco a cortina, vi que as ruas estavam enfestadas de infectados, homens, mulheres, adultos e crianças vagando pelas ruas na esperança de encontrar algo para mastigar.
— Como vamos conseguir sair daqui? — Perguntei voltando a olhar para Lett e Jeff.
— Estou tentando sair desde manhã, mas... espere um instante — Seus olhos se iluminaram novamente — Tentei sair pelas portas do fundo e não consegui, por que também havia uma quantidade considerável de mortos-vivos na rua de trás, para matar sozinho. Mas agora somos três, talvez consigamos matá-los. — Disse Jeff.
— Podemos ver? — Perguntou Lett.
— Claro, venham. — Ele rumou para a porta dos fundos com Scarlett e eu em seus calcanhares.
— Aqui.
Eu e Lett nos aproximamos ainda mais dele, que agora estava parado em frente a uma porta de madeira ébano com a mão direita na maçaneta.
— Pode abrir. — Falei.
Ele assentiu com a cabeça e abriu a porta. Nós três metemos a cabeça pela fresta aberta na porta. Havia cerca de 15 infectados andando para lá e para cá. Metemos a cabeça para dentro de novo após alguns minutos e Jeff fechou a porta.
— Contei 15. — Falei.
— Eu também. — Disse Scarlett.
— O que acham? Da para passar? — Perguntou Jeff.
— Eu não sei, talvez se conseguíssemos despistar alguns — Falou Scarlett.
— É, mas como vamos fazer isso? — Perguntei, pensativa.
— Eles são cegos, não são? — Perguntou Lett.
— Por quê você acha isso? — Foi a vez de Jeff perguntar.
— Bom... Quando uma pessoa fica cega, seus olhos ficam brancos. Todos os infectados que vi tinham olhos brancos.
— Ah... É verdade, mas... O que isso tem haver? — Falei.
— Bom, se eles não enxergam, então se movimentam e se localizam utilizando a audição.
— Ah, claro. Lett, você é uma gênia. — Falou Jeff.
— Precisamos encontrar algo que faça barulho para atraí-los na direção contrária, enquanto os outros dois matam os que continuam na direção da porta dos fundos. — Falei assim que entendi.
— Exatamente! — Falou Lett sorrindo.
— Olhem, tem uma janela no meu quarto que dá num corredor entre duas casas, uns 20 metros à distância da porta dos fundos. Alguém pode ficar dentro de casa e fazer barulho, talvez com uma panela, para atraí-los até lá. — Disse Jeff.
— Ótimo. Mas temos de decidir para onde vamos, antes de sair, por que provavelmente, vamos ter de correr um pouco.
— Li num site que seria bom irmos para um lugar afastado. Conhecem algum? — Falei.
— Não. — Disseram Jeff e Lett em uníssono.
— Bom, vamos arrumar algumas coisas para levarmos, comida, remédios, facas, tudo que possa nos ajudar. Enquanto isso, vamos pensando. — Falou Jeff.
Começamos a juntar várias coisas. Jeff nos forneceu 3 mochilas espaçosas e cada um se direcionou a um cômodo da casa para pegar, cada um, uma coisa diferente. Lett foi para a cozinha pegar comida enlatada e outras coisas que não estraguem. Eu fui até o banheiro pegar alguns remédios nos armários e Jeff foi procurar armas, mapas e quaisquer outra coisa que se possa usar para se defender.
Após algumas horas vasculhando a casa, nos encontramos na sala com as mochilas prontas com tudo que podíamos carregar. Abri a cortina da janela da sala e me assustei. Já havia anoitecido. Com as janelas e cortinas fechadas nem havíamos percebido que já era noite. Lett, que havia espiado a janela por cima de meu ombro, soltou uma exclamação.
— Não podemos sair à noite. — Disse ela. — É perigoso de mais, a gente pode não ver os infectados se aproximando.
— Verdade. Vamos ter de ficar aqui e esperar amanhecer. — Falou Jeff.
Concordei com a cabeça. Colocamos as mochilas em cima da mesa de centro e nos sentamos no sofá, espreguiçando. Não havia feito praticamente nada, mas estava me sentindo extremamente cansada. Talvez fosse a minha mente, que não parara um minuto sequer.
— Estão com fome? — Perguntou Jeff após alguns minutos em silêncio.
A barriga de Scarlett roncou e ela imediatamente ficou escarlate.
— Isso responde a minha pergunta. — Falou Jeff sorrindo. — Gostam de omelete?
— Sim! — Falou Scarlett um tanto empolgada.
Soltei uma risadinha que a abafei imediatamente com a mão.
— Fiquem à vontade. Vou fazer. — Disse Jeff se levantando e se dirigindo à cozinha.
Me levantei e o segui.
— Vou te ajudar. — Falei.
— Não precisa. Pode se sentar e ficar com a Lett.
Olhei para Lett por cima do ombro. Ela havia deitado no sofá, tomando todo o espaço.
— Bom, não tem mais espaço. Vou te ajudar. — Falei apontando para Lett e sorrindo.
— Bom, neste caso. — Ele sorriu. E assim que chegamos na cozinha, acrescentou: — Poderia arrumar a mesa?
— Claro!
— Tem pratos e copos neste armário — Ele apontou para o armário branco na parede — E talheres nesta gaveta — Apontou para a gaveta num armário de chão próximo a geladeira.
— Ok.
Eu estava pondo os três pratos sobre a mesa e arrumando os talheres enquanto Jeff Fritava ovos e bacon, depois de por as panquecas num prato no centro da mesa.
— Então. Você mora aqui sozinho? — Perguntei.
— Ah... — Seus olhos se tornaram tristes e frios de repente. — Na verdade não.
Pela relutância dele, percebi imediatamente o que deveria ter acontecido e lamentei ter tocado no assunto.
— Desculpe!
— Tudo bem! — Ele pôs a tigela com bacon e ovos na mesa, abriu a geladeira e pegou uma jarra de vidro com um líquido amarelado.
— Então, vamos comer. — Falei, tentando quebrar o clima tenso que ficara.
— Sim.
Chamei Scarlett e desfrutamos dos ovos com bacon e panquecas, conversando sobre onde poderíamos ir amanhã e etc, até o sono bater e todos irmos dormir exaustos. Eu e Lett dividimos o quarto e Jeff ficou no sofá.
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