Zombie Attack

3 Atração Física


Capítulo II -Atração Física
Karin
Cidade de San Diego -09/02/2014 -12:01 p.m.

Eu não fui com a cara desse tal de Toushirou, ele deve ser aquele tipo de cara que quer "fazer amor" com a primeira sobrevivente que encontra. Eu já encontrei alguns assim antes, e nenhum deles saiu vivo para contar história, e ele não será o primeiro.
Estamos andando há dias e nenhum sinal de vida, nem mesmo um zumbi. Entramos em San Diego ontem e a cidade está simplesmente deserta, juro que vi um rolo de mato voando, como no velho oeste. Mas o que está me roendo por dentro não é isso. É simplesmente o fato de Yuzu e Toushirou se darem tão bem, eu não confio nesse cara, não mesmo.
–Uau! Então quer dizer que a infestação começou no centro de pesquisa de Indianápolis?
Perguntou Yuzu inocente. Não sei qual foi a expressão que ela fez, pois eu estava a poucos metros a frente, mas sei que foi uma expressão tipo: Oh meu Deus, que impressionante!
–Sim! Eu fui lá já faz uns três anos. O local estava completamente destruído e melecado com uma gosma escura. Estava super nojento.
Oh, sim, claro. Com certeza ele foi ao local onde tudo isso começou e não foi infectado, espera aí. Parei abruptamente. Esse som. Sacando uma faca eu comecei a ouvir atentamente, poderia não ser. Sim, é isso mesmo. Isso concerteza é o som de um zumbi.
–Karin-chan, o que...
Ela não foi capaz de terminar a sua frase, pois eu levantei minha mão, calando-a. Os barulhos ficaram mais altos e eu, incoscientemente, dei pequenos passos para trás, acompanhada por Yuzu e Toushirou. Eles também estavam ouvindo esse som. Vinha do beco a nossa direita e apareceria a qualquer momento. Prendi minha respiração e esperei.
Toda a minha expectativa foi por àgua a baixo quando na minha frente apareceu um coelho, branquinho e fofinho. Suspirando, eu abaixei minha faca e passei minha mão pelo meu rosto. Deus, o que tem dado em mim recentemente?
–Sério que você ficou com medo de um coelho?
Perguntou Toushirou. Se ele ainda não percebeu, eu estou com uma faca na mão e posso muito bem enfiar no abdomen dele. Eu me virei para ele com cara de tédio e levantei minha voz.
–EU PENSEI QUE FOSSE UM ZUMBI. ALGUM PROBLEMA QUANTO A ISSO?
Falei essa frase cutucando seu peito com o indicador e assisti a sua face mudar de debochada para furiosa. E com isso, ele segurou meu pulso e olhou no fundo dos meus olhos, o turquesa agora escuro por conta da raiva.
–Não grite comigo. — Fiquei tão assustada com seu tom frio e baixo que arregalei os olhos, mas ele não se abalou com a minha reação. E sorrindo debochado continuou. -Ou não irá querer ver minha verdadeira face.
O um tiro se escutou e sangue espirrou tanto na minha face quanto na de Toushirou. Olhamos para o lado e notamos os restos de um zumbi e Yuzu com o coelho em uma mão e uma arma na outra. Então o som de zumbi veio daí? Olhei para Toushirou, o convencimento evidente em meu olhar.
–Dá para soltar o meu pulso.
–Não, não dá.
Tentei tirar a força, mas ele não deixava. Até usei a outra mão, mas não tive sucesso. O que ele quer? Era a essa pergunta que eu não conseguia responder.
Olhei para Yuzu e percebi que ela estava ja andando na frente, com o coelho em mãos. Oh, não. Olhei para Toushirou de novo e ele disse:
–Não faça assim.
–Me solta desgraçado. -Sibilei.
–Você é realmente interessante.
E me soltou. Eu não vou ficar perto desse maníaco mais nenhum segundo, por isso corri até Yuzu, com ele caminhando calmamente atrás de nós.

Toushirou
Cidade de San Diego -13/02/2014 -23:32 p.m.

As duas dormiam enquanto eu ficava de guarda. Improvisamos uma "cama" com cobertores e colchonetes que Yuzu carregava naquela bolsa preta, fora os mandimentos. Estava sentado no chão ao lado de onde elas dormiam e a que estava ao lado de onde estava sentado era a Karin. Ela havia tirado a jaqueta de couro com franjas que usava e agora estava apenas de regata branca com a calça de couro preta que parece que nunca tira. Ela tirou as botas de combates para dormir mais confortavelmente e agora está apenas. Me pergunto como ela mantém essa meia tão branca.
E estamos no começo do verão aqui nos Estados Unidos, e com o clima começando a esquentar ela estava suando. Para ajudar um pouco, eu abaixei até a cintura o seu cobertor e passei um paninho em sua testa para tirar o suor.
O que aconteceu a quatro dias atrás, o incidente do pulso, eu não diria que foi o famoso "amor a primeira vista", eu acho que estava mais para atração física. Apesar do ser humano ter todos aqueles "passatempos" a sua maior função é a reprodução. E na minha opinião, todos temos o instinto de ter atração sexual pelo sexo oposto. Então eu acho que é isso que aconteceu.
Mas isso não quer parar. Depois daquele dia, em que eu senti a macia pele do seu pulso, eu desejo mais daquilo, muito mais. De sentir a sua pele, o seu cheiro, de olhar os seus olhos negros... Mas eu tenho consciência de que é tudo atração física, e eu não quero machucá-la com os meus instintos masculinos, não mesmo.
~*~
–Pode ir dormir Hitsugaya-kun.
E assim eu fiz. Mas quando eu estava perto de cair no sono foi quando eu percebi a ausência de Karin.
–Onde está a sua irmã?
Perguntei a ela. Olhando-me ela sorriu despreocupadamente e abanou as mãos.
–Não se preocupe, ela foi caçar comida.

Karin
Cidade de San Diego -14/02/2014 -23:08 p.m.

A lua iluminava com o seu brilho a delegacia na qual eu estava em cima. Os balbucios sem nexos dos zumbis me atormentam a horas. Eu estou com medo. Com medo da morte. Com medo de doer. Com medo de eu virar uma zumbi e matar a Yuzu. Com medo de nunca mais ver Toushirou.
São tantas as possibilidades que a essa altura do campeonato eu já havia pensado em todas. O desespero me pegou depois de eu todos esses anos fugir dele. Pensei que morreria de velhice, mas isso é uma realidade distante. A morte me espera.
Levantei-me deixando os zumbis mais agitados. Virei-me de costas para eles e fechei meus olhos. Abri meus braços e me deixei cair.
Não seja mais um aspirante a morte... Papai havia sussurrado antes de morrer ...Karin.
Eu nunca havia entendido o que essa frase queria dizer. Até agora.
~*~
"Uma vez perguntei a mamãe como a morte era. Eu era pequena, tinha uns três anos na época, e eu ouvi uns garotos da rua falando que uma mulher, não me recordo do nome, havia morrido porque o marido a espancou. Pela minha idade, eu não sabia o que era espancar e muito menos o que era fofoca.
'-Mamãe como é a morte?'
Ela havia se espantado com a pergunta, claro, quem não ficaria? Mas depois, ela me lançou um olhar misericordioso e apenas disse:
–Não sei, eu ainda não a provei.
Ela sorriu após isso e abriu os braços para um abraço. Essa foi a última vez que eu a abracei, pois na manhã seguinte ela morreu.
Um trem a atropelou e depois disso, eu nunca mais fui a mesma.
Relembrar da morte dela é sempre doloroso, pois ainda não cicatrizou. Eu não deixei cicatrizar. Desde esse dia, apesar de eu ter apenas três anos, a frieza se tornou a minha máscara e a ignorância minha foice."
A claridade. O céu talvez. Não, não pode ser. O céu não é para mim, não depois de todas as vidas que tirei para salvar a minha, não depois de eu proteger a todo custo a minha vida medíocre. Não depois do Apocalipse. Eu deixei de acreditar a muito tempo no céu.
Então, o que poderia ser?
Algo macio. Sim, eu com certeza estava deitada em algo macio. Mas, o que seria? Uma cama? Talvez. Ao longe posso ouvir o creptar do fogo, o cheiro de comida instântanea e o barulho de baixos sussurros, quase inaudíveis. Uma voz masculina e outra feminina. Familiares.
Abri meus olhos e percebi que não havia morrido. Eu não sei dizer se isso é bom. E onde estou? Não sei dizer. Pode ser um laboratório, pois as paredes brancas me lembram um.
A minha esquerda, havia uma mesa cheia de untensílios médicos da mais pura prata. Tentei me levantar mas não tive sucesso. Olhando para baixo eu notei, pasma, qua estava presa. Pulsos, tornozelos e até mesmo cintura. Não podia me levantar ou me mexer.
–Vejo que a nossa donzela acordou.
Oh, não. Essa voz.

"...e os seus beijos ainda mais. Minha mente se estilhaça e meu coração acelera a cada toque seu. Os seus beijos. Oh, sim, seus beijos. Meu sonho de consumo..."