Zombie Attack
4 A Verdade
Capítulo III -A Verdade
Karin
Subsolo da cidade de Phoenix -16/02/2014 -14:32 p.m.
–Vejo que a nossa donzela acordou.
Oh, não. Essa voz.
Virei minha cabeça para o lado. Não sei por que estou surpresa. Foi o meu primeiro pensamento ao visualizar os dois homens a minha frente. Com os olhos frios, Aizen me encarava e com um sorriso macabro, Gin fazia o mesmo, eu acho. Fazia tanto tempo e as mudanças eram visíveis em Aizen. Tinha tirado aqueles óculos horrorosos e seu cabelo não caía mais sobre os olhos, pois fora puxado para trás e uma mexa de cabelo pendia em frente ao seu. Oh vontade de arrancar isso com uma faca.
Meus olhos encontraram os seus e percebi a frieza e nojo guardada por todos esses anos. Não era para menos, depois de tudo que aconteceu entre a gente e eu ainda não o perdoei, jamais perdoarei. Ele tirou parte de mim.
–Parece que ela não está feliz em nos ver. -Falou Gin. É claro, ele sempre tinha que ressaltar o óbvio.
–Bem, mas eu acho que ela deveria, pois está na presença do Rei. -Dessa vez foi Aizen quem falou. Rei, mas que história é essa de Rei? Foi a única coisa que consegui pensar. Não há como ele ser o Rei. Estamos no meio de um apocalipse. Não há rei e muito menos servo, só há fugitivos. Pessoas acovardadas que fogem da própria criação da raça humana: os zumbis. Ele, quem se denomina rei, jamais reinará. E se fizer, será sobre o resto da humanidade. Um rei solitário.
Minha pena aumentou agora. Não que ela já não estivesse grande. Ele sempre gananciou o poder e agora ele finalmente tem a oportunidade. Mas por que ele precisa de mim? Eu já não fui usada nesse jogo, por que preciso ser usada mais uma vez como um simples peão?
–O que quer de mim?
Perguntei, tentando soar fria sem sucesso. As memórias daquele dia ainda estavam frescas em minha mente. Os gritos deles e tiros vindos da minha parte, depois a pior coisa do mundo. O silêncio dos cadáveres. Fechei meus olhos com força. Era tão doloroso relembrar a morte deles. Eles não tiveram o que mereciam.
–Pelo visto se lembra bem do que eu fiz, não é? -Perguntou ele. É óbvio que estava estampado na minha face a resposta. Sim. Eu me lembrava muito bem do que ele fez. Assassino. -Então, já que lembra, eu tenho uma proposta a fazer para você.
–Que proposta?
Minha voz saiu num rosnado, fazendo-o sorri. Ele vai pagar, com certeza vai pagar.
–Se torne minha Rainha e...
–NUNCA!
O sorriso em sua face se alargou com o meu grito de negação. Pelo seu olhar, percebi que não aceitaria um não como resposta e, como ele é Aizen Sousoke, com toda a certeza ele tem uma carta na manga.
–Então terei que forçá-la a aceitar.
Com isso, outros subordinados adentraram a sala carregando dois corpos desacorcodados. A cabeleira branca reconheci a distância. Toushirou. Mas o outro apenas o reconheci quando foi jogado ao chão e sua face revelada. Yuzu. E com isso, toda a cor se foi do meu rosto, mas voltou num tom avermelhado de raiva.
–E agora, qual é a sua resposta?
E Hinamori Momo entrou no comodo. Uma prancheta em suas mãos. Então era dela a voz feminina que eu escutei. Depois de matar Aizen, eu vou atrás dessa vadia que faz pose de inocente. Todos que estiveram na minha lista negra não estão vivos para zombar de mim e eles não serão exceção.
Ela saiu e Aizen voltou seu olhar a mim. Olhei os corpos desacordados e mordi o lábio. Eu ainda vou me arrepender dessa decisão.
–Eu aceito.
~*~
"Cidade de Indianápolis -04/05/2008 -00:59 a.m.
Nos jogaram naquele quarto. Atraves das quatros paredes tranparentes eu podia notar olhos curiosos e cobiçadores de cientistas malucos sobre mim e Yuzu. Nós com certeza seríamos testadas como os animais são.
–Tragam eles.
E para completar nosso sofrimento, no quarto ao lado colocaram Ichigo e papai junto com um zumbi. Eles estavam desarmados. Era óbvio de quem pertencia a vitória. Meus coração acelerou e adrenalina correu pelo o meu sangue, a raiva e o desespero me subindo a cabeça. Não é difícil imaginar o que vem a seguir.
E então o zumbi correu até eles. Um grito do mais puro pavor escapou dos meus lábios, a garganta secando gradativamente. Um por um, eles morreram. E ainda fizeram questão que nós assistissemos a tudo. Isso é a coisa mais desumana já feita.
Depois a porta é aberta. E o zumbi corre até nós. Tudo aconteceu em câmera lenta. O grito da Yuzu misturado ao rosnar do zumbi foi a verdadeira trilha sonora do horror, fazendo subir um arrepio pela minha espinha. Nós éramos as próximas.
Mas uma arma foi colocada ao meu lado. Então era um teste de sobrevivência. Com minhas mãos trêmulas, a peguei e me levantei lentamente. O peso de uma arma de fogo era algo completamente novo em minhas mãos. Com as duas mãos mirei e atirei. O sangue jorrou, manchando de vermelho a minha roupa branca e os meus cabelos negros. Minhas mãos ainda tremiam e eu ofegava. Yuzu estava encolhida num canto, tremendo. Isso provavelmente deve ser demais para o seu psicológico.
Mas isso ainda não acabou. Papai e Ichigo se levantaram e cambalearam até nós, a porta ainda se encontrava aberta. Em seus olhos, eu vi a guerra que acontecia entre a razão humana e o instinto animal que possui o zumbi. É matar ou morrer agora.
E mais uma vez eu levanto minha arma. Fechei meus olhos com força e apertei o gatilho. Dois tiros foram disparados e dois baques surdos foram ouvidos. Não tive coragem de abrir os olhos. Escutei passos e fui forçada pela curiosidade a abrir os olhos. Vi a face de Aizen e Hinamori e meu corpo encheu de ódio até as profundezas da minha alma.
Eles estão mortos."
Lembrar desse dia, do dia em que virei uma assassina, me faz perceber que todos nós temos um instinto desumano dentro de nós. Só precisamos despertá-los.
E nessa suíte luxuosa, eu percebi que matar Aizen será mais fácil do que pensei. Porque o olhando de onde estou, deitada nessa cama, percebo o seu olhar apaixonado enquanto ele recita a poesia. A nossa poesia.
"Nós reinaremos
Seremos conhecidos como os reis cruéis
As cabeças de nossos inimigos será nossa comida
E o sangue das mulheres inocentes, nosso vinho
Andaremos por tapetes feito de pele humana
A pele dos nossos homens mortos
E a sua coroa, minha Rainha,
Será feita pelos ossos carbonizados de crianças inocentes..."
Toushirou"
Subsolo da cidade de Phoenix -18/02/2014 -15:07 p.m.
–Hitsugaya-kun, acorde...
A voz doce que havia se tornado familiar disse. E lentamente abri meus olhos e encarei um teto branco. Foi tão inesperado que chegou a doer. Levantei minha mão e tapei meus olhos. Quando me senti confortável a tirei e olhei ao redor. Era um comodo quadrado e completamente branco, podia pareder um cubo se não fosse a parede tranparente a minha frente eu diria que era realmente um.
Ao meu lado estava Yuzu. Sua preocupação era refletida em seu olhar. Ambos vestíamos roupas brancas. Não falei nada, apenas andei até a parede transparente. E meus olhos se arregalaram em descrença.
Havia milhares de selas iguais a essas, divididas em milhares de fileiras. E em cada uma havia um casal. O que eles pretendem?
Ouço passos. Viro minha cabeça e minhas pernas bambearam, meus olhos se arregalaram ainda mais e o sangue correu com mais intensidade em minhas veias. Isso não é possível.
–Momo...
–Olá, Shirou-chan.
"...e com certeza é o desejado de todas as nações que ainda restam. Esqueça o que acontece lá fora e se foque em mim..."
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