Zombie Attack

22 II - Infectado?


Notas iniciais
Vamos aprender a lutar?

— Atenção, todos que conseguirem escutar! Mensagem gravada e transmitida dos navios Mar Azul, Navegando, Sereia do Mar e Peixe Fora D’agua, temos abrigo, alimento, proteção e estamos livres das células. Se ouvirem essa mensagem venham para cá imediatamente, repetindo, temos abrigo, alimento, proteção e estamos livres das células.

Chegando de helicóptero avistamos pessoas andando de um lado ao outro, alguns militares balançando bandeiras vermelhas e acenando para o piloto onde ele deveria pousar.

— Esse é um dos nossos navios, como vocês ouviram na mensagem, oferecemos abrigo, proteção e alimentos. (Piloto)

— Certo, obrigado por tudo o que vocês fizeram. E por toda a ajuda. (Eu)

— Nós ainda vamos nos encontrar muito por aqui, você ainda me deve uma. (Piloto)

Descemos lentamente e paramos no meio do navio, em um heliporto improvisado. O helicóptero foi desligado e nós saímos dele.

— Temos sobreviventes, avisem aos cientistas para fazerem imediatamente o exame. (Piloto)

— Mas, as células não se transmitem pelo ar? Todos nós já devemos estar infectados. Pra que o exame? (Eu)

— Me desculpe é ordem do general, examinar todos que entram para não haver problema. (Piloto)

— E não sabemos do que você esta falando, as células se modificaram mais uma vez, elas matam no mesmo instante em que entram em contato e só podem ser transmitidas pelo sangue ou saliva desses demônios. (Voz vinda de trás de nós)

Viramo-nos e vimos um cara aparentando ter entre 30 e 40 anos, usando jaleco e óculos de grau.

— Me desculpe por ter me intrometido, sou o cientista Rubens, muito prazer. (Rubens)

— Apresentem-se soldados. Nomes, profissão, onde estava no começo de tudo, quantas pessoas mataram, quantos celulados mataram, e o porquê, tanto celulados quanto humanos! (General)

— Esse é o general, ele cuida desse navio junto do capitão. (Copiloto)

— Não vão querer vê-lo irritado. — Cochichando. (Piloto)

— Rafael, médico, estava no meu ultimo dia, já iria começar a trabalhar no dia seguinte ao começo disso tudo, pessoas, apenas uma, “celulados” como você disse, uns dois ou três, e eu fiz o que era preciso para nos proteger e deixar meu grupo seguro. (Eu)

— É... Cleber, policial, estava em casa quando meu superior chamou todos os policiais da cidade, nos mandando proteger uma ponte que ligava as duas cidades, onde eu conheci o Rafael, matei algumas pessoas em minha profissão, mas foi necessário, e apenas uma pessoa no começo desse “apocalipse”, “celulados” também já perdi a conta, e eu tinha que fazer o que precisava para sobrevivência do nosso grupo, era ele ou eu. (Cleber)

— Muito bem, gostei da sinceridade, agora quero que se sintam em casa, pelo menos sua nova casa, eu preciso checar os grupos de caçada e anotar as habilidades de vocês e mais um grupo que esta chegando, deixo tudo com você Rubens. Sobreviventes, estão dispensados. (General)

Então ele se virou e caminhou em direção á cabine do capitão do navio.

— Nós também estamos saindo, vamos nos arrumar para a próxima missão de bombardeio e resgate. (Piloto)

— Isso mesmo, se precisarem nós estaremos andando pelo navio ou em missão. (Copiloto)

Eles se despediram e os dois saíram conversando pelo navio.

— Muito bem, preciso de um pouco do sangue de vocês para o exame. (Rubens)

Ele nos pediu para acompanha-lo andando entre as pessoas que estavam ali, todas nos olhando e querendo saber se estávamos “livres”. Entramos pela porta de fora e passamos pelo refeitório, andamos por ele e chegamos em frente a uma sala que dizia “primeiros socorros”, adentramos nela e lá havia um laboratório improvisado. Ele nos pediu para sentar nas cadeiras que havia ali e pegou uma seringa, retirou um pouco do meu sangue e em outra seringa o sangue de Cleber.

— Vejo que seu braço esta enfaixado, teve algum acidente na sua profissão? (Rubens)

— Levei um tiro de um franco atirador que estava em um prédio. (Cleber)

— Mudando de assunto, nós gostaríamos que quem não tem habilidade com armas as deixem no nosso salão das armas, todas as armas do navio estão lá, já que estamos em alto mar e os celulados não podem vir aqui, não precisamos nos preocupar. Apenas os grupos de caça as pegam quando vão sair. Não que eu esteja falando que vocês não são bons usando arma, esse é só um aviso para todos que chegam. (Rubens)

— Não, tudo bem. (Cleber)

— Então, o que são esses grupos de caça? Ouvi o general falando a mesma coisa. (Eu)

— Aquelas pessoas avaliadas como soldados se juntam em grupos, cada grupo vai para um helicóptero para entrar na cidade e recolher suprimentos, todos eles ficam com rádios comunicadores e se precisarem de ajuda nos avisam que mandamos outro grupo pra la imediatamente. (Rubens)

— Porque os dois que nos trouxeram não tinham esses comunicadores? (Cleber)

— Eles são da elite, mais precisamente falando do exercito do presidente, eles não gostam muito de se comunicar conosco, pra falar a verdade acho eles até meio metidinhos. Mas não contem para eles que eu disse isso. (Rubens)

— Eles foram mandados pelo próprio presidente e somente se comunicam com ele, foram encarregados recentemente de bombardear as cidades, atraindo os celulados e os exterminando, mas eles são gente boa, já trouxeram muitos grupos de sobreviventes pra cá. (Rubens)

— E como eu ouvi, vocês devem uma a eles, saibam que eles cobram, cedo ou tarde. (Rubens)

— Pode deixar que eu entendi. E qual é a desse general? (Eu)

— Ele também é gente boa, o problema é que pega muito no pé de todos, eles sempre quer tudo em ordem e do jeito dele, se não vocês nem querem saber o que acontece. (Rubens)

— Vou examinar o sangue de vocês agora e descobrirei se por algum motivo estão “infectados”, não vai levar mais que um minuto, ai eu libero vocês para andarem pelo navio. (Rubens)

— Tudo bem. (Cleber)

— Temos tempo. (Eu)

— Mas seria pouco provável, já que vocês já teriam morrido se tivessem contaminados... (Rubens)

Ele começou a examinar o sangue enquanto eu olhava ao redor, alguns remédios em armários, outras coisas jogadas pela mesa e seringas jogadas em um lixo químico, junto de luvas usadas.

Ele parece saber o que esta fazendo. (Eu)

— Que estranho. (Rubens)

— O que foi? (Eu)

— Um dos sangues está infectado. (Rubens)

— Infectado? Será que foi o problema do tiro que eu levei e depois tive que me cobrir com sangue dos mortos para me proteger? (Cleber)

— Não, o seu está limpo, o sangue dos mortos não entrou em contato com o seu, eu etiquetei eles e o que está infectado é o do Rafael. (Rubens)

— Como assim? Tem perigo de eu virar um daqueles “celulados”. (Eu)

— Isso é o estranho, você já devia ter virado um deles, mas não virou. Você esta infectado, mas em uma fração tão pequena que as células não podem te matar ou te controlar, e estranhamente não estão se duplicando. Pelo menos não nessa amostra que eu peguei aqui. (Rubens)

— Vou te liberar, mas você será mantido sob vigilância, qualquer mudança de humor ou algo do tipo, nos te manteremos em cativeiro e teremos que fazer o que fazemos com todos. (Rubens)

— Vai me deixar sair? Assim? Não tem perigo não? (Eu)

— É como eu disse, essas células não estão se multiplicando, então você não irá virar um deles, é como se elas não quisessem entrar em controle total, apenas te proteger, como foram programadas no começo para fazer. São poucas, então não irá surtir um efeito muito extremo na proteção, mas ainda assim estão em seu corpo e podem te proteger regenerando suas células normais de seu corpo e ocupando seus lugares, o problema vai vir quando elas decidirem agir por conta própria. Sendo assim te manteremos em vigilância constante, e mais uma coisa, não diga a ninguém sobre isso, eles podem não entender. (Rubens)

— Tudo bem. (Eu)

Sendo liberado do laboratório improvisado com essa noticia, após deixar a Lara pra trás.

Ainda posso virar um deles... O que eu vou fazer? Como vou viver com essa bomba relógio dentro de mim? A qualquer instante pode explodir e eu não poderei controla-la. (Eu)

— Cleber, posso te pedir um favor? (Eu)

— Claro, o que é? (Cleber)

— Por favor, me mate. (Eu)

— O que você esta dizendo, nem pense em algo desse tipo. Ele disse que as células não vão te alterar, mal estão se multiplicando, então não é um problema, e você agora é como um super soldado... Pode se regenerar mais rápido que as pessoas normais. – Me respondeu demonstrando estar assustado com o meu pedido. (Cleber)

— Eu não sou um super-herói fictício, sou um humano normal, que nunca teve implantes de células, me protegi nesse começo de apocalipse para não ter esse tipo de coisa, mas agora eu não sei o que vai acontecer comigo, a Lara não esta mais aqui para me ajudar a entender e nem me ajudar a tomar as decisões. Tenho que fazer isso sozinho e é muito difícil. (Eu)

— Você não esta sozinho, estou aqui, como seu braço esquerdo e te ajudarei, agora que a Lara não pode mais te ajudar e você esta em uma situação dessas nós precisamos treinar seu corpo e te fazer um super soldado. (Cleber)

— Super-herói, super soldado, você anda pensando muito nos "superes" dos gibis, não sou o Wolverine e muito menos o Capitão América... Mas se você insiste eu posso treinar, preciso honrar a memoria de Lara e liderar o grupo, mesmo sendo apenas eu e você nesse navio lotado de pessoas. Vamos tentar sair nessas chamadas “caçadas”. Tenho que me superar e essas células podem ajudar de alguma maneira, já que me ajudam a regenerar. Não posso mais ser aquele inútil que não sabia lutar e não podia proteger meus amigos sozinho.(Eu)

— Pelo que eu ouvi no helicóptero, o piloto disse q você levou uma surra do Vitor, antes deles intervirem. (Cleber)

— Não foi engraçado, eu nunca treinei ou coisa do tipo, apenas estudei a minha vida toda e me dediquei para ser um medico exemplar, sem saber que algo assim mudaria. A minha vida toda eu esperei por uma aventura, só não pensei que ela viesse a mim tão rápido. Escolhi essa profissão por que todos os dias são novas aventuras, e eu estava cansado das mesmas coisas chatas e monótonas do dia a dia. (Eu)

— Tudo bem, chega de tanta baboseira, já entendi, agora você vai querer treinar ou não? (Cleber)

— Por onde começamos? (Eu)

— Vamos ver se no navio já ha alguém que os treine, pois contar apenas com armas e munições não é tão eficiente, podendo atrair mais deles com o som e se acabar a munição você se fode. (Cleber)

Começamos a andar pelo navio procurando por alguma pessoa que estivesse dando aulas sobre lutas, passamos pelo refeitório, heliporto, e por todo o resto do navio, só não entramos na cabine do capitão, pois estava fechada e ele estava lá dentro junto com o general.

Voltamos ao refeitório, logo depois de nos avisarem que era hora de fazermos a refeição e a maioria das pessoas do navio estava ali dentro. Cleber subiu em uma cadeira e assobiou

— Por favor, gostaria da atenção de vocês por um minuto, esse navio oferece alimentos, abrigo, e segurança quanto aqueles zombies, mas as pessoas que saem para as “caçadas“ poderiam se apresentar por favor. (Cleber)

— Pra que? (Desconhecido)

— Eu gostaria de fazer mais uma pergunta a eles... Já que são eles que saem do navio para buscar suprimentos. Então aqueles dos grupos de “caça aos suprimentos“, eu gostaria que levantassem as mãos. (Cleber)

Aos poucos algumas pessoas começaram a aparecer e levantar as mãos, apenas algumas mulheres e crianças ficaram sentadas e observando.

— Ótimo, obrigado, agora vocês que estão com as mãos erguidas, quantos de vocês tem habilidade com as armas? (Cleber)

Todos permaneceram com as mãos pra cima.

— Só isso? Mais alguma coisa? (Desconhecida)

— Mais uma pergunta que eu gostaria que respondessem com sinceridade. Quantos de vocês sabem utilizar as mãos? Sem sacanagem, digo utilizar as mãos como forma de luta. Qualquer tipo de luta serve. (Cleber)

Um terço deles permaneceu com as mãos pra cima, o resto as abaixou.

— Na sala de armas temos alguma que não seja utilizada com munição? (Cleber)

— Armas brancas. (Desconhecido 2)

— Isso, facas, bastões, espadas... entre outras. (Cleber)

— Temos apenas alguns tacos de golfe e umas facas que estão na cozinha. (Desconhecido 3)

— Então, quantos de vocês já mataram uma daquelas coisas com alguma arma branca ou utilizando as mãos? (Cleber)

Apenas uma das pessoas ficou com a mão pra cima.

— Vamos ter que melhorar isso. (Cleber)

— Por que, quer nos ensinar como acabar com eles? (Desconhecido 4)

— É só meter bala ate eles caírem e não puderem mais nos seguir, ai a gente foge. (Desconhecida 2)

Então todos naquele refeitório riram e voltaram a comer, ignorando Cleber que permanecia ali de pé.

— Sim, eu pretendo ensina-los, e gostaria que você, me desculpe qual o seu nome? (Cleber)

— Cris Norris. (Cris)

— Certo, eu gostaria que você me ajudasse a treina-los a matar aquelas coisas sem utilizar armas de fogo. (Cleber)

— Nos temos tantas armas e munições que isso não vai ser problema. (Desconhecido 5)

— E quem é você para querer nos ensinar sobre como sobrevivermos? Fizemos isso muito bem, tanto é que estamos aqui, agora e protegidos. Você é psicólogo? (Desconhecida 3)

Mais uma vez todos riram e tiraram uma com a cara de Cleber.

— Meu nome é Cleber e eu sou policial. Quem quiser minha ajuda eu estarei disposto a dá-la. – Falando calmamente. (Cleber)

— Então todos que quiserem ajuda, e que queiram aprender a se defender de uma forma diferente das armas, me encontrem na... (Cleber)

— Tem a sala 75... Ela esta vazia e não deve haver problemas em utiliza-la. (Cris)

— Ótimo, muito obrigado Cris... Agradecemos pela colaboração, poderia nos mostrar aonde fica exatamente? (Cleber)

— Eu ajudo vocês. (Cris)

— Obrigado pela atenção de todos vocês. (Cleber)

Ele desceu da cadeira e deixou o refeitório, comigo o seguindo e Cris vindo logo em seguida. Andamos novamente pelo navio enquanto Cris nos guiava e então chegamos à sala 75, abrimos as portas, ela estava vazia, apenas alguns cartuchos e balas caídas no chão.

— Essa sala era usada como treinamento de tiro da marinha, mas foi desativada quando começaram a trazer os sobreviventes e mudaram todas as coisas por aqui. (Cris)

— Não ha um lugar melhor então. (Eu)

— Você era da marinha? (Cleber)

— Sim, servi há três anos e gostei tanto que continuei por aqui. Você disse que era policial, e seu amigo? (Cris)

— Eu estava no ultimo dia na faculdade de medicina, no dia seguinte eu iria começar a trabalhar no hospital que eu estava fazendo a faculdade. (Eu)

— Então você e medico, só falta o diploma. (Cris)

— Basicamente. (Eu)

Olhamos pra trás e um pequeno grupo se formou na porta, pessoas que queriam aprender a lutar.

— Então, quando podemos começar? (Desconhecido 7)