Zombie Attack
23 II - Regras e trabalhos...
Notas iniciais
— Eu gostaria antes de ter uma palavrinha com os novatos que mal chegaram e já querem inventar coisas. (General)
Nós nos entreolhamos e saímos da sala, o acompanhamos ate o corredor.
— Então, vocês apenas começaram os seus dias por aqui, primeiro eu já sei que vocês não estão infectados, pois Rubens os liberou. (General)
— Segundo, que após a liberação dele, seguindo as suas habilidades nós vamos escolher um trabalho para vocês aqui no navio ou nos grupos de caçada. (General)
— Então não comecem a criar seus próprios como mestres kung fu por ai, sem antes me consultar. (General)
— EU FUI CLARO? (General)
— Cristalino como água. (Cleber)
— Perguntei se fui CLARO? (General)
— Ah... É... Sim. (Cleber)
— Sim o que? (General)
— Sim senhor. (Cleber)
Então ele se virou pra mim com um olhar aniquilador.
— Sim senhor... Sim senhor. (Eu)
— Os senhores não irão ajuda-los hoje, mandem todos fazerem os serviços deles e os dois me encontrem na cabine do capitão, lá eu e mais alguns outros iremos testar suas habilidades. (General)
— Estão dispensados. (General)
Então ele se virou e foi embora pelo corredor.
— Ele me da um pouquinho de medo. (Eu)
— Em mim também. (Cleber)
— Vamos logo, não queremos que o general fique bravo e pegue em nosso pé (Cleber)
— Okay... (Eu)
Voltamos à sala e explicamos a todos o que estava acontecendo, pedimos desculpas e Cleber prometeu que quando pudéssemos iriamos voltar e ele nos ensinaria, pedi para Cris voltar depois para nos ajudar e ele concordou.
Saímos da sala após todos irem embora e fechamos as portas novamente. Passando pelo refeitório, caminhamos pelo heliporto quando Rubens veio rapidamente ate nós, pedindo para segui-lo.
Entramos em seu “laboratório“ e ele começou.
— Eu analisei as células modificadas que entraram em seu organismo e elas não são compatíveis com nenhuma das que assumiram o controle dos corpos. (Rubens)
— Você fez tudo bem rápido. (Eu)
— Tive que fazer, nós não sabíamos se as células em você iriam se mutar e te transformar. (Rubens)
— E...? (Eu)
— Consegui descobrir que essas células, no entanto são compatíveis com as “primarias“, que são as células testadas em humanos antes de ela ser autorizada a venda. (Rubens)
— Mas são muito raras, pois elas foram as primeiras a se mutarem, logo depois as outras também, então não deveriam existir mais células dessa forma. (Rubens)
— Mas eu não fui uma dessas pessoas. (Eu)
— Isso eu sei, dei umas pesquisadas nos arquivos do governo e encontrei aqueles que serviram como cobaia, mas seu nome não estava lá. (Rubens)
— Então ou você adquiriu através do sangue em algum machucado seu ou de alguma outra forma, o que seria estranho já que não vieram de um celulado e sim de outro ser humano. (Rubens)
— Eu ficarei bem? (Eu)
— Sim, vai ficar, já tomei seu tempo demais, mas para pesquisar e tentar adquirir uma “vacina“ contra elas, que seriam células mais resistentes e controladas por nós, impedindo de se infectar pelas modificadas eu gostaria que você pedisse ao general um trabalho no navio. (Rubens)
— Tudo bem, se é pra ajudar... Eu posso pedir. (Eu)
— Tente se lembrar de alguma briga que teve contra uma pessoa, tendo contato com o sangue dela, não sei todas as possibilidades são possíveis. (Rubens)
— Certo. (Eu)
— Agora pode ir, o general espera por vocês. Depois de serem analisados aqui, vocês serão chamados por ele para que ele teste suas habilidades e decida as suas tarefas. (Rubens)
— Ele já havia nos chamado. (Eu)
— Ah, muito bem, isso vai poupar toda a explicação, podem ir. (Rubens)
Saímos do “laboratório“ e andamos conversando ate a cabine do capitão.
— A única briga que eu me lembro foi contra o Vitor, pouco antes de virmos pra cá, e não lembro de ter espirrado sangue ou algo do tipo, que pudesse me contaminar. (Eu)
— Não teve mais nenhuma antes dele? (Cleber)
— Não que eu me lembre, mas podemos pedir ao Rubens uma lista de todos os seres humanos que tiveram as células antes dela ser vendida. (Eu)
— Você quer dizer aqueles usados como cobaias. (Cleber)
— Esse nome não é legal, mas é por ai. (Eu)
Chegamos à porta e Cleber bateu duas vezes nela.
— Entrem, estão atrasados. (General)
— Nos desculpe, é que... (Eu)
— Sem desculpas, paguem vinte. (General)
— Como assim? Com esse apocalipse eu acho que dinheiro não esta tendo mais valor. (Cleber)
— Não disse em dinheiro, são em flexões, e por não começarem logo paguem quarenta agora. (General)
— Mas... (Eu)
— Oitenta flexões, querem mais? Então comecem sem dizer mais nenhuma palavra (General)
Abaixamo-nos e sem dizer uma palavra começamos a fazê-las, com o general contando cada uma delas. A partir da metade os braços começaram a doer e eu fiz mais lentamente e lá veio ele encher o saco de novo...
— Larga de corpo mole, se não consegue mais quarenta eu irei dobrar a quantidade. (General)
Voltei à velocidade anterior e não disse nada para não ter problemas. Após as oitenta flexões serem feitas, as minhas bem depois de Cleber terminar as dele, o general me mandou levantar e entregou um revolver pra cada um de nós.
— Estão descarregadas, nós queremos ver se vocês sabem segura-las e atirar com elas. (General)
— Me desculpe, mas “nós“ quem? (Eu)
Estávamos apenas os três ali, por isso o estranhei dizendo “nós“.
— Pode entrar. (General)
A porta se abriu lentamente e ela entrou. Caminhando e olhando firmemente pra frente, séria e sem demonstrar emoções, cabelos negros e longos, olhos azuis, e com roupa de exército. Olhei para Cleber e ele só faltava babar, paralisado e com os olhos brilhando, enquanto a olhava.
— Quero lhes apresentar a tenente Vitoria. (General)
— Muito prazer. — Ainda com os olhos brilhando. (Cleber)
— Ela irá cuidar da parte de tiro, enquanto eu acabei de avaliar a resistência física de vocês. (General)
— Você estava testando a nossa resistência? (Eu)
— Isso mesmo, algo em que você não me deixou surpreso nem um pouco, enfim por favor, nos acompanhe ate o estande que temos na parte inferior do navio. (General)
Acho que fui bem mal nesse primeiro teste. (Eu)
O general saiu com ela atrás e nós os seguimos. Caminhamos pelas escadas e descemos ate o final do navio apenas os seguindo enquanto Cleber continuava encantado com ela.
— As munições estão nas caixas, recarreguem as armas e nos mostrem do que são capazes. (General)
Ela abriu uma porta e o general a outra, entrando e nos esperando lá dentro.
— O que estão esperando? Querem mais flexões? (General)
Apressamo-nos e entramos na sala. Varias placas de tiro ao alvo estavam penduradas por barbantes. Havia uma mesa com a caixa de munições logo em frente às placas, nos aproximamos e Cleber normalmente recarregou sua arma, enquanto eu me afastei um pouco, ele puxou o gatilho e acertou na circunferência de quarenta pontos, contando com cinco circunferências, cada uma numerada de dez a cinquenta.
Ela anotou em um papel e pediu pra ele dar cinco tiros.
A pontuação final dele foi de duzentos e vinte pontos. Então eles me pediram pra me aproximar e atirar.
Peguei aquela arma e a analisei, a olhei de ponta cabeça e seus dois lados, peguei a munição e tentei imitar o mais próximo possível do que vi Cleber fazendo, coloquei sem muita confiança, e puxei o gatilho, para minha surpresa a arma não disparou, lembrei do que Lara havia dito, encarei novamente a arma e destravei ela, antes de pressionar novamente o gatilho, acertei a pontuação de vinte, e senti o recuo da arma, depois dos cinco tiros, formou-se no final trinta pontos, o que me envergonhou de forma magistral. Afinal era muito mais difícil do que parecia, alem de alguns dos tiros terem acertado a parede e o teto daquela sala.
Eles anotaram as nossas pontuações, mas não deixaram transparecer suas reações.
— Pronto, agora podem deixar as armas, não só essas, mas aquelas que vocês trouxeram com vocês também. (General)
— Os trabalhos de vocês serão colocados mais tarde no quadro de avisos que se localiza em frente à cabine do capitão. (Vitoria)
— Podem se retirar e aguardem o aviso. (General)
Após sairmos da sala mais três sobreviventes aguardavam do lado de fora para serem “testados“. Então ele gritou lá de dentro:
— Entrem, estão atrasados. (General)
— Paguem cinquenta. (General)
— E lá vai ele testar a resistência dos sobreviventes. (Cleber)
Parou por um tempo olhando pra mim e esperando ouvir risadas.
— O que foi? Achei que seria engraçado. (Cleber)
— Foi engraçado, mas... (Eu)
Então pensativo eu disse.
— Minha pontuação não foi tão boa quanto a sua, mas será que mesmo assim eu iria ter um trabalho fora do navio? (Eu)
— Só vamos saber quando colocarem lá. (Cleber)
— Se não for um trabalho no navio, eu terei que pedir pra trocar, pois disse ao Rubens que ficaria no navio para a “pesquisa das células“. (Eu)
— Mudando de assunto, você viu a Vitoria? — Ele me ignorou completamente e novamente seus olhos brilharam ao lembrar-se dela. (Cleber)
— Sim eu a vi, o que tem ela? (Eu)
— Não é a mulher mais bonita que você já viu na sua vida? (Cleber)
— Não acho que seja uma boa hora para um relacionamento, com tudo o que anda acontecendo. (Eu)
— Você não respondeu a minha pergunta. (Cleber)
— Ela é bonita sim. (Eu)
— Pode tirar o olho dela, eu a vi primeiro e comigo é que ela vai ficar. (Cleber)
— Eu não faria nada, já havia percebido que gostava dela. (Eu)
— Estava tão na cara assim? Mas não importa, será um concorrente a menos e um a um irá cair ate que sobre apenas... (Cleber)
— Okay, já entendi, vamos olhar o resto do navio e certificar se não há nada para se fazer, ou ver. (Eu)
Antes que eu descubra que você também é um dos loucos. (Eu)
— Vamos. (Cleber)
Voltamos andando e visualizando o resto do navio.
— Será que essa escolha foi mesmo boa? (Eu)
— Claro que sim, por que esta perguntando? (Cleber)
— Por nada. Só me veio uma sensação agora que nós não deveríamos estar aqui, mas não deve ser nada. (Eu)
— Hey, ola para vocês dois, são os novatos que chegaram a poucas horas? (Desconhecida)
— Sim, nós somos, me desculpe quem é você mesmo? (Cleber)
— Meu nome é Maria, sou a guia dos novatos, explicando sobre as regras e dando as boas vindas. (Maria)
— Esta um pouco atrasada para as boas vindas. (Cleber)
— Desculpe o meu amigo aqui, pode continuar! (Eu)
— Tudo bem, já estou acostumada. Como todo mundo tem regras eu não sou exceção, só posso falar com vocês e apresentar seus dormitórios depois que fizerem o exame e mostrarem suas habilidades ao general. (Maria)
— Como sabe que já fizemos os dois? (Cleber)
— Primeiro que eu vi como vocês chegaram, com uma arma, segundo, já que estão caminhando entre nós vocês estão limpos das células mutantes, terceiro, e já não estão mais com suas armas, o general sempre as pega, e por ultimo ele não os deixaria em paz enquanto não tivessem falado com eles. (Maria)
— Certo, você me convenceu. (Cleber)
— Então eu gostaria que vocês me acompanhassem, vou leva-los ao banheiro onde roupas limpas estão lá para vocês se trocarem e mostrarei seus respectivos dormitórios. (Maria)
Andamos com ela e chegamos ao banheiro, ela sentou-se do lado de fora e nós entramos, pegamos as roupas que estavam sobre o banco e caminhamos ate os chuveiros, cada um de nós entrou em um deles e os abrimos, aquela água quente desceu por minha face e logo depois por meu corpo. Aquela sensação era muito boa.
Eu não pensei que tomaria banho tão cedo. (Eu)
Desliguei o chuveiro primeiro e me troquei, Cleber continuou ali, fui pra fora e sentei-me enquanto esperávamos por ele.
Depois de alguns minutos ele saiu.
— Então, podemos continuar. (Cleber)
— Sigam-me. (Maria)
Ela saiu andando e nós logo atrás, chegamos a um elevador e ela apertou o botão.
— Nossos dormitórios ficam lá embaixo? (Cleber)
— Então pelo motivo de estar lotando esse navio nós vamos dar um dormitório apenas para vocês dois, algum problema? (Maria)
— É... Não, acho que não. (Eu)
— São duas beliches por dormitório, então vocês podem escolher onde querem se deitar, por sorte o dormitório de vocês é o ultimo do corredor e desse andar, por isso esta vazio, mas os sobreviventes que chegaram depois de vocês deitarão onde sobrar. (Maria)
O elevador chegou e as portas se abriram, ela entrou e nós também. Apertou o botão e começamos a descer.
— Quantos andares têm nesse navio? (Eu)
— São cinco andares, o primeiro era onde nós estávamos, os dormitórios são no terceiro e quarto andares, um submarino que era destinado a busca por petróleo fica no quinto. (Maria)
— O que tem no segundo andar? (Cleber)
— Aquele lugar é secreto, ninguém sabe o que tem lá, o elevador passa direto sem parar nele. Mesmo clicando nele o elevador não para, na verdade ele para no primeiro ou no terceiro, dependendo se estiver subindo ou descendo. Eu mesma não sei o que tem lá. (Maria)
— Entendi. (Eu)
— Vocês usam muito combustível nesse navio? (Cleber)
— Só se precisarmos sair do lugar, porque pra energia nós possuímos painéis que captam a luz do sol de dia e distribui pra todo navio à noite, se faltar energia, mesmo sendo quase impossível, nós usaremos geradores, que ficam no quinto andar. (Maria)
A porta se abriu e chegamos ao terceiro andar.
— Me desculpem, mas eu tenho que informar os outros sobreviventes que chegaram depois de vocês. (Maria)
— Tudo bem. (Eu)
— O quarto de vocês é a ultima porta do corredor, número 599. A porta esta aberta e as quatro chaves em cima das camas. (Maria)
— Quatro chaves? (Cleber)
— Sim, cada quarto tem dois beliches então quatro pessoas nele e cada uma fica com uma chave. (Maria)
— Explicarei mais sobre isso depois, no jantar de boas vindas aos sobreviventes de hoje que vieram. (Maria)
— Vocês irão comparecer, certo? (Maria)
— Sim. (Eu)
— Não perderíamos por nada, afinal o que mais estaríamos fazendo? (Cleber)
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