Zombie Attack

4 I - Descobertas!


Notas iniciais
Ja temos a arma, mas e agora, como se atira? Espero não precisar aprender tão cedo.

No que eu estava pensando, prometer para um estranho que eu ia cuidar de sua irmã, sendo que não conseguia cuidar nem mesmo de mim. Mas já havia prometido e eu acreditava que não teria como desfazê-la, ele poderia já estar morto então não havia o que fazer, só restava tentar cumprir essa promessa custe o que custasse. (Eu)

O tempo passou muito devagar, minutos pareceram horas, mas sem relógio não tive como saber quanto tempo foi. Ela tirou as mãos de cima das minhas e levou aos olhos, enxugando suas lágrimas, mas eu ainda continuei com as minhas em cima de suas orelhas, só me dei conta quando ela disse:

— Tudo bem, não dá mais para ouvir nada, acho que os gritos já pararam. (Lara)

Comecei a ficar ruborizado, me tornando vermelho como uma maçã.

— Ah! Tá... Ok... (Eu)

O clima estranho foi quebrado assim que algum deles bateu na porta pelo lado de fora.

Desde esse momento em diante eu comecei a amar zombies, só que não. (Eu)

Percebi que a qualquer hora alguns deles poderiam entrar, se tentassem o suficiente, então esse não seria o melhor lugar para a nossa proteção. Afinal uma pequena delegacia dessas era para manter alguns poucos prisioneiros e impedi-los de sair, e não impedir alguém de adentrar.

Precisamos pegar tudo o que nos ajudaria nessa sobrevivência e achar algum posto de combustível para podermos nos aventurar por ai a procura de um lugar realmente seguro. (Eu)

Tirando-me desse pensamento ela falou:

— E a propósito meu nome é Lara. (Lara)

Seus olhinhos castanhos, quase cor de mel, brilhavam enquanto eu a olhava.

— Ah! E o meu é Rafael. (Eu)

Por um breve momento parei de pensar nas coisas em nossa volta, em minha mente só havia a imagem dela, com seus cabelos negros ao vento, mesmo não havendo vento por ali, algo que me é estranho, e aqueles olhos com um brilho que eu nunca vi antes.

Acabei de conhecê-la, será que estou me apaixonando? Não, eu não posso, nem a conheço direito, mas essa imagem dela não sai da minha mente, o que fazer? (Eu)

Novamente ela me tirou desse pensamento ao me chamar:

— Rafa. (Lara)

— Oi?! – Balancei a cabeça de um lado ao outro. (Eu)

Ela já até me deu um apelido... (Eu)

Quieta consciência, eu estou tentando ouvi-la aqui. (Eu)

— O que tem dentro daquela sala? (Lara)

Ela disse apontando para uma porta de madeira com vidro acima da mesma, no vidro estava escrito “Delegado Rodes”.

— Eu não sei, entrei a pouco tempo aqui e não achei nenhuma chave. (Eu)

Sua face um tanto avermelhada fez uma expressão de curiosidade.

— E precisa de chave? (Lara)

Enquanto eu, é claro, estava com cara de bobo.

— É... Sim, eu... Nunca roubei nada, então não pensei em outro jeito sem ser com a chave. (Eu)

Levei uma das mãos à cabeça e sorri meio atrapalhado.

— Não precisa não, só faz assim, ergue a sua perna e dá um chute para frente, eu acho que não tenho força para abri-la, já você por outro lado... (Lara)

— Tudo bem... Se você diz... (Eu)

Aproximei-me da porta e curvei minha perna como ela havia me dito, então humilhantemente eu tentei dar um chute na porta, mas não passou de um arranhãozinho, por outro lado meu pé acabou reclamando.

Lara levou a mão à boca e segurou um riso, o que me fez estufar o peito e tentar mais umas vezes, após três chutes seguidos a porta se abriu, enquanto eu me segurava para não levar a mão ate minha perna, mas não havia muita coisa, somente uma escrivaninha e um arquivo de aço com quatro gavetas verticais. Nem dei muita importância, mas após dar um aceno com a mão Lara entrou observando tudo, para ver se havia algo dentro da sala, abriu a gaveta da escrivaninha e não havia nada, frustrada deu um soco no arquivo fazendo com que ele fosse aberto, além dos papéis e pastas ali se revelou uma arma encostada no canto, perto de uma pasta que dizia as informações da mesma:

Desert Eagle

.44 Magnum

Pistola Semi-Automática

Ação simples

Operada por gás

3Kg

Prata

Utilizada na tentativa do ato de subtrair coisa móvel alheia para si, mediante grave ameaça ou violência à pessoa.

Cinco balas restantes

...

Lara pegou a arma e as munições e pareceu feliz me mostrando a arma com seus pequenos lábios carnudos em um lindo sorriso, que me fez sorrir por dentro, e por fora também.

Eu podia ter encontrado aquela arma se tivesse realmente vasculhado a sala como eu disse ter feito, ou se eu fosse curioso igual aquela linda... Para com isso consciência! (Eu)

É muito ruim se apaixonar em um apocalipse por alguém que conheceu há pouco tempo?

Ainda me olhando com aquele largo sorriso, ela me disse:

— Toma, fica com a arma para você. – Esticando a arma com a empunhadura virada pra mim. (Lara)

— Mas... Eu não sei usar... – Não preciso dizer que fiquei com cara de bobo. — Acho melhor ficar com você. (Eu)

— Mesmo sem munições eu já tenho duas, a minha e a do meu irmão, então pode ficar com essa. – Voltando a sorrir como antes. (Lara)

— Tudo bem... Mas então fica com esse meu pé de cabra, pra não ficar de mãos vazias. – Falei vasculhando minha mochila rapidamente, quando encontrei o pé de cabra o estiquei em direção à Lara. (Eu)

— Não precisa! – Disse juntando seus lábios e fazendo biquinho. (Lara)

— Eu insisto. – Disse eu com uma expressão séria em minha face. (Eu)

Ela parou, pendeu levemente a cabeça de lado e ficou me olhando por alguns segundos, então sem falar nada veio caminhando em minha direção, lentamente elevou seu braço e pegou o pé de cabra, tocando minhas mãos rapidamente com a sua, o segurou firme e guardou-o em sua mochila.

— Tudo pronto... Acredito que já olhamos tudo o que tinha pra se olhar, encontramos uma arma e agora vamos sair daqui à procura de um abrigo mais seguro antes do anoitecer. (Eu)

— Rafa você sabe se tem algum posto de combustível aqui por perto, onde possamos encher o tanque daquela moto? (Lara)

— Sim, eu pretendia justamente ir até lá quando vi alguns “deles” parados, e fui obrigado a entrar nessa delegacia. (Eu)

— Se não tivesse parado, não teria me salvado. (Lara)

— É... No momento do ataque daqueles zumbis eu estaria bem longe e não ouviria nem os gritos. (Eu)

— Mas vamos esquecer essa história e sair logo daqui. (Lara)

— Uma última conferida nas mochilas e já vamos. (Eu)

— Certo! Eu vou olhar pela janela para ver se o caminho está livre. – Enquanto caminhou em direção à lateral da grande porta de ferro. (Lara)

Vamos ver, a minha mochila ainda cabe muita coisa, e essa mochila do irmão dela só tem uma arma, então passa para a mochila dela a arma e temos uma mochila vazia!!! Nossa eu sou um gênio!!! Só Que Não. (Eu)

— Pronto agora temos duas mochilas não muito cheias e uma vazia que pode ir dentro delas. (Eu)

— Rafa eu não vejo nenhum deles daqui. – Disse aproximando a face da janela, enquanto observava e mudava o foco de sua visão. (Lara)

— Beleza... Eu vou abrir a porta e você fica preparada para qualquer coisa. (Eu)

Lara então pegou o pé de cabra da mochila e segurou-o firme com as duas mãos.

— Já estou com o pé de cabra na mão. (Lara)

Comecei a abrir a porta bem devagar para que não fizesse barulho, e notei que do outro lado da rua estava o irmão dela no chão caído e sendo aranhado e mordido por um único zumbi, os outros parece que desistiram e começaram a andar aleatoriamente por ai.

— Lara... Fica aqui que eu já volto. (Eu)

Parei segurando a porta, com um pé pra fora e o outro braço esticado em direção à ela.

— Pra que? – Me perguntou ela um tanto curiosa. (Lara)

— Só me espera que eu já volto. (Eu)

— Está bem! – Sua expressão mudou para de uma tristeza, como se ela tivesse se tocado do que eu estava tentando poupa-la. (Lara)

Peguei o meu bastão e fui em direção até o corpo dele silenciosamente, pé ante pé, observando se não havia outros dos lados. Meu coração batendo forte, minhas mãos levemente suando e minha respiração se tornando irregular. Quando cheguei perto o suficiente dele, bati na cabeça do zumbi que o estava mordendo, logo em seguida batendo mais algumas vezes para que ele permanecesse caído, depois acertei na cabeça de John para me certificar que ele não virasse uma daquelas coisas, guardei novamente na mochila o bastão e segurei os seus braços. O arrastei até dentro da delegacia, e junto de Lara encontramos uma área nos fundos da delegacia que havia um pequeno cercadinho com terra, ajudei ela a enterrar o corpo dele da forma mais improvisada possível no momento.

— Pronto agora podemos ir. (Eu)

— Obrigada! — Enquanto uma lágrima escorria de seus olhinhos, ela se aproximou e me deu um beijo em minha bochecha — Então vamos. (Lara)

Senti um pouco de calor momentâneo, ela estava bem próxima de mim, seus lábios quentes e macios tocaram minha pele, senti como se estivesse a derreter, sua respiração por um momento estava próxima da minha, não sei como, mas pude me controlar e voltei o foco ao assunto, quando ela se afastou.

— Já que temos pouco combustível... Vamos andando até o posto que fica a alguns quarteirões... (Eu)

— E se algum... (Lara)

Mal ela começou a falar e ouvimos tiros contínuos sendo disparados na rua. Corremos até a janela e um carro com vidros blindados e sangue no capô passou atropelando todos os zumbis que encontrava pelo caminho, não bastando isso, ainda havia um rapaz de jaqueta vermelha atirando de pé pelo teto solar, e a única frase que conseguimos ouvir:

— Vamos Fabiano acelera essa lata velha, quero chegar hoje ao acampamento! – Pelo tom parecia estar irritado. (Desconhecido)

Acampamento? Tem um acampamento protegido e ainda por cima com pessoas? (Eu)

Como era um carro mediano caberiam no máximo cinco pessoas dentro, pelo que percebi havia o atirador no teto solar, um motorista que se chama Fabiano e um terceiro que de dentro do carro gritou para o motorista, outros dois poderiam estar lá dentro quietos, e não saberíamos. E ainda por cima quantos poderiam ter no acampamento que eles disseram? Eu estava mais surpreso por pessoas terem feito um acampamento para se protegerem logo no primeiro dia do que qualquer outra coisa, parece-me que as pessoas daqui não estão tão desinformadas quanto a um surto apocalíptico.

— Agora mais do que tudo devemos ir, pois com aquele rifle atirando e o barulho do motor do carro muitos deles virão e poderemos não ter outra chance de sair daqui se formos cercados. (Eu)

Corri pela delegacia, ergui a moto e subi na mesma.

— Vamos! (Eu)

— Mas... Não íamos a pé? – Disse pendendo novamente a cabeça de lado e me observando. (Lara)

— Agora não mais. Com todo aquele barulho, muitos deles podem estar vindo, então não da mais para andarmos quietos e nos escondendo. (Eu)

— Certo então vamos depressa. (Lara)

Assim que terminou de pronunciar a frase ela subiu na moto e notamos um pequeno detalhe que não havíamos percebido antes, encostamos a porta e agora teríamos que abri-la antes de sair para a rua. Estávamos tão dispersos quanto ao carro que nem notamos essa relevante detalhe. Lara notou e desceu, pegou o pé de cabra com a mão direita com o intuito de se proteger, abriu a porta e falou:

— Três deles estão vindo pela rua. (Lara)

— Okay... Então vem logo, vamos para a direção em que o carro foi, e paramos para abastecer no caminho. (Eu)

Ela correu enquanto guardava o pé de cabra na mochila em sua frente, girou-a no próprio corpo, fazendo com que fosse parar atrás dela e subiu na moto, mas dessa vez com a porta aberta poderíamos sair. Uma breve acelerada para chegar até a porta e verificar o perímetro, em uma rápida contagem, lado esquerdo onde ficava a ponte havia treze deles vindo, e do lado direito só dois. A decisão estava clara, sem fazer muito barulho acelerei mais um pouco a moto, eles nos notaram, mas já era tarde e passamos pelos dois mortos-vivos canibais, seguindo em direção ao posto.

Foi um caminho muito longo, enquanto isso pensando comigo mesmo percebi que para arrancar a carne de seres humanos em uma mordida eles deveriam ter uma força sobre-humana, então deveríamos evitar combate corporal, somente com armas, de curto ou longo alcance, para não sermos surpreendidos e mortos pelos mortos-vivos. A pergunta em que eu pensava no momento era:

Como tantas pessoas acabaram pagando para ter as células implantadas, em um mundo que são poucos aqueles que tem dinheiro? (Eu)

Pelos céus passavam aviões a jato, era de se compreender, com o mundo começando a ficar surreal, logo no primeiro dia todos se importariam em salvar mais pessoas. Ao chegarmos no posto já estava escurecendo então deveríamos ser rápidos ou acabaríamos por dormir dentro dele. Devem ter se passado seis horas desde a minha saída de casa até o momento em que chegamos no posto de combustível, sendo para mim o dia mais longo de todos, mas era só o começo e nós sabíamos disso. Desci da moto e deixei as mochilas com Lara, para o caso de algo ocorrer fugiríamos depressa daquele local. Diferente da hora em que fui para casa, agora as ruas começaram a se encher de carros, todos tentando fugir para um local mais seguro, e em direção oposta a nós, todos saindo da cidade e passando pelo viaduto.

— Ainda bem que estamos de moto, porque senão ficaríamos parados em um engarrafamento igual a eles. (Eu)

Diferente do que se era esperado algumas pessoas estavam na fila para abastecer seus automóveis civilizadamente e fugir o mais depressa possível daquilo, para algum lugar seguro. Com o fim das transmissões da televisão e rádios as pessoas começaram a entrar em pânico, sem saber o que fazer e decidiram se arriscar na estrada. Por um questão de conhecimento nós dois sabíamos como matar essas coisas, então poderíamos sobreviver mais tempo que outras pessoas normais.

Com gritos vindos do lado que viemos decidimos nos apressar, mas a fila estava ainda com dois carros e três motos na nossa frente, e alguns mortos se aproximavam.

— Não teremos tempo de abastecer com tantas pessoas aqui Lara. (Eu)

— Há outro posto por perto? (Lara)

— Só do outro lado da cidade, que também deve ter pessoas tentando abastecer seus automóveis lá. (Eu)

— Com o combustível que temos, chegaríamos à outra cidade? (Lara)

— Em teoria sim, mas quer testar na prática? (Eu)

— Temos outra escolha? (Lara)

— Sim, ficar aqui esperando a nossa vez e morrer para os mortos-vivos. (Eu)

— Seu bobo, se não temos outra escolha vamos. (Lara)

Subi novamente na moto, e me afastei pelo lado oposto ao do viaduto. Alguns minutos depois alguém deve ter derrubado algum cigarro na gasolina ou acendido algo perto dela, pois uma explosão imensa acabou por acontecer levando aquele posto, as pessoas e os carros que lá estavam abastecendo. Ficamos surpresos com aquela explosão, e nos sentimos com muita sorte. Lara me informou que dois mortos chegaram perto da porta de um carro, assustando o motorista e fazendo com que ele disparasse com uma arma em sua direção, errando os mortos e acertando uma bomba de combustível.

Agora estávamos a caminho da outra cidade, lá deveria haver algum lugar seguro, por sorte acharíamos pelo caminho o acampamento daquelas pessoas do carro, que pelo que tinha escrito na frente se chamava Range Rover.

A sorte foi lançada, mas será que estaria mesmo do nosso lado?