Zodíaco: o experimento
2 Capítulo I
Notas iniciais
No outro dia, os seis primeiros competidores foram levados até a casa. Estes representavam os signos de terra e ar, e haviam sido os primeiros selecionados. A apresentadora, Amanda, estava parada no centro da larga passarela de entrada e saída da casa, o local onde aconteceriam as eliminações, e a seus lados, a plateia, que estava vazia. A sua frente, as seis SUVs que continham a primeira metade dos participantes e, atrás de si, seis cabines completamente pretas, que continham um papel e caneta em cima da prateleira que funcionava como mesa. Atrás disso, a porta para a casa na qual ficariam confinados. O ambiente inteiro variava entre tons de roxo, preto, branco e ilustrações de estrelas e constelações, assim como os cartões que Amanda segurava, que funcionavam para ela como um roteiro.
Pouco a pouco, as portas traseiras dos carros abriam e saiam de lá os competidores, todos vendados. Foram colocados em um semicírulo, um funcionário do reality ao lado de cada um.
— Sejam bem-vindos, competidores.— ela disse, assim que as câmeras voltaram-se para ela — Eu sou Amanda Griessen, e serei a apresentadora desse programa. Agora, vocês entrarão na casa do experimento, mas antes, deverão escrever sua teoria que merece ganhar um milhão de dólares. Nela, tudo o que devem colocar é sua opinião sobre a validade do zodíaco e como isso vai se refletir na competição, além de tudo, deve dizer, acreditando ou não em signos, que características do seu o farão ganhar. E, não se esqueçam que devem falar sobre a reflexão da validade do zodíaco em todos os signos, espero que tenham feito sua tarefa de casa. — um sorriso de escárnio estampou o rosto da apresentadora, que continuou a falar — Então, eu vou chamar um a um de vocês, ao escutarem seus nomes, serão guiados pela pessoa a seu lado até uma das cabines onde escreverão sua teoria e, quando eu falar o signo que você representa, poderá tirar a venda e fazer o que eu já disse, vocês terão cinco minutos cada um para escrever sua teoria. Boa sorte a todos.
Com isso, Amanda deu um tempo para que as câmeras mostrassem ao público de casa as cabines e para que os competidores pensassem em suas teorias. Depois desse curto tempo, ela começou a chamar os nomes.
— Harvey Marshall. — ela chamou, e o homem de cabelos levemente cacheados caminhou, a confiança e a prepotência óbvias em sua forma de andar. Assim que ele entrou na primeira cabine, ela foi fechada atrás de si. — Signo de touro. — após uma curta pausa, ela continuou — Donavan Gardner. — o loiro caminhou em passos longos, firmes e objetivos até a segunda cabine, que também teve a porta fechada atrás do homem. — Signo de virgem. Iris Allen. — a mulher de corpo esguio caminhou como se nem precisasse ser guiada, a aura de realeza sobre si, novamente, a porta foi fechada atrás da competidora. — Signo de capricórnio. E essa é a equipe dos signos de terra. Agora, signos de ar. Elliot Morris Bennet. — o homem alto andou rapidamente, tudo em sua postura mostrava dinamicidade e aproximação pelo novo, diferente. — Signo de gêmeos. — Amanda soou, assim que a porta se fechou atrás de Elliot. — Dylan Miller. — o rapaz andou, óculos de grau em mãos, já que estava vendado, um andar comum, porém cheio de personalidade, de quem se tornava um mistério tão grande que apenas detalhes incontroláveis falavam muito sobre si. A porta se fechou. — Signo de libra. Sonia Fisher. — a negra andou, reconhecendo que precisava ser guiada, mas sem perder a majestade, a atitude e a aura de liberdade que a seguiam e a faziam parecer a dona da porra toda, ou qualquer coisa nesse sentido. Portas fechadas. — Signo de aquário.
Cinco minutos depois que Harvey havia entrado na cabine, esta foi aberta do outro lado, o afastando do papel, e fazendo-o ver Amanda e um funcionário ao lado dela. Esse amarrou novamente a venda sobre os olhos de Harvey e, com um simples sorriso de Amanda, ele entrava na casa. O mesmo foi feito em seguida com os outros competidores, que ainda não haviam se conhecido. Ao fim, todas as teorias foram trancadas numa caixa completamente preta, levada então por mais um funcionário. Então, a apresentadora virou-se para a câmera novamente.
— Agora, todos eles serão deixados em seus quartos para conhecer seus colegas de equipe, e não poderão sair até que todos os competidores estejam na casa. Fique de olho neles depois do intervalo. — O sorriso de Amanda morreu à medida que a câmera foi desligada, e o foco foi dado a propagandas de supermercados e marcas aleatórias.
Elliot
Assim que Elliot entrou no quarto de sua equipe, arrancou a venda de seus olhos e a jogou no chão, podendo então observar o quarto, sendo o primeiro a chegar. As paredes eram de um azul extremamente claro, e a parede na qual ficava a porta era formata inteira por espelhos. Já na parede do fundo, o símbolo do signo de gêmeos em branco, pintado em estilo aquarela, e, encostada àquela parede, a cama designada a Elliot, sem cabeceira alguma e com os lençóis completamente brancos. Em cima da cama, almofadas em tons de azul, branco, prata e verde água. Ao lado direito da cama, a cômoda moderna branca que já continha as roupas do homem, enquanto, do lado esquerdo, jazia a mesa de cabeceira verde água, com o mesmo estilo arquitetônico que a cômoda. O chão era coberto por carpete de um branco acinzentado. Nas paredes laterais, pintados com o mesmo estilo e a mesma cor do símbolo de gêmeos, os de aquário e libra. Bennet seguiu até sua cama após analisar o quarto por completo e sentou em sua cama, bem à tempo de ver Dylan entrar, retirar a venda dos olhos, colocar os óculos e observar o quarto, até que seu olhar pousou no geminiano, que o encarava com um sorriso malicioso. Antes que Morris falasse, quis observar o colega. Os cabelos e olhos castanhos expressavam a seriedade que Miller tentava passar a todos, também expressa na camisa azul escura de botões e a calça escura alinhada. Porém, o sorriso contido na boca fina e a manga dobrada até o cotovelo do braço torneado, bem como a forma com que mantinha as mãos, com exceção dos polegares, dentro dos bolsos frontais da calça. O típico cafajeste disfarçado de moço de família.
— Então, libra ou aquário? — o mais alto indagou.
— Libra. — Miller respondeu, sentando-se em sua cama.
— Gosto. Não vai falar nada, querido?
— Calma, vai devagar. Vamos começar fazendo nosso plano de guerra?
— Nossa, já vai assim na lata? Não paga nem um jantarzinho antes? — Sonia, que acabara de tirar sua venda, falou, um sorriso brincalhão no rosto, com uma sobrancelha erguida de escárnio. A negra possuía lábios em tom amarronzado carnudos, olhos castanhos grandes e expressivos e o cabelo indomável parecia combinar com sua personalidade. Porém, a forma com que olhava para todos e a postura simples que levava mostravam uma pessoa gentil e doce, apesar de conter toda aquela atitude. Pulou então em sua cama e começou. — É melhor nos apresentarmos logo. Sonia Fisher, aquariana, 22 anos, modelo e trans. Se vocês tem algum problema com alguma dessas coisas é só falar, que a gente briga logo, se não, só amor.
— Calma, deixa eu só ver se entendi isso direito. — Elliot começou, parecendo e soando confuso. — Todo mundo nesse quarto tem ou já teve um pênis? — Ele olhou para Dylan e Sonia, procurando confirmação, que veio com um aceno de cabeça da parte de Sonia. — Que delícia. Eu sou Elliot Morris Bennet, geminiano, 22 anos, estudante de moda e um talento ainda não reconhecido no que se fala de brilhar. — a apresentação do garoto rendeu uma risada de descrença da mulher e um desvio de cabeça do outro homem, que falou:
— Dylan Miller, 21 anos, acabei de terminar a faculdade de medicina e estou a 6 meses da residência. Meu signo é libra e eu odeio perder tempo, então, por que não discutimos nossa estratégia? — ele finalizou, cotovelos apoiados nas pernas e corpo inclinado para a frente. Para eles, o jogo estava prestes a começar.
— É pra eu tomar nota? — Elliot olhou para os dois companheiros de equipe, esperando por uma resposta.
Iris
Iris, ao entrar no quarto no qual ficaria, retirou sua venda com um suspiro cansado. Olhou ao redor, e, ao achar sua cama, foi até ela e parou logo em frente a essa, para só então prestar atenção em seus colegas de equipe e o ambiente. No caso de seu quarto, as paredes eram num tom de marrom, as cômodas pretas e minimalistas e as poucas almofadas em tons de marrom, preto e branco, com o chão também de carpete branco. Parou então para olhar as pessoas abaixo das pinturas de virgem e touro. O virginiano, que estava sentado e cuidadosamente encostado em suas almofadas, possuía longos cabelos loiros, barba rala, piercing no nariz e olhos castanhos que carregavam uma atitude de “não fale comigo a não ser que seja totalmente necessário”, apesar disso, a educação rígida era óbvia na forma como se portava. Já o taurino, que permanecia em sua cama com uma expressão pensativa, tinha cabelos pretos cacheados, pele alva, olhos claríssimos e roupas casuais que deixavam certo que ele tentava chamar a atenção, sem deixar transparecer que queria aquilo. Sua postura era um misto de homem preguiçoso com a aura de um Al Capone enrustido, os olhos apertados mostrando que era o típico cara que quebrava corações sem intencionar.
— Então, o que é que a gente vai fazer? Temos tempo até a primeira prova, não vamos desperdiçá-lo. — Iris indagou, braços cruzados sob os seios.
— Calma aí, garota, nem sei teu nome. — o virginiano respondeu, impaciente.
— O que não aconteceria se você prestasse atenção no que a apresentadora lá falava. — ela retrucou.
— Então vai lá, garotona, diz meu nome. — o loiro desafiou.
— Donavan, e ele é alguma coisa Marshall. Pode parar de brigar por besteira? Obrigada. — e, com aquilo, Allen sentou em sua cama.
— Terminaram? — Harvey ergueu o tronco, impaciente. — Eu não tô aqui pra perder, muito menos ser eliminado no começo por causa de briguinha estúpida. Se quiserem planejar nossa estratégia no jogo, estarei feliz em contemplar a discussão com meus argumentos, se não, deixem que eu decido.
— Então tá, se eu for me esforçar, eu vou me esforçar muito, então boa sorte na liderança, gostoso. — o virginiano respondeu, se deitando como se fosse passar o resto do tempo descansando. Iris riu com escárnio.
— Olha, por minha análise nós só temos duas opções aqui, ou nós três decidimos a estratégia, ou você dorme e eu e o Marshall aqui nos resolvemos. A única diferença entre as duas opções é a quantidade de camadas de roupas que nos separam. — a capricorniana sorriu de lado para o taurino, os olhos castanhos refletindo luxúria. O moreno riu, sem negar ou concordar.
— Então eu acho que nós três vamos decidir tudo juntos. — Donavan sorriu, desafiador, para a mulher, que respondeu a ameaça à altura, antes que começassem a planejar seus movimentos.
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