Zodíaco: o experimento
3 Capítulo II
Notas iniciais
— Estamos de volta com Zodíaco: o experimento! — Amanda Griessen falou alto, falsamente animada. — Ontem vocês puderam acompanhar a chegada das equipes terra e ar, e suas tentativas de entrar na competição com o pé direito. Hoje, as coisas ficam realmente emocionais com a chegada dos competidores de fogo e água, que redigirão suas teorias à medida que eu chamarei seus nomes, da mesma maneira que foi explicada aos competidores de terra e ar. Preparados para começar? — ela sorriu mais uma vez para as câmeras, que passaram seu foco para os seis corpos vedados que compunham as duas últimas equipes. — Leona Wolf. — A ruiva começou seu andar simples, com passos curtos e firmes, enquanto sua boca se retorcia num sorriso convencido de quem achava que já ia ganhar. — Signo de áries. Scott Harris. — O homem seguiu com um andar calculado, quase militar. 1, 2, 3, 4. O maxilar travado e os braços balançando com o corpo, objetividade pura. — Signo de Leão. — a segunda cabine era fechada. — Olga White. — Com uma mão bagunçando o próprio cabelo e um sorriso brincalhão, Olga caminhou, tentando parecer relaxada. — Signo de Sagitário. E essa é a equipe dos signos de fogo. Agora, os competidores de água. Natalie Pierrat. — A loira começou sua caminhada com passos lentos e temerosos, como quem achava que iria bater de cara na cabine a qualquer momento, mas evoluiu para um andar rápido, como quem havia se cansado de temer tanto. — Signo de Câncer. Kasper Roth Heckmann. — O homem alto caminhou com passos curtos, e um sorriso enigmático no rosto, cada movimento parecia extremamente calculado. — Signo de Escorpião. Jane Vanderbilt. — A menina andou com passos sem um ritmo certo e comprimiu os lábios entre si numa postura curiosa, de quem estava louca para arrancar aquela venda. — Signo de Peixes. — Após aquilo, foi apenas o caso de guiar os competidores um a um para seus quartos, ao fim dos cinco minutos para escrever a teoria.
Scott
Ao entrar no quarto dos competidores de fogo e retirar sua venda, Scott avistou o símbolo do signo de leão pintado em aquarela branca, na parede do fundo. A parede, porém, era toda pintada num tom de vermelho entre escarlate e vinho. A cômoda moderna era completamente branca e as muitas almofadas variavam entre vinho, vermelho escarlate, salmão e branco. Fora isso, o carpete também era branco. Aos lados, camas iguais a de Scott, porém os símbolos na parede eram diferentes. Scott não conhecia muito sobre outros signos, mas pôde supor que eram os de seus colegas de equipe, Sagitário e Áries.
Na cama do lado direito, uma ruiva encarava Harris com um sorriso de quem está louco pra brigar, mas quer começar com o pé direito e parecer simpática. A mulher era pequena, e possuía um rosto angelical, anatomia pequena e doce, com olhos azuis emoldurados pelos cabelos de fogo. Mesmo assim, a última coisa com que poderia parecer era alguém inocente, carregava em sua postura o fogo de seus cabelos e um quê a mais, ainda indefinido.
— Desculpa, eu esqueci o seu nome, e o seu signo. — ele disse com um vestígio de sorriso sem graça enquanto andava até sua cama e sentava-se exatamente ao meio dela, com precisão militar, como sempre.
— Leona. — A ruiva abriu um pouco mais o sorriso. — E é Áries.
— Eu sou o Scott. De Leão. E não sei exatamente nada sobre o seu signo.
— Tudo o que você precisa saber é que é popularmente conhecido como satanÁries. — ela riu para o homem, que correspondeu, sem graça.
Nesse momento, outra pessoa entrou no quarto, se tratava então da competidora de Sagitário. Se o leonino não sabia nada de Áries, quem dirá Sagitário. Dessa vez, a mulher tinha proporções maiores, era alta, lábios carnudos e olhos bem abertos e extremamente claros. Os cabelos eram castanhos e estilosos, um corte de altura tipicamente masculina, que não deixavam de combinar com o conjunto.
— Oi. — A sagitariana disse, timidamente, após sentar em sua cama, venda em mãos.
— Que ambiente morto, parece até que a gente é de água. — Leona alfinetou. — O que vocês querem fazer? Plano de guerra? Dinâmica de grupo? Um ménage, talvez?
— Eu topo o ménage. — Olga falou, levantando uma mão e se afastando um pouco mais da ponta da cama. — E eu sou ativa.
Harris riu. — Por mais que seja uma proposta extremamente tentadora. — ele encarou as mulheres de cima a baixo enquanto escorregava o polegar sobre os lábios entreabertos, uma postura com traços de luxúria. — Tenho certeza que as outras equipes vão fazer um plano de guerra, e eu preciso desse prêmio mais do que todo mundo, não vou ficar pra trás.
— Empata foda. — Leona resmungou, fazendo Olga rir.
— Tudo bem, então, não vamos entrar em quem precisa ou não do prêmio, só vamos consegui-lo. — a sagitariana respondeu, dando de ombros.
Jane
Ao entrar no quarto dos signos de água, Jane deu alguns passos antes de tirar a venda e, quando o fez, se assustou com os dois pares de olhos a encarando e deu um passo para trás. Aproveitou enquanto o quarto ainda era silencioso e parou para o observar. Paredes em azul escuro, com símbolos dos signos pintados de branco em formato de aquarela, um em cada parede do quarto, já que a atrás de si era toda um espelho. As camas sem cabeceiras tinham várias almofadas em cima de si, essas variando entre azul claro, escuro, branco e verde água. Ao lado de cada cama, uma cômoda em estilo retrô, completamente branca, assim como o carpete do chão. Na cama encostada à parede do fundo, uma pequena loira de olhos claros e feições pequenas, que aparentava estar lidando com um misto de receio e excitação, além de uma alta atividade de pensamentos. Do lado esquerdo, mais um loiro. Mas agora um homem alto, cabelos penteados para trás, maxilar marcado e forte, olhos claros extremamente frios e incontáveis tatuagens espalhadas pelos braços.
— A gente não deveria... Falar alguma coisa? Tipo, se apresentar e tal? — a menina que Jane descobriu ser do signo de câncer indagou, tímida. O homem permaneceu calado.
— Eu ainda tô um pouco confusa, pra falar a verdade. Mas, Jane Vanderbilt... — a morena foi interrompida.
— Pisciana. — a loira completou.
— Ei, isso é rude! — Jane reclamou. — Sim, eu sou de peixes, mas inferir isso só porque eu falei que tô confusa é muito babaca da sua parte.
— Mas... Nesse quarto só tem gente de signo de água, eu sou de câncer, ele é de escorpião, restou peixes. Mas desculpa se minha lógica foi de alguma forma rude com você. — ela retrucou, sobrancelhas franzidas e um leve toque de ironia na voz.
— Ah... — a pisciana respondeu, envergonhada, enquanto sentava em sua cama.
— Terminaram? — O homem falou pela primeira vez, pondo os cotovelos sobre as pernas, numa postura focada. As meninas assentiram, estranhando a seriedade do homem. — Agora, nós vamos resolver o que fazer nessa competição. Estou aqui para ganhar, não fazer amigos, espero que sintam o mesmo. — Ele encarou as duas, uma de cada vez, de forma ameaçadora. — Mas isso não é motivo para não termos uma boa relação, porque teremos. Eu não sou um monstro, não precisam ter tanto medo. — ele deu um sorriso pequeno, cheio de sarcasmo. — A única coisa que eu exijo é que não invadam meu espaço pessoal, tudo certo?
— Claro. — as duas responderam em uníssono, ainda temerosas.
— Então, agora eu preciso de ajuda. — ele sorriu novamente, mas de uma forma menos irônica. — Preciso que me digam as características dos signos, todos. Não tive tempo de estudar a fundo, só o básico do básico. — a pisciana ergueu as sobrancelhas, enquanto Natalie franziu o cenho.
— Todos menos o seu, você quer dizer, certo? — Jane indagou, curiosa.
— Não, absolutamente todos. — ele retrucou.
— Então tá bom... — Natalie disse, endireitando sua posição na cama e olhando para o chão com os olhos levemente arregalados como quem se preparava para uma árdua tarefa. — Isso vai demorar um pouco. Quer começar? — ela ofereceu para a morena, ainda tentando organizar os pensamentos.
Sonia
Depois da noite que chegaram na casa, os membros da equipe de ar haviam, após formar uma estratégia de jogo, conversado sobre si e já se tratavam com mais simpatia. Porém, dois dias após terem chegado, em horário indeterminado – era proibido sair do quarto enquanto não fossem chamados, e não havia relógio nesse -, o clima tornou-se tenso. Algum tempo após Sonia, Elliot e Dylan comerem a simples refeição que deixaram em seu quarto, um pedaço do teto foi aberto e de lá desceu uma pequena televisão, em um local em que os três pudessem ler. Segundos após Sonia assumir uma expressão assustada, Dylan parar para focar na TV e Elliot xingar a televisão por tê-lo assustado, o televisor foi ligado, e o rosto de Amanda Griessen apareceu.
— Bom dia, competidores! Espero que tenham aproveitado bem seus primeiros momentos na casa. — Elliot revirou os olhos.
— Aproveitamos bastante, principalmente presos aqui. — Sonia falou debilmente para a TV.
— Mas, agora, — Amanda voltou a falar. — vocês deverão sair do quarto e entrar na porta a frente dele, todos vocês. O participante que desobedecer essa ordem e entrar em um dos corredores será gravemente penalizado. — ela ameaçou. — Avisos dados, espero todos para a primeira prova. — a apresentadora sorriu, e a televisão foi desligada e subiu para acima do teto, que se fechou novamente.
— Agora? — Elliot surtou. — A gente não tá preparado.
— Elliot, relaxa. — o libriano sorriu para o outro, estendendo uma mão para que esse se levantasse, enquanto Sonia já esperava pelos colegas na porta do quarto. Elliot suspirou e seguiu Dylan.
— Me ajuda, santa Gaga. — Sonia disse, abrindo a porta e saindo com os colegas de equipe.
O susto foi maior quando abriram a porta, já que viram cabelos ruivos entrando na porta a frente do quarto e, ao olhar para o lado, notaram uma equipe os encarando e outra saindo do próprio quarto.
— A gente deveria ir, vamos. — um homem loiro de cabelos longos falou, empurrando levemente o resto de sua equipe.
Sonia parou para olhar ao redor. Os quartos das equipes eram lado a lado, e as portas estavam dispostas em semicírculo. Em cada porta, havia o símbolo do elemento da equipe que nele residia, e as paredes eram de um branco perolado. O ambiente parecia moderno como todo. À frente dos quartos, três caminhos eram possíveis, dois corredores, proibidos por agora, e uma porta, exatamente no centro. Aquele era o matadouro. E a equipe de ar adentrou ele, logo após a equipe que, pelo que Sonia observou na porta que saíram, era do elemento terra.
Assim que entraram no ambiente, notaram um quarto completamente branco com um projetor que o iluminava inteiro com imagens de galáxias. Isso causou um estranhamento inicial em todos os participantes, que logo foi reduzido. No centro do quarto, a apresentadora do programa esperava que todos se organizassem. Logo a frente dela, estava uma grande bancada também branca, com pequenas placas em cima, e Sonia não conseguiu ler nada.
— Por favor, juntem as equipes. — Os competidores obedeceram, formando quatro grupos de três. — Desde que chegaram, vimos o total esforço de vocês em formar uma estratégia para ganhar a competição, mas eu tenho uma má notícia. — Assim como Sonia, todos os outros competidores esperaram atentamente pelo que Amanda diria. — Nós vamos mudar completamente suas equipes. Ou melhor, vocês vão. — o choque foi coletivo. Todos haviam se esforçado para bolar estratégias perfeitas, e tinham mostrado também suas intenções verdadeiras a pessoas que agora eram seus inimigos, e tudo parecia apenas um golpe baixo demais.
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