Zelus, Vindicta

6 The Night Before All


Notas iniciais
Capítulo de quarta na sexta SIIIM, meu PC não tava ligando e só foi arrumar hoje :( Domingo capítulo de novo, ok? ;)

Amanda Pavan
30/12/2014

Ainda não consigo acreditar que uma mulher morreu naquela boate. Poderia ter sido Fernanda, e quase foi. Flashbacks surgem em minha mente, mais ou menos organizados, seguindo o ritmo de como tudo aconteceu: arrastei Fer para o meio da pista, mas ela havia esquecido sua bolsa no bar, voltando para pegá-la, enquanto eu dava encima de um universitário ligeiramente atraente. Como ela estava demorando um pouco mais do que o necessário, fui ver se estava tudo bem, e a vi beijando o mesmo rapaz que eu a havia apresentado, um tal de André. Menos de vinte minutos dali, a coitada da desconhecida iria morrer, por uma infeliz coincidência, que foi ter pedido a mesma bebida que Fernanda.
André se ofereceu para levar Fer para seu apartamento, pagando um táxi após descobrir que moravam na mesma rua, e, mesmo comigo sendo totalmente contra essa ideia, ela aceitou. E, no momento, eu espero que esteja tudo bem com ela. Fora traída, quase assassinada, e ainda presenciara a forma como ela mesma iria morrer. Mas acredito nela, acredito que ela virá a superar isso, é uma pessoa forte de espírito.
Volto à realidade quando uma das luzes de sirene das viaturas policiais me cega por alguns instantes, com um brilho vermelho. Ainda estou em frente à Vindicta, tentando ouvir o que os policiais parados a alguns metros de mim estariam conversando, mas falhando miseravelmente, e esperando minha mãe chegar aqui. Roberta Pavan, a fenomenal e conhecida delegada, que com certeza estaria irada comigo, por ter vindo numa boate onde um homicídio viria a acontecer. É culpa do destino. E como eu havia avisado-a para onde iria antes de sair de casa com a Fer, no momento que falaram que uma mulher havia morrido na Vindicta, ela, possivelmente deve ter quase morrido junto, com sua imaginação fértil criando os piores pensamentos.
Alguns minutos depois, vejo a Range Rover branca, blindada, e reluzindo a iluminação dos postes da rua sendo estacionada desleixadamente, a vários carros de distância. Vejo minha mãe saindo dela, vestindo uma jaqueta de couro vermelha, calça jeans e um par de Nikes. Acho que combina com ela. Tudo combina com ela. Ela corre em minha direção, seus cabelos escuros e lisos, presos com um elástico saltando a cada passo, e a sua clássica expressão de fúria contida: testa franzida, formando algumas rugas de preocupação, apesar dos olhos aliviados por me verem.
–Amanda do céu, quase me mata de susto, garota. — ela diz, apoiando fortemente suas mãos em meus ombros, e eu estranho o fato de não haver nenhuma pulseira de ouro em seus pulsos. — Nunca mais faça isso comigo, nunca.
E termina a frase me abraçando exageradamente forte, me dando a sensação de que nada nunca viria abalar nosso amor.
–Filha...-começa ela, desvencilhando-se do abraço, com os olhos fechados, e inspirando uma enorme quantidade de ar, tentando controlar sua respiração acelerada.- Viu o que aconteceu? E, no momento em que o som da letra ''S'' sai pelos meus lábios, ela pega meu pulso, e me puxa em direção aos policiais, dizendo que eu daria como testemunha ocular do fato.
Após uma longa, exaustiva e repetitiva explicação para os policiais do que eu havia presenciado, vejo um táxi branco desacelerando pela rua, parando logo a frente das viaturas, e acompanhando-o com os olhos, vejo André e Fernanda descendo dele. Aponto para André, dizendo para os policiais que ele havia visto tudo muito mais de perto, e com certeza sabia de mais coisas do que eu. E graças a Deus, dá certo. Os policiais me liberam, e eu ando na direção de Fernanda.
–Amiga! -ela me abraça, e eu vejo seus olhos inchados de choro.- Tá tudo bem? Porquê não foi embora?
Movo minha cabeça na direção dos policiais e da formosa delegada que estavam a interrogar André, e vejo que ela nota a presença de minha mãe. Cansada do dia, e de toda a tensão, resolvo entrar na boate, repleta de alguns policiais conhecidos por mim, e me encosto em uma das várias paredes espelhadas. Fernanda me segue, e faz o mesmo.
–A gente nem foi pra casa sabe... — ela começa a falar, sua voz intensamente alterada pelo álcool. Deus, ela havia bebido muito essa noite, e todas as pessoas próximas dela, sabem da sua baixa tolerância a álcool.- a gente foi pra um bar e eu conversei com ele de tudo, amiga.- e acabando a frase, ela começa a rir lentamente, olhando para o nada. Bêbada.
–Quanto você bebeu?- resolvo perguntar rudemente. Com pouca fé que teria uma resposta.
–Ai amiga, só Deus sabe né...- e ri novamente, começando a rodar em plena boate, abrindo os braços enquanto faz a batida de alguma música eletrônica com os lábios. -aposto que o Rafael me ligou um moooonte de vezes né amiga, aquele canalha...
–É, deve ter te ligado sim.- resolvo fazê-la parar de girar, antes que caia no meio da boate cheia de policiais. Puxo seus ombros, a deixando de frente para mim. Ela ri um pouco, e eu sinto o forte cheiro de álcool vindo de sua boca. E, no momento em que resolvo chamar sua atenção, e falar para ela se controlar, ela para de rir, e desajeitadamente, vira de costas para mim, vomitando algumas vezes no chão negro.
– Vamos se limpar no banheiro né, já deu de beber por hoje. -pego seu braço direito, e o boto por cima de meu pescoço, ajudando-a a se equilibrar. Aviso um dos policiais que estou levando ela se limpar, e quando ele autoriza, cruzamos lentamente a pista de dança. Vejo um dos funcionários entrando no banheiro feminino, possivelmente para limpá-lo, já que todo mundo já havia deixado a boate, ou sido expulso.
–Ai amiga...- Fernanda começa novamente, alternando palavras com risos.- O André não é um fofoooo? E ele é gostoso né. -ela ri descontroladamente, e eu também.
–Fernanda!- apreendo-a, ainda rindo, e abro a porta do banheiro feminino. Vejo os vários cubículos brancos, todos de porta encostada, e nos dirijo até a pia.- Você não pode beber tanto, sabia? Nunca vi você tão alterada.
Ela geme em resposta, e abre a torneira, se apoiando sobre a pia de granito, para lavar seu rosto, e possivelmente fazer um bochecho com um Listerine que ela carregava em sua bolsa. Pego meu celular, me apoiando na parede do banheiro, e o desbloqueio, curiosa pelos ícones de mensagens.
Mãe — vinte minutos atrás
AMANDA NOBRE PAVAN, CADE VC
Mãe- dezenove minutos atrás
ME RESPONDE AGORA!!!!!
Mãe- dezoito minutos atrás
Tô no carro indo praí AGORA menina.
Ouço uma das portas se abrir rapidamente, a porta do último cubículo, que estava a uns oito metros de distância de nós, e vejo o mesmo funcionário que havia entrado no banheiro com um punhal em sua mão, correndo do último cubículo na direção de Fernanda. Dou um berro, esperando alertar os policiais do outro lado da pista de dança, e claro, a Fer. Ela percebe um pouco depois de mim, e fica paralisada. Puxo ela em minha direção, mas ela não coopera. Arranco um dos meus saltos, e o arremesso na direção do funcionário, acertando-o em cheio no rosto. Ele para de correr por um momento, e resolvo aproveitar esse ínfimo espaço de tempo para fugir com Fernanda. Tropeço e caio no chão, esquecendo do fato de ter tirado um dos saltos. Tudo aconteceu muito rápido. Desde a porta aberta até agora não haviam se passado nem cinco segundos. Bato com o rosto no chão frio, e vejo um par de Nikes cor-de-rosa passar por mim.
–Não toca na minha filha, seu filho da puta. — ouço a voz de minha mãe, e esboço um sorriso, pelo menos internamente, até eu me virar e ver ela o imobilizando no chão, o punhal jogado alguns metros para trás. Numa fração de segundos outros policiais chegaram, passando por mim e por Fernanda, essa desmaiada no chão, devido a bebida e a adrenalina.
Vejo uma mão estendida para mim, com unhas impecavelmente pintadas de vinho, e a seguro, me levantando.
–Brigada mãe. -digo, a abraçando. Sinto sua respiração acelerada novamente.
–Você foi muito corajosa, filha. Muito mesmo. — ela diz, mas meu arremesso de salto não se compara ao mix de artes marciais que ela com certeza havia aplicado, e isso eu tinha certeza. Minha mãe é a pessoa mais versátil do mundo, quem diria.
Aquela noite nós não dormimos. André carregou Fernanda até meu carro, e eu o agradeci, de verdade, por tudo o que ele havia feito. Eu e minha mãe chegamos em casa as cinco da manhã, depois de mais e mais depoimentos para policiais. Mas não havia do que reclamar...

Amanhã é a fantástica festa de Ano-Novo da família Pavan, e com certeza, será espetacular, inesquecível.

Notas finais
É DOMINGO QUE VAI ROLAR A FESTA, AEHOHOHOO