Zelus, Vindicta
2 Hellish Night
Notas iniciais
Novos capítulos de quarta e domingo ;)
Fernanda Abigail
28/12/2014 Me olho no espelho e vejo essa garota sexy, e segura de si. –Fernanda Abigail Almeida, você é linda.- digo para mim mesma. Cabelos castanhos me caem até a altura dos seios, nesse jeito especial deles: Começam lisos, e se encaracolam conforme vão se aproximando das pontas. Mesmo que todas as minhas tias e avós já terem dito que isso é um certo charme, e que eu viria a atrair todos os homens perto de mim, eu só cheguei a me apaixonar verdadeiramente por um rapaz -meu atual namorado, Rafael- e hoje eu teria um encontro com ele, hoje é nosso aniversário de dois anos. Continuo me encarando no espelho. Agora não vejo mais a garota segura de si, mas sei que ela está lá em algum lugar, mas não aqui, não agora. Nem sei se minha roupa está adequada pra tal ocasião. Uma saia longa pérola, combinando com uma blusa solta, essa branca. Já já vai anoitecer, vai esfriar. Pego um casaco marrom claro, ligeiramente comprido, e o visto. Sinto a garota segura de si voltando. Sorrio para mim mesma. Saio de frente do espelho e me dirigo ao meu criado mudo, onde deixo minha caixinha de jóias. Não são muitas, nem tão valiosas, mas eu tenho uma afeição especial por cada uma delas. Pego um par de brincos dourados em formato de folhas, e um anel prateado com um citrino dourado, não muito grande. Jóias delicadas e uma roupa inocente. Amo causar essa impressão nele. Pego minha bolsa, as chaves de casa e meu celular, que estava carregando, e saio do meu apartamento. Pego trânsito em uma das avenidas principais da cidade, mas pelo menos o rádio me entretém. ''Hey Soul Sister'' é uma das minhas músicas favoritas, e canto ela loucamente dentro do meu Fiat 500. Percebo que uma criança no carro ao lado está me encarando com uma cara de espanto impagável, mas eu não dou a mínima. Hoje eu completo dois anos de namoro com o homem mais perfeito do mundo, e o dia não tem como melhorar. Pelo menos eu achava que não. Assim que a música acaba, meu celular apita, com o toque especial do Rafa, ''Sutilmente'', do Skank. Não é lá a música mais romântica do mundo, mas nosso primeiro beijo aconteceu enquanto essa música tocava, e não tinha como esquecer. Com meu carro ainda parado no congestionamento, resolvo olhar a mensagem que ele havia me mandado. ''Fer, aconteceu um imprevisto no trabalho, não vai dar pra ir hoje, amanhã compenso isso... ;)'' E isso foi como uma daquelas ondas na praia, que se chocam contra você, e você cai no chão de areia, se ralando por inteiro, e ainda é arrastado uns metros pela onda. Comigo foi um tsunami. Uma semana inteira de ansiedade pra esse dia, nesse restaurante, e ele desmarca. Apesar de tudo, eu estou a duas quadras do restaurante, e a cinco quilômetros de casa. Resolvo jantar lá, com ou sem ele. O aniversário ainda está aí, não vou passar ele vendo TV deitada no sofá. Manobro muito rapidamente meu Fiat 500, e o estaciono praticamente em frente ao restaurante, atrás de um Altima preto, da Nissan. Entro no restaurante, e peço uma mesa para um, no caso, eu. Sozinha. A funcionária me deixa escolher a que eu quiser, como o restaurante está praticamente vazio, há várias mesas a disposição. Pego uma perto das janelas, para sentir a brisa da noite. Um garçom particularmente charmoso me atende, e eu peço uma salada Caesar com molho de iogurte, e um martíni de limão. Com mais vodka, menos limão. A bebida chega, como de prache, antes da salada, e começo a bebericar ela. Começo a pensar sobre como hoje em dia as bebidas são caras, mas me distraio quando uma loura fenomenal de olhos cor de esmeralda, vestindo um vestido de noite cinza e preto, absolutamente perfeita, passa ao lado de minha mesa, e continua andando por mais alguns segundos, até se sentar em uma mesa atrás de um pilar. Dou de ombros, e continuo bebendo meu martíni. ''Sutilmente'' começa a tocar dentro do restaurante, e eu realmente não estou a fim de ficar com o Rafa na cabeça. Viro a taça de martini, e me sinto ligeiramente tonta. Acho que vou ligar para a minha amiga vir me pegar, ela mora aqui por perto. Assim que saco meu celular, ele desliza e cai no chão, e eu o pego, percebendo outra coisa no pé da minha mesa: um anel. Um anel de ouro, certamente. Muito pesado para ser bijuteria. Desconfio que seja da mulher que passara por aqui agora a pouco. Resolvo ir perguntar, nunca roubei nada e não pretendo começar agora, num momento de quase embriaguez. Pego o anel do chão, e ando na direção que ela havia andado. Ando para lá atenta na televisão do restaurante, que exibia o Jornal Local. Quando me viro, vejo ela, e o Rafael.Os dois de mão dadas, com duas taças de vinho tinto pela metade. –Ah, querida, isso aqui é meu. Obrigada.- ela diz, tirando o anel de minhas mãos. Mas não reajo, permaneço estática. Não sei o que fazer, fico sem chão, desamparada. –Fernanda..-Rafael começa, engolindo em seco. Olho para ele, ainda parada. Percebo gotículas de suor refletidas pela luz suave das lamparinas. –Não.-eu digo. Sinto as lágrimas brotarem em meus olhos, olho pra cima e começo a bater os pés no chão, como uma criança fazendo birra. Ouço a loura perguntar para ele quem eu era, o que eu estava fazendo aqui. Continuo batendo o pé no chão, num ritmo constante, para tentar ocupar meus pensamentos. Falho em minha missão. Ouço ela lhe dar um tapa, e saindo pisando duro. Rafael põe as mãos em meus ombros, e eu olho para ele. Seus olhos estão vermelhos e inchados. Não mais vermelhos que a marca do tapa em seu rosto, felizmente. –Me perdoa, por favor, Fernanda.- diz ele, mordendo o lábio inferior. Gostaria de dizer que foi por causa do martíni. Gostaria mesmo, mas não foi: meto uma joelhada em sua virilha, que o faz cair no chão, gemendo. De repente um garçom me puxa para trás com delicadeza, e me diz para manter a calma. Viro para ele, fazendo questão de que Rafael esteja olhando, e percebo que é o garçom charmoso que me atendeu. Não penso duas vezes e lhe tasco um beijo voraz, que para minha sorte, foi correspondido. Ele me puxa pela cintura, e eu passo a mão por seus cabelos curtos. Vou até minha mesa e abro a bolsa na maior velocidade que eu posso, volto com uma nota de cinquenta na mão, e enfio dentro do bolso do palitó do garçom. Ouço Rafael chamar pelo meu nome, mas não ligo. Entro no meu Fiat 500 e acelero. Choro desesperadamente, pelo jeito com que aquele cretino me tratou, e penso em quanto tempo ele estaria fazendo aquilo. Choro ainda mais. Lembro que o Altima preto não estava mais estacionado em frente ao meu carro, e me pergunto se era da loura. Na verdade, não quero saber. Continuo acelerando, até chegar em casa.
Chegando, destranco a porta, entro, e a bato atrás de mim. Olho para a minha sala, e meu diploma de Direito na parede. Eu, uma advogada corretíssima em tudo o que faz, num escândalo desse, fútil. Sento no chão, descalçando os saltos, e jogando-os no outro lado da sala. Abraço meus joelhos, e choro até não poder mais.*** Dentro do Altima preto, em seu vestido impecável, a loura sorria. Menos um obstáculo em seu caminho. Ela desce do carro, e anda pelo calçadão da praia, se abanando com um leque preto e cinza, assim como o vestido. O mar era a única coisa que lhe dava paz, em toda sua vida. Lhe trazia algumas memórias... felizes, se é que ela poderia chamá-las assim. Tira suas sandálias ornamentadas com brilhantes, e anda pela areia até que as ondas refrescassem seus pés. Ela sorri. – Que tudo dê certo. -ela diz, conversando sozinha, divagando em meio a pensamentos tão profundos quanto o oceano.
Notas finais
Como já disse antes, capítulos novos de quarta e domingo. Eles se focarão no mesmo personagem, uma semana cada um, mas haverá um padrão. ;)
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