Yunho Em: Aguardando Sua Chegada
1 Capítulo 1
- Estas noites estão parecendo mais longas e tristes. Minhas memórias não me deixam dormir sequer uma hora sem acordar em desespero, completamente apavorado e suando como se estivesse sob uma temperatura de 45º. Me sinto em um inferno. Sempre tenho o mesmo pesadelo. Sei que tudo isso é um aviso, esse pesadelo quer mostrar para onde irei quando minha última centelha de vida mortal se extinguir... Tive uma vida cheia de pecados e mentiras... Agora me pergunto sobre meu leito. De que valeu toda minha vida de celebridade? – um homem pensava isso logo após acordar de seu pesadelo. Seus olhos estavam fixamente vidrados no teto de um quarto escuro. Em seu rosto estava estampado todo o peso de uma vida libertina, repleta de vadiagens e sem preocupações. Suas olheiras eram profundas e suas rugas lhe davam no mínimo 70 anos, mas isso era muito mais do que sua verdadeira idade: 52 anos. Nem de longe ele lembrava o homem que tinha sido 29 anos atrás: Jung YunHo. Ele decidiu fechar seus olhos que estavam secos, entrelaçou os dedos de suas mãos que repousavam sobre seu peito, suspirou profundamente e só então reabriu seus olhos. Varreu aquele escuro e solitário quarto com seu olhar triste. Pensava em como se sentia sozinho.
- É triste ver meu fim... Completamente abandonado neste quarto. Parece que todos me esqueceram... Mas eu dei motivos... Apenas ela se lembra de mim e eu nem sei o por quê... – o agora velho Jung Yunho colocava suas pernas para fora da cama, se separar do lençol branco que cobria seu corpo seria uma verdadeira batalha, por isso decidiu primeiro se sentar na cama pra depois tentar começar e vencer aquela “luta”. Seus pés começaram a tatear o fio piso de cor clara, enquanto isso todo seu tronco, braços e cabeças ainda permaneciam sobre a cama. Começou com muita dificuldade a se erguer, apoiou seus cotovelos na cama e então passou a se levantar, seus ossos doíam, aquilo tudo era muita força para um corpo já cansado e fraco. Se sentindo extremamente desgastado e a ponto de ter mais um taquicardia finalmente conseguiu se sentar na cama. Ajeitou-se o máximo que pôde e pensou com um sorriso meio torto nos lábios:
- Primeira batalha vencida.
Pois é. Apenas a primeira batalha. Agora viria a próxima, que poderia ser considerada uma guerra. Teria que se livrar do lençol. Puxou de um lado, puxou de outro e nada... Tinha se sentado sobre ele. Logo pensou que deveria se levantar, assim o lençol cairia até seus pés e finalmente o livraria daquele “martírio”... E o fez. Todo seu plano funcionou perfeitamente e finalmente ele se viu livre daquela porcaria que só o atrasava. Levantou um pouco seu joelho já tomado pela osteoporose e passou por cima do lençol.
Naquele quarto escuro e deprimente a única coisa que se podia enxergar eram o interruptor branco fluorescente que mesmo na penumbra ganhava certo destaque e o clarão que entrava pela janela... Ele caminhou em passos mancos até aquela janela e olhou para a rua que se encontrava do outro lado, estava deserta. Já era madrugada de segunda, a maioria das pessoas estava dormindo, em sua maioria acompanhada por seu parceiro, por seu amante... Mas ele não. Estava ali. Completamente solitário. Como lamentava isso, como lamentava ter perdido sua única chance de desfrutar um amor puro e verdadeiro. Naquela noite caia uma leve garoa e ao som dos discretos pingos que caiam sobre o solo seus olhos começaram a se encher de lágrimas. Olhava aquela imagem e todo seu vazio aumentava. Rua deserta, uma leve chuva caindo, o balançar tímido dos galhos da árvore... Tudo contribuía para alimentar seu sentimento de solidão e aumentar o imenso buraco vazio que habitava seu fraco coração.
- Como estão sendo difíceis esses meus últimos dias. Por que ela não chega logo e acaba com todo meu tormento? – pegou as duas cortinas cinza de seda com ambas as mãos e as fechou com rispidez. Começou uma caminhada em direção ao interruptor enquanto se apoiava nas paredes. Já tinha se cansado de tanta escuridão em sua vida. Tropeçou em alguma que não sabia o que era e por sorte não caiu. Naquela fase de sua vida um tombo se não o matasse não seria bem vindo.
Finalmente alcançou o bendito interruptor e a primeira coisa para qual olhou foi para um jarro de margaridas que estava do outro lado do quarto, bem perto da porta de entrada. Logo percebeu que teria que enfrentar outra batalha, agora teria que chegar ao jarro, era tudo o que queria naquele momento. Olhou para sua bengala que estava recostada na parede, a pegou e saiu caminhando em direção ao jarro de lindas margaridas, só aquelas flores tinham um ar de vida naquele quarto. Suas pernas, seu quadril, o braço que segurava a bengala, tudo doía. Eram dores agudas, pareciam pontadas, mas ele não desistiu. Não daquela vez. Queria ter tido toda aquela força anos atrás, queria ter tido toda aquela vontade, aquela atitude pra lutar por algo que lhe era muito mais importante.
Chegou à mesa onde estavam as margaridas. e levou seus olhos para um pequeno cartão que estava ao lado do jarro, o pegou e releu em voz alta talvez pela 35ª vez:
- Nunca perca sua esperança.
Fechou seus olhos enquanto suspirava. Suas lembranças o levaram para 29 anos atrás.
Ele era o belo jovem de cabelos castanhos, médios e com um corte repicado. Suas roupas tinham um estilo moderno. Vestia uma jaqueta repleta de zíperes que estava sobre uma camiseta branca, sua calça era de um jeans escuro e estava “enfeitada” por cinto de rebite e algumas correntes. Ele caminhava abraçado a dois de seus companheiros de banda, Max ChangMin e Hero JaeJoong. Micky YooChun e Xiah Junsu estavam cada um em uma ponta e olhava para os outros três. Todos gargalhavam, pareciam muito felizes. Conversavam sobre assuntos banais, até que Yun se deparou com ela do outro lado da rua. A única reação do jovem foi parar imediatamente e ficar apreciando a bela moça de cabelos longos e num loiro descolorido. Hero estalou seus dedos na frente do outro que parecia fascinado:
- Terra chamando YunHo, YunHo está dormindo de olho aberto. – Mas não teve muito êxito. O rapaz continuava no mesmo estado, boquiaberta e olhos brilhantes em direção a jovem, admirava a mulher de cabelos descoloridos. Estava mais que fascinado e a olhava de cima em baixo. Ela também tinha um estilo bem moderno. Vestia uma micro saia preta pregada, blusa branca com uma estampa preta de um ursinho fofo. O que mais lhe chamava a atenção eram as meias ¾ brancas com listras pretas que ganhavam ainda mais estilo porque tinha como “companhia” botas de cano médio preto com brilho envernizado, a bota era amarrada por cadarços e tudo aquilo era tão sexy para ele... Passado o momento de transe deu tapinhas no peitoral de JaeJoong, sem desviar seu olhar da garota e disse sorrindo:
- Espera que eu já volto.- correu até ela atravessando sem olhar para lado algum, só sabia olhar para ela. Chegou do outro lado e parou em frente dela dando seu melhor sorriso acompanhado de um simples:
- Oi!
A moça o olhou, ajeitava umas flores em um vaso qualquer, deu um simpático, mas tímido sorriso e voltou às suas flores. Nem se deu ao trabalho de respondê-lo.
YunHo se sentiu meio ignorado. Olhou ao seu redor e percebeu que estava na entrada de uma floricultura, se voltou novamente para a moça dizendo:
- Trabalha aqui?
A loira pensou por uns segundos e depois apenas fez que sim, mais uma vez sem olhá-lo.
O rapaz fechou seus olhos e respirou bem fundo para poder contemplar o cheiro sem igual de todas aquelas flores. Depois os abriu e sorriu novamente, perguntando:
- Deve ser ótimo trabalhar aqui.
A moça que estava abaixada, colocando um outro vaso por cima da parte baixa da prateleira pensou mais um pouco e fez que sim e mais uma sem olhá-lo.
Yun permaneceu calado por alguns instantes. Agora observava as belas e bronzeadas pernas da moça, ela ainda arrumava as flores e parecia nem perceber o olhar fixo do outro. Era inverno na Coréia, o sol nunca tinha aparecido, não que ele se lembrasse. Onde ela tinha conseguido aquela cor de pele tão sedutora? Para ele pouco importava onde ela tinha ganhado todo aquele bronzeado, o que importava era que ela estava ali, com aquelas pernas da cor do pecado, pareciam implorar para serem admiradas e ele o fazia sem nenhum contragosto.
A menina se levantou dando um suspiro cansado e prendendo seus cabelos. O líder do DBSK (*w*) a cada segundo que passava ficava ainda mais intrigado com toda aquela atitude. Perecia que ela nem percebia sua presença, se percebesse o estaria desprezando. Mas como assim? Desprezando logo ele? Um dos homens mais desejados da Coréia? Só da Coréia não, de toda a Ásia. (e do mundo também Yun, Uia nós aqui babando por tu. o//.. Tá... Parei). Ele era o líder da boy band mais promissora e conceituada daquela época. Como alguém poderia ignorá-lo daquele jeito? Tudo aquilo realmente era muito estranho pra ele, o deixava muito confuso, confuso, mas tentado cada vez mais a conversar com aquela bela moça que o ignorava sem cerimônia. Ele queria atenção, queria pelo menos um olhar, uma palavra...
“Isso vai ser um ótimo desafio” – pensou ele esboçando um sorriso sacana. Colocou as mãos nos bolsos de trás da calça e se inclinou em direção a moça:
- Você por acaso é muda?
Ela limpava um dos vasos e repentinamente jogou sua água bem próxima ao rapaz que se esquivou pulando, mas alguns respingos ainda lhe acertaram. Ela riu daquela situação, não tinha feito por mal, mas até que tinha sido engraçado... Principalmente a cara dele.
Então finalmente ela respondeu enquanto limpava suas mão na micro saia, só nesse instante o olhou diretamente:
- Não! Não sou.
Então naquele momento ele pode contemplar os belos olhos da mulher, era um castanho profundo, tão misterioso, um pouco selvagem, mas tinha um ar de inocência.
A loira de profundos olhos castanhos começou a andar e foi seguida pelo rapaz.
- Você nem vai me pedir desculpas? – perguntou ele sorrindo e ainda com as mãos no bolso.
- Não! A culpa não foi minha. – respondeu ela enquanto caminhava dando algumas súbitas paradas para ajeitar outros vasos. Nessas paradas os dois quase que se esbarravam. YunHo parou inúmeras vezes a quase um palmo de distância dela. A moça continuava andando e ele indo atrás.
- Se não pode me pedir desculpas, ao menos me diga seu nome.
Ela se parou mais uma vez, daquela vez o contato foi inevitável. Yun com o “encontrão” se aproveitou para colocar as mãos sobre a delicada cintura da jovem e traze-la para mais próxima de si, sentiu um perfume maravilhoso que vinha dela. Aproximou seu rosto do pescoço da mulher, ela exalava um perfume suave, parecia o perfume de jasmim. Ele fechou os olhos mais uma vez, agora para apreciar o perfume daquela mulher. Enquanto ele estava quase hipnotizado a moça estava com seus olhos arregalados, meio assustada e confusa agora. Não entendia o motivo de ter ficado arrepiada. Pois sim! O toque daquele homem, a proximidade de seus corpos e tudo mais tinham lhe causados arrepios intensos e ela não podia sentir aquilo. Tratou de tirar as mãos dele imediatamente de sua cintura, deu alguns passos para frente até criar certa distância e só então se virou. O moreno continuava com um ar meio distante, meio bobo.
Ela respondeu com uma expressão bem séria:
Me chamo Katherine. – se virou novamente e caminhou até o fim da floricultura onde ficava o balcão com a caixa registradora, a abriu e começou a contar os lucros que estava tendo naquele dia que parecia meio “morto”. Tudo sob o olhar atento de Yun, que insistia em segui-la e puxar papo:
- Katherine?
Ainda séria e contando o dinheiro ela respondeu:
- Sim! Isso mesmo! Só não me venha falar que é diferente e tal... – jogou o dinheiro de qualquer maneira dentro da caixa e a fechou bruscamente.
Ele colocou os cotovelos sobre o balcão, apoiou seu rosto (lindoo! lindoo! o//) nas mãos e sorrindo disse:
- Não ia falar isso. Só ia falar que é um nome lindo, digno de uma pessoa como você. – apesar do elogio a menina pareceu nem se importar. Cruzou os braços na altura do peito e começou a bater um dos pés, parecia ansiosa e irritada. Encarava o rapaz de uma maneira que assustaria qualquer um, mas com ele era diferente, a pose da garota era tão desafiadora e aquilo o dava ainda mais motivação para continuar com todo aquele “desafio”. Ele deu as costas para o balcão e começou a olhar para toda a floricultura e mais uma vez perguntou:
- Quais são suas flores favoritas?
- Margaridas! – disse ela parecendo baixar um pouco a guarda.
- E onde as encontro? – ele virou a cabeça a fim de olhar para a mulher nos olhos.
- Ali! – ela respondeu apontando para uma mesinha que estava bem no centro da loja. Ele foi até aquela mesa repleta de vasos de margaridas e escolheu apenas uma, a que em seu ver lhe parecia a mais bela. A tirou do vaso, arrancou metade do seu cabinho e voltou. A mulher o olhava curiosa. Ele foi até ela e sem falar nada colocou a flor em seu cabelo loiro. Só depois disse olhando para ela e parecendo ainda mais encantado:
- Ela também gosta de você. Vocês se completam em perfeita harmonia. – sorriu e Katherine fez o mesmo.
YunHo não perdeu a oportunidade de comentar sobre aquele fato:
- Olha! Parece que finalmente tive uma vitória! – ele se sentia muito feliz, depois de tanto desprezo, olhares tortos e palavras ríspidas, finalmente tinha conseguido arrancar um sorriso sincero e bem aberto da moça.
- Não conte muito com isso. – o comentário de Katherine poderia acabar com toda a felicidade do líder, mas seu tom não despertava muita seriedade, por isso ele não se importou muito, mesmo assim começou a fazer um pouquinho de drama:
- Não me fale isso! Não destrua minha frágil esperança. Sou apenas um “infeliz” mortal tentando agradar a mais bela das deusas. – disse ele com uma carinha fofa que derreteria até o mais duro dos corações.
- Own! – ela apertou a bochecha do “mocinho kawaii” e disse sorrindo: — Mas quem sou eu pra destruir o frágil fio de esperança de um pobre mortal? Pode continuar iludido. – agora ele sorriu.
Katherine olhou para o relógio que marcavam oito e quarenta da noite:
- Nossa! Está tarde! Tenho que fechar a loja! – logo depois caminhou em passos rápidos até a porta de entrada.
- Mas por que você não pede para algum... – ele olhou por toda a floricultura e só havia os dois lá dentro.
- Acho que te exploram aqui, hein? – Yun caminhava em direção a loira que dava pulinhos tentando alcançar a porta de ferro que era daquele tipo que você pega, puxa e desce (a autora não sabe o nome... ¬¬’). O rapaz chega perto dela e é só estender o braço que já alcança a porta, então ele a desce:
- Baixinha! – disse ele rindo e logo depois ganhou um soco não muito forte na boca do estômago, mesmo assim continuou a sorrir.
- Baixinha nada! Você que é uma girafa de cabelo meio arrepiado. – ela também rindo.
- Girafa? Mas que apelido infantil!
- Bem digno para você. – ela agora fez uma cara séria, séria, mas falsa.
- Hm... sei não... acho que devo levar isso como uma ofensa.
- Que nada. – ela voltou a sorrir: -... foi só uma brincadeira.
Os dois ficaram calados por alguns instantes, até ela quebrar o silêncio:
- Preciso ir.
- Quer que eu te leve para casa?
- Não precisa! Eu moro aqui atrás da floricultura. Só preciso que você suba um pouco dessa porta.
- Opa! É pra já. – e ele o fez.
Ela abaixou um pouco a cabeça, depois olhou pra ele dizendo sem nenhuma expressão em especial:
- Adeus!
Ele agora de braços cruzados lhe respondeu:
- Adeus nada! Apenas um até logo. Amanhã eu volto.
Katherine deu de ombros parecendo não se importar com o comentário e entrou muda. Mas lá dentro deu um imenso sorriso. Do lado de fora Yun voltou a fechar a porta, do lado de dentro Katt a fechou com um imenso cadeado.
Voltando para seu hotel sozinho, os meninos já o tinha abandonado fazia tempos, ele caminhava calmamente e falava baixinho:
- Ela só podia não saber quer eu era...
Mas ele estava completamente enganado com aquelas palavras. Katherine sabia exatamente quem era ele e o contaria semanas depois quando eles finalmente...
Mas... O que era aquilo?
Ele voltou ao seu tempo presente. Todas suas doces lembranças estavam sendo interrompidas por uma forte e intensa dor no peito, seu coração estava se sentindo absurdamente apertado.
- Oh... finalmente... Ela... ela veio me... – ele disse enquanto já estava ficando vermelho, roxo, era difícil dizer... Sua respiração falhava. Uma de suas mãos amassava o bilhete. Parecia não ter controle sobre tanta dor. A outra mão segurava a camisa fortemente do lado esquerdo de peito. Um movimento desconcertado da mão que segurava o bilhete amassado fez com que o frágil vaso de porcelana caísse no chão se despedaçando em vários pedaços. O velho olhou para tudo aquilo com seu olhar mais triste. Estava impotente naquela situação, não poderia ter feito nada. Apenas segurou ainda mais forte sua camisa, seu coração agora doía ainda mais.
A água que hidratava as belas flores começou a formar uma considerável poça, ele começou a caminhar sobre ela, tentava pegar uma única margarida, “a que ele achava a mais bela entre todas” e por isso o equilíbrio de suas pernas cedeu e ele caiu batendo fortemente sua cabeça contra o piso frio.
Teria ela chegado naquele instante?
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