Jung YunHo estava sendo levado às pressas para a sala de emergência.
Já era figura carimbada naquele hospital. Era reconhecido por muitos doutores, principalmente por Chung-Hee seu médico particular. O cardiologista vinha cuidando dele fazia tempos e temia muito a saúde do paciente que já tinha sido levado para UTI duas vezes, tudo porque sofrera dois infartos. Sua visita era freqüente, semanal por exato.
Chung tinha YunHo como seu paciente especial, tinha uma profunda pena do homem que lhe parecia solitário e deprimido. Sempre que ia se consultar chorava lamentando tanta solidão. A única vez que tinha visto o velho sorrir fora quando ele lhe fizera uma visita acompanhada de uma senhora que lhe parecia muito simpática e cheia de preocupações para com o enfermo. A senhora era uma mulher elegante, sorridente, parecia cheia de vida e tinha profundos olhos castanhos. Esta demonstrava um carinho mais que especial com o doente, quando ele começou a lamentar ela o abraçou calorosamente fazendo com que sua expressão triste e vazia ganhasse um brilho especial, um brilho que... nunca tinha sido visto no rosto de Yunho desde que começou se consultar com o doutor Chung.
Naquele momento da consulta o doutor percebera que tirando todos os remédios que lhe receitava a mulher também seria muito importante para a recuperação do doente, que apesar de sentir que sua hora estava chegando, ainda tinha esperanças de viver mais alguns anos, na verdade poderia viver muitos anos além, era só desejar por isso. Se tentasse lutar contra seu coração fraco com certeza o venceria, viveria bem e se quisesse até os cem anos ou mais... Chung- Hee era um nome reconhecido e tinha inúmeros casos daquele, ele era um ótimo especialista. Sempre dizia que o melhor tratamento era a vontade de viver, só que ele não via essa vontade em Yun, na verdade até que vira, mas uma única vez, no dia em que ele foi acompanhado pela elegante senhora.

No dia do principio de infarto de YunHo, Chung estava se preparando para ir para sua casa, seu plantão tinha acabado e ele estava feliz porque finalmente iria para casa e encontraria com sua esposa e seu filho único. Mas quando estava fechando sua sala seu assistente chegou esbaforido e desesperado, quase gritando e dizendo:

- Doutor. Doutor... O seu paciente, Jung YunHo acabou de dar entrada no hospital. Está muito mau. O encontraram caído no chão de seu quarto com um ferimento na cabeça, mas parece que ele teve um principio de infarto. O senhor precisa atendê-lo. Ele está indo para a sala de emergência.

Na mesma hora o homem reabriu sua sala, pegou seu jaleco, o vestiu e partiu em direção a sala de emergência. Quando chegou estavam estabilizando a pressão do paciente, que parecia consciente mais não falava coisa com coisa... Tentavam entender o que ele falava em tom baixo e rouco aproximando seu ouvido a boca dele, mas ainda assim era difícil. Eles só ouviam com muita dificuldade:

- Katt! Cha-chamem a Katt... – implorava Yunho que permanecia com o inalador de oxigênio, estava agoniado por ter aquilo em seu rosto, tentava tira-lo, mas sempre era impedido. E além de tudo isso sentia uma latente dor de cabeça e estava muito tonto por causa da pancada.

- Como está o meu paciente? – perguntou o doutor indo em direção ao mesmo, estava sério e preocupado.

- Estabilizado Doutor. Mas ainda inspira cuidados, sua pressão oscila desgovernadamente e isso é muito preocupante...

- Vamos ao ATCP!

- Mas e a pressão doutor?

- Isso também dará um jeito.

- Tudo bem!

Toda equipe médica tomava as providências necessárias para a controlar a pressão e para afastar qualquer perigo de morte, ou alguma complicação do paciente. Isso durou aproximadamente 3 horas, mas após tudo aquilo toda a equipe se sentiu aliviada e confiante, o pior já havia passado. Yunho estava estabilizado, muito fraco, mas estabilizado.

Eram nove da manhã quando ele finalmente acordou. Ainda com um pouco de falta de ar e com a vista embaçada ele olhou tudo a sua volta. Sua lucidez trabalhava em perfeição e ele sabia que tinha acordado na UTI de uma clinica, mais uma vez. Lamentou-se profundamente com a voz ainda meio baixa:

- Mais uma vez eu voltei... Não acredito. – colocou a sua mão sobre a mascara de oxigênio tateando a mesma, olhou erguendo um pouco sua cabeça para os inúmeros fios que ligavam partes do seu corpo a máquina que indicavam seus batimentos cardíacos.

Jogou com força sua cabeça de qualquer maneira sobre o travesseiro macio e confortável daquela cama, que ao contrário do travesseiro lhe causava dores nas costas, mais parecia um pedaço de madeira que tinha por cima um fino pedaço de espuma.

- Aff! Odeio esse lugar! Se não era pra morrer pra que tive essa porcaria de infarto? — disse ele que parecia decepcionado e raivoso.

- Não foi um infarto, foi apenas um principio de infarto. – o corrigiu uma voz que vinha da porta de entrada da UTI, Rapidamente ele voltou seus olhos naquela direção e viu alguém. Uma forma que ainda tinha certas curvas, mas que também já tinha sido \"presenteada\" pelo tempo. A pessoa tinha em frente ao seu rosto um buquê de margaridas e logo ao vê-las ele já tinha a certeza, era ela, Katherine. A SUA Katt.
Naquele mesmo momento seu sorriso se abriu, alem de mostrar os dentes ainda brancos e perfeitos que Yun ainda conservava aquele sorriso demonstrou uma imensa felicidade que lhe vinha do fundo de sua alma. Naquele momento ele acabou por esquecer toda sua vontade mórbida e meio \"suicida\". Sem duvida aquela mulher significava seu melhor tratamento, sua maior esperança, sua vida.
Ela foi se aproximando em ágeis passos, abaixava o buquê e deixava a mostrava seu rosto com discretas rugas. Apesar de ter quase a mesma idade do homem, só tinha dois anos a menos, ela parecia extremamente jovial. Sua aura era repleta de energia e vivacidade. Ao entrar naquele frio e agonizante quarto todo aquele clima infeliz se transformou em um clima agradável e leve. Era como se uma luz tomasse conta do cômodo. De certa forma era, era a luz que Katterine trazia para a vida de Yunho. Ela colocou o buquê sobre o peito dele que nem sequer olhou para o belo arranjo de flores, só sabia olha-la e admira-la. Como continuava linda mesmo com o passar dos anos. Ainda mantinha o mesmo ar magnético e envolvente, pelo menos para ele. Ainda era a mulher mais linda que ele conhecera em toda sua vida. Naquele momento seu coração acelerou, mas de uma forma saudável, ainda era bom sentir aquilo mesmo depois de tantos anos, ainda era bom sentir aquele friozinho no estomago de um jovem apaixonado. Ele se sentia um jovem apaixonado, não era jovem com certeza, mas de que importava? Era apaixonado, ainda apaixonado por aquela mulher. Ele a olhava fixamente, com um sorriso bobo no rosto, mas ao mesmo tempo se questionava. \"Por que apesar de tudo o que eu fiz ela ainda me procura?\"
Katherine aproximou uma cadeira qualquer da cama de Yunho e sorrindo disse enquanto se sentava:

- Pára de me olhar como um babaca. Eu nem deveria estar aqui depois de tudo o que você me fez, mas como sou uma velha caduca, aqui estou. – a mulher falava com naturalidade, mas brincando ao mesmo tempo.

Ele riu como há muito tempo não fazia.

- É isso ai! É assim que eu gosto. Sorrindo e mostrando a dentadura.

- Mas eu nem uso dentadura. – disse ele sem parar de sorrir.

- Ainda meu querido, ainda. Pode se acostumar com essa idéia. Um dia a necessidade de uma dentadura vai bater na sua porta e se você não abrir ela vai dar um jeito de pular a janela... Elas têm um grande conhecimento de escaladas e são piores que muitos delinqüentes por ai... Quando ela chega não tem como fugir.

- Pelo jeito você conhece todos os truques dessa maldita. Por acaso ela já te foi fazer uma visita?

- Olha... Até que não. Mas eu acho que estou muito ansiosa por sua chegada. Comprei um copinho especial pra ela, aquele vai ser seu lugar de descanso...

- Há há há! Você é doida!

Era inexplicável a capacidade daquela mulher de tornar aquele velho meio rabugento e infeliz numa pessoa mais leve, contente e até brincalhona. Só com ela ele se dava ao direito de sorrir e fazer até piadinhas sem graça. Só com ela ele deixava a sua vontade de viver transbordar e lhe consumir por inteiro. Olhando para ela ele sentia uma imensa vontade de curar todas suas enfermidades, sair daquele leito naquele mesmo momento e viver todo o resto de sua vida bem feliz, aproveitando cada minuto. Mas isso tinha que ser ao lado dela, somente com ela, ele só queria viver para ela.

Com um pouco de dificuldade e logo após ter tirado o belo buquê de margaridas de cima de si e colocado ao seu lado ele tentou se sentar na cama, sem nenhuma explicação seus ossos naquela hora não doeram, nenhuma pontadinha o incomodou, era como se estivesse novinho em folha, pronto para correr, pra pular, pra escalar a montanha mais alta e gritar de seu pico como ainda amava aquela mulher, mesmo depois de tanto tempo, mesmo depois de tanto sofrimento, mesmo depois de tantas burrices que cometera.

- Hey! Calminho ai! – disse ela que se levantara e agora o ajudava a se sentar. – Você não pode fazer muito esforço. Alguma coisa ai no seu coração entrou em curto. Você tem que relaxar, repousar, tomar muita sopinha e esquecer de ver televisão, não sei por que te dei esse último conselho, mas eu sempre achei que essa porcaria fizesse mal.

Sem precisar muito da ajuda dela ele conseguiu se sentar e agora trabalhava para tirar a máscara de oxigênio da face:

- Me ajude aqui. – pediu ele enquanto tentava se livrar do aparelho.

- Não vai ter problema? – ela o olhou cheia de receios.

- Não! Eu já consigo respirar perfeitamente. Agora me ajuda vai. Tá difícil. – ele estava mais que complicado.

- Tá bom. – ela conseguiu tirar bem rápido, deixando meio pasmo e envergonhado, mas logo esqueceu toda a vergonha porque respirou fundo e pode sentir o mesmo perfume de jasmim, aquele perfume que o fascinou 29 anos atrás e que no tempo presente ainda tinha esse poder.

- Você continua a mesma de sempre. – ele disse com um tom meio apaixonado e com os olhos ainda fechados.

Jung YunHo estava sendo levado às pressas para a sala de emergência.
Já era figura carimbada naquele hospital. Era reconhecido por muitos doutores, principalmente por Chung-Hee seu médico particular. O cardiologista vinha cuidando dele fazia tempos e temia muito a saúde do paciente que já tinha sido levado para UTI duas vezes, tudo porque sofrera dois infartos. Sua visita era freqüente, semanal por exato.
Chung tinha YunHo como seu paciente especial, tinha uma profunda pena do homem que lhe parecia solitário e deprimido. Sempre que ia se consultar chorava lamentando tanta solidão. A única vez que tinha visto o velho sorrir fora quando ele lhe fizera uma visita acompanhada de uma senhora que lhe parecia muito simpática e cheia de preocupações para com o enfermo. A senhora era uma mulher elegante, sorridente, parecia cheia de vida e tinha profundos olhos castanhos. Esta demonstrava um carinho mais que especial com o doente, quando ele começou a lamentar ela o abraçou calorosamente fazendo com que sua expressão triste e vazia ganhasse um brilho especial, um brilho que... nunca tinha sido visto no rosto de Yunho desde que começou se consultar com o doutor Chung.
Naquele momento da consulta o doutor percebera que tirando todos os remédios que lhe receitava a mulher também seria muito importante para a recuperação do doente, que apesar de sentir que sua hora estava chegando, ainda tinha esperanças de viver mais alguns anos, na verdade poderia viver muitos anos além, era só desejar por isso. Se tentasse lutar contra seu coração fraco com certeza o venceria, viveria bem e se quisesse até os cem anos ou mais... Chung- Hee era um nome reconhecido e tinha inúmeros casos daquele, ele era um ótimo especialista. Sempre dizia que o melhor tratamento era a vontade de viver, só que ele não via essa vontade em Yun, na verdade até que vira, mas uma única vez, no dia em que ele foi acompanhado pela elegante senhora.

No dia do principio de infarto de YunHo, Chung estava se preparando para ir para sua casa, seu plantão tinha acabado e ele estava feliz porque finalmente iria para casa e encontraria com sua esposa e seu filho único. Mas quando estava fechando sua sala seu assistente chegou esbaforido e desesperado, quase gritando e dizendo:

- Doutor. Doutor... O seu paciente, Jung YunHo acabou de dar entrada no hospital. Está muito mau. O encontraram caído no chão de seu quarto com um ferimento na cabeça, mas parece que ele teve um principio de infarto. O senhor precisa atendê-lo. Ele está indo para a sala de emergência.

Na mesma hora o homem reabriu sua sala, pegou seu jaleco, o vestiu e partiu em direção a sala de emergência. Quando chegou estavam estabilizando a pressão do paciente, que parecia consciente mais não falava coisa com coisa... Tentavam entender o que ele falava em tom baixo e rouco aproximando seu ouvido a boca dele, mas ainda assim era difícil. Eles só ouviam com muita dificuldade:

- Katt! Cha-chamem a Katt... – implorava Yunho que permanecia com o inalador de oxigênio, estava agoniado por ter aquilo em seu rosto, tentava tira-lo, mas sempre era impedido. E além de tudo isso sentia uma latente dor de cabeça e estava muito tonto por causa da pancada.

- Como está o meu paciente? – perguntou o doutor indo em direção ao mesmo, estava sério e preocupado.

- Estabilizado Doutor. Mas ainda inspira cuidados, sua pressão oscila desgovernadamente e isso é muito preocupante...

- Vamos ao ATCP!

- Mas e a pressão doutor?

- Isso também dará um jeito.

- Tudo bem!

Toda equipe médica tomava as providências necessárias para a controlar a pressão e para afastar qualquer perigo de morte, ou alguma complicação do paciente. Isso durou aproximadamente 3 horas, mas após tudo aquilo toda a equipe se sentiu aliviada e confiante, o pior já havia passado. Yunho estava estabilizado, muito fraco, mas estabilizado.

Eram nove da manhã quando ele finalmente acordou. Ainda com um pouco de falta de ar e com a vista embaçada ele olhou tudo a sua volta. Sua lucidez trabalhava em perfeição e ele sabia que tinha acordado na UTI de uma clinica, mais uma vez. Lamentou-se profundamente com a voz ainda meio baixa:

- Mais uma vez eu voltei... Não acredito. – colocou a sua mão sobre a mascara de oxigênio tateando a mesma, olhou erguendo um pouco sua cabeça para os inúmeros fios que ligavam partes do seu corpo a máquina que indicavam seus batimentos cardíacos.

Jogou com força sua cabeça de qualquer maneira sobre o travesseiro macio e confortável daquela cama, que ao contrário do travesseiro lhe causava dores nas costas, mais parecia um pedaço de madeira que tinha por cima um fino pedaço de espuma.

- Aff! Odeio esse lugar! Se não era pra morrer pra que tive essa porcaria de infarto? — disse ele que parecia decepcionado e raivoso.

- Não foi um infarto, foi apenas um principio de infarto. – o corrigiu uma voz que vinha da porta de entrada da UTI, Rapidamente ele voltou seus olhos naquela direção e viu alguém. Uma forma que ainda tinha certas curvas, mas que também já tinha sido \"presenteada\" pelo tempo. A pessoa tinha em frente ao seu rosto um buquê de margaridas e logo ao vê-las ele já tinha a certeza, era ela, Katherine. A SUA Katt.
Naquele mesmo momento seu sorriso se abriu, alem de mostrar os dentes ainda brancos e perfeitos que Yun ainda conservava aquele sorriso demonstrou uma imensa felicidade que lhe vinha do fundo de sua alma. Naquele momento ele acabou por esquecer toda sua vontade mórbida e meio \"suicida\". Sem duvida aquela mulher significava seu melhor tratamento, sua maior esperança, sua vida.
Ela foi se aproximando em ágeis passos, abaixava o buquê e deixava a mostrava seu rosto com discretas rugas. Apesar de ter quase a mesma idade do homem, só tinha dois anos a menos, ela parecia extremamente jovial. Sua aura era repleta de energia e vivacidade. Ao entrar naquele frio e agonizante quarto todo aquele clima infeliz se transformou em um clima agradável e leve. Era como se uma luz tomasse conta do cômodo. De certa forma era, era a luz que Katterine trazia para a vida de Yunho. Ela colocou o buquê sobre o peito dele que nem sequer olhou para o belo arranjo de flores, só sabia olha-la e admira-la. Como continuava linda mesmo com o passar dos anos. Ainda mantinha o mesmo ar magnético e envolvente, pelo menos para ele. Ainda era a mulher mais linda que ele conhecera em toda sua vida. Naquele momento seu coração acelerou, mas de uma forma saudável, ainda era bom sentir aquilo mesmo depois de tantos anos, ainda era bom sentir aquele friozinho no estomago de um jovem apaixonado. Ele se sentia um jovem apaixonado, não era jovem com certeza, mas de que importava? Era apaixonado, ainda apaixonado por aquela mulher. Ele a olhava fixamente, com um sorriso bobo no rosto, mas ao mesmo tempo se questionava. \"Por que apesar de tudo o que eu fiz ela ainda me procura?\"
Katherine aproximou uma cadeira qualquer da cama de Yunho e sorrindo disse enquanto se sentava:

- Pára de me olhar como um babaca. Eu nem deveria estar aqui depois de tudo o que você me fez, mas como sou uma velha caduca, aqui estou. – a mulher falava com naturalidade, mas brincando ao mesmo tempo.

Ele riu como há muito tempo não fazia.

- É isso ai! É assim que eu gosto. Sorrindo e mostrando a dentadura.

- Mas eu nem uso dentadura. – disse ele sem parar de sorrir.

- Ainda meu querido, ainda. Pode se acostumar com essa idéia. Um dia a necessidade de uma dentadura vai bater na sua porta e se você não abrir ela vai dar um jeito de pular a janela... Elas têm um grande conhecimento de escaladas e são piores que muitos delinqüentes por ai... Quando ela chega não tem como fugir.

- Pelo jeito você conhece todos os truques dessa maldita. Por acaso ela já te foi fazer uma visita?

- Olha... Até que não. Mas eu acho que estou muito ansiosa por sua chegada. Comprei um copinho especial pra ela, aquele vai ser seu lugar de descanso...

- Há há há! Você é doida!

Era inexplicável a capacidade daquela mulher de tornar aquele velho meio rabugento e infeliz numa pessoa mais leve, contente e até brincalhona. Só com ela ele se dava ao direito de sorrir e fazer até piadinhas sem graça. Só com ela ele deixava a sua vontade de viver transbordar e lhe consumir por inteiro. Olhando para ela ele sentia uma imensa vontade de curar todas suas enfermidades, sair daquele leito naquele mesmo momento e viver todo o resto de sua vida bem feliz, aproveitando cada minuto. Mas isso tinha que ser ao lado dela, somente com ela, ele só queria viver para ela.

Com um pouco de dificuldade e logo após ter tirado o belo buquê de margaridas de cima de si e colocado ao seu lado ele tentou se sentar na cama, sem nenhuma explicação seus ossos naquela hora não doeram, nenhuma pontadinha o incomodou, era como se estivesse novinho em folha, pronto para correr, pra pular, pra escalar a montanha mais alta e gritar de seu pico como ainda amava aquela mulher, mesmo depois de tanto tempo, mesmo depois de tanto sofrimento, mesmo depois de tantas burrices que cometera.

- Hey! Calminho ai! – disse ela que se levantara e agora o ajudava a se sentar. – Você não pode fazer muito esforço. Alguma coisa ai no seu coração entrou em curto. Você tem que relaxar, repousar, tomar muita sopinha e esquecer de ver televisão, não sei por que te dei esse último conselho, mas eu sempre achei que essa porcaria fizesse mal.

Sem precisar muito da ajuda dela ele conseguiu se sentar e agora trabalhava para tirar a máscara de oxigênio da face:

- Me ajude aqui. – pediu ele enquanto tentava se livrar do aparelho.

- Não vai ter problema? – ela o olhou cheia de receios.

- Não! Eu já consigo respirar perfeitamente. Agora me ajuda vai. Tá difícil. – ele estava mais que complicado.

- Tá bom. – ela conseguiu tirar bem rápido, deixando meio pasmo e envergonhado, mas logo esqueceu toda a vergonha porque respirou fundo e pode sentir o mesmo perfume de jasmim, aquele perfume que o fascinou 29 anos atrás e que no tempo presente ainda tinha esse poder.

- Você continua a mesma de sempre. – ele disse com um tom meio apaixonado e com os olhos ainda fechados.

- A mesma é exagero Yun. Ganhei inúmeras rugas e um infeliz problema na coluna que torna muito difícil eu continuar cuidando das amadas minhas flores. – ela disse meio que de brincadeira e se sentou ao lado dele na cama.

Yunho abriu seus olhos, virou seu rosto em direção ao dela, observou cada um de seus detalhes, mas os olhos... ah seus olhos... eram as coisas mais perfeitas do mundo. Ele não conseguia parar de contemplá-los. Enquanto ainda a olhava levou sua mão direita até a mão dela que estava repousada sobre as pernas, a tocou delicadamente e pode sentir um arrepio inevitável lhe subir pela espinha, era estranho, mas bom, bom não, era ótimo. A mulher também o olhava. Se existisse um outro alguém além deles naquele quarto perceberia que o sentimento entre eles ia além do amor, era difícil explicar. Era algo tão belo de se ver que qualquer um se emocionaria só de pensar que existisse um sentimento como aquele. No olhar dos dois existia amor, companheirismo, esperança, paixão, inocência, pureza, existia perdão, existia vontade de proteger, de cuidar de amar cada vez mais e mais. No olhar daqueles dois tinham razões, sonhos, desejos. A razão para Katherine era Yunho, a Razão de Yunho era Katherine. O sonho de Katherine era Yunho. O sonho de Yunho era Katherine. O desejo de Katherine era Yunho e o único desejo de Yunho era Katherine, sempre foi e continuará sendo para sempre. Ele levantou sua mão esquerda que estava absurdamente trêmula, não pela sua doença, mas por tamanha emoção que estava sentindo. Aquela mão trêmula tocou o rosto da senhora e o acariciou cheio de cuidado e carinho. Ela deixou seu rosto cair sobre aquela mão que lhe trazia tantas recordações, alguma boas, outras nem tanto. Aquele toque era diferente, muito diferente do toque de seu falecido marido, o homem com quem ela vivera 27 anos. Quando ainda estava com ele desejava aquele tipo de toque, aquele toque macio, terno, amoroso, cheio de cuidados... Naquele instante um fio de ódio atravessou seu coração, ódio de Yunho por não ter brigado por ela, por ele ter deixado seu ego vence-lo e por desperdiçar uma chance que o destino os deu quando ela apareceu na sua frente dizendo que só precisava de uma razão para esquecer aquele casamento de mentiras e se jogar em seus braços... Mas todo aquele fiozinho de ódio desapareceu da mesma como brotara. Era perfeito demais aquele carinho. O senhor de cabelos grisalhos e ralos ainda a olhava, toda aquela serenidade que a mulher demonstrava com seus olhos fechados podia derreter seu coração, ela era linda, linda de todas as formas.

Após contemplar cada detalhe e cada expressão da amada ele sentiu uma intensa vontade de beijá-la ali mesmo, naquele momento, não importava onde estavam, não importava como ele estava, se estava se recuperando de um principio de infarto, , se estava cansado e fraco ele a queria, queria poder tocar seus lábios nos dela suavemente, demonstrando como era todo seu amor puro, sincero, calmo e...eterno. Tomado pela coragem, sem medo algum ele se aproximou cada vez mais, a outra permanecia de olhos fechados, sentia a aproximação, sentia que estava prestes a ganhar um beijo e sentia querer muito aquele beijo também por isso permaneceu da mesma forma.

Seus lábios estavam quase se tocando quando Chung-Hee entrou na sala.
Na mesma hora sentiu que interrompera alguma coisa, se sentiu um imenso intruso e sem entender o porquê sentiu uma imensa culpa ao ter entrado naquele lugar e naquele momento, tentou sair discretamente, mas todo o clima já tinha se rompido e os dois apaixonados já tinham se afastado. Katherine já estava de pé, meio envergonhada, sentia as bochechas corarem, se sentia uma adolescente que tinha acabado de ser pega em flagrante depois de ter feito algo \"errado\". Já Yunho se sentia frustrado por não ter realizado seu maior desejo naquele momento, ele permaneceu sentado e abaixou a cabeça sentindo uma intensa decepção.
Vendo que mais nada poderia fazer a não ser tentar tornar o clima ali dentro mais leve o doutor tratou logo de falar enquanto olhava para o prontuário e seguia em direção ao paciente:

- Pelo jeito você está muito bem meu mais honroso paciente. Apesar de seu coração bancar o rebelde às vezes, você é forte como um touro.

Katt estava se sentindo imensamente envergonhada e não podia mais ficar naquele lugar, nem ela entendia tanta vergonha, mas precisava fugir dali. Por isso saiu como um furacão, sem dar chance nenhuma para Yun falar algo. Ele até que se levantou e foi atrás dela em passos um pouco lentos, mas quando viu ela já estava bem longe.
O doutor só pode sentir a senhora passando ao lado como um foguete, ver YunHo indo atrás dela e parando desolado na porta, com cabeça baixa e parecendo se lamentar.

- Você já corre como um maratonista Jung Yunho. Quem te viu e quem te vê... – o médico ainda tentando fazer algo pra mudar aquela situação meio... embaraçosa, embaraçosa não, triste mesmo, bom...na verdade triste.

Mas não adiantou muito, Yunho apenas voltou ainda cabisbaixo, cabisbaixo e mudo. Deitou-se na cama, fechou seus olhos e apenas pediu:

- Feche a porta antes de sair, vou dormir.

- Er... tá bom... — vendo que não poderia fazer muita coisa o doutor apenas atendeu o pedido do paciente, saiu e fechou a porta.

Yunho continuava de olhos fechados, fazia uma força tremenda para dormir, mais uma vez a sua vontade de morrer o consumia. A razão da sua vida tinha ido embora, saído correndo e assustada, ele pensava que devia ela ter se assustado com sua atitude porque não sentia a mesma coisa ou sabe-se lá o que... Mas... Já tinha se passado muito tempo... ele estava se arrependendo por ter feito tudo aquilo. O tempo mata tudo o que não é cuidado, o tempo é perverso e muitas vezes abusa da maldade, Yunho naquele momento tinha raiva do tempo, tinha raiva de si por não ter aproveitado esse vilão cruel. Agora o velho Jung YunHo estava mais uma vez deitado sobre seu leito hospitalar, sentindo seu coração doer de tristeza e frustração ele pedia, implorava para dormir e nunca mais acordar. Sim! Era aquele seu único desejo, naquele momento era seu maior desejo... Novamente...