Notas iniciais
Hey! Esse sonho eu tive hoje mesmo... ainda está tão fresco na minha mente... >, Já conversei com minha mãe e ela prometeu não mais me acordar quando eu não pedir com antecedência XD prometo que isso não se repetirá XD . Acabei de saber que viveiro é só para pássaros. Na falta de outra palavra melhor, imaginem que, nessa história, "viveiro" é como aquelas áreas onde os animais ficam nos zoológicos ou aquários. Sabe, tipo jardins de inverno, mas com animais diferentes de apenas peixes. Especialmente o tipo que aparece nos aquários, que é fechado e dentro do lugar. Do Bong Soon é a protagonista de um dorama coreano.

Eu desci as escadas do teatro.

Eu não tinha exatamente assistido a peça inteira, mas isso não importava. Já tinha ficado bastante tempo lá, e agora tinha que ir para outro lugar. Apesar de perder o começo, eu tinha chegado até o final, e agora várias pessoas também se amontoavam nas duas portas ao fundo, descendo a pequena escadaria até o interior do complexo.

Tudo ali pertencia ao dito complexo. Era como se fosse uma cidade dentro de um só estabelecimento. Você saía de teatros, viveiros e todo o tipo de coisas, só para ver um teto sobre sua cabeça. Bem alto, mas ainda assim um teto.

E era daquele complexo que eu precisava escapar.

Era literalmente como tentar escapar de uma cidade. Era bem possível que o complexo tivesse todo esse tamanho.

Mais cedo eu já os tinha despistado quando fui ao viveiro do crocodilo e esperei que ele se distanciasse da borda oposta, em seguida saltando o mais longe possível e nadando desesperadamente até o princípio de morro do outro lado, onde acabava o dito viveiro. Lá havia um minúsculo buraco na terra, que me escondeu por tempo suficiente para que os homens passassem reto pelo corredor. Aquela vez tinha sido por muito pouco.

Depois desse incidente, ainda tive vários momentos de tensão enquanto me embrenhava pelo resto das áreas dos viveiros. Essa parte do complexo era como os aquários: corredores de teto e chão azuis de um tom singular, com áreas delimitadas por vidros onde elementos da natureza ficavam expostos. Era um labirinto como geralmente eram os aquários que tinham várias ramificações para os recém chegados, e vários corredores davam para outros dois ao invés de seguir uma linha definida. E o tempo todo eu estava plenamente ciente de que o homem sabia que eu estava ali.

A única coisa favorável era que a maioria dos homens dele não me conhecia de rosto. Eles estavam espalhados por todo o complexo, de forma que a cada momento havia o risco de ser pega, mas era muito difícil me pegarem sem me reconhecerem primeiro. E, como agora, misturada à multidão que saía da peça, eu era boa em me esconder no meio de todos.

De qualquer forma, não havia tempo para ficar parada. Andei por ali, não lembro se sabendo para onde, e acabei chegando a mais uma daquelas escadas rolantes.

Os lugares onde elas ficavam eram como cubículos de vidro por dentro. Havia o vidro, aí as escadas para cima, aí as escadas para baixo, aí as paredes e as passagens por onde saíamos para o andar. De cima, o desenho seria um quadrado de vidro dentro de dois quadrados de metal escuro com as pontas da cor do piso e tudo isso dentro de mais um quadrado, do amarelo gema claro para as paredes, como era de costume. Isso se repetia em todas as escadas.

A única coisa estranha era que as escadas para subir, diferente das de descer, às vezes não eram inteiras. Quase sempre, aliás. Havia o comecinho, um buraco ao lado do corrimão, e o final. O buraco dava para vários andares abaixo, visto que as escadas inferiores quase sempre também o tinham. Você pisava no começo, agarrava-se com força ao corrimão e subia até o final. Outro problema? O final era sempre para o lado errado, então você tinha que correr no sentido oposto ao dos degraus. Mas geralmente era lento o suficiente para que fosse possível.

Por sorte, eu peguei uma daquelas raras exceções em que eu poderia simplesmente pisar e ser carregada até o final, sem contratempos.

Não me lembro o que fiz pelas horas que se seguiram. O próximo momento de que me lembro era eu subindo por uma das escadas falhas, não pela primeira vez naquele período. O primeiro lance foi o.k. e consegui seguir com poucas dificuldades pelo trecho invertido.

Assim que passei por ele, uma moça apareceu e me cumprimentou. Ela me disse que sua filha estava falando muito bem — e ponha “muito bem” nisso. Ela me contou algumas das coisas que ela dizia e me lembro de ter pensado “mas nem eu falo assim…”

Acontece que, depois do incidente do crocodilo e antes do do teatro, eu havia encontrado essa pessoa com uma criança pequena num dos vestiários. Eu ensinei algumas palavras para a pequena, que aprendeu facilmente.

A moça me mostrou uma foto da criança, que estava no colo de Do Bong Soon. Só mais tarde me perguntei o que Do Bong Soon estava fazendo ali. Talvez fosse amiga da moça.

Depois dessa conversa, andei por mais algum tempo pelas áreas das lojas e exposições de artigos de perfumaria e joalheria, numa área que mais parecia a parte de um shopping, e segui para outra escada.

No começo, não me surpreendi por ter que me agarrar ao corrimão. Porém, assim que pisei na parte final, percebi que estava muito rápido. Corri como se estivesse em uma competição, mas depois de alguns segundos de luta, fui arrastada para trás e caí. Por sorte, consegui cair apenas um andar abaixo, e andei como pude até a plataforma final.

Sem vontade de continuar naquela onda de subir degraus temperamentais, saí para o andar.

Essa parte do complexo parecia mais com um aeroporto no que diz respeito ao espaço. Era enorme, com um teto altíssimo, o que não era perceptível se você só visse o tamanho das escadas rolantes, que pareciam normais e pequenas como de costume.

Encontrei uma figura conhecida, mas não fiz alarde. Era uma antiga amiga minha, com a qual eu já não tinha tanta intimidade. De qualquer forma, cumprimentei-a rapidamente, ao que eu sabia que ela responderia, mesmo que apenas por educação.

A fila era delimitada por segmentos de faixas como as de cinema, intercalados por pequenas estantes com balas e chocolatinhos e coisas do tipo, como se em um daqueles grandes e prósperos supermercados, mas tinha o tamanho da fila do check in de um aeroporto. Afora essas estantes, filas e os caixas ao final, além da enorme quantidade de pessoas, o lugar era bastante espaçoso. À minha frente, no lado esquerdo, havia uma enorme abertura iluminada que poderia muito bem ser a saída do hipotético aeroporto, mas eu não me iludia com essa possibilidade. Sabia que era só uma passagem para outra área do complexo.

Enquanto estava na fila, vi um grupo bastante familiar. Eles estavam num trecho da fila que, na verdade, não fazia parte da fila — era contornado por ela, como um corredor exterior. É difícil de explicar, mas, resumindo e simplificando, era uma parte da fila que não era uma parte da fila.

Eles eram como os fãs da Do Bong Soon no dorama. Não só em aparência, mas também em personalidade. Eram um grupo pelo qual eu tinha muito carinho. Não sabiam exatamente no que eu estava metida, mas ao mesmo tempo faziam alguma ideia. Não pediam detalhes nem qualquer coisa do tipo, mas mesmo assim já tinham me ajudado algumas vezes. Eles eram boas pessoas, e eu gostava muito deles. Eram bons amigos.

Eu não sabia o que estavam fazendo ali, mas torci para que me vissem. Não quis fazer alarde para não chamar a atenção, mas tentei colocar bastante personalidade nos movimentos simples, como andar, para ver se a energia atraía os olhares deles. Falaria com eles mais tarde, assim que possível e assim que saísse dali.

Sem saber se tinha dado certo, fui andando pela fila até passar pelo caixa. Como não tinha comprado nada, não entreguei nada e passei reto, na esperança de que não me chamassem a atenção. Por incrível que parecesse, não chamaram.

Eu não me iludia, mas pensei na possibilidade de dar uma olhada na área externa e iluminada pelo que se assemelhava muito com luz natural. Infelizmente, outros caixas naquela área exigiam o ticket das compras carimbado pelos caixas anteriores para que eu passasse, e eu não o tinha.

Os minutos que se seguiram foram meio vagos. Eu estava observando algumas pinturas de aspecto profissional e ligeiramente renascentista que havia penduradas na parede, e de alguma forma conheci um homem. Ele tinha aquele aspecto de “doutor” das aventuras medievais; ligeiramente baixo (ainda que um bom bocado mais alto que eu; meia cabeça ou uma). Cabelos raros em cima, de um tom de loiro médio desbotado. Não lembro se usava óculos, mas se usasse seriam redondos pequenos.

Descobri observando que ele era muito bom em camuflagem. Para me provar sua habilidade, ele começou a se disfarçar na frente de uma pintura com alguma coisa com uma cinta de cobre. Diante dos meus olhos (e dos da minha conhecida, que não falara muito comigo, mas também parecia interessada), ele desapareceu, e assim que o vi novamente ele estava bem longe, saindo pela passagem à minha direita.

Saí correndo em sua direção e pedi a ele que me ensinasse. Ele, porém, disse que não era algo que ele poderia me ensinar”. Eu deveria aprender sozinha.

Mas eu não sabia se seria capaz. Saber me camuflar assim seria de grande ajuda no futuro. Ele insistia, mas eu também insistia.

Então, aquele grupo de jovens se aproximou.

Eu não sei se eles entendiam o que estava acontecendo, mas tinham percebido que eu estava pedindo alguma coisa, e que o homem estava chegando perto de ceder. Na verdade, acho que pensavam que ele já tinha cedido.

Eles falaram com ele e disseram que ele deveria cuidar muito bem do “Henri”.

Acontece que, como estava sempre em fuga, eu me disfarçava e mudava de nome com bastante frequência. A minha amiga, com a qual eu não falava muito por causa de um incidente no passado (ela subitamente começara a se tornar distante de mim, apesar de eu ainda me sentir muito próxima dela. Essa distância repentina me fez me sentir um pouco intimidada a puxar assunto, apesar de não conter nenhum tipo de agressividade ou desgosto. Eu me sentia triste por isso. Enfim, essa minha amiga) me conhecia por um nome. Feminino. Esses garotos, que conheci depois, me conheceram em uma época em que eu estava disfarçada de garoto. Eu dissera que meu nome era “Henri” — eu digo “Henri” porque lembro vagamente de ser algo do tipo, mas ao mesmo sinto que era algo diferente, talvez com uma letra x ou algo do tipo, embora fosse um nome bem simples. Mesmo depois que nos encontramos mais tarde, comigo já novamente “garota”, eles não estranharam nem perguntaram nada, assumindo que era algo natural meu, como um hábito ou algo assim, mas ainda achavam que eu era um garoto.

O “doutor” olhou para mim, confuso, e perguntou “Henri? Ela não é uma garota?”. Eu estava com roupas um pouco mais justas nessa hora, então inclinei um pouco o quadril e olhei para eles, dizendo “por acaso eu pareço uma menina?”

Comecei a enumerar as características. “Seios avantajados, quadril largo, cintura mais fina…” Um dos garotos completou, concordando, “bunda redonda.” Eu não me sentia desconfortável falando de seios, mas bunda era diferente. Porém, ele falou aquilo com tanta naturalidade que nem me incomodei, e acenei em concordância.

Expliquei rapidamente para eles sobre a confusão de antes (muito rapidamente, sem quase nenhum detalhe), disse que na verdade era uma garota e pedi desculpas. Apesar de eles não saberem de antemão, porém, eles não se incomodaram nem prolongaram o assunto. Disseram que não importava se eu era menina ou menino, eu era “amigo” deles do mesmo jeito. Me senti muito grata. Lembrei de como agora há pouco eles haviam me protegido insistindo para o doutor desconhecido cuidar bem de mim, e novamente percebi o quanto eu gostava daqueles rapazes.

De qualquer forma, o doutor não admitiu que tinha recuado em sua afirmação, então não ficou 100% claro que ele concordara em me ajudar, mas assim que ele começou a andar eu o segui (depois de rapidamente me despedir e agradecer aos meus amigos), e, como ele não disse nada, assumi que ele ia me ajudar. No meio do caminho, novamente passei ao lado da minha “amiga”, e senti aquele ligeiro aperto saudoso no coração ao resistir ao impulso de falar com ela. Dei um sorriso triste, mas tentei me recompor antes que alguém notasse. Assim, continuei seguindo o homem em direção a outra escada rolante.

17-18 de junho de 2017

Notas finais
... e acordei. That's so sad! Eu queria mais [><] Enfim, comentem o que acharam! -^^-