Yuiitsu No Reigai
4 Capítulo 4 - Shitsumon
Notas iniciais
GOMEEEEEEEEEN! Eu juro que não queria demorar, mas aconteceram tantas coisas que foi impossível evitar! :c Me desculpem, de verdade.
Bem, o capítulo ficou longo e é narrado pelo Mellow Yellow (a narração não é no presente, se é que me entendem. O Mello está contando o que aconteceu quando eles eram menores e tal, isso é visível, mas de qualquer forma... / Crianças não falam assim, afinal kk)
Enfim, boa leitura
O tanoshimi :3
Capítulo 4
Shitsumon
Abri os olhos lentamente, notando que meu quarto encontrava-se parcialmente escuro, mas ainda claro, ao contrário do que ocorreu nos dias anteriores pelo fato de eu deixar a janela aberta, sem sequer fechar a cortina. Cocei os olhos ainda deitado e suspirei descansado, afinal, eram raras às vezes em que eu dormia.
Logo algo me veio à cabeça, fazendo-me despertar: Mail. Sentei-me rapidamente na cama, olhando para os lados à procura do ruivo.
- Mail? Onde você- Virei à cabeça para trás, me deparando com olhos verdes que brilhavam radiantemente; Estes, por sua vez, sendo parcialmente cobertos pelos fios vermelhos do ruivo. Por mais que a iluminação do quarto era um tanto quanto fraca, notei que suas bochechas se encontravam rosadas e ele mantinha um sorriso nos lábios. Era... Adorável...
- Bom Dia, Mihael — Sussurrou tímido com o mesmo sorriso, encolhendo os ombros. Estava sentado na cama, ao lado de meu travesseiro. Por algum motivo, sequer consegui me mover; Permaneci fitando o ruivo, principalmente seus olhos verdes e brilhantes – Que eram um tanto quanto hipnotizantes – conforme nada se passava pela minha mente. Riu baixo e acordei de meus devaneios ao que ouvi tal som que passara a preencher minha mente juntamente da imagem de seu dono. Chacoalhei a cabeça, espantando os pensamentos e respirei fundo, desviando do olhar do ruivo, que permanecia sorrindo.
- B-Bom Dia. – Gaguejei um pouco enquanto permanecia sério. Logo me lembrei da noite anterior e arqueei as sobrancelhas. – Você está bem? Conseguiu dormir?
- Graças a você, eu dormi perfeitamente bem, melhor do que qualquer outra vez, por sinal. – sorriu gentil e senti as bochechas esquentarem de leve, vi que as dele também se avermelharam mais. – Mas estou bem, obrigado. E você?
- Bem, obrigado. – Tentei manter a expressão séria, mas minha mente ia a pensamentos que eu nunca imaginei que teria antes. Fiquei alguns minutos pensando e sequer notei que o ruivo me fitava, com um sorriso bobo. Ao que vi, desviei novamente o olhar ao que este fora de encontro com o dos olhos verdes.
- Você é bem pensativo... – Disse em um tom risonho, enquanto se aproximava de mim timidamente. – Aposto que você tem muito a perguntar e muito a responder, huh? – Balançou a cabeça de um lado para o outro, ainda me olhando com um sorriso de canto.
- Sim... – Falei ainda perdido em pensamentos, mas de forma sonolenta. Mail riu.
- Se quiser dormir mais um pouco, fique a vontade. – Sorriu, dando de ombros. – Mas... Podemos conhecer o orfanato mais tarde? Por favor... – Pediu em um tom manhoso e irrecusável. Era incrível como ele sequer tentava, e já conseguia; Mais incrível ainda era o fato de que eu não era o Mihael Keehl que sempre fui. Nunca fui o tipo de pessoa que gosta de falar com outras ou até mesmo ficar perto dessas, mas com o ruivo era exatamente o oposto...
- Mas não estou com sono.
- Mas podemos? – Se aproximou mais, deixando nossos rostos ainda mais próximos. Arregalei os olhos, estes foram de encontro com os verdes ainda mais brilhantes. Senti as bochechas ainda mais quentes e minha respiração havia parado. Realmente, eu não entendia nada que acontecia...
- C-Claro, mas só mais tarde. – Falei me afastando, inclinando as costas para trás e virando a cabeça para o lado, desviando daqueles olhos que magicamente pareciam me puxar. Ouvi a risada baixa de Mail e logo ele novamente se aproximou.
- Você fica muito adorável assim, não sei por que esconde... – disse baixo, mas de forma que eu escutasse conforme mexia nos meus cabelos.
- A-Assim como? – questionei-o, o olhando de soslaio e ele riu novamente.
- Com as bochechas coradas, oras! – respondeu, tocando minha bochecha com o indicador de leve. Obviamente, estas ficaram ainda mais vermelhas e meu coração estranhamente falhou uma batida. Novamente desviei de seus olhos; Novamente ele riu de uma forma ainda mais adorável. – Certo...! Vamos mudar de assunto... – Antes que as bochechas de certo loiro explodam. – sussurrou, com um sorriso de canto e de fato, não faltava muito para que explodissem, principalmente agora, não é mesmo, Mail Jeevas? – Certo! Vai ser uma tarde e tanto! – Falou animado, sorrindo. Apenas concordei com a cabeça enquanto o fitava, sem sequer notar o que estava fazendo. Pisquei algumas vezes e notei que aos poucos o sorriso em seus lábios tornava-se mais tímido e envergonhado, enquanto suas bochechas enrubesciam e ele abaixava um pouco a cabeça, desviando o olhar, encolhendo os ombros e rindo baixo. Esse garoto usou algum feitiço para me deixar assim ou eu estou ficando louco...
- Ah, sim. Parece que o orfanato é maior do que podemos imaginar... – Falei, saindo de meus devaneios conforme fui em direção à janela. Afastei um lado da cortina para poder avistar os jardins e constatei que ainda devia ser cedo, pois o sol ainda estava fraco, mas seus raios já iluminavam nosso quarto. Provavelmente o resto do dia seria bem diferente dos anteriores, que apenas se baseavam em chuvas, trovões e raios; Sorte nossa. Logo senti o ruivo vindo até a janela silenciosamente, afastando o outro lado da cortina. Suspirei e lhe olhei de soslaio.
- Parece que a vida aqui na Wammy’s não será tão ruim... – Falou baixo, olhando através do vidro para a mesma direção que eu. Silenciei-me, não querendo questionar muito por enquanto sobre como Mail viera parar aqui, lembrando-me de sua reação na noite passada ao que fora comentar sobre algo do tipo. Logo se virou para mim, sorrindo daquele jeito único; Retribui apenas me virando para lhe olhar. – E não vai ser mesmo, afinal... – abraçou-me pelo ombro, num gesto rápido. – Eu fiz um amigo muito legal, huh?
Fiquei estático, um tanto quando boquiaberto e aposto que meus olhos brilhavam tanto quanto os dele. Era a primeira vez que alguém me considerava como amigo, algo que eu sequer sabia o que realmente era. Pisquei algumas vezes, ainda com olhar pousando sobre o ruivo e esse logo arqueou as sobrancelhas e agora pude ver claramente que suas bochechas enrubesceram. Estranhei o ato, mas logo ele se pronunciara.
- C-Claro, se você aceitar ser meu amigo... – Falou um pouco cabisbaixo e eu balancei negativamente a cabeça, não acreditando que ele me questionara algo que, no meu ponto de vista, a resposta era tão obvia.
- E por que eu negaria? – Perguntei em tom baixo após um breve silêncio e ele levantou a cabeça, com os olhos ainda mais brilhantes. Sorriu e rapidamente abraçou-me com força, me assustando.
- Obrigado, Mihael. – sussurrou, com a cabeça ainda contra meu peito conforme minha respiração não era mais presente, assim como alguns batimentos meus. Em um gesto automático, levei minhas mãos, ainda um pouco incerto, até suas costas, retribuindo o abraço que o garoto me dera, e logo já mais nada passava por minha cabeça e a incerteza não era mais presente, fazendo com que eu realmente o retribuísse.
- Eu que agradeço, Mail. – Respondi da mesma forma que ele dissera e funguei de leve, sentindo o aroma agradável dos fios vermelhos – Claro que, pouco tempo depois, esse cheiro ficara eternamente na memória, mas não vem ao caso, não no momento. Permaneceu a me abraçar, mas virou o rosto em direção à janela, porém o mantendo contra meu peito. Suspirou, em seguida fiz o mesmo e permanecemos em silêncio.
- Você sabia que... É meu primeiro amigo? – Perguntei com o tom pacífico em minha voz e ele levantou a cabeça, com os olhos arregalados.
- Sério!? – Questionou incrédulo. Acenei com a cabeça num gesto positivo e ele riu, voltando a deitar a cabeça em meu peito.
- Você é meu primeiro amigo também. – Falou calmo. Agora eu que não acreditei. Mail parece ser sociável, ou que possuísse pelo menos alguns amigos... Bem, deixemos esse assunto para lá.
- Que honra... – respondi sincero no mesmo tom e ele riu baixo.
- Digo o mesmo. – falou num tom risonho e novamente suspirou. – E tenho certeza de que essa amizade vai durar para sempre. Se depender de mim, não tenha dúvidas disso.
- Então pode contar comigo nisso. – Falei e ele se afastou, me encarando sorrindo.
- E assim durara além da eternidade! – Falou animadamente e eu ri baixo concordando, logo ele arqueou as sobrancelhas. – Você riu!
- O que? – Fingi não estar entendendo. Não gostava de sorrir e nunca fiz isso desde noite passada, mas eu não conseguia conter meus sorrisos ou coisas do gênero perto dele, era impossível. Ele riu novamente, revirando os olhos.
- Não sei por que esconde seu sorriso e seu riso também, sendo que são coisas tão belas. – Falou calmo e voltei a sentir as bochechas esquentarem. – Enfim, cada um tem o seu jeito. – Deu de ombros e ficou em silêncio por um pequeno tempo, logo me olhou com um sorriso de canto e uma das sobrancelhas arqueadas. – Mas eu ainda farei você agir normalmente com isso! – Riu e revirei os olhos, com um pequeno sorriso que fazia questão de se estampar no canto dos meus lábios. – Viu? – Falou e o empurrei de leve, enquanto ele ria.
- Estou com fome. – Falei, me levantando da cama e andando até o gaveteiro ao lado de minha cama – nesta o ruivo permanecia deitado. – Gosta de chocolate? – questionei-o, tirando uma barra de dentro da gaveta, onde eu, Lawliet e Raito havíamos guardado os chocolates ao que arrumamos o quarto no dia em que cheguei.
- Eu... Nunca experimentei... – mordeu o lábio inferior, enquanto se sentava na cama.
- Nunca? – arqueei as sobrancelhas e ele apenas respondeu balançando a cabeça. Peguei uma barra e fui até a cama, voltando a me sentar nesta. Quebrei um pedaço e entreguei ao ruivo, que fitou o doce por uns segundos. Olhou-me e fiz um gesto com a cabeça, para que ele prosseguisse e este levou o chocolate um pouco incerto até a boca, mordendo-o.
- É bom... – Falou tímido e concordei com a cabeça.
- É a melhor coisa que existe.
- Vídeo-Games são uma das melhores coisas! – sorriu.
- Você joga? –Questionei interessado em descobrir mais sobre o ruivo.
- Sim! Mas meu game boy já está bem surrado... – Disse, mas deu de ombros em seguida.
- Hum... – Assenti, terminando o assunto e decidindo mudá-lo. – Mail, quantos anos você tem?
- 5, faço em 1º de Fevereiro. – Respondeu normalmente, voltando a comer o chocolate. Arqueei as sobrancelhas; Ele não parecia ter apenas isso.
- Não parece. Você é bem esperto para um garoto de 5 anos.
- Obrigado. – Sorriu tímido. – E você?
- 6, 13 de Dezembro.
- Você também não parece. Isso é bom, não?
- Parecermos mais velhos? – Ele acenou com a cabeça de forma positiva. – É, de certa forma sim... Mas no futuro você não vai gostar de aparentar ter mais idade.
- Não é na aparência apenas, é mentalmente. – Bateu três vezes com o indicador na cabeça, com um pouco de chocolate sujando o canto da boca. A forma que ele disse foi... Indescritivelmente adorável.
Ri de leve e concordei com a cabeça, afinal, aquilo fazia sentido. Virei à cabeça para o relógio da cabeceira e vi que já eram 11h30min. Provavelmente, iríamos conhecer o orfanato por volta das 16h00min. O problema? O que faríamos durante estas 5 horas e meia?
Ficamos em silêncio por um tempo e logo ouvimos um barulho vindo da porta, logo se viu novamente os olhos castanhos e negros. Suspirei aliviado, pois era quase certeza de que Lawliet e Raito gostariam de conhecer Mail.
- Podem entrar. – Falei e Mail se escondeu um pouco atrás de mim. Então ele era tímido, exceto comigo? Logo os outros dois entraram e Lawliet comia algumas balas, estas ele tirava do bolso como se este não possuísse fim.
- Bom Dia, Mihael! – Falaram em uníssono.
- Bom Dia. – Respondi, não tão sério. Olhei para trás confuso, onde o ruivo se escondia. – Não precisa ficar assim, Mail, Eles são legais. – Falei baixo. Ele demorou alguns segundos, mas aos poucos foi saindo de trás de minhas costas, mas ainda agarrando em meu braço. Os garotos sorriram ao que o viram e acenaram com a mão.
- Esses são Raito Yagami e Lawliet. – falei, apontando para cada um conforme proferia os nomes.
- E-Eu sou Mail, Mail Jeevas. – Falou baixo.
- Hum, mais um com M?! – Raito disse animado. – Seja Bem Vindo, Mail.
- O-Obrigado.
- Bem, Acho que temos que explicar para vocês como funciona a Wammy’s...
- Ah, sim. Iremos conhecer o orfanato mais tarde, porém não sabemos ainda como funcionam as coisas aqui.
- Bem, então explicaremos. – Sorriu e dei espaço para os dois se sentarem em minha cama, levando Mail junto a mim. Raito puxou o moreno pela mão livre e logo estes já estavam sentados na cama.
- Querem? – Lawliet oferecera uma de suas balas. Negamos com a cabeça e este apenas deu de ombros, esperando que o outro prosseguisse.
- Bem, aqui não é somente um orfanato. É como uma escola, onde os alunos têm a liberdade de saírem quando bem quiserem e muitos deles apenas ficam aqui por um tempo, enquanto os responsáveis estão fora. Temos aulas, como em uma escola normal; Enfim, o único fato que muda é que moramos aqui, fora isso, é como a vida normal em que se tem sua própria casa e coisas do tipo. – Falou. Bem, não parece ser ruim.
- Acho melhor passarmos tudo que eles precisam saber realmente, não Raito-kun? – O outro perguntou, se levantando.
- Ah sim! Obrigado por lembrar. – Sorriu e o outro retribui, levemente corado. Logo saiu do quarto rapidamente e voltou da mesma forma, com um caderno e um lápis em mãos, Raito começara a nos explicar.
...
Os garotos foram rápidos ao que explicavam tudo que teríamos dúvida. Mail não estava mais tão tímido e decidimos conversar sobre assuntos aleatórios, conforme o tempo passava. Quando vimos, já eram 17:30. Raito e Lawliet haviam voltado para seus quartos há alguns minutos, enquanto Mail decidira tomar um banho, logo após que fiz tal coisa. Quando acabara, saiu do banheiro com um sorriso estampado nos lábios.
- Vamos?! – Perguntou animadamente. Assenti com a cabeça, me levantando da cama e mal fiz isso direito, Mail já me puxara pela mão com pressa. Parou atrás da porta e a abriu lentamente, olhando o corredor e certificando que ninguém permanecia ali. Logo me puxou novamente, aumentando a velocidade conforme atravessávamos o corredor. Parou em uma escada que dava caminho para o andar acima. O andar em que se encontravam os dormitórios era um dos últimos, o penúltimo, pelo meu ver. Havia diversos andares, sendo que o lado em que ficávamos eram, de acordo com Raito e Lawliet, a parte dos garotos. Abaixo dos dormitórios, se encontravam as salas de aula e algumas dessas eram desocupadas; Acima não sabíamos o que seria.
Mal percebi que Mail já me puxava escadaria acima. Assim como as outras, os degraus pareciam não ter mais fim, fazendo com que a escadaria desse voltas até finalmente chegar onde deveria. Ao chegar, deparamo-nos com uma área escura, fracamente iluminada pela luz do andar de baixo. Mail pousou os olhos sobre uma das janelas e correu até está, me levando junto e tomando cuidado caso algo aparecesse no caminho. Ficou na ponta dos pés, tentando alcançar o feixe que abria a janela grande e ao ver que não conseguia, riu baixo e me lançou um sorriso tímido. Dei um passo à frente e não precisei muito para abrir a janela, afinal, eu era mais alto que o ruivo. Empurrei-as para fora, de forma que não fizesse barulho e nos deparamos com um local amplo, um tanto quanto empoeirado e vazio.
- Acho que ninguém deve vir aqui. – Falou baixo. – É... Incrível! Tem espaço suficiente para fazermos o que quisermos! – Disse animadamente e olhei envolta, reparando que, de fato, era um bom local.
- Sim, mas... O que planeja?
- Oras, quando não tivermos nada para fazer ou enjoarmos de nosso quarto, podemos vir aqui! É longe do andar dos dormitórios. – Sorriu e concordei. Dei uma ultima olhada no local e suspirei, fechando as janelas. Em seguida Mail me puxara novamente, descendo as escadas.
Descemos até o “térreo”, onde se encontrava a recepção e vimos que na mesa entre as duas escadas, logo atrás dessa, Watari organizava alguns papéis. Logo nos viu e sorriu, se levantando e caminhando até nós.
- Bom Dia, Garotos! – falou simpático. Novamente Mail se escondeu um pouco.
- Bom dia. – Respondemos ao senhor.
- Vejo que já se deram bem, não? Tinha certeza de que você ajudaria Mail, Mihael. Mas, o que fazem aqui?
- Estamos conhecendo o orfanato. – Respondi e ele aumentou o sorriso, assentindo.
- Entendo. Bem, fiquem a vontade. Caso precisarem de algo, apenas me chamar ou falar com Lawliet e Raito.
- Certo, Obrigado. – Respondi e puxei Mail comigo até a porta aberta que dava caminho para os jardins; Era bem mais belo de perto e com um clima ensolarado com o que fazia. Pelo que eu sei, o jardim tem uma continuação ainda maior nos fundos do orfanato; Olhei de soslaio para Mail que estava um pouco cabisbaixo e quieto e logo o levei junto comigo até o local, onde achei diversos bancos de madeira. Fui até o que se encontrava abaixo de uma árvore e ali me sentei, logo o ruivo fez o mesmo, ainda em silêncio.
- Hey, Mail, O que houve? Por que ficou tão quieto de repente e se escondeu Do Senhor Watari, assim como fez com Lawliet e Yagami? – Perguntei baixo, se aproximando dele para que ele não precisasse dizer alto.
- Nada... É que eu... Deveria não estar falando com ninguém.
- Por quê? – Questionei incrédulo.
- Porque... Vocês não deveriam estar querendo se aproximar! Por favor, eu já estraguei vidas demais, melhor se afastar de mim, Mihael. Eu n-não quero estragar sua vida. – Falou com a voz falha, enquanto tampava o rosto.
- Ficou louco? De onde está tirando isso?
- Já me disseram tantas vezes...! Por favor, Mihael. É para seu bem!
- Não, eu não vou me afastar de você, Mail. — Esqueça isso, não precisa me explicar nada. Apenas saiba que eu ficarei ao seu lado, sempre que precisar. – Falei, olhando sério para o garoto que aos poucos tirava as mãos que tampavam os olhos, estes marejados. Ele soluçou e vi que tremia um pouco, logo ele se atirou contra meu peito novamente, me abraçando com mais força que dá ultima fez. Suspirei e balancei negativamente a cabeça, retribuindo o abraço.
- Não precisa chorar, Matt. Prometo que sempre estarei aqui, você precisando ou não. – Falei baixo e me silenciei. Após curtos minutos, o ruivo se afastou com o rosto manchado e deu um pequeno sorriso desolado. Levei minha mão até seu rosto e limpei a trilha úmida ali presente, logo lhe lancei um sorriso sincero. – Agora eu quero ver o garoto que hoje de manhã estava ansioso para conhecer o orfanato. – Falei quase que num sussurro e ele riu baixo, fungando. Desde que acordei, não estava entendendo absolutamente nada que acontecia comigo naquele dia estranhamente bom; Não questionei e nada na hora me vinha à mente sobre tal assunto, a única coisa que realmente me interessava era ajudá-lo.
Depois de um breve silêncio, ele se pronunciou; Parecia que procurava as palavras exatas para argumentar sobre algo. – Você já me deu um apelido. – riu baixo, um pouco corado e arregalei os olhos, sentindo que aos poucos minha bochecha esquentava.
- Eu?!
- Sim. Chamou-me de Matt. – Riu mais um pouco, conforme eu lembrava de que realmente chamei-o desta forma. Tentei procurar algo que disfarçasse, mas ele fora mais rápido. – Eu gostei do apelido. – Sorriu de forma adorável.
- Mas eu não-
- Falou sim. – riu.
- Não falei não!
- Falou sim!
- Não falei, Matt! –... Ótimo, agora nenhum argumento será válido por um deslize que novamente cometi. Ele riu mais alto, logo apontara o dedo em minha direção.
- Há! Viu, só? – Falou num ar convencido. Cruzei os braços contra o peito e desviei do olhar que ele me lançava. Logo senti que ele se aproximou mais e ligeiramente me abraçou pelos ombros, apoiando a cabeça em meu ombro. – Mas eu adoraria se me chamasse assim, Mello. – frisou a ultima palavra.
- Mello?
- Se não se importa... – Falou num tom envergonhado e senti a bochecha do ruivo quente pelo fato desta estar contra a minha. Fiquei em silêncio por um tempo; Claro que eu não me importaria se ele me chamasse assim!
- Certo, Matt. – reforcei seu apelido e ele sorriu, me apertando um pouco mais. Logo me soltou e pulou do banco, quase caindo contra a grama bem cuidada dali; riu e balancei negativamente a cabeça, reprimindo os lábios que insistiam em formar um sorriso. Onde estávamos era ainda maior que o que imaginei. Havia um caminho entre o gramado verde composto por arvores em números iguais para ambos os lados, estas bem cuidadas e com uma ótima aparência. Abaixo, bancos de madeira clara e nova. Havia diversos canteiros com variados tipos de flores por ali e envolta um alto muro separava o orfanato de algum lugar que não sabíamos o que era – Não por enquanto. Um pouco mais a frente do tal caminho, era possível se ver uma quadra não tão grande.
Matt me puxou pela mão até o caminho de pedra e correu a uma direção em que se via uma pequena porta de madeira, quase imperceptível por ser da mesma cor que o muro e por estar oculta por uma árvore; Nem mesmo eu sabia como o ruivo conseguira enxergar. Matt olhou-me curioso, como se perguntasse se pudesse ou não abrir. Claro que, como éramos crianças, não era fácil conter a curiosidade. Olhei ao redor, vendo se ninguém nos observava e logo assenti. O mesmo abriu a porta com pressa e nos deparamos com um local que parecia um jardim, porém com a aparência um tanto quanto melancólica. Estranhamente, era agradável a meu ver e ali não batia tanto sol quanto no jardim da Wammy’s. Fomos entrando no local de forma silenciosa, ainda um pouco incertos. Olhamos em volta e vimos que ali também havia várias árvores, mas ainda mais que no orfanato; Estas já eram um pouco mais velhas. Permaneci olhando o local, mas logo senti o ruivo me puxando. Tentei o olhar, confuso, mas ele já havia parado.
- Veja, Mello... – Falou num sussurro, mas de forma maravilhada. Apontou para duas flores, uma ao lado da outra; Uma amarela e a outra vermelha. Olhou-me de soslaio, sorrindo e eu apenas mantive uma das sobrancelhas arqueadas, tentando compreender o ruivo que logo riu. Levou a mão até meus cabelos e até os seus, logo segurou as flores cuidadosamente pelo caule. Senti as bochechas um pouco quentes ao que entendi e estranhamente meu coração falhou algumas batidas. Ele sorriu, com as bochechas extremamente vermelhas, mas não tentou escondê-las. Passado pouco tempo, ri baixo, guardando mais um momento na memória, por mais que não soubesse que daqui alguns anos seria tão importante.
- Acho melhor irmos voltando, o sol já está se pondo e se nos achassem aqui, não poderíamos mais voltar. – Argumentei e o ruivo me olhou com os olhos brilhando.
- Quer dizer que voltaremos?
- Claro, Matt! — Respondi e ele aumentou seu sorriso. Segurei em sua mão e fui caminhando até a porta novamente. – Agora vamos, antes que comecem a suspeitar do nosso esconderijo. – Sussurrei a ultima palavra e ele riu. Logo saímos do lugar e fechamos a porta, como se nada tivesse acontecido. Decidimos ver o que não havíamos visto e logo começara a escurecer. Subimos para nosso quarto e dividimos uma de minhas barras de chocolate. Passou-se um tempo e o ruivo bocejou.
- Está com sono? – Perguntei, apenas virando a cabeça para o lado para lhe ver. Seus olhos estavam quase fechando.
- Não... – Respondeu de forma sonolenta e ri baixo, concordando ironicamente com a cabeça. Não se passara nem um minuto e logo senti a cabeça do ruivo pesando sobre meu ombro. Olhei novamente e vi que agora os belos olhos permaneciam fechados e sua expressão era calma, assim como sua respiração. Sorri de leve e suspirei. Eu havia muito que resolver comigo mesmo, muitas perguntas e muitas dúvidas, mas algo me dizia para não adiantar as coisas e que, com o tempo, tudo ficaria bem explicado para mim. Eu não sabia ao certo quem eu era ou o que era aquilo que já começava a sentir, mas não ousei questionar. Respirei fundo e logo me entreguei ao sono, deitando a cabeça sobre a do garoto que não precisou de muito para mudar o rumo da minha vida.
Notas finais
Enfim, novamente peço desculpas e prometo não demoras.
Obrigada pelos reviews e bom fim de semana, seus lindos.
Ja nee~ ♥
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