Yuiitsu No Reigai

5 Capítulo 5 - Riyū Wa


Notas iniciais
Yo, Minna!
Novamente, Gomen! D:
Bem, o capítulo está longo e ruim, eu particularmente não gostei, mas espero que vocês gostem, pelo menos um pouco.
O Tanoshimi ^^

Capítulo 5

理由は

Riyü wa



Acordei lentamente, sem muita vontade de fazer tal coisa. Levei a mão até meu olho esquerdo, o coçando delicadamente. Respirei fundo, sentindo o aroma que já estava acostumando a sentir e apreciar. Abri os olhos e vi os fios ruivos tampando os olhos verdes – agora fechados – de Matt, que respirava calmamente, ainda adormecido. Não reagi mal perante o fato dele dormir na mesma cama que eu, afinal, eu gostava de tê-lo por perto, gostava de acordar e sentir aquele aroma que já não era mais possível esquecer, gostava de protegê-lo nas noites em que os trovões ecoavam pelo quarto — afinal, ele não havia ainda perdido seu medo. Claro que, ao mesmo tempo em que eu notava que tais coisas aconteciam comigo, eu me assustava, achando que eu estava ficando louco, mas parecia que levava apenas segundos para tais pensamentos sumirem de minha mente e o único a ocupá-la ser ele e nada mais. Em pouco tempo havíamos desenvolvido uma forte amizade, tão forte que eu não parecia mais o Mihael Keehl que eu era até o momento em que o conheci.

Já fazia três semanas desde que eu e Matt resolvemos conhecer o orfanato. Já estávamos nos acostumando com a rotina que agora teríamos, apenas ainda não tento as aulas que Raito e Lawliet informaram; De acordo com o que haviam dito, começaria na primeira segunda-feira de abril. Durante esse tempo, tivemos que nos conter apenas dentro de nossos cômodos, pois a chuva não ousava cessar sequer um dia, e quando cessava, o frio era tanto que não saíamos nem de nossos cômodos; Estranhamente, gostávamos daquele clima frio, mas o que não suportávamos era a vontade de ir ao tal “esconderijo” que eu e Matt encontramos ao que conhecíamos a Wammy’s.

Não querendo acordá-lo, afastei os fios ainda o fitando, mas ao que o fiz, o ruivo que de certa forma me abraçava me apertou um pouco mais, me assustando de leve. Respirou fundo e murmurou algo que não consegui entender — por mais que de fato não se deveria entender. Ele se abaixou um pouco, afundando a cabeça em meu peito e eu permaneci estático, mas achava que o ruivo sonolento era tão adorável quanto quando está acordado.

– Já está me observando há quanto tempo? – Questionou-me. Senti as bochechas esquentarem repentinamente e ouvi uma risada baixa do ruivo.

– N-Não estava te observando, apenas fui tirar os fios de sua franja, pois... Bem, às vezes irrita ou coça, não? – tentei arrumar uma desculpa, sendo respondido por um suspiro de Matt, que me soltara e se sentou sobre a cama, com um pequeno sorriso nos lábios. Levantei-me conforme ele coçava os olhos e bocejava, se espreguiçando.

– Sei... – Falou com certa ironia, mas não dei muita atenção; Já havia notado que aquela forma de falar era típica do ruivo, e que se eu permanecesse a lhe convencer, ele permaneceria a me responder da mesma forma, ainda mais pelo fato de eu estar mentindo – e muito mal. Sorriu, me fitando com as bochechas levemente avermelhadas. — Ah, antes de tudo, Bom Dia, Mello.

– Bom Dia, Matt. – Respondi com um pequeno sorriso que insistia em surgir no canto dos meus lábios, conforme balançava a cabeça de forma negativa. Ficamos em silêncio e logo ele me puxou novamente, nos deitando na cama e me assustando.

– Ah... Eu quero dormir mais, Mello... – Resmungou e eu ri baixo, fitando-o.

– Oras, então durma! Ainda deve ser cedo.

– Mas eu não quero te deixar acordado sozinho... – Respondeu, abaixando a cabeça e a afundando novamente em meu peito, mas consegui ver a vermelhidão de suas bochechas, conforme sentia as minhas estalarem. Fiquei em silêncio, logo o ruivo me apertara mais um pouco, novamente murmurando algo.

– Não precisa se preocupar comigo, Matt. Eu... – Parei de falar ao que o ruivo se levantou repentinamente e se sentou na cama, virado para a janela. Afastou as cortinas e abriu um pouco a janela; Pela fresta, a luz do sol parecia forte. Matt se virou em minha direção, com um sorriso nos lábios.

– Não está chovendo! E também não está frio! – Falou animadamente, voltando a fechar a janela. Sentei-me na cama e logo em seguida Matt se aproximou, deixando nossos rostos extremamente próximos. – Sabe o que significa? Que podemos ir lá hoje!

Ri baixo, concordando com a cabeça e o sorriso nos lábios rosados do ruivo aumentou ainda mais, logo em seguida ele me abraçou rapidamente e pulou da cama, me puxando pela mão ao que eu permanecia estático devido o abraço – Por mais que já havia também me acostumado com essa mania do ruivo. Paramos ao lado da cama e ele mordeu o lábio inferior de forma pensativa. Eu apenas observava cada ato dele, com um sorriso bobo nos lábios e ainda segurando em sua mão.

– Vamos tomar um banho, então comer algo e depois podemos ir lá, certo? – Falei calmamente, fazendo o olhar do ruivo pousar em mim, estes brilhavam de leve; Matt era, de fato, extremamente ansioso. Acenou positivamente a cabeça e soltou de minha mão, correndo até o armário onde ficavam nossas malas; Logo voltara com algumas peças de roupa e me entregou uma dessas.

– Tome. Espere-me aqui, eu não demoro. – falou e andou rápido até o banheiro. Suspirei, ainda sorrindo, e sentei-me na cama, aguardando o ruivo.

...

Passado um tempo, Matt e eu já estávamos devidamente arrumados, vestindo as roupas que costumávamos usar: Ele e sua conhecida camiseta longa de listras, a calça jeans um pouco maior que o necessário e os sapatos que sempre estavam desamarrados; Eu vestia um conjunto preto de moletom e um sapato qualquer.

– Vamos descer e comer algo. – Sugeri, conforme tentava tirar o nó do cadarço do ruivo. Sem muita dificuldade, consegui e levantei-me, mas Matt permaneceu sentado sobre a cama, com os ombros um pouco encolhidos e as mãos juntas. O fitei preocupado e me sentei na cama, ao seu lado. – Hey, o que houve?

–... Eu... Eu não sei se eu devia sair daqui... – falou baixo, um pouco tímido.

– O quê– Interrompi-me, lembrando do que Matt conversara comigo no dia em que fomos conhecer o orfanato. Ele agia assim com todos, exceto eu; Ainda não entendia o porquê, mas decidi por não questionar, pois sempre que entrávamos despropositalmente nesse assunto, ele reagia como se doesse muito internamente. Suspirei e lhe abracei de forma confortante. – Não precisa ficar assim, Matt. Não se preocupe, eu sempre estarei aqui, seja lá o que aconteça. Você sabe, se alguém ousar encostar um dedo em você para te fazer mal, eu não penso duas vezes em encostar os meus 10 na tal pessoa. – Falei sério e ele riu baixo. – Mas é verdade! Se eu pudesse voltar no tempo e desfazer o motivo desse seu medo, eu não temeria nada, e se fosse necessário minha vida em troca, eu a daria sem problemas.

– Se você fizesse isso, eu faria em seguida. – falou me olhando sério, mas com os olhos brilhantes e as bochechas levemente avermelhadas. – A pessoa que eu mais confio é você, e se você desse sua vida por mim, eu faria o mesmo.

Fiquei em silêncio, apenas fitando o ruivo que agora tinha as bochechas extremamente vermelhas. Nada me passava pela mente, apenas as palavras que ele acabara de me dizer. Lancei-lhe um sorriso e aposto que meus olhos brilhavam no momento.

– Então, se confia em mim, não há com o que se preocupar, não? O mesmo serve para mim, afinal, você é a pessoa na qual eu mais confio. – Falei calmamente e ele retribui o sorriso de leve, acenando positivamente a cabeça. Desviou o olhar do meu, fitando suas mãos como se procurasse algo para dizer, mas logo voltou a me encarar, ainda sorrindo.

– Obrigado. – Disse baixo, segurando em minha mão.

– Eu que agradeço, Matt. – falei sincero.

– Eu já te disse que você é o melhor amigo do mundo? Pois, se não, eu não vejo problema em repetir isso quantas vezes forem necessárias. – Ele disse e arqueei as sobrancelhas, sentindo as bochechas esquentarem. – De qualquer forma, nunca se esqueça disso.

– Você também, Matt... Por mais que seja meu primeiro amigo, sempre será o mais importante.

Ele sorriu mais e após poucos segundos em silêncio, me abraçou e retribui instantaneamente. Aquele silêncio era o tipo de silêncio confortável, do qual sem sequer um som, dizia muito. Continuamos daquela forma e depois de um tempo nos afastamos. Notei uma curta trilha úmida que escorria pela bochecha do ruivo e ele desviou o olhar ao que fui limpá-la. O puxei pela mão e em silêncio descemos até a cozinha da Wammy’s.

Os corredores dos quartos estavam vazios, mas era possível se ouvir algumas vozes vindas dos andares de baixo. Ao que descíamos as escadas, já era possível ver algumas crianças conversando; Matt apertou um pouco mais minha mão e eu apenas lhe lancei um olhar confiante. As crianças nos olhavam de forma estranha, mas sequer ligamos. Seguimos até a cozinha, onde Sra. Sachiko, uma senhora asiática responsável pela comida do orfanato cozinhava algo; Ela nos lançou um sorriso amigável.

– Bom Dia, Crianças. Vocês têm sorte de a Wammy’s ainda estar sem todos os seus alunos, senão não teria mais nada pra comerem. – Se quiserem, podem comer aqui hoje. – Acenamos positivamente, afinal, havia um refeitório ao lado da cozinha. Sentamos um ao lado do outro e pegamos qualquer coisa que havia na mesa, sem muito interesse em comer.

– O que quis dizer com “sem todos os seus alunos”? – Perguntei.

– Parte dos alunos daqui sai nas férias, com seus parentes. Boa parte delas tem família, mas às vezes essas viajam diariamente.

– Quer dizer que aquelas crianças perto das escadas são as únicos aqui? – Questionei impressionado.

– Sim. Elas saem também, mas são mais raras às vezes. Vocês, Raito, Lawliet e mais três crianças são as únicas “permanentes”, por enquanto.

– Ah, sim... – finalizei o assunto e notei que Matt me fitava atentamente.

– Não vai comer nada? – Perguntei e ele permaneceu quieto. Sra. Sachiko nos fitava ainda sorrindo e apontou com a cabeça para um bolo de chocolate a nossa frente. Peguei duas fatias e entreguei uma a Matt. – Pegue, é de chocolate!

Ele, um pouco receoso, aceitou e não demorou muito para ele querer outra fatia. Estranhamente, esse jeito dele era uma das coisas que mais me chamava atenção... Mas afinal, o que não me chamava atenção nele, depois de pequeno tempo?

– Você é bem quietinho, não é, querido? – Sachiko perguntou e ele balançou positivamente a cabeça. – Mas parece que há uma exceção, não? – Sussurrou, mas consegui ouvir por estar ao lado dos dois. Senti as bochechas esquentarem e ela riu, logo escutei seus passos. Voltei o olhar para Matt e suas bochechas estavam quase tão vermelhas quanto seus cabelos; Nem um pouco adorável...

Doce Ironia.


– Vamos ficar um pouco nos jardins, Mello? – Perguntou baixo, e respondi com um pequeno sorriso e um aceno positivo com a cabeça. O puxei pela mãe e agradecemos a Sra. Sachiko antes de corrermos até os jardins. Sentamos-nos em um dos bancos e notamos que o céu estava limpo e que fazia um belo dia.

– Sabe o que eu acho inspirador? O céu... – Disse calmamente, olhando para cima e suspirou. Voltei o olhar para o azul claro acima de nós. – Ele é tão simples, mas nos faz pensar em tantas coisas... – O céu é lindo, em qualquer hora do dia.

– Sim...

– E tem a cor de seus olhos. – falou e riu baixo em seguida, tirando os olhos do céu e os voltando para mim. – Por isso o céu é bonito também, ou vice versa.

– O-Obrigado. – Senti as bochechas estalarem e ele riu novamente, voltando a fitar o céu enquanto balançava as pernas.

– Não há de que. – Disse num tom divertido. Ficamos em silêncio por mais um tempo, logo ouvimos alguém nos chamar.

– Hey Matt, Mello! – Raito acenou, se aproximando junto de Lawliet; Ambos pareciam ter acabado de correr.

– Ah, Oi... O que estavam fazendo? – Perguntei confuso.

– Procurando... Viram Sayu ou Beyond por aí?

– Quem? – eu e Matt perguntamos em uníssono, em seguida o ruivo riu baixo por tal ato, como eu.

– Sayu, minha ir- Ah! É mesmo! Vocês ainda não se conhecem...! – Sayu é minha irmã mais nova e Beyond é irmão de Lawliet.

– Sequer sabíamos que vocês tinham irmãos... – Mas, só vimos algumas crianças perto da escada.

– Hum... Sayu deve estar com Misa, já Beyond...

– Beyond é assim, desaparece num piscar de olhos. – Lawliet disse, revirando os olhos. Fui um pouco para o lado, puxando Matt comigo e dando espaço para os dois se sentarem. Ficamos em silêncio por um tempo, e tenho quase certeza de que não era o único a sentir cheiro de geléia de morango, pois Matt e Raito torciam o nariz, tentando identificar o cheiro.

– Boo! – Ouvimos uma voz atrás de nós, nos assustando, com exceção de Lawliet, que apenas revirou os olhos. Eu e Matt viramos para trás, nos deparando com um garoto que, se não fosse pelos olhos e por Lawliet estar ao nosso lado, acharíamos sem dúvidas que era ele.

– B., se quiser mesmo assustar, lembre-se de não estar comendo nada. Só pelo cheiro de morango foi possível te reconhecer...

– Deixe de ser chato, maninho. O único que não se assustou foi você, que reconhece o cheiro de doces de longe! – Falou, se sentando ao lado de Lawliet, mas logo nos olhos e pulou do banco, indo a nós. – Hey! Eu sou Beyond, Beyond Birthday, mas podem me chamar apenas de Beyond, ou como quiserem. Sou irmão gêmeo do L, mas isso é um pouco obvio. – Falou animadamente; Deve ser efeito dos doces... – E vocês são... ?

– Eu sou Mihael, Mihael Keehl. – Falei normalmente, não muito sério. Matt continuava um pouco tímido.

– E-Eu sou Mail Jeevas. – falou num tom baixo, mas Beyond conseguira escutar.

– Hum, alunos novos... Bem, prazer em conhecê-los, então. Ah, não sei se já comentaram com vocês, mas acho melhor manter sua confiança nas pessoas que conhece até agora, como Lawliet, Raito, Eu, Watari, e quando conhecer, Misa e Sayu; Os alunos daqui sempre tratam nós, órfãos, com diferença, só porque são ricos e com família e essas coisas insuportáveis. Claro que há algumas poucas exceções, como o Matsuda, mas fora ele e mais alguns, o melhor a fazer é ficar longe de algumas pessoas aqui. – Falou um pouco baixo enquanto Lawliet e Raito concordavam; Então quer dizer que até aqui? ... Ainda bem que pelo menos existem algumas pessoas com quem posso contar...

– Ficar longe de quem? – Ouvimos uma voz feminina vinda de trás de nós novamente e uma garota loira, acompanhada de cabelos castanhos ,que possuía alguns traços que lembravam os de Raito, nos olhava curiosa.

– Finalmente! Vocês sumiram! — Raito disse, revirando os olhos.

– Quem são eles, Onii-chan? – A garota de cabelos castanhos perguntou a Raito, puxando a barra de sua blusa.

– Eles são Mihael e Mail. São alunos novos; como nós, Sayu. – Falou, abaixando um pouco para ficar na altura da garota.

– Ah! Então vocês dois são Mihael e Mail! – a loira disse animadamente. – Eu sou Misa Amane, mas podem chamar de Misa, só. – Sorriu e apenas acenávamos com a cabeça. – Agora eu vou voltar a passear com a Sayu, até mais! – Disse e voltou a andar com a garota, de forma alegre.

– Não ligue, Misa é assim. – Beyond disse, revirando os olhos. — Mas enfim, vou pegar mais geléia. – sorriu, mostrando o pote vazio. Cada um com um vício... Somos um grupo um tanto quanto estranho, não? – Vejo vocês mais tarde!

– Até mais. – dissemos em uníssono.

– E, Beyond, faça o favor de não desaparecer por ai. – Lawliet disse, lançando um olhar sério ao irmão, que torceu o nariz, revirando os olhos e volto a correr em direção à cozinha, acenando com a mão.

– Se não fosse pelo olho, eu não saberia como diferenciar vocês. – Disse à Lawliet e ele riu baixo, concordando.

– Eu sou o único que sei. – Raito sorriu convencido, com os olhos fechados. Rimos baixo e notei que Lawliet estava um pouco corado. – Mas é porque eu também vivo há muitos anos com o Lawliet e o B., por mais que eles sejam diferentes, bem diferentes. – Falou, abraçando Lawliet pelo braço e o moreno sorriu um pouco mais. Eu e Matt nos entreolhamos com sorrisos idênticos e concordamos com Raito. Ficamos um curto tempo em silêncio, logo Lawliet pulou rapidamente do banco.

– Raito-kun, os doces! Esquecemos de guardá-los! –falou e Raito riu, se levantando.

– É mesmo... Então vamos, antes que encha de formigas. – Riu e puxou a mão do Lawliet. – Bem, mais tarde nos falamos, Tchau. – Falou para mim e Matt e concordamos, sorrindo de leve e acenando com a mão, logo éramos os únicos ali. Matt permanecia a fitar o céu e o vento bagunçava de leve os fios vermelhos, mas ele não parecia ligar muito; Eu o fitava, como se tivesse me hipnotizado, logo o ruivo voltou o olhar para mim e os desviou rapidamente, sorrindo com as bochechas extremamente vermelhas. Senti as minhas esquentarem e balancei a cabeça, afastando os pensamentos e saltando do banco.

– Vamos?

– Onde? – Perguntou confuso, parecendo que havia se perdido em pensamentos. Revirei os olhos e puxei sua mão, correndo até a porta escondida que agora eu conseguia ver sem dificuldades. Logo fez uma exclamação de entendimento e eu ri, entrando no local que continuava como da ultima vez.

Andamos um pouco pó lá, explorando-o e vendo que, de fato, era abandonado. Matt me guiou até um lugar do qual ainda não havíamos visto; Ia se inclinando de leve conforme subíamos o caminho verde a nossa frente e ao fim desde havia a vista para o outro lado de Winchester e o céu, que já começava a mudar aos poucos de tonalidade. Sentamos-nos na grama, não ligando para esta estar um pouco úmida e ficamos em silêncio.

– Como você veio parar na Wammy’s, Mello? – Questionou-me, logo as memórias ruins voltaram à minha mente.

– Todos meus parentes eram de uma rica, esnobe e importante família de Winchester; Eles queriam que eu seguisse o mesmo caminho, mas isso era o que eu menos queria. Os Keehl nunca foram apegos a nada que não fosse dinheiro, e para eles eu não era um membro na família, era apenas mais um que eles queriam que sucedessem aquela tradição ridícula de que todos os Keehl deviam ser iguais. Minha mãe sempre nutriu um profundo ódio por mim e meu pai sequer assumia realmente ser meu pai. Mas eu preferia isso a viver numa mentira. – Falei normalmente e Matt me fitava atentamente. Suspirei. – Mas, e você? Sei que não gosta de falar nisso, então não precisa caso não quiser.

Ele ficou em silêncio por um tempo, como se organizasse seus pensamentos, logo suspirou, olhando o horizonte.

– Por parte de pai, eu vim de uma rica família italiana, onde a situação se assemelhava muita à sua, mas havia o seu “porém”. Minha mãe era uma garota simples, vinda de uma pequena e pobre família que morava no interior da Itália, uma família de camponeses; Meu pai vinha de uma família rica e que só se interessava por dinheiro, com exceção dele, que tentava se passar por um garoto normal. Eles acabaram se conhecendo, se gostando e vivendo um romance escondido da família de meu pai. Um dia, obviamente acabaram descobrindo, mas eles não deram o braço a torcer e decidiram fugir e morar em outra parte da Itália, também no campo, porém isolada. Passado poucos anos, eu nasci e durante esse pequeno tempo até meu primeiro aniversário, meu pai adoecera e acabara morrendo, restando apenas minha mãe e eu. No meu aniversário de 3 anos, alguns membros da família de meu pai nos acharam e... – Sua voz saía falha e vi que os olhos verdes ficavam marejados aos poucos. – E eles começaram a discutir com a minha mãe, dizendo que ela havia destruído a vida do meu pai e que eu havia destruído ainda mais, a vida dos dois. Minha mãe tentava me esconder e eu não sabia o que fazer, só sei que o medo me dominava, principalmente ao que vi que os homens que acompanhavam as pessoas estavam armados, mas parecia que minha mãe sequer notou. Ela gritava para me deixarem em paz conforme chorava e quando eu menos esperei, um dos homens sacou a arma e... E deu diversos tiros em minha mãe, a matando frente a mim. – Eu tentava chamá-la, mas ela não dizia nada, e a ultima coisa que conseguira foi me lançar um sorriso amoroso como todos os outros que eu e então fechou o pouco que lhe restava dos olhos semi-abertos. Eu não parava de chorar, enquanto aquelas pessoas monstruosas me levavam, junto de uma mala onde minha mãe havia organizado para mim, faz um pequeno tempo do qual ela parecia receosa com algo. Eles então me levaram e eu passei a ser criado pela minha avó paterna que vivia aqui em Winchester... Se é que eu poderia considerar aquilo algum tipo de criação... Ela me maltratava, pedia para meus primos me baterem o máximo que conseguiam, me obrigava a fazer coisas que nenhuma criança conseguiria fazer e se eu não fizesse, eu apanhava, mas dela... Perdi muito sangue na mão deles e de toda a vizinhança, mas ninguém sequer ligava. Certo dia, ela me expulsou de casa, me deixando na rua em plena tempestade, apenas eu e minha pesada mala. Eu sabia onde a Wammy’s ficava então segui até lá, ma, na verdade queria não existir mais. Eu nunca esqueceria me disseram... “Você estragou a vida de seu pai, a de sua mãe! Se não fosse por você, talvez ela estaria viva, sabia?” Eles gritavam, principalmente minha avó. E... Eles estão certos... Eu destruí a vida dos meus próprios pais... Minha mãe morreu p-por minha culpa. – Ele dizia, fazendo o máximo para não liberar as lágrimas, mas simplesmente não conseguiu, logo tampou o rosto, soluçando. Eu escutava tudo o que ele dizia incrédulo, não sabendo que pessoas seriam estúpidas a ponto de por a culpa em Matt e fazer absurdos como fizeram. Tudo que me dominava era o ódio por essas pessoas, mas o que eu mais me importava era com Matt; Abracei o ruivo com força, enquanto mexia nos fios vermelhos, tentando acalmá-lo.

– Calma, Matt... Não chore, por favor. Eu estou aqui, para o que precisar! – Falei baixou e ele soluçava. – Você não merece e nunca merecera tudo isso, ao contrário deles.

– Claro que mereço, Mello! Eu- Eu merecia algo pior...

– Enlouqueceu? Claro que não merece! Nada do que aconteceu foi culpa sua! Eu sei que é difícil, mas tente esquecer tudo o que passou, Matt! Vamos viver uma nova vida a partir de agora! Você é incrível desse seu jeito, e nada que disserem pode contra-argumentar sobre isso. – Falei sincero, mas logo permaneci em silêncio. A respiração do ruivo ao poucos diminuía de velocidade, mas ele permanecia a soluçar. Afastou-se com a cabeça baixa, mas foi possível ver seus olhos inchados e vermelhos, marejados; As bochechas estavam úmidas. Levei a mão até seu rosto, o limpando e levantei-o um pouco, fazendo os belos olhos verdes irem de encontro com os meus. Sorri de leve. – Eu sempre vou estar aqui por você, Matt. Sempre. – Agora, deixe tudo isso de lado e faça aquilo que você faz tão bem: sorria! – Falei e ele riu de forma chorosa, mas verdadeiramente; Logo me lançou o costumeiro sorriso sem dentes, e eu o abracei por curtos segundos, enquanto mexia nos seus cabelos.

– Obrigado por estar fazer eu me sentir bem, Mello. Se não fosse por você, eu não sei o que seria de mim.

– Se eu pudesse, eu faria mais por você, mas infelizmente eu não posso, ainda. – Falei e ele riu baixo, fungando. Após um logo silêncio, voltou o olhar para uma das diversas árvores ao nosso lado, e logo mexeu em seu bolso, procurando algo e de lá tirando uma tesoura de ponta. O fitei confuso, mas não disse nada, apenas esperei em silêncio. Ele se virou para a árvore e ficou um tempo a olhando.

– Me desculpe, é por uma boa causa. – Sussurrou, logo colocou a ponta da tesoura na madeira da árvore e começou a desenhar algo nela. Ri baixo, achando tal ato adorável e me aproximei, tentando ver, mas ele não deixou.

– Onde conseguiu essa tesoura, Matt? E... Você é canhoto! — Falei, notando que o ruivo escrevia com a mão esquerda.

– Sim — riu. — Peguei nas minhas coisa, enquanto você tomava seu banho. Eu sempre gostei de desenhar em árvores, eu fazia muito isso com a minha mãe... Ela era desenhista! – Falou, parecendo que já havia esquecido um pouco o ocorrido de alguns minutos atrás. Eu ri, novamente tentando ver o que o ruivo desenhava e ele ria, tentando esconder. – Para, Mell!

– Mais um apelido? – Perguntei rindo e ele retribui o riso em um tom envergonhado. – Eu gostei. –Falei baixo, apoiando meu queixo no ombro do ruivo. Ele havia abaixado a mão e me deixava ver o que desenhara. Senti as bochechas esquentarem de leve, mas meus olhos também brilhavam, provavelmente. Na árvore, em letra de forma, havia escrito “Matt e Mello”, abaixo, um desenho simples, sem muitos detalhes de nós dois, apenas a cabeça. – O que achou?

Não respondi, apenas peguei a tesoura de sua mão e desenhei sem muito jeito um sorriso acima dos nossos nomes e um coração, depois devolvi a ele e suspirei. – O primeiro de muito outros, mas com certeza será o mais importante.

Ele riu baixo, ainda observando a árvore assim como eu fazia, ainda apoiando o queixo em seu ombro, logo senti a mão do ruivo entrelaçando a minha.

– Obrigado novamente, Mello. Você é a melhor pessoa existente nesse mundo, para mim. – Disse calmamente e finalizou com um suspiro. Após a falha de alguns batimentos, sorri e suspirei.

– Você também, Matt. Sem dúvidas. – Respondi calmo e logo o confortável silêncio voltara.

Passaram-se alguns minutos, até que ouvimos um estrondo vindo do céu. Olhamos para cima e logo sentimos algumas gotas finas em contato com nossa pele, conforme o céu escurecia aos poucos.

– Chuva! — Ele disse animadamente, sorrindo.

– Achei que não gostasse...

– Eu tenho apenas medo dos trovões, mas isso já está passando, graças a você. – sorriu, com as bochechas avermelhadas, mas logo guardou a tesoura no bolso, se levantando rapidamente e me puxando pela mão; a chuva já aumentava, nos molhando. Ele parecia feliz, o que me fez sorrir, afinal, o que eu menos suportava era ver as lágrimas molhando o rosto de Matt. Ele corria em direção ao orfanato, segurando em minha mão, mas antes de abrir a porta que dava no Jardins, parou, soltando minha mão e ao que se virou para mim, abraçou-me com força. Fiquei estático, mas consegui retribuir aquilo que me deixava fora do meu eu. Ele se afastou, com um brilho nos olhos e sorriu, mas não dizendo nada e voltando a correr para a Wammy’s enquanto a chuva não ficava tão forte.

Mas, de fato, não eram necessárias palavras; Apenas um olhar ou sorriso era suficiente para dizerem milhões de coisas...


... E para me deixar com milhões de sentimentos que nunca imaginei que sentiria na vida.



Notas finais
Mello nem tá apaixonado, rs
Então...?
Cri, Cri...
Dx AA Gomen!! Eu queria muito fazer a parte do motivo do Matt mais bem feita, mas ficou um LIXO! :C
Ah, e eu tenho 8 fantasminhas, é isso? U_U Estou chateada com vocês -q
Ah! E Obrigada, Kei-chan(hm?), pela informação sobre o ruivo canhoto :3
Enfim, desculpem-me novamente!
Ja nee~