Yuiitsu No Reigai

3 Capítulo 3 - Na kimochi


Notas iniciais
YO MINNA *se esconde*
GOMEN GOMEN GOMEEEEN PELA DEMORA T__T Não foi proposital! ~me sentindo inútil~
Enfim, Obrigado pelos review e SUGOI! Seis fofos lendo ♥
Capítulo ficou até que longo :V e desculpem pelo Mello meio OOC, mas terão que se acostumar com o loiro mais gentil do que quase ninguém cogita a possibilidade dele ser (Eu não conseguiria fazer um Mello arrogante, não nessa fic)
O tanoshimi

Capítulo 3

Na Kimochi

な気持ち

Winchester, 6:00 AM

Já era a quarta barra de chocolate que Mihael comia desde que subira para seu quarto à meia noite. A tempestade não cessara desde que começou, muito menos a ansiedade e inquietação do loiro; este não conseguira dormir sequer poucos minutos. Vez ou outra, olhava pela janela alta ao lado de sua cama em direção ao grande e florido jardim do orfanato em busca de algo que lhe interessasse ou distraísse, mas nada achou. Pensou em sair do cômodo e conhecer o lugar que agora moraria, mas a vontade não lhe surgiu, sendo assim, permaneceu em seu quarto e provavelmente assim seria pelo resto da semana.

O clima melancólico de Winchester contribuía bastante na indisposição do loiro. O céu cinza não possuía sequer uma pequena fresta de esperança que o clima mudaria; Tanto o dia, quanto a tarde seriam quase tão escuros como a noite, repleto de raios – a única forma de clarear o céu em meio àquela situação — e trovões ensurdecedores. Mihael achou um tanto quanto cedo para supor, mas tinha quase certeza que o clima no orfanato seria ainda mais “tedioso”, mas para ele não faria diferença; Provavelmente, os únicos que estariam dispostos seria Yagami e Lawliet e não tinha sombra de dúvidas que ambos ficariam ao seu lado o resto do dia, questionando ou fazendo-o sair do quarto, mas provavelmente entenderiam se o loiro dissesse que não estava disposto para tais coisas, afinal, havia acabado de chegar ao orfanato e nunca se sabe quando a chuva o adoecera – o que não era o caso, pois, apesar de ser novo, a saúde de Mihael não era nem um pouco frágil, pelo contrário.

Suspirou, deixando a barra de chocolate sobre o lençol vermelho escuro da cama bagunçada e se ajoelhou sobre a mesma, apoiando os cotovelos sobre o batente da janela, novamente fitando o que lhe era permitido através do vidro. “Terei muito que ver e conhecer aqui dentro” Contemplou, ao ver que, de fato, a Wammy’s House era bem maior do que imaginava. Virou apenas a cabeça em direção à cama igual a sua, porém desocupada e arrumada, encostada à outra parede. “... Mas será que farei isso sozinho?” Questionou a si mesmo, finalizando com um suspiro carregado de desânimo conforme balançava a cabeça negativamente; Estava se sentindo ainda mais estúpido por estar tão ansioso com algo que nunca sequer imaginou que ligaria. “Desista, Mihael. Você sabe muito bem que nada “benéfico” lhe espera, muito menos uma companhia.” E com esse pensamento pessimista permanecia o loiro e, em sua imaginação, seria um eterno e verdadeiro pensamento; Havia aprendido em não acreditar em nada, apenas na sua infelicidade. Essa era a imudável personalidade do garoto.

Porém, imudável por um pequeno tempo...


Um barulho quase inaudível veio da porta, porém Mihael, que possuía boa percepção, notou e chacoalhou a cabeça, afastando os pensamentos. Pousou os olhos sobre a maçaneta dourada que girava lentamente conforme se sentava com as pernas cruzadas na cama, logo os cabelos lisos e claros de Raito e os olhos castanhos do mesmo foram vistos apenas pela metade, abaixo os escuros e bagunçados de Lawliet. Ao verem que Mihael não dormia, abriram um pouco mais a porta, um pouco tímidos.

– Podemos...? – perguntou Raito e Mihael apenas deu de ombros, balançando positivamente a cabeça. Os dois garotos entraram silenciosamente e caminharam até a cama do loiro.

– Dormiu bem? – Lawliet perguntou.

– Não consegui dormir. – deu de ombros o loiro. Os outros dois arregalaram os olhos. – Não tenho costume de dormir, de qualquer forma. Só me senti estranho. – continuou sério. Não tinha costume de revelar o que sentia, ou de falar sobre si. Suas falas se baseavam em poucas palavras, porém suficientes.

– Ah, sim... – Lawliet finalizou o assunto.

– Mas, então... Quer conhecer o orfanato hoje, Mihael? – Yagami perguntou sorrindo, assim como Lawliet.

– Obrigado, mas não estou muito disposto hoje. O clima de Winchester não está muito bom para isso...

– Ah, sem problemas! Entendemos isso muito bem. Quanto cheguei aqui, o tempo estava quase igual ao de hoje e eu estava muito ansioso para algo, mas não fazia idéia do que era. Então, no terceiro dia, eu descobri o porquê da ansiedade. – Raito olhou para Lawliet sorrindo, o mesmo retribuiu um pouco corado. – Meu colega de quarto. Eu queria muito saber quem seria, e então descobri que seria o Lawliet. – Mihael permaneceu fitando os dois, ajustando os detalhes em sua mente e contemplando que passava exatamente pelo mesmo, mas decidiu se silenciar. – Bem, nos vamos ficar no nosso quarto, se precisar, nos chame. – Sorriu e Mihael concordou com a cabeça. Achou curioso o fato de que, por mais que não esboçara sequer um sorriso, os garotos permaneciam a lhe tratar sem indiferença. Yagami puxou Lawliet pela mão, logo acenaram e saíram do quarto, o silêncio voltando, sendo apenas interrompidos pelos barulhos do lado de fora.

“Terceiro dia...” Analisou a situação. Amanhã faria três dias desde que chegara ao orfanato. “... Isso... não passa de uma bobeira! Devo esquecer isso, antes de acabar enlouquecendo com mentiras.” Tentou fixar tal pensamento em sua mente, mas, na verdade, a ansiedade não era uma mentira, e sim tal fato de achar aquilo uma bobeira. Mihael se deitou, fitando o teto e assim passou o resto do dia, degustando suas barras de chocolate conforme a chuva ficava cada vez mais forte.


x-x

Já havia anoitecido há um bom tempo. Mihael fitava novamente os portões do jardim, a ansiedade estava ainda maior, seu coração batia em disparada e seus dedos tamborilavam no batente da janela de forma inquieta. Virou a cabeça em direção ao gaveteiro ao lado de sua cama e, como sabia ver as horas, ficou ainda mais ansioso ao notar que, ao contrário de como foi o resto do dia, a noite havia se passado um tanto quanto rapidamente. Já eram 23h55min e o orfanato continuava em pleno silêncio – Sua dedução de que o clima de Winchester contagiaria até mesmo o local repleto de crianças estava certa.

Bocejou e coçou os olhos, estranhando por sentir as pálpebras pesarem. Suspirou e decidiu tomar outro banho, já que um pouco depois de acordar, tomou um banho para ver se ficaria mais disposto, o que não aconteceu. Foi até o guarda-roupa, onde havia arrumado as roupas, e pegou uma confortável preta, de moletom. Adentrou o banheiro logo que o sinal soou, afirmando ser 00h00min. Suspirou resignado, vendo que devia realmente esquecer a ansiedade e logo ligou o chuveiro, tomando seu demorado banho.

Terminou de se arrumar já eram 00h30min ou mais. Demorava tanto no banho, quanto se arrumando, mas não ligava para o fato de ser extremamente vaidoso. Abriu a porta do banheiro e a inquietação voltara ainda mais forte. Sentiu um aroma agradável, porém diferente no ar. Não era igual ao seu e isso lhe deixou confuso. Deu leves passos com as pontas dos pés descalços, tentando ser o mais silencioso possível enquanto tentava seguir o cheiro. Viu que a outra cama permanecia levemente bagunçava; O cheiro estava extremamente próximo ao que chegou perto desta. Entre a parede e a cabeceira da cama, havia um vão não muito grande, mas com espaço suficiente para uma criança ali caber. E Mihael arregalou os olhos ao que foi exatamente isso que encontrou.

Encolhido bem junto da parede, uma criança abraçava fortemente as pernas, deitando a cabeça sobre os joelhos. Não era possível ver seu rosto, apenas o belo vermelho dos cabelos curtos e lisos, um pouco bagunçado. Vestia uma camiseta de manga longa com listras preta e branca, uma calça azul claro que dava a impressão de ser uma jeans e nos pés pequenos calçava um All Star surrado. Ela parecia soluçar baixo.

Mihael continuou estático, com os olhos arregalados. Não sabia como reagir e não acreditava que sua ansiedade não fora em vão, porém queria entender realmente qual o propósito dela. Suspirou baixo e agachou de frente para o vão. Sem dificuldades, ali entrou, ficando bem próximo à criança. Levantou a mão direita, um tanto quanto incerto e inseguro, mas decidiu parar de temer as coisas no momento, direcionando-a a mão da criança que segurava uma das pernas. Um arrepio correu por sua espinha ao que sua pele entrou em contato com a outra; Um arrepio diferente de todos os que sentiu, que envolviam temor e dor. Um arrepio que serviu como prova de que a ansiedade teria um propósito que nunca imaginou. Notou que o garoto se assustara de leve e também se arrepiara, mas decidiu permanecer em silêncio. Lentamente a criança levantava a cabeça, e quando fizera por completo, arregalou os olhos e ficou tão estático quando Mihael.

Nenhum dos dois sabia ao certo o que acontecia ali, mas não quiseram questionar. Ambos apenas se encaravam, notando cada mínimo detalhe do rosto um do outro. O tom dos olhos esverdeados e marejados do ruivo, que eram um pouco tampados pela longa franja, se misturava com o azul dos do loiro. Ambos estavam bestificados, com o coração tão acelerado que parecia que não agüentaria muito tempo; O mais curioso: não havia resposta para tais sentimentos. Não havia palavras para descrever, não havia absolutamente nada para relatar. Ninguém saberia o porquê daquilo tão de repente, com apenas um olhar, mas para que questionar, se dali algum tempo tudo seria – de uma forma extremamente confusa e complicada, mas que no final seria facilmente finalizada. – entendido?

O ruivo, num movimento rápido, se encolheu ainda mais e escondeu novamente o rosto entre os joelhos, tremulo. Mihael ficou confuso, sentindo algo que nunca sentira antes: pena. O garoto parecia tão frágil e assustado, confuso e solitário, que Mihael conseguiu, de certa forma, se ver na situação do garoto. Mordeu o lábio inferior e se aproximou mais do garoto.

– Não precisa se assustar, eu não te farei nada. – sussurrou calmamente. Logo em seguida, um estrondo vindo dos trovões fez com que o garoto se encolhesse ainda mais. Mihael olhou para a janela ao lado de sua cama e depois para o garoto. – Tem medo de trovões?

– N-Não são apenas os trovões que me dão medo. – O garoto disse com a voz abafada e falha, ainda escondendo o rosto. – Eu tenho m-medo de mim. Por favor, não me ajude. E-Eu não mereço a ajuda de n-ninguém. – Disse entre soluços, gaguejando. Mihael não entendia o que o garoto queria dizer com aquilo, mas aquilo lhe atingira como uma bala no peito; Já havia dito para si as mesmas coisas uma vez e decidiu não questionar o porquê do garoto estar dizendo tais, apenas sabia que não seguiria seu “conselho”. Com cuidado, levou a mão até as do garoto, fazendo-as soltar suas pernas, em seguida levou até o rosto do mesmo, o levantando com cuidado conforme o arrepio passava por si. Fitou os olhos esverdeados ainda mais marejados e levou o polegar para limpar as lágrimas que trilhavam um caminho úmido pelo rosto belo e pálido do garoto, mas que continha diversos arranhões e cicatrizes.

– Não fale isso. Eu... Vou te ajudar! Não precisa chorar, muito menos ter medo. Eu estou aqui. – Disse calmamente. Nunca imaginou que um dia diria tais coisas, mas no momento nada lhe vinha na mente a não ser o garoto e o fato de que seu coração aclamava para ajudá-lo. A escuridão do quarto impedia Mihael de ver, mas a bochecha do ruivo enrubesceu fortemente ao ouvir tais palavras. Seus olhos brilhavam e ele piscou algumas vezes. Mihael se levantou e estendeu a mão para o garoto se levantar, o mesmo aceitou e Mihael notou que era um pouco mais alto, mas questionaria a idade do garoto depois – Por mais que este aparentasse ter a mesma que a sua. O loiro achou melhor que o garoto ficasse em sua própria cama, pois, como havia dito, também possuía medo de trovões e ficar ao lado da janela não era boa idéia.

Sentaram-se na cama e o outro se encolheu novamente, mas permaneceu fitando o loiro. Bocejou e coçou lenta e delicadamente os olhos, em seguida fungou.

– Está com sono? – Mihael perguntou e o outro, timidamente, acenou positivamente a cabeça. – Pode dormir. – o ruivo balançou negativamente a cabeça, abraçando as pernas. Mihael franziu o cenho. – Por quê?

– Os trovões... – Ele disse baixo, pousando os olhos na janela. Mihael arqueou as sobrancelhas, compreendendo o medo do garoto e suspirou. Ficou em silêncio por um pequeno tempo enquanto fitava ruivo, logo tomou outra decisão que não era comum vinda de si: Conversar.

– Qual seu nome?

– M-Mail. Mail Jeevas... – Disse envergonhado, corando ainda mais. – Mas eu não gosto desse nome, tenho vergonha dele.

– Não precisa ter vergonha, o meu também e diferente, Mihael Keehl. – o loiro respondeu, dando de ombros. – Dizem que quem possui o sobrenome Keehl devia se orgulhar disso por ser membro de uma família tão importante de Winchester e de alguns outros países, mas eu tenho nojo desse sobrenome.

– Na Itália, dizem que os Jeevas também deviam se orgulhar pelo sobrenome, mas eu não vejo o porquê, se é uma família tão arrogante. – Respondeu, ainda soluçando um pouco.

– Você veio da Itália? – Mihael apoiou o cotovelo nas coxas e em seguida a cabeça na mão.

– Sim, mas só morei lá por um mês, porque... – Ficou em silêncio e mordeu o lábio inferior, apertando um pouco mais a forma com que abraçava as pernas.

– Não precisa dizer nada. Muitas coisas são difíceis de dizer, eu entendo. – Mihael disse calmo, se aproximando um pouco mais do garoto. Este permaneceu lhe fitando, com os olhos tão brilhantes quanto às estrelas que misteriosamente resolveram surgir no céu que parecia ficar mais limpo. O ruivo mergulhava na imensidão azul dos olhos do loiro que pareciam o hipnotizar, e aos poucos, os cantos de sua boca bem feita, mas um pouco ressecada e com alguns cortes se curvavam, formando um pequeno e tímido sorriso, mas que para Mihael, fora o primeiro verdadeiro sorriso que vira e o primeiro que recebera ao longo de sua vida inteira. Arregalou os olhos e piscou continuamente, conforme o sorriso do ruivo aumentou minimamente e ele riu baixo. Em questão de segundo, se jogou em direção ao loiro, o envolvendo num abraço apertado e carinhoso. Mihael se assustou e ficou estático. Não conseguia pensar, se mover. Não conseguia nada no momento.

– Obrigado, Por estar me ajudando. – o outro disse baixo, quase que num sussurro e suspirou, deitando a cabeça no peito do loiro. Este logo voltou a si, mas ainda permanecia incrédulo. Era o primeiro abraço que haviam lhe dado durante estes seus 6 anos de vida. Nunca ninguém o abraçara, nunca ninguém o agradecera por nada, nunca lhe trataram com tal carinho. Ele nunca sentiu o coração batendo de tal forma e sentimentos desconhecidos vinham cada vez mais fortes e profundos. Não entendia nada desde que sentira o perfume de Mail, mas era como se ele não quisesse realmente entender. Ouviu a respiração pesada do ruivo, porém calma e inclinou-se um pouco, vendo que este já havia dormido.


E, naquela noite onde Mihael achava que toda sua ansiedade era algo estúpido, a vida do loiro mudou. Recebera seu primeiro abraço e sorriso, e retribuiu ambas as coisas pela primeira vez, e, por mais que não soubesse por enquanto, conheceu um sentimento novo e seu primeiro e único amor.


Notas finais
Ficou longo, mas não ficou bom. Podem me jogar as pedras que estavam guardando U_U
Enfim, gomen, eu queria escrever de um jeito legal esse, mas né...
Well, obrigado pelos reviews :3
Ja nee~