Yuiitsu No Reigai

1 Capítulo 1 - Iya tte


Notas iniciais
Enfim, 1º capítulo que pode ser considerado como um prologo. Pequeno, simples e bobo ;-;
Espero que achem, pelo menos, razoável, rs.
O texto entre os "-x-" retratam os "flashbacks" (Não gosto desse termo, mas tudo bem.)
Ja nee e Oyasumi ^^

Capítulo 1

Iya tte

嫌って



Winchester, Março de 1995


Em meio aos estrondos dos trovões que clareavam o céu negro daquela noite chuvosa, o vento forte contra as folhas das árvores tornava a situação ainda mais sombria. As grossas gotas de chuva caiam sob as ruas vazias de Winchester e sob o pequeno garoto inexpressivo e com certo rancor em seu olhar. Caminhava em passos lentos, sequer ligando para o fato de a cada segundo a chuva se tornar mais forte, afinal, ninguém ligaria se ele pegasse um resfriado, não? E mesmo que ligassem, o loiro já havia aprendido que não havia nascido para sequer ter um amigo, muito menos alguém que o quisesse bem. Arrastava uma mala consigo, pois não possuía força o suficiente para carregá-la, e não se preocupou em verificar se fazia o caminho que realmente o disseram para fazer; Nada realmente importava para ele. Levantou o olhar e encontrou o que realmente devia encontrar, concluindo o fato com um suspiro resignado, pois o que realmente desejava era chegar a um lugar onde pudesse ficar sem ninguém ao seu redor, mas nunca se sabe o que pode acontecer em meio às decisões que tomamos em momentos em que a escuridão nos consome. Tremeu de leve devido o frio que fazia e parou ao que chegara aos portões altos e de aparência gótica e antiga. Lá dentro seria seu novo lar.


–X-


– Guarde logo todas as suas coisas aqui dentro, garoto. Vamos, não quero perder mais o meu tempo. – A mulher loira, de lábios vermelhos como sangue e aparência um tanto quanto arrogante jogou uma grande mala na frente do garoto que, sentado no chão de seu quarto, comia uma barra de chocolate – Um de seus vícios. Ele a fitou confuso, por mais que já sabia o que possivelmente era. Deu de ombros e colocou o chocolate sobre a cama simples onde raramente dormia, logo arrastou a mala e começou a guardar seus pertences. Não ousou questionar a mulher, pois, além de seu jeito ignorante de tratar o próprio filho – se é que o garoto merecia ser chamado desta forma -, o próprio não possuía a mínima vontade de conversar com a mesma ou com qualquer outra pessoa existente. Não que ele fosse arrogante, mas ele simplesmente achava que sua vida seria para sempre acompanhada pela solidão, porém sequer ligava para isso.

Terminou de guardar suas coisas, inclusive os chocolates, e com dificuldades pegou a mala pela alça, mas pelo fato de ser apenas uma criança, não conseguira carregá-la, portanto a arrastou porta a fora. No mesmo momento, a mulher aparecera no corredor largo da bela e grande residência e caminhou até o garoto que a fitava como se esperasse algo. O olhou incrédula.

– O que está esperando? Não irei te ajudar com isso! Desça logo, garoto! – Gritou como sempre fazia ao conversar com o menino.

– Eu não agüento. – Ele disse baixo e inexpressível, com nojo de si por ter acabado de dirigir a palavra a aquela que nunca, em sã consciência, chamaria de mãe. Ela sorriu sinicamente.

– E eu com isso? Apenas vá logo!

O loiro suspirou e, com dificuldade, tentou descer a escadaria da casa que, a partir de sua correta dedução, não habitaria mais. Chegou ao primeiro andar, frente à porta de madeira e girou a maçaneta dourada, deparando-se com uma tempestade ao que a abrira. O carro caro permanecia em um local onde, no trajeto até lá, a chuva não o atingiria e assim o seguiu, abrindo as portas de trás e com esforço entrando no mesmo com a pesada mala. Não demorou muito para que a mulher logo chegasse e assim que fizera, deu partida e seguiu por um trajeto que ficava na direção não movimentada da cidade.

– Para onde está me levando? – Perguntou o garoto em tom sério, afinal não ligava.

– Para um orfanato. Você só nos trás despesas e trabalho e, a propósito, nosso pior pesadelo era ter um filho como você.

– Ótimo. Meu maior sonho sempre fora nunca ter contato com vocês, que só se interessam em dinheiro e fama, nada além disso.

– Melhor se calar se não quiser parar em um lugar pior. – Retrucou a mulher de forma ameaçadora. O outro apenas deu de ombros.

Passou-se poucos minutos até que o carro parou em uma calçada. A chuva já havia aumentado ainda mais.

– Apenas siga em frente e nunca mais apareça em nosso caminho.

– Certo. – Respondeu o menor ao que abriu a porta e saiu do carro junto da mala. Empurrou a porta vermelha e rapidamente o veículo dali saiu, deixando o loiro sozinho entre a chuva, os trovões e raios, entre a escuridão e a solidão.


–X-

Balançou negativamente a cabeça e fitou o grande orfanato antigo. Nada ali informava, mas seu nome era Wammy’s House; O loiro já sabia que, uma hora ou outra, seria mandado para lá. As luzes amareladas nos muros eram a única coisa que iluminavam a rua, junto das fracas luzes dos postes. Deu alguns passou pequenos para frente e tentou alcançar o sino preso ao portão e quando conseguira, achou que ninguém escutaria em meio os altos estrondos, mas para sua surpresa, alguns minutos depois um senhor surgiu na grande porta do orfanato, que ficava um pouco longe dos portões. Inclinou-se para ver direito e arregalou os olhos ao encontrar o garoto, entrando rapidamente para pegar um guarda-chuva. Correu até os portões, onde o loiro o esperava inexpressivo, e os abriu rapidamente, puxando delicadamente o garoto para perto de si e correndo para dentro do orfanato.