Notas iniciais
POST DUPLOOOOO!!!! Esse capítulo é o presente de Natal super atrasado. Espero que gostem de lê-lo como eu gostei de escrevê-lo. Foi tão top escrever isso! Absolem ☆

Eu tinha que ser forte pela Mia, ok. Mas ser forte não é tão fácil quando você leva um fora fuderoso sem razão na hora do baile. Eu não ia dormir como eu tinha pedido para Mia fazer. Eu ia passar a noite comendo sorvete e pipoca, além de assistir todas as adaptações de Nicholas Sparks que eu achasse. Se eu chorasse, culparia o filme. Combinei com Mia de pegar o celular dela enquanto ela ficava com o meu. Era uma coisa boa que ela ficasse com o meu e eu com o dela. Se qualquer uma das pessoas indesejáveis ligasse, poderíamos não falar com o que quebrou nosso coração. Era o plano perfeito.

Após um ou dois filmes, eu estava com sono e já tinha esgotado todas as minhas lágrimas. Estava subindo as escadas quando eu escutei o telefone de Mia tocando. Corri até a mesa da cozinha e olhei no identificador de chamadas. O nome de Alex apareceu, junto com uma foto dos dois juntos. Minha primeira providência seria tirar essa foto do contato, mas não agora. Atendi o telefone.

– Mia? Eu achei que você não ia atender! Por favor me perdoa, eu fui estúpido. — sua voz soava como a de um bêbado, o que queria dizer que ele estava bêbado em um bar qualquer.

– Olhe aqui, seu filho da puta. Você perdeu todo e qualquer direito de falar com a minha irmã depois de hoje à noite. Fique longe dela ou eu arranco seu amiguinho com uma peixeira.

– Emma? Onde está Mia?

– Está dormindo e mesmo que estivesse acordada eu não ia passar para ela. Onde eu estava com a cabeça quando deixei que ela namorasse com um merda como você? E você dizendo "eu amadureci, não vou magoá-la" e eu acreditando no seu discurso falso. Eu deveria ir aonde quer que você esteja agora e te matar de uma vez.

– Calma, Emma. Eu tenho meus motivos e eu estou arrependido.

– Eu não quero saber das suas porras de motivos. Se seu objetivo era arrancar o coração dela e depois sapatear em cima, bem, parabéns, você conseguiu o que queria. Se queria terminar com ela, não precisava armar uma cena dessas. E, se você tentar chegar, ao menos, perto de qualquer uma de nós duas, saiba que terá consequências que você não gostará nem um pouco.

– Eu fiz isso agora porque eu sabia que ia acabar machucando ela de verdade se nossa relação se tornasse mais séria.

– Mia é mais forte do que você imagina. Se você está falando de traumatizá-la com sexo, ela ficaria bem. Tenho certeza. Se você está falando de acabar traindo-a, qual a diferença de fazer isso agora ou depois? — ele ficou mudo. — Qual a diferença, porra?

– Eu não sei. — ele murmurou e percebi que ele estava chorando. Ótimo. Isso só melhorava meu humor.

– Não sabe? Ah, não sabe? Porque não só terminava com ela de uma vez, Alex?

– Eu queria que ela nunca me perdoasse pelo que eu fizesse. Que me odiasse. Que nunca voltasse para perto de mim. Eu ia machucá-la se ela voltasse para perto de mim. E eu a amo tanto. Eu não quero machucá-la. Não suporto essa ideia.

– Você estava mais bêbado do que está agora quando teve essa ideia, certo? Ela te ama mais do que você imagina. E dói pra mim imaginar que você não pensou que ela te ama quando bolou essa porra de plano. Você não pensou que ela quisesse ficar com você? Não pensou que ela se machucaria mais com isso do que com uma pedrada na cabeça? Você pode ter feito isso tentando protegê-la, mas só o que fez foi machucá-la mais do que pensava que seria possível. Quando eu a encontrei na festa, ela estava simplesmente num canto da parede, encolhida e chorando. Eu a trouxe para casa e ela me contou o que você fez. Ela chorou mais hoje do que eu já vi na minha vida toda. Agora me diga: como você planejava não magoá-la tanto traindo-a? — ele ficou mudo novamente. — Diga, seu merda. Ela não ia se magoar se você tivesse sido sincero com ela sobre ter medo de magoá-la. Ela ia entender. Ficaria chateada se visse a cena do jeito que viu hoje à noite, mas saberia que você tinha avisado. E, talvez, não ficasse tão horrível quanto está hoje. Você queria perder ela de verdade? Se não queria, me desculpe, mas já perdeu. Você é um puto de um viado covarde. Seja homem uma vez na sua vida e faça o favor de não ir atrás dela, já que isso é o que você queria tanto. Ela longe de você. A partir de hoje, eu não vou deixar você nem chegar perto dela. Boa noite, Alex.

Desliguei o telefone. Mia me olhava do topo das escadas, seus olhos azuis arregalados.

– Emma, você falou mesmo tudo isso pra ele? — ela perguntou.

– Claro. — respondi. — Ele não te respeitou, então não vai mais ficar por perto. Eu prometo.

Ela me olhou, aparentemente agradecida.

– Obrigada. Eu não quero ver aquela cara de fuinha dele nunca mais.

Sorri. Essa é a minha garota. Mia voltou para o quarto e eu vi meu telefone no corrimão da escada. Ele começou a vibrar e eu percebi que ele ia cair se eu não o pegasse. Quando o peguei e vi o contato desisti de atender, mas aquele celular macumbado atendeu sozinho.

– Emma? — a voz de Cole perguntou. — Emma, me perdoa, por favor. Eu devia ter te falado desde o início que não ia. Não por odiar festas mas porque sou claustrofóbico e asmático. Eu sei que você está tendo uma noite horrível, mas eu também estou tendo uma noite podre. Eu tive que ficar de babá da minha sobrinha, brincar de barbie com ela, assistir Galinha Pintadinha e Peppa Pig infinitamente e... eu sou um merda. Sua noite com certeza foi pior do que a minha. Eu estou sendo egoísta.

– E você espera que eu compartilhe minha noite com você? — perguntei friamente.

– Não, mas eu sei que deve ter sido uma merda. — ele falou em tom de culpa.

– Deve ter sido? — repliquei sarcástica. — Você me abandonou na noite do baile, me deixando sozinha e triste naquele lugar cheio de alegria e companhias que eu não queria por não serem você. Mentiu para mim descaradamente. E depois eu ainda tive que consolar minha irmã porque o namorado traiu ela e me forcei a assistir os filmes do Nicholas Sparks. Para completar, você liga me dizendo que deixou isso terminar porque estava com vergonha de me contar que é asmático e claustrofóbico e que, ainda por cima, preferiu passar a noite brincando de Barbie e assistindo essas merdas desses programas infantis. Ah, não. Acho que minha noite não foi uma merda total. — coloquei uma colher do sorvete que eu estava tomando antes na boca. Esse sorvete foi a única coisa boa da noite.

– Me desculpa, Emma. Eu sou uma merda, eu sei. — ouvi ele fungando. Era o segundo menino que eu fazia chorar em menos de meia hora. Sorri para mim mesma. Essa sensação era tão boa. — Você me perdoa?

– Eu não acho que você saiba, considerando que fazia menos de dois meses que estávamos namorando e não deu para termos uma briga tão séria, — fiz questão de usar o passado. — mas eu sou a pessoa mais rancorosa e orgulhosa que você vai encontrar na vida. Não espere o meu perdão nem tão cedo nem tão tarde. Ele não virá tão facilmente.

– Eu sei. Mas dizer que ele não virá facilmente não quer dizer que não vai vir. Por isso, eu vou insistir nisso. Mesmo que você não queira me perdoar, mesmo que peça para que eu fique longe, me ameace com qualquer coisa, eu vou continuar insistindo para que você me perdoe. E não vou descansar até que consiga isso. — ele fungou e suspirou, enquanto uma lágrima solitária escorria pelo meu olho direito. — Eu te amo, Emma.

Desliguei o telefone. Não queria mais escutar a voz dele me falando esse tipo de coisa. Era muito ruim para o meu ego e pro meu orgulho. Só era bom para o meu coração, que no momento não era exatamente o órgão mais importante para mim. E não poderia mandar no que eu faria de jeito nenhum. Eu precisaria ter sangue frio e não falar com ele, independentemente dos esforços que ele tivesse. Eu agiria pela razão desta vez, não pela emoção.

Doía? Claro que doía. Ignorar o que me faz feliz dói. Ouvi o som de um carro chegando na garagem. Só podia ser meu pai. Mamãe só chegaria de manhã. Eram só 2 da madrugada. Eu ainda estaria na festa. Ele ia desconfiar com certeza.

Subi correndo para o quarto, torcendo para que ele não percebesse que eu não estava dormindo. Mia já tinha conseguido dormir. Pelo menos uma de nós estava tranquila. Papai passou no quarto e depositou um beijo na testa de Mia e depois na minha.

– O que foi, Emma? — ele perguntou, agachado do lado da minha cama. Merda, ele sabia que eu estava acordada. Abri os olhos.

– Problemas com garotos. — respondi.

– Hum. Eu não sou sua mãe, mas posso dizer uma coisa.

– Hm?

– Garotos são idiotas o tempo todo. Sei disso porque já fui adolescente.

Ri. Era engraçado pensar no meu pai fazendo merda. Muito engraçado.

– E esta família não pode mais ir para bailes do Ensino Médio. Só dá bosta.

Ri novamente. Quem diria que meu pai iria me animar?

– Boa noite, princesa. — ele falou, depositando um beijo em minha testa.

– Boa noite, pai.

Notas finais
TCHAUU!!