You've got the Sunrise
17 Capítulo 17 - Emma
Notas iniciais
Nos dias depois do cinema, eu acabei não passando muito tempo com Cole. Eu passei a maior parte do tempo ajudando Keith (que é a pior melhor amiga que eu poderia pedir) a evitar Ethan, que estava meio colado em Cole nesses dias, já que a Mia estava andando muito com Alex. Estranho? Só um pouco, considerando que provavelmente não fomos só eu e Cole e Alex e Mia que ficamos naquela noite. E já que ele é jogador de basquete e ela líder de torcida, bem, não foi exatamente fácil evitar que eles se vissem.
E nem sei se eu queria vê-lo. E nem sabia se ele queria me ver. Se isso estivesse acontecendo uma semana atrás, eu já estaria doida para vê-lo de novo. Mas essa semana? Não faço ideia.
Então o inevitável aconteceu. Uma fila do refeitório, muita gente. Uma quinta feira qualquer. Mas veio a troca de olhares. Meu olhar cruzou com o dele e, mesmo vinte metros distante, eu sabia que precisava falar com ele. Que eu precisava olhar pra ele de novo e ter coragem de admitir que tudo o que eu disse no cinema era o que eu realmente sentia.
– Compra meu almoço, por favor? — falei para Keith, entregando uma nota de 20 dólares que era bem mais do que o suficiente. Me virei para sair.
– Onde você vai, Ems? Eu preciso da sua ajuda! — ela falou, praticamente implorando com os olhos.
– Eu volto logo. Prometo.
Então me virei e praticamente corri até o outro lado do refeitório, desejando com todas as minhas forças que ele estivesse me vendo. Seria um pouco menos constrangedor.
Feliz ou infelizmente, ele estava. E desviou o olhar. Não esperava menos, considerando que não nos falamos desde a noite do cinema. Ele deve estar achando que eu no mínimo o rejeitei. Ou talvez esteja muito confiante. Não sei. Ele é o único cara que eu não consigo ler. Tipo, nunca.
FLASHBACK ON
Depois da minha primeira ida ao cinema com um cara legal e educado de verdade, eu estava simplesmente morrendo de fome. Acho que era a primeira vez que um cara não reclamava porque eu gritava quando me assustava ou que deixava eu colocar a cabeça no ombro dele para assistir o filme. Exceto meu pai, claro, mas ele não conta.
– Você tá com fome? — Cole perguntou, logo depois que saímos da sala.
– Sempre. — respondi, sorrindo.
Ele entrelaçou nossos dedos e saímos caminhando pelo shopping em direção à praça de alimentação. Resolvemos parar numa pizzaria cujo letreiro piscava mais do que toda a Las Vegas junta. Não admirava estar vazia.
Pedimos uma pizza de frango com bacon. Enquanto esperávamos, puxei assunto sobre o filme e começamos a conversar, até que ele parou de repente. Deus, como eu queria saber lê-lo.
– Você realmente acha que isso vai dar certo? — ele perguntou, num tom sério. Deus, não use esse tom do meu lado.
– O que você não sabe se vai dar certo? — perguntei ternamente, acariciando a mão dele que estava entrelaçada com a minha.
– Isso. — ele elevou nossas mãos. — Você realmente acha que vai funcionar?
Suspirei. Eu não conseguia saber o que ele queria. Se queria acabar o que nem começou ou o que queria.
– Eu não sei. Só quero descobrir. Mas eu sei que, se você quiser, a gente faz funcionar. Eu só ainda não entendi porque não daria certo. Eu gosto de você e eu acho que você gosta de mim, então qual é o problema?
– Eu e você somos diferentes. Até demais.
– Isso impediu de chegar até aqui?
– Não, mas aonde é "aqui"? Nós ficamos, sim. Para a maior parte das pessoas, isso não significa nada.
– Eu sei que não significa nada pra muita gente, mas, pra mim, representa o começo de algo. Algo que eu ainda não sei no que vai dar e que realmente gostaria de descobrir.
– Aqui, onde provavelmente ninguém nos conhece, é fácil dizer essas coisas. É fácil prometer que nossas inúmeras diferenças não vão atrapalhar. E, se fossem só na personalidade, seria muito mais fácil, mesmo em outros lugares. O problema é que você é bem mais visível do que eu e eu simplesmente não quero estar na capa do jornal de fofocas da escola porque eu estou saindo com você, Emma.
– Isso nunca aconteceria. Eu prometo. — apertei a mão dele e olhei em seus olhos inexpressivos. — Eu prometo.
– Outra coisa. Eu simplesmente odeio falsidade. E eu sinto que eu receberia muito disso por parte de seus amigos. E os olhares indiscretos no corredor. E os meninos me olhando estranho no banheiro. E os caras do basquete me encarando com mais ódio do que o normal. E as pessoas TE olhando feio. Isso eu não ia conseguir aguentar.
Ele estava sério, apesar de seu rosto estar levemente corado.
– Vamos ao menos tentar, por favor? Eu não suportaria desistir disso sem tentar.
– Tudo bem. — ele falou, sem nenhum traço de qualquer emoção na voz. Apenas aquela paz inabalável. Então me beijou na têmpora.
A pizza chegou logo em seguida e soltamos as mãos para comer. Comemos em silêncio e, depois de pagar a conta, ele se despediu de mim com um casto beijo na bochecha.
Peguei meu carro e fui para casa. Mia com certeza ia voltar com Alex, então pra que ficar mais tempo no shopping sem fazer nada?
FLASHBACK OFF
Eu não acreditava que eu ia fazer isso. Não podia acreditar. Mas eu precisava. Falar com ele era o único jeito de saber. Mesmo que hajam tantas dúvidas em mim, eu tenho que fazer isso.
Para a minha sorte, ele e Ethan estavam numa área bem afastada, quase do lado da saída. Não haveria ninguém para ver isso, graças a Deus. Me aproximei de Cole e puxei o seu braço, virando-o de frente para mim. Então olhei em seus perfeitos olhos castanhos, tentando não me hipnotizar, e comecei a falar.
– Cole, me desculpa pelo dia do cinema. Eu não devia ter te pressionado nem nada e eu quero pedir desculpa...
Eu continuaria pedindo até que eles me perdoasse, mas eu fui interrompida pelos lábios dele nos meus. Fato não ignorado por mim e pela minha necessidade desse beijo. Retribuí-o e nos separamos pela maldita falta de ar.
– Mas... que... — balbuciei.
– Eu fui idiota, ok? — ele falou, uma de suas mãos encaixada no meu rosto, enquanto a outra entrelaçava meus dedos. — Quem devia estar pedindo desculpas era eu, não você. Eu sinto como se eu precisasse te pedir desculpas. Você não fez nada de errado.
– Você também não fez nada errado. É que eu e você temos algo em comum. Somos cabeças-dura.
Ele riu e apertou mais minha mão.
– Sim, somos, não?
Sorrimos e eu o beijei de novo, desta vez calmamente, como se o mundo pudesse cair ao meu lado e eu ainda estivesse ali, esperando que ele nunca saísse do meu lado.
– A gente devia ir almoçar. — ele falou.
– Ou ficar aqui deixar Ethan e Keith resolverem seus problemas como adultos. — respondi passando a mão em seus cabelos.
– Hm... sua ideia é melhor. — ele me deu um selinho. — Mas acho que foi você que me disse que sempre estava com fome. — ele levantou uma sobrancelha e eu sorri.
– Sim, fui eu.
– Vamos almoçar, então, milady.
– Claro, meu nobre cavalheiro.
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