You've got the Sunrise
18 Capítulo 18 - Mia
Notas iniciais
– Coma! — Ethan mandou.
– Mas eu não quero! — eu retruquei.
– Mas você tem que comer!
– Eu não to com fome!
– Você está doente! — ele gritou. — você tem que comer alguma coisa!
– Quem disse?!
– Sua mãe, uma médica formada, disse!
– Ela não tem diagnóstico tão bons assim!
– Mia! — ele gritou.
– Ethan! — gritei em resposta.
Ele baixou a cabeça e a encostou na mesa, resmungando algo que eu não entendia.
Olhei para a sopa que estava na minha frente. Ethan a havia feito com cuidado, apesar de não estar nem um pouco saborosa e minha barriga estar embrulhada.
Meus olhos se ergueram para Ethan, que continuava com a cabeça abaixada, e senti uma pitada de compaixão pelos seus belos cachos azuis turquesa.
Levantei-me da cadeira e peguei um pão, que estava estrategicamente escondido dentro do armário, voltando a me sentar logo em seguida.
Mergulhei o pão na sopa e comecei a comer o pão molhado na sopa.
Ethan tornou a olhar para mim, dessa vez com uma sobrancelha erguida.
– Uma pergunta: por que diabos você não fez isso antes?
Dei de ombros e continuei a me forçar a comer o pão molhado na sopa... Ao menos ficava mais saboroso.
Terminei de comer depois de 15 minutos.
– Por que e a Emma ainda não chegou? — perguntei, logo depois fungando e tossindo.
– Ela está no treino das lideres de torcida, provavelmente só chegará daqui a meia hora. — Ethan pegou a tigela em que antes estava a sopa e levou direto para pia. — por que você não vai tirar uma soneca?
– Não to com sono. — tentei parecer o mais meiga possível.
Ele fechou os olhos com força e começou a murmurar bem rápido: "1,2,3,4,5,6...".
– Por que, merda, eu fui aceitar cuidar de você? — sua voz estava irritada.
– O motivo seria: seu amor incondicionalmente por mim. — respondi.
– Eu poderia estar no treino a essa hora. — ele reclamou. — vendo as lindas lideres de torcida remexendo aquelas lindas... — ele pigarreou e voltou sua atenção novamente para mim. — por que você não aceitou quando Alex se ofereceu para ficar com você? Ou melhor, por que você pediu para eu vir ficar de você?
– Desculpa. — resmunguei culpada.
Ele suspirou e passou a mão no meu cabelo.
– Tudo bem, Sweet. Mas você deveria deixar ele ficar mais próximo, se quer que esse relacionamento dê certo.
– Nunca achei que você fosse me dar um conselho sobre relacionamentos, principalmente se fosse sobre Alex. — falei.
– Já me conformei de um babaca ser o namorado da minha melhor amiga, além do mais, ele é gentil com você. O que você quer fazer agora?
– Assistir um filme?
Ethan fez uma careta.
– Jogar cartas?
Ele fez novamente uma careta.
– Fazer uma maratona de alguma série desde a primeira temporada até agora?
Ele sorriu.
– Nunca ouvi você ter uma ideia tão boa quanto essa.
8 minutos depois estávamos sentados no sofá assistindo a primeira temporada de supernatural. Eu, de um lado, usando um pijama de estampa de pandas e Ethan, no outro lado, largado como se estivesse em casa, considerando que ele passava mais tempo nessa casa do que na dele próprio. Um grande balde de pipoca, duas coca colas geladas e um saco de marshmallows na mesinha de centro.
X-X
Eram quase dez e meia da noite quando o celular começou a tocar o toque de Alex "Eye of the tiger".
– Como está a ruiva mais linda do mundo? — ele perguntou alegre.
Um sorriso se formou nos meus lábios.
– Você não quis dizer: " a ruiva mais doente do mundo?".
– Vou refazer. — ele pigarreou. — como vai a minha linda, e doente, namorada?
– Bem, apesar de sozinha. — respondi.
– Todos te abandonaram? — sua voz parecia transbordar compaixão.
– Se você está perguntando se eu estou sozinha em casa porque minha familia me abandonou, sim eu estou abandonada.
– Então, por que você não me deixa entrar? — ele perguntou.
– Entrar?
Ouvi sua risada rouca do outro lado da linha.
– Apenas abra a porta da casa. — ele mandou.
Desci as escadas pulando de dois em dois degraus, quase caindo no penúltimo. Abri a porta com o maior sorriso que poderia dar. Alex me esperava do outro lado, um buquê de margaridas na mão direita e na esquerda uma caixa de chocolates.
Eu abracei seu pescoço tão forte que pude ouviu o som de engasgo de Alex.
– Eu também te amo muito, mas eu preciso do meus pescoço para respirar. — ele resmungou com os lábios na minha orelha.
Afrouxei o aperto e aterrissei novamente (sim, eu estava sem tocar meus pés no chão).
Alex me olhou dos pés a cabeça e sorriu ao ver a roupa que eu usava.
– Adorei seu pijama. — ele falou como se fosse normal me ver assim.
Me envergonhei por ter escolhido um pijama com estampa de pandas e de shorts curtos.
Abracei minha barriga com intenção de esconder o panda gigante que enfeitava minha barriga.
– Por que o chocolate e o buquê? — perguntei.
– Emma falou que você estava tristonha... Achei que isso pudesse te alegrar. — ele estava envergonhado?
Peguei as margaridas com cuidado e as meti embaixo do nariz, o cheiro de flores penetrando nas minhas narinas. Eu espirrei assim que as tirei de frente do rosto.
Alex sorria.
– Como sabia que eram as minhas precedidas? — perguntei.
– Você me falou semana passada quando passamos por uma floricultura. — ele respondeu.
– Não achei que fosse se lembrar. — resmunguei.
– Parece que se enganou. — ele passou uma mecha do meu cabelo para trás da orelha.
Eu dei um passo para trás e meus pés bateram na porta de carvalho da casa.
Alex sorriu.
– Não vai me convidar para entrar?
Pisquei como se saísse de um transe.
– Desculpe... Você quer entrar? — minhas bochechas estavam queimando.
– Adoraria. — ele se curvou e me deu um beijo na bochecha.
Abri a porta e dei espaço para que ele entrasse, fechei a porta assim que passei.
Continuei a andando até as escadas e Alex começou a me seguir, o parei assim que cheguei ao primeiro degrau da escada. Ele tinha uma sobrancelha arqueada.
– O que foi? — ele perguntou.
– Eu vou trocar de roupa. — falei.
– E? — ele perguntou, um sorriso nas faces.
– Eu não te quero no mesmo quarto que eu enquanto faço isso.
– Por que não? — ele parecia profundamente magoado.
– Porque eu não quero ninguém me olhando trocar de roupa.
– Eu prometo que vou ficar de olhos fechados. — ele tinha um sorriso safado no rosto.
– Você vai ficar aqui.
– Eu posso virar de costas.
– Fica! — falei enquanto começava a subir os degraus.
Alex subiu um degrau.
– Eu não sou um cachorro!
– Fica! — repeti.
– Está bem. — ouvi ele resmungar baixinho.
Subi a escada e entrei dentro do quarto, pegando a primeira blusa e short que consegui achar na bagunça que dominava o guarda roupa.
Quando voltei para a escada Alex me esperava sentado no último degrau, uma careta de frustração no rosto.
– Como ele pode ser tão tarado? — suspirei enquanto descia o resto das escadas.
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