You're the one that I want
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Notas iniciais
P.O.V Mary
É incrível como tudo pode mudar em questão de segundos em nossas vidas. Ás vezes quando menos esperamos, alguma coisa acontece para mexer com nós. Foi isso o que aconteceu aquela noite.
Eu e David estávamos dormindo, quando o telefone tocou. Estavam chamando David para ir até o hospital. Pelo visto, tinha acontecido uma emergência com alguém conhecido dele e queriam que ele estivesse ali.
– O que houve, amor? — eu perguntei
Ele estava com uma expressão preocupada. Parecia triste e meio surpreso. Sabia que não podia esperar boas notícias.
– Emma está no hospital. Foi atropelada e está internada na U.T.I com risco de morte.
Desmoronei em minha cama no mesmo instante. Emma era a melhor amiga que eu já tive e aquilo foi realmente, inesperado. David me consolava, mas não adiantava. Não sei o que faria se Emma tivesse morrido.
P.O.V Henry
Meu sono estava turbulento. Sonhei que estava no parque com minha mãe até que uma mulher um pouco mais velha que ela aparece e tira minha mãe de mim.
Por isso que logo acordei quando ouvi o toque do telefone. Em um susto, levantei. Estranhei que alguém pudesse me ligar a essa hora. Estranhei ainda mais ao ver que já se passava da uma hora da madrugada e minha mãe não estava em casa. O mais estranho era que quem estava me ligando era Mary. Com a voz trêmula, ela me falou a notícia que eu não esperava: minha mãe tinha sido atropelada.
Ela viria me buscar para levar até o hospital. Não me lembro com clareza do que ela disse, pois o choque não me permitiu prestar atenção. O que eu faria sem minha mãe?
P.O.V Killian
Estava tudo dando certo naquela noite. Finalmente aconteceu algo entre Emma e eu. Meu sorriso logo murchou e se transformou em tristeza quando recebi aquele telefonema de Graham.
Emma tinha sido atropelada. Está desacordada no hospital e não se sabe quando irá acordar. Meu mundo desmoronou naquele instante. A possibilidade de perdê-la passou novamente pela minha cabeça, mas dessa vez eu não consegui protegê-la. Ao me tocar disso, pensei que se eu perdesse Emma, meu mundo não faria mais sentido. Nada mais teria sentido. Mas eu não tinha chorado. Ainda não.
A primeira coisa que pude fazer era ir até o hospital. Não sei como não causei um acidente. Não conseguia enxergar direito. Eu estava em transe.
Ao chegar lá, vi Henry aos prantos na sala de espera. Ele era acalmado por Mary, que estava com os olhos um pouco inchados. A cena me cortou o coração. Entendo o que Henry está passando. Quando minha mãe ia parar no hospital por causa dos avanços de sua doença, era como se nada fizesse sentido. Quando ela morreu, fiquei calado durante uma semana. A tristeza ia me consumindo cada vez mais. Até que eu aprendi a conviver com a dor.
Puxei Henry para um abraço e eu o consolava. Ele era apenas uma criança, não merecia passar por isso. Ninguém merece.
Passadas duas horas desde o momento da ligação, Henry já tinha pego no sono no colo de Mary Margaret, que também dormia. Eu era o único acordado. David apareceu, dizendo que o quadro de Emma continuava grave, mas que apresentava pequenas melhoras. Ele permitiu que eu a visse, mas não que entrasse na sala. Poderia apenas vê-la pelas janelas de sua sala.
Ao vê-la, as lágrimas que tanto demoraram em aparecer, finalmente, mostraram sinal de vida. E eu permiti que elas caíssem. Chorei como não chorava há tantos anos. Desde a morte de Milah, tinha prometido nunca mais chorar. Mas agora, isso não importava mais.
Lembrei da última vez que vi Emma antes do acidente. Ela sorria. E me fez sorrir. Estava linda, com seus cabelos loiros que desciam sobre seus ombros como uma cascata. Lembro como estava radiante. Não se compara com o que vi naquela hora no hospital. Seu rosto, antes tão radiante, agora estava sério e pálido. Tinha alguns hematomas por causa do impacto que a queda deve lhe ter causado. Seus cabelos, antes tão arrumados, agora estavam bagunçados. Mas continuava linda. Vê-la daquele jeito me entristeceu. Nunca imaginei poder vê-la assim.
David apareceu atrás de mim. Ele parecia sério. Não tentei esconder minhas lágrimas. Eu as deixei caírem pelo meu rosto. Provavelmente eu já estava vermelho.
– Ela vai sobreviver. — disse David
– Como pode ter tanta certeza disso?
– Emma é uma mulher forte. Ela já passou por tanta coisa, isso não é nada comparado com o que já aconteceu para ela.
Eu não disse nada. Eu sabia que Emma era forte, mas não sabia se forte o suficiente para aguentar aquilo. De repente, minha tristeza se transformou em raiva. Raiva de quem atropelou Emma. Raiva do mundo por ser tão cruel. Raiva de mim mesmo, por não ter protegido ela disso.
– Quando eu descobrir quem fez isso para ela, eu juro que mato essa pessoa. — as lágrimas agora caiam mais força.
Eu já não conseguia falar direito. Minha voz estava trêmula e meu coração, disparado.
Minha raiva só aumentou quando aquela mulher entrou no hospital. Tudo fez sentido na minha cabeça. Claro que Zelena tinha atropelado Emma. Ela não teria sumido assim, tão facilmente. Quando vi aquela cachorra dos infernos passando pela porta, voei no pescoço dela.
– Como você ousa? — gritei — Você atropelou Emma! O que você tem na cabeça? Eu se fosse você não teria a coragem de aparecer perto de mim! Você tirou tudo de importante que eu tinha! Emma era tudo para mim! Agora você vai pagar por tudo! — eu disse, apertando seu pescoço com mais força
Eu estava tão vermelho que daria inveja a um tomate. Não sei se por causa de raiva ou por causa das lágrimas. Só sei que, a esse ponto, David me segurava com ajuda de Mary e de Robin, que tinha aparecido lá. Eu me debatia com força, mas não foi o bastante para eles me largarem. Enquanto Robin me segurava, David foi falar com Zelena.
– Aquele cara tentou me matar! — berrou Zelena
– Você mereceu. Se eu souber de alguma respiração que você deu nessa cidade, eu juro que te mato com minhas próprias mãos. Se você ousar aparecer na minha frente, ou na frente de qualquer um dessa cidade, eu faço picadinho de você. Saia agora e nunca mais apareça — berrou David.
Naquele ponto, eu chorava e Henry também. Henry estava abaixado em um canto, com a cabeça enterrada em suas mãos, como se não quisesse olhar para a mulher. Zelena saiu correndo do hospital. Robin finalmente me soltou e Regina apareceu para acalmar Henry. Me
sentei em uma cadeira e observava Emma. Deitada naquela cama de hospital, já com roupas diferentes do que as que eu a vi usando aquela noite. Ela estava com o rosto pacífico. Cada vez mais pessoas diziam que se eu precisasse de ajuda, podia contar com elas ou coisas assim. Eu não precisava disso. Do que eu precisava era de que Emma acordasse.
Chegou um ponto onde Regina e Robin já tinham ido embora. Henry tinha pego no sono e Mary fazia carinho em seus cabelos. Decidi dormir, para ver se a dor sumia. E por alguns segundos, ela realmente sumiu. Sonhei com Emma.
No outro dia, acordei quando os médicos disseram que poderíamos visitá-la. Henry a visitou, acompanhada de Mary. A visita dele foi curta. Então, chegou a minha vez.
Me aproximei dela devagarinho, como se ela estivesse dormindo e eu fosse acordá-la.
– Então, Emma. Tenho tanta coisa para te dizer. Vamos começar. Você era nova na cidade. Eu estava em um desentendimento. Foi a primeira vez que você me salvou. Depois dessa, você me salvava seguidamente, de diversas maneiras. Com seu jeito, você conquistou cada pessoa que está aqui. Na última imagem que tenho de você, você sorria. Tínhamos nos beijado, lembra? Bom, Emma a verdade é que eu... Eu te amo. Desde a primeira vez que eu te vi. Obrigada por ter me salvado. Queria poder te salvar também. Queria que quem estivesse na frente daquele carro tivesse sido eu. Eu merecia aquilo muito mais que você. Não nos deixe, por favor. Eu te amo, não se esqueça disso.
Eu estava saindo da sala quando senti uma coisa. Era algo apertando minha mão. Era a mão de Emma.
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