Notas iniciais
https://youtu.be/PrWMB4Bx14c https://youtu.be/5RDSkR8_AQ0-Lena canta.

P.O.V. Lena Mikaelson.

Hoje eu vou fazer uma peça na escola, vou ser a protagonista.

—Está nervosa querida?

—Não. Eu ensaiei.

A peça foi bem, mas no caminho de volta deu o maior toró e não era uma tempestade normal. Nós iriamos para um restaurante comemorar, mas a chuva estava violenta, um vento de cem quilômetros por hora. E eu podia ouvir vozes no vento.

Eu abri a porta e saí do carro. Eu ouvia a voz do vento chamando:

—Lena... Lena. Lena.

—Lena! Volta pro carro! Lena Mikaelson! Volte aqui agora mesmo!

—Lena!

A voz da minha mãe era apenas um ruído distante, cada vez mais e mais distante. Então eu vi uma luz de forma redonda.

E atravessei. Quando o vórtice parou eu ouvia relinchos de cavalos, o barulho dos cascos batendo no chão de pedra. Eu via um vilarejo fortificado, feno. Com meus sentidos hiper aguçados eu podia ouvir os machados batendo na madeira cortando as árvores, o barulho de um martelo batendo em ferro em brasa numa bigorna, podia sentir o cheiro dos pães sendo assados, do estrume de cavalo, de xixi, de suor. Podia ouvir os galhos de árvore sendo arrastados pelo chão da floresta por cavalos.

Um deles abriu um cantil e eu senti o cheiro de álcool. Era rum.

Eu fui abrindo caminho entre os montes de estrume para que eu pudesse passar sem sujar meus sapatos de cristal que a Sookie fez pra mim.

Havia uma taberna.

—A filha do Capitão.

Eu passei pela porta aberta e todos os presentes me encararam. Eu me sentei num dos bancos, fiz uma magia embaixo da saia do vestido e fiz surgir um saco de moedas de ouro.

—Pode me dizer onde estou?

Eu disse quebrando aquele silêncio agourento.

—Quanto você bebeu moça?

—Eu não bebo. Beber danifica o cérebro. Responda a pergunta por favor.

—Bem vinda a Daggerhorn forasteira.

—Você tem uísque bourbon?

—Tenho.

Peguei um punhado de moedas e falei colocando-as no balcão.

—Me dá um duplo.

—Tem certeza? É forte.

—Não mais que eu. Manda.

Ele encheu o copo e eu mandei ver.

—Qual é o seu nome belezinha?

—O dia que eu tiver interessada, você descobre. Agora, faz igual balde furado e vaza.

—Eu nunca te vi por aqui. De onde você veio?

Ele era velho e fedia a álcool. Eu logo percebi que ele não me deixaria em paz até levar uma coça.

—Então tá né? Eu não queria que fosse desse jeito, mas...

Eu dei uma surra nele e falei com o pé na garganta dele.

—Eu não quero nada com você. Entendeu?

—Sim.

Disse ele meio sufocado. Eu soltei o homem e ele saiu correndo.

P.O.V. Henry.

Eu vi o senhor Sheffild sair correndo da taberna e fui ver o que estava acontecendo lá.

—Bruxa!

A garota de olhos castanhos com um vestido de tule azul acinzentado começou a cantar e a dançar.

—Eu dei o fora nele. Eu o rejeitei, nada mais.

O jeito dela dançar era inusitado e bastante inapropriado. Todo o vilarejo ficou chocado.

—Bruxa!

Os olhos dela tinham um contorno preto. O cabelo era sedoso, a pele era branca como leite, ela tinha no pescoço um medalhão com uma enorme pedra laranja que tinha um brilho próprio.

—Quem é você? O que quer em Daggerhorn?

—Eu sou a Lena Mikaelson e a pergunta certa é, o que Daggerhorn quer de mim. O que o seu pequeno vilarejo super fortificado quer de mim?

—Como vou saber?

—Quando a hora chegar, eu vou saber.