Your Hunger Games II - Parte Dois
11 Selene Densverouix
Notas iniciais
Selene Densverouix
Uma semana se passou, sem nenhuma morte. Eu e Lucca somente ficávamos abraçados dentro da gruta, esperando os canhões que nunca vinham. Uma semana sem morte, a Capital deveria estar louca de raiva. Mas eu só conseguia ficar de olhos fechados, e pensando em como aquele bebê estava dentro da minha barriga. O barulho das gotas da cachoeira caindo intercaladamente dentro da nossa gruta me relaxava.
- Não acha estranho? – ele me perguntou.
- Sim. Morte nenhuma...
- Não, não é isso... – ele se sentou e ajeitou-me em seu colo. – Estou querendo dizer: Você não está com desejos, nem com enjôos.
- Agradeça a Deus por isso, as grávidas são umas enjoadas.
- Você é uma grávida, sabia? – ele sorriu.
- Sim, mas eu sou diferente, não?
- Muito. E isso é o que eu mais gosto em você.
- Lucca, você poderia ir pegar uma folha de carvalho? – perguntei.
- Por que? – ele ergueu uma sobrancelha.
- Ah, é que é legal esfregar os dedos nas folhas.
- Ta, retiro o que disse.
Sorri, e o vi saindo de nossa caverna. Me levantei e peguei sua bolsa. Ele a levava para todos os lugares, como se tudo o que precisasse estivesse dentro dela. Normalmente ele não conversava comigo, sobre nada, nem mesmo os Jogos. Abri o zíper e de lá tirei uma faca de pequeno porte. Tudo bem, mas não era somente isso que tinha lá. Peguei um porta-retrato e uma carta. Assina por uma tal de Emily. Será está a tal ex namorada dele. A fotografia mostrava bem claramente que Lucca gostava de dormir abraçado a ela. O que me deixava ainda mais furiosa. Peguei a carta e a joguei no fogo da fogueira. Ele nunca leria aquela carta, nunca! Eu não deixaria menina nenhuma entrar no coração dele, somente eu. E a Lunna. Mas somente nós duas. Mexi a madeira queimada com o pé e vi o selo ser derretido novamente, e a carta ir aos poucos se transformando em nada. Cinzas.
- O que você FEZ? – ele gritou e me empurrou, enquanto tentava retirar o que sobrava da carta das chamas.
- Você não pode aceitar cartas de garotinhas apaixonadas! – gritei de volta. – Você não gostaria de ler mesmo!
- V-você leu? – ele perguntou, pálido.
- Não, porque? Tinha algo lá que eu não poderia ler?
- Eu... Eu não sei. Não tive coragem de... – ele olhou com raiva para mim. – Era uma carta de Emily! Com a letra dela!
- Eu sei, e nenhuma Emily, nenhuma Pepita, cabe no seu coração, somente a mim! – GRITEI.
- M-mas... – ele colocou as mãos na cabeça.- A Emily é a minha irmã! Ah, cara...! Eu nunca vou saber o que ela queria me dizer!
- Oh, d-desculpe, Lucca! Eu não queria... – tentei segurar seu braço, mas ele me afastou com um aceno.
- Me deixa ficar sozinho. – ele disse entre os dentes trincados.
- Lucca, olhe, me desculpa, tá?
- Eu já disse pra me deixar sozinho!
Fui rapidamente para a saída de nossa gruta, e me sentei nas rochas que serviam de ponte até o lugar. A água respingava até mim, e eu não sabia mais o que aconteceria comigo. Se Lucca nunca mais me perdoasse, o que seria de mim? E afinal, porque eu fui fazer aquilo? Ciúmes? Que coisa idiota! Eu sou uma imbecil, e por minha própria causa, eu me prejudiquei, e agora nem sei mais se estou tão feliz em ter esta criança dentro de mim. Talvez não fosse para eu e Lucca ficarmos juntos, afinal. Talvez não estivéssemos, se não fosse o bebê.
- Selene... – ele colocou a mão em meu ombro.
- Tudo bem, Lucca, eu te entendo, eu vou embora, pode deixar... – respondi me levantando e prosseguido, mas ele segurou meu braço.
- Não, Selene, espere...
- Eu não irei ficar magoada se você me odiar, você tem esse direito.
- Selene, eu não te odeio. Pelo contrário...
- Era a sua irmã, e eu nem sabia disso. – funguei segurando o choro. – Eu não queria ser tão curiosa assim. – admiti. – Se eu fosse normal, ainda estaríamos felizes.
- Selene, eu...
- Tudo bem, Lucca eu vou. Não precisa me dar mais nada, você já me deu algo muito bom. – apontei para minha barriga.
- Mas Selene...
- Adeus, Lucca.
- Selene! – me virei de supetão. – Eu trouxe as suas... Folhas de carvalho.
º º º
Ele havia me perdoado, e disse que nunca iria querer que eu fosse embora, que bom. Depois ele acendeu a fogueira novamente e me aninhou em seu colo, enquanto segurava minha barriga, e dizia que se eu cantasse para o bebê, ele se lembraria da minha voz assim que nascesse.
- Eu não sei cantar. – falei.
- Tudo bem, eu canto com você. – ele sorriu. – Qual musica você conhece?
- Não muitas... – respondi.
º º º
Eu estava dormindo nos braços de Lucca, quando ouvi aquele grito eletrizante, e o canhão. Os pelos da minha nuca se eriçaram. Lucca me segurou forte ao seu abraço e colocou o queixo sobre minha cabeça. Uma forma de dizer que estava tudo bem. O que eu sabia que estava. Respirei fundo e ergui a cabeça, para lhe dar um beijo.
Mas Lucca me parou e fez “shii” enquanto ouvia. O som da cachoeira quase abafava tudo, mas assim que prestei atenção, percebi que haviam passos do lado de fora. Meus pelos se arrepiaram novamente.
- Lucca... – sussurrei.
- Calma. – ele disse. – Nós sabemos que ele está aqui, mas ele não sabe que estamos aqui.
Assenti e esperei. Esperei, e esperei. Os passos cessaram. Lucca apontou que ia para fora, ver o que ou quem era. Assenti. E assim que ele desapareceu de minha vista, eu escutei o canhão.
Fale com o autor