Your Hunger Games II - Parte Dois
12 Yuri Eaghmaoui
Notas iniciais
Yuri Eaghmaoui
O Sol me escravizava, e eu já estava aponto de cortar a língua de Ethan, quando escutamos o barulho de alguém passando entre os entulhos. Parei de supetão e esperei até ouvir novamente, o que não demorou.
- O que foi is... – coloquei a mão na boca de Ethan.
Pedi silêncio, e me conduzi até o lugar originário do som. Tentando subir em uma velha geladeira, havia uma menina, mais ou menos da minha altura, ela possuía uma habilidade estranha para subir o lugar, pois logo ficou em pé sobre a geladeira e observou tudo, antes de descer com um pulo perfeito e nos reparar. Ela tinha cabelos castanhos e olhos azuis gélidos. Lábios médios e finos. E estava aparentando medo no momento. Ela tinha uns doze anos.
- Oi, coisinha linda! – Ethan soltou seu braço da minha mão e cumprimentou a garota. — Tudo bem, anjinho?
Ela assentiu inúmeras vezes.
- Você é muito linda, sabia? – ele sorriu ainda mais.
- Obrigada! – ela disse com as bochechas rosadas.
- Que isso, estou somente falando a verdade. E qual o seu nome?
- Miley. Miley Diamond. – ela respondeu. – E o seu?
- Ethan, mas pode me chamar de... Ethan.
- Ah, vou lembrar disso. – eles riram.
- Você é a garotinha do Distrito 3 do Desfile, aquela que tinha a roupa super maneira, não?
- Sim! Você reparou... ? – ela perguntou colocando uma mecha de cabelo para trás da orelha.
- Não tinha como não reparar. – ele respondeu galanteador.
Bufei, aquilo já estava virando ceninha de novela. Por favor! Segurei o braço de Ethan e perguntei com os dentes cerrados.
- O que está fazendo?
- Calma, pode confiar. – ele respondeu, e se virou novamente para a garotinha. – E ai, topa uma aliança?
Eu apertei seu braço mais forte. Mas ele ignorou. A menina sorriu de uma orelha a outra e assentiu inúmeras vezes, antes de falar – Sim. – O que já era óbvio. Funguei e puxei Ethan de lado mais uma vez.
- O que pensa que está fazendo? – perguntei.
- Calma, eu sei. – ele respondeu.
- Mas você nem perguntou se eu queria fazer aliança com ela! – respondi.
- Então, se você não quiser, tudo bem, eu me junto a ela e nós dois matamos você aqui e agora mesmo. – ele ergueu uma sobrancelha e voltou junto a menina.
- Ei, Ethan... – chamei, eu não queria ficar sozinho. Se eu ficasse sozinho iria começar a pensar em Dasha, e isso era o que eu menos deveria fazer, certo? – Espera. Ta, eu topo.
- Então é isso ai! – ele passou os braços pelos ombros da menina e me puxou para que fizesse o mesmo comigo. – Somos os três mosqueteiros!
º º º
Quando eu penso que afinal Ethan estava ganhando maturidade, ele se supera mais uma vez... A menina disse que eles eram do mesmo Distrito, o 3, e adivinhe! Ele não sabia disso. Eu só pude rir da cara de : Como ele não sabe? Da garotinha. Mas parecia que ela e Ethan estavam se dando muito bem juntos. Fizeram um forte com as ferrugens enquanto eu procurava alguma fonte de comida naquele lugar, ou seja, nenhuma. Olhei para o céu e pensei com todas as minhas forças “Tomara que não seja somente Dasha que tivesse Patrocinadores”.
- Poderia me dar um pouco de... – pensei um pouco — Porco?
A brisa foi suave, mas trouxe ao meu nariz um cheiro horrível de ferrugem. Eu odiava aquilo, mas parecia que Miley e Ethan eram acostumados com aquilo, o que já era de se esperar do Distrito 3.
- Terminamos! – Ethan me chamou. – O que você estava fazendo? Pensando na sua irmã?
- É, por ai. – respondi enquanto escolhia uma das camas improvisadas para dormir.
- Ah, não, essa não. – ele disse com um sorriso malicioso no rosto. – Está ai é a da Miley. E essa do lado é a minha. A sua está neste canto. – ele apontou.
Eu dormiria afastado dos dois. Por que será? Pergunta cheia de ironia, por favor, não? Me deitei no lugar que ele havia indicado. Minha cama era feita de farrapos de poltronas de carros e papelão. Coloquei minha mochila ao meu lado e fechei os olhos. E como sempre, coloquei-me a pensar na vida.
Se Dasha havia morrido, eu não tinha mais papel a desempenhar no mundo. Eu havia falhado com minha missão. Meu pai deveria estar ensinando a seus tordos a cantar do jeito que ele queria, ou então estaria vendo a algum outro programa que não fossem os Jogos. Meu pai simplesmente detesta eles. Eu nunca conseguia ver aos Jogos de casa, somente na Praça onde eles colocavam um telão enorme e nos mostrava tudo o que acontecia na Arena 24 horas por dia. Eu e Dasha sempre passávamos por lá depois da escola. Íamos a mina e ficávamos sentados em cima dela. Olhando a floresta, e imaginando como seria se aquela cerca não existisse. Fechei os olhos ainda mais, e abri bem a minha mente. Algo no fundo dela me dizia que eu poderia voltar ao meu antigo mundo quando quisesse. E eu entrei por aquela porta, e subi no colo de nossa mãe, pedindo para segurar Dasha no colo. Éramos irmãos, mas eu era maior que ela, e aprendi a andar e falar primeiro. Nesse tempo ela já sabia falar, mas não andar. Dasha e eu sempre fomos muito próximos, e isso me afetava de um jeito muito forte e intenso. Não entendo como as pessoas não gostavam dela. Se mamãe tivesse sobrevivido aquela gripe, ela teria ajudado Dasha, e minha irmã não teria se voluntariado para os Jogos só por minha causa, porque assim eu e ela não seríamos tão próximos. Respirei fundo e continuei a relembrar todos os verões e invernos que eu havia passado ou nadando no pequeno rego, ou sentado junto a lareira velha de nossa casa, e com Dasha sempre ao meu lado. Ela era indesgrudável. Somente agora eu percebo que nós dois realmente vivíamos um para o outro.
Senti alguém mexer meu braço, e me levantei, Ethan segurava seu martelo-para-mina, e indicava em silêncio a direção de uma Miley desacordada.
- O que você fez? – perguntei.
- Ela só ta dormindo, vamos matá-la enquanto temos chance. – ele sussurrou de volta.
- Mas o que... Não! – falei, Ethan tampou minha boca.
- Idiota, fale baixo! Quer acordá-la?
- Você não pode fazer isso! – insisti.
- Posso, ela é somente uma garotinha, Yuri, temos de matá-la!
- Mais tarde, deixe ela confiar na gente. – respondi olhando para Miley dormindo e odiando ter de imaginar ela morta. – Amanhã ou depois. – sugeri.
Ethan bufou e guardou sua arma ao meu lado, outro ato sem noção. Mas eu ignorei. Ele se deitou e ficou olhando para Miley, até dormir. Olhei para o céu e as estrelas. Os três planetas e as galáxias. Tudo tão lindo... Uma vez eu e Dasha estávamos no telhado de nossa casa, ela não conseguia dormir e era a décima quinta vez no mês que ela tinha pesadelos.Eu a chamei para ver o céu, e ela estava aninhada em mim, bocejando, quando uma estrela-cadente passou por nós. Ela sorriu.
E estava pronto para dizer: Faça um pedido, quando ela me interrompeu perguntando: — É a mamãe? – Eu a observei e tive a certeza de que naquele instante, os pesadelos de ter perdido nossa mãe tão jovem irão passar. Assenti e acrescentei: — Ela quis te dizer “oi”, e ela também disse que te ama muito, Dasha. E a partir desse dia ela realmente nunca mais teve nenhum peadelo, e não acordou gritando a noite.
Respirei fundo e olhei para Miley e depois para Ethan. Eu não servia para esse negócio de matar...
Miley Diamond
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