You mean a lot to me, a lot
2 Johnny B. Goode
Notas iniciais
Maybe some day your name will be in lights saying
“Johnny B. Goode tonight”
SHIELD Academy, 1984
Era uma das festas mais enlouquecidas que já foram dadas na Academia de Operações da SHIELD. A diretora Carter havia assinado uma permissão especial para que os cadetes pudessem usar a área do ginásio para uma festa de formatura, e desde então, um comitê havia se formado, e todos os detalhes arranjados. Na noite de 14 de agosto de 1984, o grupo de formandos do ano chegaram para a festa, todos em trajes que combinavam com o tema do evento, Grease — Nos Tempos da Brilhantina, e prontos para dançar. Phil Coulson, dois anos mais velho que a maioria dos presentes na festa e já formado, aguardava por sua melhor amiga do lado de fora do ginásio, em um visual a lá John Travolta, com direito a um topete que ele demorara um bom tempo para conseguir.
— Quem é você, e o que fez com o meu melhor amigo? — Melinda provocou, surgindo do nada alguns segundos depois, com um sorriso empolgado. Ela usava um vestido preto, com um decote em V profundo e a saia muito cheia e rodada, e talvez por um milagre ou algo que ele não podia explicar, haviam saltos em seus pés e ela parecia muito animada.
— Eu pergunto o mesmo — ele rebateu, mexendo com as mãos, apontando para a roupa que ela usava.
— Gostou? — ela perguntou com um sorriso esperançoso e ele fingiu analisá-la por um segunda.
— De zero a dez? Doze — respondeu e sorriu para ela, estendendo uma mão para que ela pegasse.
— Depois de todo o nervoso dos testes finais e da avaliação física, uma festa é a melhor coisa — comentou com alívio, enquanto caminhavam para dentro do ginásio que fora decorado de maneira impecável, com centenas de balões, discos de vinil pendurados do teto, luzes coloridas e uma pista de dança espaçosa que estava quase completamente cheia de corpos dançantes ao som de Jailhouse Rock — Eu amo essa música — ela disse empolgação, e não perdeu tempo em puxá-lo para a pista. Para Phil, era engraçado ver Melinda tão feliz ou disposta a interações sociais ou demonstrações públicas de felicidade, mas enquanto era puxado para dançar, ele não conseguia encontrar motivos para reclamar. Eles giraram, sacudiram-se, e fizeram a maioria dos passos que sabiam para a tal música, e depois dançaram mais duas, antes de caminharem em direção à mesa de bebidas, suados e ofegantes. Ele foi direto em direção às garrafas de refrigerante, mas antes que pudesse evitar, Melinda tomava em dois goles um grande copo de ponche.
— Hey! — ele exclamou, puxando o copo para fora da mão da amiga — Você tem 19 anos, sua louca — advertiu e ela revirou os olhos.
— Eu sou uma agente da SHIELD, agora, oficialmente formada — argumentou e ele pareceu irredutível.
— Exatamente, nós somos parte da lei e deveríamos obedecer a ela — rebateu e Melinda bufou, antes de apelar pra outra estratégia.
— Phillll, por favor — resmungou e olhou-o com seu melhor olhar inocente e infantil.
— Fazer isso só me faz ver você como criança — ele declarou, apontando para a expressão que ela usava, e ela riu.
— Ok, é uma tática péssima — admitiu e passou para o plano C — Por favor Phillll — insistiu, e passou os braços pelo tronco do amigo, em um abraço muito forte e olhou-o com um biquinho — Por favor, por favor….
— Você é a pior criança da face da terra — ele bufou e revirou os olhos, derrotado, antes de entregar o copo de volta pra ela.
— Eu não sou criança, e você não é tão velho assim — a garota falou com um sorrisinho de canto, antes de tomar mais um gole da bebida alcóolica.
Eventualmente, eles voltaram a dançar, e Melinda daria tudo para poder gravar a expressão de empolgação de Phil quando determinada música começou a tocar.
— Why this car is automatic … It’s systematic … It’s hydromatic … It’s grease lightning — Phil e praticamente todos na salão cantaram e não foi surpresa nenhuma quando basicamente todos os cadetes homens dançaram em sintonia a tão famosa coreografia. May ria quase descontroladamente — uma mistura de pura felicidade e alguns copos do ponche que tomara — e dançava com Phil sem se importar com a reputação que tinha a manter. Pouco depois, os primeiros acordes da guitarra de Johnny B. Goode foram tocados, e a dupla de amigos compartilhou uma dança agitada e bem coordenada, girando e fazendo os twists na hora certa. Quando diversos cadetes fugiram do ginásio em direção às piscina, e Melinda já estava mais risonha e falante do que nunca, Phil decidiu encerrar a noite, e andou com sua amiga — pela primeira vez na vida, embriagada — até o dormitório em que ela vivia.
— Boa noite Phil — ela disse com um sorriso preguiçoso, os olhos mal se aguentando abertos, encostada na porta de seu dormitório e ele deu um beijo em sua testa, esperando até que ela entrasse e fechasse a porta para afastar-se em direção ao próprio quarto, dois andares acima.
Ao chegar, constatou que John provavelmente não voltaria para o dormitório essa noite, lembrando-se de como ele se agarrava a uma de suas companheiras de turma, e agradeceu pelos momentos de silêncio que teria. John Garret não era um companheiro de quarto ruim, só era bagunceiro demais, e tinha péssimas manias, e com certeza Phil não sentiria falta de dividir o quarto assim que se mudasse para seu primeiro apartamento de adulto. Sentindo-se cansado demais e preguiçoso demais, só o que fez foi jogar sua jaqueta de couro recém comprada para algum lugar distante do quarto, e chutar seus sapatos antes de escalar a escadinha da beliche e aconchegar-se na cama não muito espaçosa. Imediatamente ele caiu no sono, completamente exausto, e provavelmente teria dormido a noite toda, em paz, se não fosse por uma batida suave em sua porta, pouco mais de uma hora depois.
— Phil … — a voz fraquinha de Melinda chamava do outro lado da porta, e ele sacudiu a cabeça para livrar-se da névoa de seu sono. Com um pulo desajeitado, ele desceu da beliche e correu até a porta, abrindo-a imediatamente. Assim como ele, a garota ainda tinha as roupas que usara na festa, mas parecia pálida demais para o que poderia ser considerado normal.
— O que aconteceu? — ele perguntou, preocupado, e praticamente puxou a chinesa para dentro de seu quarto, fechando a porta assim que ela entrou. Rapidamente, ele chutou algumas roupas para baixo da cama e puxou a única poltrona do dormitório para ela se sentar.
— Eu não me sinto bem — ela declarou e fez uma careta.
— Enjoada? — questionou, entendendo do que se tratava, e ela assentiu com os lábios franzidos — Dor de cabeça?
— Um pouquinho …
— Vomitou?
— Eu não quero falar sobre isso …
— Isso é um sim — deduziu e ela tentou revirar os olhos, mas parecia doloroso demais. Em um movimento lento, ela ajeitou-se na poltrona e imediatamente sentiu a pior náusea de sua vida, colocando-se de pé em um salto — Banheiro — Phil praticamente gritou ao compreender o que estava para acontecer e os dois correram ao mesmo tempo para o pequeno cômodo lateral. Francamente, fora uma cena ridícula e que o agente nunca mais gostaria de repetir. Melinda ajoelhara-se na frente da privada, e por vários segundos, vomitara sem interrupção, e como o bom amigo que era, ele puxara os cabelos longos da garota para cima, impedindo que ele caísse em seu rosto.
— Eu não quero morrer … — ela chorou durante uma pausa e ele teve que se segurar para não rir.
— Você não tá morrendo — ele garantiu, segurando-se para não rir, enquanto ela continuava chorando, e deixou-a sozinha por um minuto, para buscar um copo d’agua na cozinha. Ao voltar, ela tinha a bochecha apoiada no chão e parecia completamente miserável.
— Eu tô morrendo — ela resmungava, desconsolada e totalmente embriagada, e tudo o que ele queria era sentar-se e rir da situação.
— Hey, olha pra mim — ele pediu, e esticou o copo para ela, que bebeu a água em grandes goles. Ela olhou-o com os olhos cheios de lágrimas — Você vai ficar bem, prometo — disse e ajudou-a a levantar-se.
Foi necessário toda sua força física para conseguir vencer uma Melinda May muito bêbada e finalmente, tirar o vestido que ela usava e colocá-la em baixo do chuveiro. Nem por um instante Phil teve qualquer pensamento inapropriado, e sentia como se seu único objetivo naquele momento fosse fazê-la ficar bem. Ele até colocara um banquinho de plástico dentro do box para que ela pudesse sentar enquanto ele esfregava-lhe o cabelo e a sola do pé, que havia ficado imunda a partir do momento em que ela se livrara de seus sapatos. Foram quinze minutos até que ela estivesse com os cabelos e o corpo limpos, e logo que ele vestiu-a em uma de suas camisetas e uma samba canção que insistia em não parar de jeito nenhum no quadril da garota, Phil secou os cabelos da amiga como pôde, serviu-lhe mais dois copos de água, uma aspirina e ajudou-a a subir as escadas da beliche, para que ela se acomodasse confortavelmente na cama em que ele mal cabia, mas que ela encaixava-se perfeitamente.
— Melhor? — ele perguntou, quando ela já estava deitada e coberta, parecendo muito mais saudável do que há meia hora atrás.
— Eu nunca mais vou beber de novo — ela resmungou, sonolenta e ele deu uma risadinha, antes de, novamente, dar um beijo de boa noite na testa da amiga e descer para acomodar-se no sofá. Obviamente, fora uma péssima decisão colocar Melinda para dormir na cama de cima, pois em menos de vinte minutos, ela rolara para o chão e vomitara no caminho do banheiro…Mas é como Phil dissera para ela no dia seguinte, quando ela implorara para que ele esquecesse todos os vexames que ela passara na noite passada:
— Isso é só parte de ser o melhor amigo de Melinda May!
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