You disturb my calm
3 Se enturmando na escola
Notas iniciais
A realidade é que ninguém nunca sente falta da escola, e isso não era diferente com Eloise. Ela acordou um já um pouco atrasada para seu primeiro dia de aula, mas por um milagre divino seu irmão estava de bom humor e deu carona pra ela enquanto ia para faculdade. Mas agora sim a realidade caiu sobre ela: estava no ultimo ano e tinha acabado de entrar em uma classe nova, na metade do ano o que é pior. Todos os seus pensamentos pararam quando ela ouviu o sinal tocando e ainda estava no corredor sem saber onde era a sua sala.
Depois de rodar a escola para achar a secretária e eles lhe mostrarem sua sala – o que durou por volta de 15 minutos. – Quando ela chegou na sala o professor já estava copiando no quadro negro. Ela bateu na porta enquanto tentava se esconder entre seus cabelos que formavam uma cortina ruiva ao seu redor. Odiava chegar atrasada e ter toda a atenção virada apenas para você.
– Hum, quem é você? – o professor perguntou ao abrir a porta e nota-la.
– Sou Eloise Cambell, a aluna nova – respondeu numa voz quase inaudível.
– Ah sim, soube da sua transferência, pode entrar – ele estava falando com ela com aquele olhar, olhar que ela conhecia muito bem, um olhar de pena que dizia “pobre garota, abandonada pela mãe que fugiu. Coitada.” E ela odiava esse olhar.
–Alunos, essa é sua nova companheira de sala, Eloise, ela acabou de ser transferida e sei que vai ser difícil pra ela, já que foi enviada na metade do ano. Então, espero que vocês ajudem-na a se enturmar.
Algumas cabeças acenaram, enquanto olhavam para ela com uma certa curiosidade. Afinal, que tipo de pessoa é transferida no ultimo semestre?... Acho que apenas eu.
– Bom, como você acabou de chegar vai precisar de alguém que lhe ajude a colocar as matérias em dia e te ajudar a nos acompanhar. Vou pedir para um dos nossos melhores alunos te ajudar, ok?
– Tudo bem – a única coisa que queria era que ele lhe dissesse onde sentar.
– Então pode se sentar ao lado do senhor Johanson – ele apontou para uma cadeira no canto da parede ao lado de um garoto com capuz – E senhor Johanson você está encarregado de ajuda-la com a matéria.
E finalmente ela podia caminhar para fora do centro das atenções. Sentou e virou-se para falar com que deveria ser seu ajudante.
– Olá – ela falou sendo simpática e ele virou.
– Oi Eloise – uma voz mais conhecida do que ela desejava respondeu.
Mas não era possível que isso fosse verdade, foi seu único pensamento.
– Drew? – falei, enquanto me lembrava de seu nome.
– Essa vida é cheia de coincidências, não é? – falou, com um sorriso irônico.
– Mas, como? – Indignada com a forma que eles insistiam em se encontrar.
– Digamos que seu irmão e eu estávamos conversando alguns dias atrás e ele me perguntou uma boa escola para a irmã dele completar o ano.
– Beto não faz nada direito – bufou.
– O que? – ele perguntou.
– Nada – ela se virou e começou a copiar não estava mesmo afim de ficar cada vez mais atrasada.
O resto da aula se passou sem que tivessem que se falar novamente. Eloise começou a perceber que toda a sala se não toda a escola – quando ela saiu para o intervalo – estava falando sobre uma viagem, mas ela não tinha certeza de nada ainda. Até uma garota eufórica se sentar com ela no intervalo.
– Oi Eloise, o que está achando da escola? Alguém já te levou para conhecer? – a garota disparou.
– Oi... – esperando que a loira que tinha aparecido do nada dissesse seu nome.
– AH, Alice – ela sorriu.
– Oi Alice, acho que é uma escola normal nada demais. E, não ninguém me levou para vê-la ainda. – respondeu Eloise.
– Bom, eu devia me responsabilizar por isso então. Afinal, eu sou a representante do 3° ano – ela riu – e isso me faz responsável pela nossa viagem de formatura também, você vai não é? – ela perguntou.
– Não sei ainda, para onde vai ser?
– Santa Mônica – seus olhos brilharam – pegamos o Summer Twilight Concerts, você precisa vir – ela praticamente gritou para que Eloise soubesse a importância disso.
– Parece legal, mas como sou nova vou ficar meio que excluída de todos, não acha?
Nesse momento Drew passa e para do meu lado.
– Lizie, se você quiser depois da escola eu posso passar no seu apartamento pra deixar algumas apostilas de história pra você começar a nos acompanhar – parece que só depois dele terminar de falar que ele percebe que tem mais alguém do meu lado.
Mas espera, como ele a chamou de novo?
– Drew... Eloise tá? – quando ela disse isso ele percebeu. – Tudo bem, vou querer sim – disse e se virou totalmente pra Alice com a esperança dele ir embora. Mas Alice resolveu se intrometer.
– Drew, eu estava aqui falando pra Eloise que ela realmente precisa vir para Santa Mônica com a gente. Você não concorda? – Alice perguntou-o.
– Com certeza, acho que a casa sempre dá mais um. – Ele disse, mesmo de costas Eloise ainda podia sentir seu sorriso de lado na voz.
– Ei, mais você já confirmou com seus pais sobre a casa? – Alice perguntou novamente pra ele.
– Sim, está tudo certo já Alice, pode relaxar – ele disse e ela sorriu aliviada. – Até mais, Eloise. – Ele falou e saiu.
E deixou uma Eloise se perguntando, por que por Deus esse garoto não entende as suas esquivadas? Os garotos que havia encontrado não eram tão insistentes... Mas e se isso fosse ela vendo coisa onde não tem? Não gostou nada do rumo dos seus pensamentos, agradecendo por ser interrompida.
– Bom, você disse que não conhecia ninguém, mas Drew parece estar bem afim de te conhecer. – Alice disse entre risos.
– O que? – alarmada – Claro que não, ele veio porque é sua obrigação como melhor aluno da sala. – Justificou rápido demais. – Já que entrei na metade do ano vou precisar um pouco de auxilio e só.
– Sei... O Drew que eu conheço não faz nada – ela enfatizou bem essa palavra –sem ter algo que ele tenha interesse por dentro.
Eloise ao perceber que ela parecia ter um nível de intimidade muito grande com ele perguntou: — Vocês já... tiveram alguma coisa, né?
– O quê? Claro que não nós somos primos. – Alice levou um tempo para se recuperar da gargalhada e finalmente disse. – Você é muito engraçada Eloise. Mas então, quer que eu te mostre a escola?
– Eu adoraria – confirmou ainda constrangida e aliviada por mudarem de assunto.
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