You disturb my calm

4 Pra quê serve um irmão?


Notas iniciais
E lá vai mais um capítulo ;)

Depois de Alice ter dado tantas voltas acompanhando Eloise pela escola, que ela começava a ficar tonta, o sino tocou e então voltaram para a sala. O resto do dia na escola foi relativamente normal. Ao voltar para casa sozinha — o que acabou se mostrando uma longa caminhada — deu a Eloise a chance de passar pelo supermercado e fazer as compras com o dinheiro que tinha levado.

Quando ela chegou ao apartamento, tentava pegar sua chave na mochila ainda segurando as sacolas deixando assim, cair a mochila e uma sacola.

– Merda – praguejou.

– Calma calma – uma mão que veio por trás saiu pegando as sacolas e não lhe surpreendeu nada em ver que era Drew de novo.

– Obrigada – ela disse enquanto pegava a chave da mochila e destrancava a porta.

– Fez compras então – ele disse enquanto pedia permissão com a cabeça para entrar no apartamento dela e como ainda estava com suas sacolas ela abriu mais a porta pra ele entrar.

– Bem, é o que parece – disse, logo cortando ele.

Nos seus pensamentos esperava que ele fosse embora. Mas ele apenas riu de sua hostilidade. Colocou suas sacolas na mesa.

– Está ficando legal seu apartamento – ele disse, sorrindo.

O que tem esse garoto e sorrisos? Eloise estava quase chegando a conclusão de que ele sabia o efeito que eles tinham nela.

– Obrigada – disse enquanto olhava para seu apartamento que apesar de estar um pouco vazio ainda, já se podia ver que era o lar de alguém.

– Então Eloise – ele fez questão de falar bem alto o nome – você quer as apostilas agora? – ele perguntou.

– Seria ótimo.

– Certo – ele abriu a mochila e tirou uma pasta, dela tirou umas cinco folhas – acho que isso aqui dá pra você entender, tem algumas anotações que te ajudariam. Poderia te ajudar em outras matérias se precisar, mas como só o Senhor Herandez pediu pensei que você devia ter boas notas na outra escola que compensassem a transferência e as aulas que perdeu.

– Isso mesmo. Só em história que estava quase sendo reprovada, o Senhor Hernandez está sendo muito legal de ainda me dar esta chance. – ela disse mesmo sabendo que ele só dava essa chance a ela, pois sentia pena dela.

– Não vamos decepciona-lo então. – Ele se aproximou de mim – minha prima conseguiu te convencer a ir com a gente para a viagem?

– Não, disse a ela que não sabia ainda, mas tenho certeza de que não vou. – Respondeu.

– Ah é? Por quê? Quem sabe daqui pra lá você não mude de ideia? Posso dizer que vai ser bem legal, e que você iria gostar. –Ele se aproximou mais.

– Pode apostar que será bem difícil mudar de ideia. E hum... acho que não sou muito de multidão.

Algo nesse garoto a libertava para que fosse sincera. Talvez fosse o sorriso que jamais saia do seu rosto ou a forma como olhava para ela. Ele riu mais uma vez e ela se enfureceu por ele está se divertindo tanto à custa dela.

– O que eu digo de tão engraçado que você não para de rir? – explodiu

– Ow, desculpa, mas é que a forma como você tenta jogar seus espinhos para todos que estiverem próximos, como se isso a mantivesse segura. E também pela forma como essas sardinhas que ficam na sua testa se enrugam quando você não aprova uma atitude minha me fascinam e me divertem. – Ele respondeu enquanto a olhava profundamente como se a estivesse lendo por dentro, com um sorrisinho de lado.

– Acho que você já pode ir – ela disse se encaminhando para a porta.

– Será que um dia você não vai me expulsar do seu apartamento?

– Será que um dia você vai ser menos egocêntrico?

– Nossa, essa doeu – ele disse colocando a mão no peito.

– Sem dramas Drew – ela disse, quase sem conseguir conter o sorriso que escapava por causa da expressão engraçada de dor que ele fazia.

– Tudo bem, vou atender ao seu pedido – falou enquanto se dirigia a porta – então... vai querer? – ele levantou as folhas de história, as quais ela havia quase esquecido.

– Claro que sim – ela se aproximou dele para pegar e ele também se aproximou dela.

– Aqui – ele a entregou as folhas em uma distância que ela julgava perto demais, para seu desconforto

– Obrigada. – Disse meia desnorteada sem saber como reagir a tal proximidade.

– Tchau – ele sorriu e sumiu para dentro de seu apartamento.

Passou sua tarde estudando para história e não tinha nem palavras para agradecer por Drew ter colocado aquelas anotações ao lado. Duvidava que fosse entender muita coisa sem aquilo. Ao terminar partiu para atividades de Matemática e assim se passou sua tarde, enquanto ela estudava e tentava não pensar no vizinho insistente demais.

No outro dia de manhã ela sentiu como se tivesse sido traída pelo próprio irmão quando abriu a porta.

– Seu irmão falou que esqueceu de avisar, mas hoje ele só vai ter aula mais tarde, então pediu pra mim te dar uma carona para você não se atrasar. – Disse Drew, ele estava com o cabelo um pouco molhado, talvez por ter tomado banho e não ter secado, a cara ainda um pouco amassada, mas já com aquele meio sorriso de sempre.

– Para que te serve um irmão se nem para dar recados e te afastar de estranhos serve? – Falou baixinho, com intuito de que ele não escutasse.

– O quê? – Ele perguntou, enquanto seu sorriso abria ainda mais.

– Vou pegar a mochila – entrou no apartamento e pegou a mochila.

– Então, as apostilas estão te ajudando? – Ele falou enquanto caminhavam para fora do prédio.

– Aham, ajudaram muito, obrigada – ela disse sem qualquer vontade de continuar o assunto. – Onde está o seu carro ou caminhonete? – Perguntou enquanto olhava ao redor.

– Bom, não sei quanto a esses, mas a minha moto está bem aqui. – Ele disse se encaminhando para uma Harley estacionada por perto.

– Que merda é essa? – Ela disse olhando assustada para a moto.

– Ei, não fala assim da Christine – ele disse ofendido.

– Ãhn, ela tem um nome?

– Claro que sim, você acha que eu não tenho sentimentos? – Ele disse com um sorriso inocente.

– Olha, acho que vou pegar um ônibus, sem chance da minha pessoa se sentar ai. – Ela disse se afastando.

– Duvido que você consiga pegar um ônibus agora sem chegar atrasada. Qual é, você nunca subiu em uma moto? – Ele falou encarando ela.

– Não, e nem pretendia. – Ela disse de cara fechada.

– Tudo bem, mas a gente precisa ir pra escola e se você não subir agora eu vou te deixar aqui. Ou seja, você vai chegar atrasada e só entrar na segunda aula. – Ele falou enquanto subia na moto – E então?

– Ok – ela suspirou e subiu na moto.

– Acho melhor você segurar em mim para não correr o risco de cair – ele disse entre sorrisos.

– Tudo bem.

Com essa afirmação Eloise se agarrou nele o mais firmemente que podia, o que deu para ela uma boa confirmação sobre os músculos avantajados que ele disse ter. Podia sentir os gominhos do tanquinho dele através do tecido da camisa.

– Vamos lá. – Quando ele disse isso ela apertou mais ele, se isso fosse possível.

Notas finais
Oi galera, se é que existe alguém ai. Dêem algum sinal, um comentário, uma mensagem, sinal de fumaça o que for, só queria saber da existência de vocês (ou não existência). Estou me sentindo um pouco sozinha aqui desse lado. :p