– Mas tem certeza que você não quer sentir a água? – Drew perguntou, soltando-a um pouquinho.
– Não se atreva – Eloise gritou para ele.
– Por que você está com tanto medo da praia borboleta? – esse apelido de novo, Eloise pensou.
– Eu não estou com medo. – disse entre dentes.
– Eu sei que você está, desde ontem, que você passou a tarde toda na areia. – ele disse, sempre aproveitando da vista privilegiada que ele estava da bunda dela.
– Não é medo, é só... receio. – ela arriscou sussurrando.
– Receio de quê? Posso te garantir que não tem nada de ameaçador aqui. – ele respondeu, controlando o riso.
– A maré pode subir e as ondas ficarem fortes... – foi interrompida.
– Você está com medo de ser carregada? – ele riu.
– Seu idiota, pare de rir de mim... – ela começa a se debater e bater nele.
Ele perde o equilíbrio e os dois caem na água. No primeiro impacto Eloise se agarra ainda mais a Drew que a segura no peito e então levanta – até porque eles não estavam tão no fundo – e puxa ela. Quando ele olha para ela, ela está com os olhos vidrados, seu cabelo vermelho grudado em toda sua face por causa da água e ela está ofegante. Ele encosta sua mão no rosto dela e tira alguns fios de cabelos grudados.
– Não foi assim tão ruim, foi? – perguntou preocupado por causa da falta de reação dela.
Até que ele percebe ela começar a tremer os ombros fortemente, puxa seu rosto pra cima e dá de cara com uma gargalhada da parte dela.
– Não acredito que estava com medo disso. – disse, entre risos – Eu sou idiota ou o quê?
– Eu tentei te falar – ele cai na risada com ela.
Ela se vira para o nascer do sol que a essa altura já estava quase completo. E ambos ficaram assistir o término do nascer do sol, enquanto acalmavam suas risadas e respirações.
– Agora que superou o seu medo que tal um mergulho? – Drew perguntou.
– Tudo bem.
Com seu medo dissolvido – graças a Drew – algo que ela não queria pensar no momento. Ela enfiou a cabeça dentro da água e aproveitou para por livremente em prática o que aprendeu em algumas aulas que teve de natação na escola. Aproveitou ao máximo a liberdade que só uma praia ao nascer do sol sabia dar. Cansou e voltou para areia, tirando a saída de banho já molhada e sentando em cima para esperar secar.
Não muito depois Drew saiu da água e de acordo com os pensamentos de Eloise e como saiu! O garoto saiu balançando o cabelo com as mãos, bem daquele jeito que faz algumas enfartarem, o que quase aconteceu com Eloise. Ao chegar até ela, ele ainda tirou a camisa também ensopada, o que para Eloise que estava sentada foi uma das coisas mais cruéis que se podia fazer, ela sentiu de imediato vontade de se agarrar ao tanquinho dele. Então ele sentou.
– Bem vinda à Santa Monica! Agora depois de já ter provado duas de suas melhores coisas daqui, eu posso dizer isso. – Ele sorri.
– Obrigada. – Ela retribui o sorriso.
– Você está sendo muito legal. Quando você vai começar a me xingar ou bater? – Ele perguntou com curiosidade.
– Você tinha que estragar o clima de relax, né? – Ela se preparou para se levantar.
– Calma tigresa. – Ele segura sua mão incentivando-a a continuar.
– O que você tem com esses apelidos e animais? – encarou-o e ele riu.
– Não sei, você apenas me lembra. – Ele admitiu.
– Por quê? – Ela franziu a testa.
– Borboleta porque você tem fases como a borboleta, em um momento você está trancado no seu casulo e no outro você sai de lá de dentro surpreendendo-nos como uma borboleta. E tigresa, bem acho que não preciso explicar né. – Ela riu.
– Faz sentido até.
Silêncio, volta a se estabelecer.
– Você acha que já começaram a se acordar? – Eloise perguntou, virando a cabeça para a direção da casa.
– Não sei.

P.O.V.: Eloise
Quando virei a cabeça novamente para a praia Drew tinha se aproximado e continuava se aproximando, colocou uma mão na minha bochecha e eu não consegui mais me mover. Esperei que o filme em câmera lenta tivesse continuidade, esperei que ele se inclinasse. E ele o fez, ficando mais perto de mim. Sua mão continuava no meu rosto, seu polegar acariciando desde minha maçã até o canto da minha boca. Drew encostou suavemente nossas testas, nossas respirações se misturaram. Nossos lábios se roçaram sutilmente e então ele finalmente pressionou de uma maneira maravilhosa nossas bocas. Minhas pálpebras caíram naquele instante e eu posso dizer que se eu não tivesse sentada, era capaz de eu não ter permanecido em pé.
Drew fez alguma pressão e eu abri meus lábios, dando passagem para que o beijo fosse aprofundado. Sua língua era igualmente quente e áspera, como sua mão, e tocava lentamente a minha. Ele sugava meus lábios sem muita força, e já era o suficiente para que eu desejasse permanecer naquele beijo o resto da vida. Aos poucos, senti meu corpo relaxar, ficando então livre de toda a tensão que me consumia. Aquele beijo tirou qualquer pensamento da minha mente que fiquei com medo de nunca conseguir interrompê-lo. E mais uma vez, esse medo também fora arrancado de mim durante o movimentar incansável de nossas bocas, que entraram em um mudo acordo de não se separarem, em um consenso de que ar era desnecessário frente à grandiosidade daqueles toques e sabores.
E o beijo continuou (por quase uma vida para mim), até nossos pulmões implorarem por ar. Eu estava determinada a bloquear todo e qualquer pensamento racional nesse momento, apenas sugando mais ar para meus pulmões e retornando ao seus lábios numa busca incansável de algo.
Até que uma voz gritando meu nome nos fez afastar, quebrando a bolha que tínhamos construído. Levantamos, eu peguei minha saída de banho e fui atrás da Alice que finalmente tinha aparecido na porta, apenas virando de costas e olhando mais vez para Drew enquanto tocava nos meus lábios já sentindo falta da pressão pela qual eles tinham passado.
O tempo que tive pra chegar até Alice foi o tempo para meu juízo voltar a funcionar. Que merda eu acabei de fazer? Como deixei isso acontecer? Agora ele vai ficar achando que conseguiu o que queria. Como sou idiota, tenho que manter distância dele urgentemente antes que ocorra um desastre... Afinal, todos sabemos como ele é...
– Bom dia – Alice disse, com uma ruga formando na testa – o que você e Drew estavam fazendo na praia?... E você está toda molhada.
– Bom dia para você também Alice – falei, pensando em algo melhor para dizer. Alice não pode nem sonhar com o que aconteceu. Ela não pode achar nem por um momento que sou como as outras “amigas” dela. – Ah, eu vim ver o nascer do sol e acabei encontrando Drew aqui também. E não consegui resistir tive que entrar nessa água quando vi o nascer do sol. – Sorri para certificá-la.
– Isso explica tudo. – Alice solta um sorriso – Drew realmente não consegue se controlar quando está aqui. Ele sente muita falta desse lugar – o sorriso dela começa a cair – pena que tantas coisas mudaram para ele.
– O que mudou? – pergunto, mas acho que Alice se deu conta de que estava falando demais.
– Ah, esquece isso. Eu estava te procurando porque nós precisamos se arrumar, hoje começaremos a visitar os lugares e a fazer as atividades maravilhosas desse lugar. E como eu sou a cabeça disso, nossa primeira parada vai ser com a parte chata, para acabar logo com isso, museus daqui. — Alice fala com cara de tédio.
– Hum, então vamos — digo ainda não esquecendo o que a Alice falou do Drew. Mas arrancarei isso dela, vou sim... Não, por que eu estou com essa curiosidade? Simplesmente não é do meu interesse, deve ter sido por mais uma coisa idiota.

–----------------

Nossa van tinha acabado de parar em frente ao Museu de Aviação e a turma já estava entrando no museu, quando eu avistei de longe Drew me encarando e se aproximando. Puxei Alice e entramos, parando em frente a um modelo de avião tão antigo que dava medo de se imaginar que alguém sequer tinha voado naquilo.
– Olha aquele que legal — Alice me puxa para um modelo que tem a bandeira dos EUA nele.
E nisso de puxa-puxa nós vimos alguns dos modelos mais legais do Museu, esquivando-me de qualquer possível aproximação de Drew até que em um momento acho que ele entendeu.
Entramos novamente nas vans e partimos para outro ponto que Alice queria livrar logo da nossa agenda, o Museu de Arte de Santa Mônica. O que não levou muito do nosso tempo, pois todos já estavam com fome e almoçou só aconteceria depois disso. Então depois de todos terem almoçado partimos para o ultimo destino e o que Alice mais queira ir, o Angels Attic.
– Um museu de bonecas, sério Alice? — resmungou chatiado um dos nossos colegas que logo foi acompanhado de todos os meninos da turma.
– Calem-se vocês, esse museu é muito legal. E não são qualquer bonecas, são antigos bonecos e bonecas, com miniaturas de casas de bonecas que retratam como as pessoas viviam na época em que cada boneca foi lançada. Podemos observar a mudança das casas, do estilo de vida e da moda. — Alice faz seu discurso com os olhinhos brilhando de animação.
– Ok, tchau para quem vai. Esperarei vocês aqui. — Graham falou emburrado e mais uma vez todos os meninos da turma acompanharam.
– Lá também tem uma loja para quem quiser comprar, sei lá, uma bonequinha. — Alice disse sorrindo. — Então vamos.
Com isso entramos no museu que começava com as primeiras bonecas que eles tinham acesso. E a partir desse ponto Alice me abandonou e correu como uma criança quando ver chocolate e eu continuei sozinha. Não sei se todas as bonecas seriam assim, mas as primeiras eram extremamente assustadoras, tinham aquela cabeça de porcelana e os olhos que pareciam estar te encarando.
– Essas bonecas dão medo. — uma voz rouca que vem do nada diz no meu ouvido. E com isso eu levo um susto não sei se pelas bonecas ou por o dono da voz ser Drew. Merda.
– Me assustou — digo com o coração acerelado.
– É o que essas bonecas fazem — ele riu, mostrando seus malditamente tão brancos dentes.
– Talvez não tenha sido por causa das bonecas — digo, arqueando uma sobrancelha, o desafiando continuo andando, com mais bonecas sinistras em suas miniaturas de casa me encarando.
– Quer dizer que eu te causo medo? — ele diz, com uma proximidade desnecessária da minha orelha, com isso me esquivo.
– Isso e mais um monte de sentimentos como pena, raiva... — sou interrompida subitamente quando passamos por uma brecha e ele me encurrala. Maldito seja tanquinhos definidos e regatas cavadas.
– desejo, tesão, quem sabe até paixão. — Drew diz completando a minha lista de sentimentos. Uma gargalhada minha escapa.
– Não seja tão ridículo, é claro que esses são os seus sentimentos e ele não são recíprocos. — digo procurando por uma saída sem sucesso, aquele homem é uma muralha e lutar contra sua força iria ser no mínimo cômico.
– Não são recíprocos, tem certeza? Pois tenho uma lembrança bem vívida de hoje cedo que me prova o contrário. — ele fala olhando nos meus olhos, contato o qual eu luto para quebrar.
– Mas acho que você pode ter seriamente se enganado ao achar que esses sentimentos era recíproco apesar de tudo. — digo lutando por ar com a proximidade que ele força.
– Não se atreva a dizer isso, eu tenho olhos e vi o estado em que você ficou. — Ele diz com um sorriso insinuador nos lábios.
– Talvez tenha problemas de visão. — levanto os pés para tentar ver alguma coisa através dessa incômoda muralha. Cadê Alice e pessoas intrometidas quando se precisa delas. Seja forte Eloise! Não serei mais uma das suas garotas seu idiota. Os olhos dele começam a mudar. — Percebo alguém com o ego ferido? — dou um sorriso de lado para aumentar a confiança no que eu disse.
– Você está me forçando fortemente a fazer isso. — Ele diz e passa um braço pela minha cintura e a outra na minha nuca sem me dar nem tempo de respirar colou a boca na minha já exigindo espaço.
E lá se vai mais uma vez todo e qualquer pensamento da minha cabeça. Dou o espaço que ele precisa e nossas línguas se tocam. Meu corpo agora tem vida própria e meus braços se entrelaçam no seu pescoço, meus dedos se encaixam nos seus fios se prendem. Ele dá uma mordida no meu lábio inferior que me faz puxar seus fios de cabelo e ele sorri, descendo pelo meu pescoço até meu ombro onde ele dá uma mordida.
– Essas sardinhas são malditamente sexys, sabia? — ele pergunta com a voz mais rouca que o normal. E eu nego com a cabeça. E ele começa a fazer o caminho de volta para minha boca, a qual já o aguarda, porém ele não chega e eu abro os olhos. Dando de cara com o sorriso provocadoramente de lado com o lábio entre os dentes. — Hum... nada de desejo, nem de tesão, não é?
– O quê? — o juízo finalmente volta a ter vez — Nada disso, dá para me soltar — peço, fazendo a única coisa podia que era me debater.
– Por que de repente você mudou de ideia? — Drew e essa sua merda de sorriso de rasgar calcinhas.
– Drew eu estou falando será que dá para você me soltar seu idiota! — quando me levanto um pouco por cima do seu ombro vejo que todos os meninos da turma estão coincidentemente lá, de público. — Mas que merda é essa? — Drew se vira para ver sobre o que estou falando.
– O que vocês estão fazendo aqui? — ele pergunta confuso.
– Idiota. — é a ultima coisa que digo antes de fugir dos braços dele aproveitando o momento e indo atrás de Alice. Mas como não a encontro vou para o banheiro.
Eu tenho urgentemente que parar de me deixar levar e mais deixar de ter contato próximo com ele. Controle e sensatez são coisas que me faltam nesses casos, e que bela hora para faltarem. Odeio essa vulnerabilidade. Não serei mais uma dele, não acabarei sendo a enganada, não acabarei como a minha mãe.

Notas finais
O que vocês tem a me dizer sobre esse capítulo? :x