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27 Vigésima Sétima Parte.


Notas iniciais
Oi, olha eu aqui de novo! Acho que não estou me demorando muito em postar, não é mesmo? Leitorxs lindxs, eu agradeço demais vocês me acompanharem, mas confesso que não tenho tido tempo de corrigir o português dos capítulos, me corrijam se acharem erros. Porém, cá está. Um beijo e um queijo. Ah, fiquei sabendo que uma mocinha querida, chamada Isis, está acompanhando a história. Obrigada, viu? É muito importante saber que tu gostou do nosso enredo, por isso, te dedico este capítulo. Agora sim, boa leitura.

— Kate – senti um toque, um afago em meus cabelos, uma voz suave e tranquila me chamava para cima, eu tentava vir a mim, mas o meu ser insistia em não me deixar sair daquele pequeno transe. Eu me sentia extremamente segura em seus braços e certamente foi isso que me prendeu naqueles breves minutos de sono, o conforto que nele habita – eles a vão levar. Você precisa se despedir – ficou com os lábios sobre meus cabelos, como se os beijasse ao mesmo tempo em que inalava meu cheiro, as cerejas que eu sabia que ele amava.

Quando despertei, o que não me custou nem um minuto, ergui os olhos movendo minha cabeça pouquíssimos centímetros acima. Alcancei seus olhos e senti sua respiração pesada. Puxei vagarosamente minha mão que estava em contato com a dele, arrastando-a pela sua perna até que ela estivesse por completo em meu colo. Tirei minha cabeça do vão de seu pescoço, a deitei sobre seu ombro e passei meus dedos indicadores abaixo dos olhos na tentativa de limpar limpá-los, pois insistiam em lacrimejar, reação que os segundos de sono me proporcionaram.

Encarei Johanna, ela dormia tranquilamente já em efeito de medicamentos – Ela dormiu... – murmurei.

— Não precisou de muito tempo e esforço – me respondeu estendendo a mão, se levantando e me levando junto com ele até a beira do leito de Johanna. Precisava ter meus minutos com ela – Você precisa desejar-lhe uma boa cirurgia — Era incrível como eu tinha duas pessoas incríveis na minha vida – ela deve ficar um tempo longe do seu colo.

— Vai ficar tudo bem, bebê – afastei os cabelos que caiam sobre seus olhos e beijei sua testa – você vai ficar bem, pequena. Isso é uma promessa, assim como aquela da semana inteirinha de sorvete – encarei Castle que nos olhava com uma cara boba e ao mesmo tempo questionadora – O que? Não me olha com essa cara, não – ele conseguiu, eu sorri de um jeito aberto que de tão perceptível refletiu nele, meu gesto, como pude sentir, delimitou minhas bochechas.

— Vocês formam um bom time.

— Mas ele não fica completo sem você, escritor, pode apostar – disse certa do que estava fazendo.

— Eu sei, tenho esse efeito sobre as mulheres.

— Convencido. – soltei um longo suspiro – Vai ficar tudo bem, não é?

— Ela é uma Beckett Castle, como poderia não ficar?

— É a criança mais certa das coisas, que conheço. Sabe bem o que quer e luta por isso.

— Outro dia ela me disse que gostava de Spice Girls. No outro havia uma playlist completa no meu spotify – ele dividia o aplicativo com ela, era uma forma de monitorar suas atividades na rede — e uma Johanna viciada, cantando todas as canções de trás pra frente.

— Nunca soube dessa façanha. – falei com certa tristeza – Ainda há muito que conhecer.

— Não é como se você não fosse.

— Você está certo – a beijei novamente e me afastei olhando para o médico que já nos aguardava. Acenei positivamente, mas com pesar, indicando assim que ele poderia levá-la.

***

Fomos encaminhados para a sala de espera e durante todo percurso que ia do quarto, até a dependência, Castle me sustentou segurando de maneira firme em minha cintura. Eu nunca fui de me deixar carregar, meus muros me impediram até de chorar em momentos importantes na minha vida, como a partida de Roy. Não era de me abrir para as pessoas, mesmo passando por crises assustadoras, raras eram as exceções. Quando trouxe à tona todos nossos problemas, Castle definitivamente não era a pessoa que eu esperava que derrubasse novamente meu muro interior, afinal, muitos eram as interferências do destino nas nossas vidas.

Com o braço envolto em meus ombros ele apoiou o queixo sobre o topo da minha cabeça e por um instante eu fechei os olhos, me permitindo descansar. Foi tempo suficiente para que Gina invadisse o hospital atordoada. Rick levantou de sobressalto me fazendo reagir por instinto e me colocar sentada, ereta, como deveria estar.

— Eu vim assim que soube. Alexis pediu para que eu avisasse que fará o possível para nos encontrar, está em um plantão, agora — Afinal, o que eu havia perdido? Desde quando Gina tinha tanta intimidade com Alexis? Com Castle eu já estava sabendo que estavam voltando aos tempos áureos, que haviam se entendido novamente. Mas desde quando Gina fazia parte desta família? – Como ela está? – nos perguntou abraçando Castle, espalmando sua mão no peito dele e deitando no lugar que até poucos segundos era meu, o vão de seu pescoço.

— Acabou de entrar para cirurgia – respondi a despertando de seus pensamentos.

— Ah, Kate querida. Você está bem? – desgrudou suas mãos da camisa de Castle, o puxando um pouco à frente, vindo de encontro a mim abriu os braços, o que me forçou a levantar para retribuir o gesto.

— Tudo bem – a abracei e encarei Castle por sobre seus ombros, notei seu claro desconforto com a situação, fixamos nossos olhos uns aos outros por segundos, nos encarando profundamente – nós vamos ficar bem – forcei um sorriso que naquele momento não foi um ato de sucesso.

— O que vocês precisarem, eu estarei aqui. Eu amo essa menina, é a minha bonequinha.

Dela? Desde quando minha filha tinha se tornado propriedade dela? Apesar de gostar muito que minha filha fosse amada por todas as pessoas que a cercavam, eu não suportava o fato de eles estarem formando uma família feliz. Outro pensamento que naquele instante me veio foi o fato de Gina ter autorização para visitar Johanna, o que eu não tinha até poucas horas. Provavelmente Castle havia solicitado aquela visita, talvez não esperasse mais me encontrar por aqui já que chegou antes ao hospital.

— Eu vou pegar um café – informei assim que desgrudei forçadamente do enlace que Gina havia feito entre nós e ela apenas acenou com um olhar pesaroso.

Andei pelo hospital, tomei minha dose de cafeína diária e apoiei meu corpo em um pilar que sustentava aquela estrutura hospitalar – Sua afilhada está com problemas – despontei assim que Lanie atendeu seu dispositivo eletrônico.

— Só ela? — suspirei pesadamente. Ela realmente me conhecia muito bem.

— Os problemas dela são os que mais me afetam, você sabe disso.

— Eu sei garota. Qual o problema com a Beckett miniatura?

— Apendicite. Está passando por um procedimento cirúrgico agora.

— Garota, você deveria ter me avisado – disse preocupada – Há quanto tempo ela entrou para a sala cirúrgica?

— Cerca de meia hora.

— Está precisando de companhia?

— Não. Por agora está tudo bem. O procedimento não deve demorar.

— Não me venha com essa Katherine Beckett, apesar de ser uma intervenção pequena, é um procedimento cirúrgico. Você precisa de mim e eu logo estarei aí, é onde eu devo estar.

— Tudo bem. Não vai ser de todo ruim.

— Ela não é a única que precisa de mim por aí, ao que parece. Não é só Johanna que está no chão. Qual o real motivo desta ligação?

— Nós conversamos aqui. Por enquanto, Johanna é a prioridade, eu nem consigo pensar em nada que não seja ter minha filha nos braços de novo. Isso é pior do que quando nos despedimos no abrigo, Lanie. Lá, eu sabia que a teria de volta, eu sentia. Agora tudo não passa de um amontoado de dúvidas e medos.

— Eu estou indo para aí. E Kate... tenta ficar bem até que eu chegue – desligou urgentemente.

Circulei mais um pouco pelo hospital e voltei para Castle, mesmo que tivesse de encarar o romance, era melhor ficar por perto para qualquer eventual notícia de minha filha. Retornei e notei Castle sentado com o rosto encarando o chão entre suas pernas.

— Onde está a Gina? – falei com determinado desdenho ao me sentar ao seu lado na cadeira e arrumar o meu casaco que parecia ter sido pisoteado pelo dia todo. Ele soltou um risinho, mas permaneceu em silêncio. — Você sabe que a sua filha está em cirurgia e que não é um momento para provocações, não é mesmo? – eu mesma não acreditei no que havia dito. É obvio que ele nunca faria aquilo. Se ela estava lá, certamente não era para me tirar dos eixos – Você não precisa me responder. Não me deve satisfações – o cortei antes mesmo de ouvi-lo falar e ele nem fez questão, estava se divertindo com minha clara crise de ciúmes.

Sentou ao meu lado e fitou o nada. Fizemos silêncio que só foi interrompido pelo volumoso barulho dos saltos de Lanie pisoteando o chão em alta velocidade.

— Garota – ela correu ao meu encontro e prendeu meus ombros em si.

— Você veio rápido – disse sufocada em seu abraço.

— Lanie – Castle sorriu melancolicamente para ela assim que fui solta.

— Menino escritor – o abraçou também.

— Como vocês estão? – nos perguntou fazendo-nos esquecer o monólogo anterior.

— Preocupados – dissemos em um coro.

— Ela vai ficar bem. Falta pouco, esse procedimento não é muito evasivo. Tenho certeza que com os cuidados e o carinho de vocês, ela vai se recuperar muito rápido.

Acenei positivamente, e enquanto Rick e Lanie estavam sentados, eu andava por sucessivas vezes em sua frente, fazendo sempre o mesmo percurso de um lado a outro da sala, como se em algum momento eu fosse fazer um buraco e parar em outra sala daquele hospital. Duas horas se passaram e nenhuma informação chegava. Preocupava-me muito o procedimento exceder o tempo normal.

— Eu acho que nós devíamos ir falar com alguém – falei depois de morder os nós dos todos os meus dedos. Foi o tempo de Castle e Lanie tentarem argumentar e o médico apareceu, ainda tirando a máscara e a roupa que vestia no bloco cirúrgico, se organizando para nos dar a notícia que viria a seguir.

— A cirurgia foi um sucesso. – todos sorrimos e suspiramos aliviados após a frase esperada – Nós fizemos uma laparoscopia, que vai garantir a ela uma rápida recuperação. – seguiu explicando os próximos passos e nós, atentos a escutar cada palavra — Ela terá de ficar por aqui até amanhã a noite, para observação e em uma ou duas semanas já poderá retomar as atividades normais – Lanie pareceu entender muito mais do que nós, que estávamos aflitos – É importante monitorar após a saída dela, pois ela poderá sentir dor no abdômen ou no ombro, enjôos ou vômitos, é tudo normal e vocês não devem se preocupar, com uns remédios prescritos vai ficar tudo bem. E caso precisem, retornem ao hospital – ele concluiu.

— Existe algo que nós não devamos autorizar ela a fazer ou comer? – Castle já estava estabilizado e conseguiu solicitar as informações necessárias.

— O ideal é que ela mantenha uma dieta líquida ou pastosa, nesses próximos dias, além de tomar cuidado para não se movimentar excessivamente devido à cicatrização dos locais que precisamos abrir para acessar a vesícula – respondeu.

— Tarefa árdua, mas temos um bom time – Castle sorriu de modo sedutor e eu senti meu estômago revirar, o que ignorei logo em seguida.

— Nós podemos ver ela?

— É claro, mas ela ainda está dormindo, por efeito da anestesia geral – explicou — Nós vamos transferi-la para o quarto, agora e vocês podem ir vê-la em seguida.

Nos olhamos confiantes e Castle, em um impulso, me abraçou de modo reconfortante. Foi como se estivéssemos encontrando o caminho de volta para casa. – Obrigada – sussurrei em seu ouvido.

— Sempre – retribuiu ao mesmo modo, ao pé de meu ouvido.

Notas finais
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