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28 28 - Febre do bem


Notas iniciais
Oi galera. Eu tinha perdido esse capítulo num limbo de capítulos, de fics e textos. Quando achei, finalmente a inspiração voltou e acho que consegui voltar ao que era. Será? Vou terminar essa fic, nem que me custe mais um ano. JURO. ahahha Se ainda querem ler e me acompanhar, digam olá nos comentários. UM BEIJO GIGANTE E VOLTO A RESPONDER OS COMENTÁRIOS EM 3, 2, 1... FUI.

— Oi bebê — ela limpava os olhinhos deixando voltar a brilhar seus azuis.

— Oi mamãe — respondeu com a voz rouca, penando para manter suas pálpebras abertas — Oi papai — completou e virou para o lado da cama que correspondia a mim.

— Como você se sente? — perguntei e Castle sequer disfarçou a felicidade com tudo que o cercava. Johanna bem e nós três ali, unidos. Era mesmo Johanna o laço invisível que nos uniria para sempre.

— Dói aqui — falou baixinho apontando para a barriga.

— Você não pode encostar aí, abelhinha, foi onde o médico consertou, você lembra do que te falamos sobre a sua parte quebrada?

— Lembro papai — soou quase que como um gemido dolorido. Virou-se novamente na cama, desta vez permanecendo com a barriga para cima. Levou as mãos de encontro a nós e pediu para que deitassemos com ela, um em cada lado da cama, o que obviamente fizemos. Castle, claro, ocupando menos espaço que nós duas. Deitei e deixei que ela apoiasse a cabeça sobre meu peito.

— Quando eu vou para a casa? — perguntou e logo em seguida bocejou, parecia cansada daquele ar melancólico do hospital e em um ato de compaixão, Castle estendeu a mão para de encontro aos cabelos dela em um mesmo momento que eu o fiz.

Esbarramos com as mãos e não sentimos a mínima necessidade de desfazê-las. Johanna adormecia em meu colo sem nem esperar resposta alguma, os medicamentos ainda agiam, eu e Castle, permanecemos com as mãos unidas, às movendo e entrelaçando os dedos, raras vezes vi tal ato vindo de Rick, o entrelaçar de dedos. Este era um sinal límpido de que algo estava acontecendo ali — Hein, mamãe? — disse em um último suspiro antes de mergulhar em um sono sem fim.

— Amanhã, bebê. Amanhã — respondi sustentando um olhar firme dirigido a Castle, que se mantinha por sobre a cabeça de Johanna. Os azuis dos olhos dele estavam mais escuros, eram penetrantes, mais do que eu já pude notar anteriormente. Seus dedos acarinhavam os meus, era um toque macio, legítimo de Castle.

— Dividir uma cama de hospital em três, não tinha me parecido uma ideia tão atraente — disse claramente feliz.

— Até hoje — respondi e ele exibiu um sorriso lateral.

Assim que fomos interrompidos pelo médico de Johanna, Castle desfez nosso enlace. O que me irritou profundamente. Teria ele pensado que era a Gina?

— E então, como está a nossa paciente?

Castle levantou e arrumou sua camisa, um pouco amassada.

— Eu acho que bem — respondi despreocupada — está dormindo até agora — encarei o relógio em meu pulso.

— Vocês não devem se preocupar quanto a isso. Anestesia Geral custa a deixar o organismo. Logo ela deve acordar e com fome. Lembrem-se, a convençam dos alimentos líquidos. E a propósito, — ergueu o dedo indicador — a coluna de vocês não vai ficar satisfeita com essa cama — nos lançou um riso desengonçado, como alguém que estava acostumado a presenciar cenas românticas em hospitais.

— Nós não, nós, é... — Castle movia as mãos em completa desordem, me fazendo rir baixinho.

— Boa noite — doutor Vausemann fechou a porta sem deixar mais indicações.

— Ah, Castle — dei um tapa em seu peito o fazendo sorrir — “Nós não” era a sua ideia de boa resposta para o que fazíamos?

— E o que nós fazíamos, detetive? — me deixou sem jeito.

— Você quer saber? Eu não sei — disse ao enrugar a testa.

— Mas poderíamos voltar a fazer — ele me deu um sorrisinho bobo como era.

— E o que me propõe, Castle? — disse enquanto ele repousava as mãos em minha cintura e me puxava devagar para si.

— Um jantar, depois que tudo isso acabar.

— E se eu disser que sim?

— Te pego as nove?

— Eu ainda não disse sim.

— Tenho o hábito de escrever os fins.

— E eu sou escritora, Castle.

Ele riu e rebateu — De papelada?

— Da minha vida, Rick — abri um botão de sua camisa, dei meia volta e fui até minha filha, depositando um beijo em sua testa e encarando Richard Castle, com um olhar, eu diria, irônico.

— As nove — respondeu em meio a um riso sedutor — e eu poderia te acusar de assédio. Você tem um histórico, detetive — Seguiu meus gestos, deitando ao lado oposto que eu estava, junto de Johanna, como eu.

— Não é como se eu tivesse aceitado sua companhia — sorri e enlaçamos nossos dedos sobre nossa filha, como anteriormente — e Castle… — disse retirando sem sucesso, meus cabelos caindo sobre meus olhos — pelo que me lembro, você tem um problema em conviver comigo sem me tocar — ergui nossas mãos como prova e ele riu, sem sequer tentar desfazer nosso contato.

***

Amanheci enrolada à uma coberta e com Johanna em meu colo. Suas roupas estavam completamente úmidas. Com a visão meio turva, alcancei Castle, que dormia no sofá. Reuni forças e o chamei. – Rick…- ele despertou assustado e apenas acenou positivamente — ela está queimando — disse com pesar, o que fez ele ir correndo pela porta pedir por uma enfermeira.

Levantei-me, passando as mãos pelo rosto rapidamente. Acariciava a testa da minha filha, nos poucos segundos sem uma resposta, falava comigo mesma - Isso não pode ser normal. Febre não é uma boa reação.

Johanna teve febre alta à noite e como resultado teria que ficar o dia em observação, talvez passar a noite, o que os médicos disseram ser pouco provável, já que ela já estava reagindo bem aos medicamentos — depois de algumas horas que os ingeriu. Como pais, nos preocupamos, mas torcíamos por uma melhora significativa no quadro, para que fossemos para casa, a pequena estava impaciente, o que não era de se estranhar vindo de uma Beckett-Castle. Mas o que martelava em minha cabeça, era um outro cenário. A qual casa levaríamos ela? Eu não abriria mão de ficar ao lado de Johanna em dias como os que viriam. Ela precisava de cuidados, e mesmo eu confiando inteiramente no pai dela, não dormiria em paz com ela estando à quilômetros de distância.

— Não papai — disse já medicada, me tirando dos meus pensamentos — você precisa se conformar.
— E com o que eu preciso me conformar abelhinha?
— Que nem sempre você vai ganhar — ergueu as mãozinhas e gritou — UNO!
— Você tem me saído uma bela trapaceira.
— Mamãe disse que sou boa mesmo — falou convencida.
— Sua mãe sabe das coisas.

—Ei, os dois — me olharam segurando o riso — eu ouvi mamãe ou estou com problemas de audição?

— Ouviu sim — sorriu — MAMÃE — repetiu em alto tom, fazendo Castle rir.

— Estávamos falando sobre você ser boa em jogos — piscou para Johanna e, voltou os olhos para mim, como quem diz “Strip Poker”.

— Você também não é nada mau, Castle.

— Isso vindo de você é um elogio, detetive.

— Papai, a mamãe jogava Uno com você, também?

— Não amor, a mamãe costumava jogar Poker com seu pai.

— Também quero aprender a jogar Poker, mamãe — mostrou seus lábios rosados em um bico gigantesco.

— Quando você crescer, bebê, quando crescer.

— Notícias do médico? — Castle mudou de assunto.

— Sim, os exames estão excelentes. Vamos embora no final do dia — notei um pesar junto de um alívio, no olhar de Castle — E Rick, sobre isso, quero conversar.

— Mamãe, usa seu distintivo com o papai, isso sempre convence ele das coisas.

— Ah é? — fiz uma cara surpresa e sentei aos pés da cama — me conta mais sobre isso.

Rimos e passamos uma tarde incrível, não fosse minha filha estar ali naquele leito, eu poderia esquecer todo nosso passado e nos ver como uma família, uma daquelas dos comerciais de margarina. Lanie esteve no hospital mais cedo e nos garantiu a normalidade do quadro, ela foi logo de volta ao trabalho, este era o novo nome do Esposito e o caso mal resolvido deles.

Estávamos os três sentados na lateral da cama, Johanna em nosso meio, assistindo à um episódio de Spirit no iPad dela — Johanna amava animais, mais ainda cavalos -, quando a porta se abre, uma boneca imensa entra, cobrindo Gina, que faz umas vozes, um tanto quanto ridículas. Minha filha me traiu, é óbvio que não resistiu à boneca. Nem eu resistiria, era uma Super Girl, eu não poderia julgá-la. Mas uma pontinha de ciumes me atingiu.

– Cuidado, bebê — disse em relação ao pulo que Johanna deu na cama — ela ignorou, assim como Castle, que logo estava dando dois beijos nas bochechas de Gina. URGH, ela queria comprar minha filha — pensei.

— Tia Gina — gritou esticando os bracinhos na direção dela. Gina à segurou em seus braços tomando cuidado com os fios que prendiam minha filha.

— Isso é seu — falou.

— Como se diz, abelhinha?

— Obrigada, tia Gina — os azuis brilhavam.

— Kate querida… — se aproximou de mim com Johanna em seu colo e me abraçou confortantemente, e foi bom, o que mais me deixou brava — Como está a minha princesa?

— Vai bem, teve um pouco de febre, mas terá alta à noite.

— Hm, e quem sabe na próxima semana podemos marcar uma festa do pijama? — segurei meus instintos mais primitivos, eles gritavam dentro de mim.

— Hm — repeti a palavra — não vai dar, ela infelizmente precisa se recuperar — disse sarcástica, mas tentando não parecer, sem sucesso óbvio.

— Titia, quando vou poder ver o Aaron? — que diabos era Aaron, eu me perguntava.

— Quando você estiver boa, princesa — arrumou a roupa de hospital de Johanna — o que, claro, vai ser logo. Eu tenho certeza! — transmitiu confiança à minha filha e eu agradeci mentalmente por isso.

— O Aaron e o tio Dylan estão organizando uma grande festa pra você.

— Eba — ela sussurrou tão feliz, que só os analgésicos puderam conter aquele sentimento. Deitou a cabeça no ombro de Gina e gracejou — eu estou cansada, tia Gina.

— Vai com a mamãe, então — a deixou em meu colo e eu só sabia sentir gratidão por Gina me proporcionar aquele momento. Ninar minha filha era sempre algo inesquecível, e hoje então. Eu só precisava disso.

— Bem, já que temos uma paciente bem obediente se recuperando e dois papais babões.

— Ei! — Castle fingiu ofensa e logo depois abraçou e beijou o rosto dela — Obrigado. Por tudo.

— No que precisar, escritor. E não pense que está livre das cobranças, em duas semanas te quero de volta.

“Te quero de volta”, uma faca em minha garganta doeria menos. Eu jamais assumiria aquele ciumes, sou eu. Mas sem sombra de dúvidas eu poderia dar umas sacadas para que ele deixasse de ser irritantemente galanteador — mesmo quando não estava.

— Aaron, Dylan? — perguntar as coisas que rodeavam minha filha, me doíam, ainda.

— Ao que parece Dylan está de volta na jogada. Eu não o julgo, é tolo deixar o amor da sua vida passar, por medo — senti a indireta me atingir o corpo todo.

— Aaron é o melhor amigo da Johanna, e Dylan, você pode imaginar que seja o pai.

— E vocês? — simplesmente saiu e eu o fiquei encarando, bambeando — Castle, quer saber, esquece.

Levantei e coloquei Johanna com a cabeça no travesseiro, com os olhos serrados. Os fechei e senti uma mão na parte frontal da minha cintura. Fiquei ereta e fechei os olhos, forçando os lábios, um contra o outro — Castle... — falei quase sem voz. Ele estava atrás de mim, com os lábios próximos ao meu ouvido — Rick… — tentei sem sucesso. Devagar fui me virando ao seu comando, ficando frente a frente com aquele homem incrível.
— O que você quer, Kate? — ele me perguntou provocativo, deixando a pergunta no ar, como fez a muito tempo atrás.

— Você — rocei os lábios sobre os dele — Mas não aqui — acariciei sua nuca com a ponta dos meus dedos e completei: — nem agora. Estamos em um hospital — enfim consegui finalizar e voltei a respirar com menos dificuldade.

— E eu respeito muito a minha filha — respondeu ainda com os lábios sobre os meus — mas um beijo na mãe dela, não deve ter uma pena muito extensa, não é detetive? — deixou alguns selinhos em minha boca e me pressionou o corpo no dele.

— Tão namorando, tão namorando — ela estava em pé e pulando na cama.

— Abelhinha, os fios — disse desesperado em meio ao riso que surgiu descontrolado — ela pulou até a ponta da cama e nos abraçou pelos pescoços, ficando com a cabeça entre as nossas.

— Teremos a próxima estrela da Netflix aqui.

— É uma atriz pronta.

— Eu não menti — ela riu e percebemos a porteirinha que se abriu entre seus dentes inferiores.

— Você perdeu um dentinho, meu amor — e assim, eu presenciei mais um momento marcante na vida da minha filha. Quem liga para os primeiros passos, mesmo?

Notas finais
E aí, se ainda estiverem aí, digam olá! Gostaram?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.