You came back

25 Vigésima Quinta Parte.


Notas iniciais
Um comentário despertou meu "monstro" interior e me vez voltar para cá. Débora, muito obrigada por isso! Vamos lá desenrolar e findar esta história.

POV Kate:

Mais um dia épico se iniciava. Ela estava com o dente frouxo há tempos, nada de novo até então, mas piorou muito desde esta madrugada quando ela resolveu beber o leite e bater com o dente no copo. Me acordou com um choro cruel e assustador, estava com dor e medo que o dente lhe abandonasse naquela noite. Seria o primeiro, ela não era precoce para isso, mas o dentista já havia conversado com Castle e afirmado ser normal. Então sentei a beira de sua cama e contei a história da Fada do Dente, mamãe sempre me contava quando estava prestes a perder um dente. Bendita fada que me deixou tantos dólares. Até que a Kate precoce descobriu que era apenas uma lenda urbana e parou de ganhar os dólares gratuitos. Santa maturidade.

— Vai passar bebê — ela estava com a cabeça deitada em meu colo e só sabia fazer chorar, mas quando a consolei daquela maneira, ela respondeu.

— Promete, mamãe? — estava com os olhinhos cheios de água e eu com medo de imergir naquele oceano.

— Prometo, bebê. Vamos para a cama com a mamãe.

— Mas e o Capitão América?

— Ele vem junto! — afirmei a tranquilizando.

— Tá bom! — entrelaçou os bracinhos em torno do meu pescoço e em poucos minutos estávamos afogadas em cobertores e fixadas uma a outra, dormindo. Só acordamos no dia seguinte, ela com a mãozinha na boca e eu a acolhendo em meus braços.

— Mamãe — quebrou o silêncio com a voz rouca.

— O que foi?

— Não quero ir à escola hoje — disse parecendo estar triste.

— Mas não pode, Jo. Suas notas não estão nada boas e além do mais seus coleguinhas vão sentir falta.

— Não vão mamãe, eles vão rir disso — tirou a mão da boca e mostrou que o dente tinha desapegado e deixado o seu sorriso ainda mais cativante.

— Vamos já colocar isso abaixo do seu travesseiro. A fada do dente vai visitar você, garotinha.

— Será? — disse incrédula — devem ter tantas crianças sem dente. São muitas mamãe, ela não vai ter tempo de vir à Nova Iorque — eu ri da ingenuidade.

— Mas cada criança é especial, ela arruma tempo para todas, até mesmo para as fãs de ficção cientifica, como uma certa garotinha aí — sorri transmitindo confiança.

— Então vamos! — pulou da cama e correu para o quarto e eu fiquei rindo e admirando a minha grande pensadora.

Tomamos café da manhã e desta vez sem interrupções de menininhas semi-nuas correndo pela casa. O tradicional copinho me foi estendido e ela me pedia sua dose diária de cafeína, eu tentei não deixar, mas não deu muito certo e ao fim, ela saiu de lá com o famoso café revigorante.

— Nós precisamos conversar sobre isso — disse fechando a porta em nossas costas e alcançando sua mochila.

— Ó, a sua bolsa. Está pesada, mocinha! — disse cheia de si, com as mãos na cintura me alcançando minha bolsa.

— Tudo bem espertinha, eu precisava fechar a porta — revirei os olhos e ela fez o mesmo.

— Mamãe, corre! O elevador — saiu saltitando rumo ao transporte predial.

Manhã extremamente excitante a nossa. E eu estava amando, não fosse os milhões de bocejos, meus e dela.

— Mamãe, porque a galinha atravessou a rua? — disse e as duas únicas pessoas no elevador, duas mães também, me olharam e riram, como se já tivessem passado por aquilo.

— Ah, não bebê, você pode muito mais que isso — mas ela insistiu.

— Vamos mamãe, responde! — sorriu deixando amostra a porteirinha.

— Tá bem, tá bem! Me deixa pensar... — descemos no subsolo, indo em direção ao carro — seria para chegar ao outro lado da rua?

— Isso! — ergueu os bracinhos e riu — vai mamãe, é a sua vez!

— Bem, eu não tenho nada do tipo para perguntar. — abri a porta traseira para ela e fixei o cinto em torno dela, me dirigindo para o meu lugar.

— Tudo bem — pareceu se conformar muito rápido.

— É só isso? — questionei a visualizando pelo retrovisor.

— Ué — ergueu os bracinhos em sinal de obviedade e eu ficava cada dia mais espantada com a beleza da minha pequena. Ela parecia uma boneca de porcelana. Pele branca, olhos azuis e cabelo castanho claro, com cachos delicados nas pontas, isso sem contar aquele sorriso, que muito se assemelhava ao meu e as mãozinhas, pézinhos e bochechas, todos com um amontoado de fofura. Eu não cansava de babar pela minha cria. Quem diria que Kate Beckett ficaria tão derretida por um serzinho tão pequeno. Só me deixava triste lembrar todo o tempo perdido, longe. Todo o crescimento, até mesmo as noites em claro. Uma imagem dela no abrigo, me deixou tremula e foi como se um raio tivesse me atingido.

— Mamãe, mamãe? Está tudo bem? — ela me perguntava assustada, enquanto estávamos paradas no sinal.

— Tudo bem, bebê — engoli a seco — que tal colocarmos uma música bem empolgante?

Você tem aqui no fundo, um pouco até demais— cantarolava, logo após ligarmos na trilha de a pequena sereia — é tão belo o nosso mundo, o que, que você quer mais? Vai mamãe! — gritou para que eu continuasse a letra.

Onde eu nasci— a encarei pelo retrovisor — onde eu cresci— fiz um gesto de grandeza e ela riu — é mais molhado, eu sou vidrado, por tudo aqui— conclui a minha parte e passei adiante.

— Você sabe, mamãe! — ela sorriu, exalando alegria.

— Claro que sei, mocinha. Eu sou esperta, assim como você — baixei um pouco o volume do rádio.

— É, mas não tão esperta assim em matemática — suspirou e fixou os olhos cabisbaixos no chão.

— Você sabe, é só estudar, bebê.

— Mas mamãe, parece que não entra aqui no meu céLebro — apontou o dedinho para a cabeça — São muitas letras, não tem espaço para os números.

— É cérebro, menininha. E eu entendo você.

— Entende, mamãe?

— Claro que sim. Quando eu era pequena, assim, do seu tamaninho, eu também não entendia o universo dos números.

— E depois, mamãe, você virou uma expre, expi, exporte em números?

— Expert? Não, Jo. A mamãe sempre dominou as letras, mas eu aprendi o suficiente para ensinar uma certa abelhinha.

— Mamãe!

— O que-e? — sorri já imaginando o motivo da exclamação — só o seu pai pode te chamar assim?

— Não, nem ele, nem você — cruzou os braços, brava.

— Sei — ri para ela que logo em seguida, me deu a língua e caiu na gargalhada — Chegamos! — peguei sua mochila, a ajudei a descer do carro e a levei até a escola. Em seguida, me despedi com um beijo e recebi palavras ainda mais lindas, do que eu podia imaginar.

— Eu te amo, mamãe — disse agarrada em meu pescoço.

— Eu também te amo, bebê — a olhei nos olhos — até mais tarde! — saiu correndo para a sala, arrastando sua mochila pelo corredor.

Cada dia ao lado da minha filha me trazia uma surpresa nova. Eu não podia ficar mais feliz, ou até podia.

***

— O que temos para hoje? — cheguei à sala, após pegar minha caneca de café.

— Sarah Jessica Parker, 23 anos, trabalhava em uma central telefônica erótica. — Espo passou a ficha completa.

— Parece que ela morreu de prazer — Ryan falou e fez um toque esquisito com Espo.

— Fala sério, meninos. Quantos anos vocês tem? Johanna é mais madura.

— Certamente. Ela é sua filha, Beckett — revirei os olhos e dei a língua.

— Jessica morava com quem?

— Com o namorado e a filha de 9 anos, desde ontem eles não aparecem em casa.

— É possível que ele a tenha matado e sumido com a menina? — aquela possibilidade me assombrou. Lembrei-me da minha filha, e o que eu faria se alguém tentasse algum mal à ela. Aquela mãe havia sido assassinada, sabe-se lá como. Mais do que nunca aquele caso clamava por justiça.

— Já emitimos um alerta, para rodoviárias, aeroportos e estações de trem — Ryan respondeu.

— Encontraram a mãe da Sarah, está vindo para a delegacia — Espo salientou assim que desligou o telefone.

***

— A Sarah era uma menina boa, nunca se meteu em confusão — a mãe da garota, uma senhora com cabelos grisalhos, na faixa dos 70 anos, falava entre lágrimas.

— A senhora sabia sobre o emprego da Sarah? — questionei.

— Sim, as opções estavam escassas, o trabalho não exigia grandes cargas-horárias e pagava bem. Eu ganho um valor mensal consideravelmente baixo, ajudo no que posso, mas a Sarah precisava cuidar da Samantha e isso exigia mais do que podíamos pagar. Então sim, eu sabia.

— O namorado da Sarah, eles estavam juntos a quanto tempo?

— Cerca de dois anos.

— A senhora notou algo estranho nele ou na relação da sua filha com ele?

— No início o Charlie tinha um comportamento instável, não gostava que a Samantha saísse com o pai e soava até um pouco agressivo. Mas ele tratava as duas com tanto carinho que eu acabei me tornando mais flexível com essa relação — disse ainda mais desesperada.

— Eu preciso que a senhora se lembre, de alguma briga recente, entre eles.

— Bem, na semana passada ele descobriu o trabalho da Sarah — as lágrimas agora eram impossíveis de conter. — Eles brigaram e ele ameaçou sumir com a Samantha — algumas coisas poderiam se encaixar, mas precisávamos de provas.

— Existe algum lugar para onde ele possa ter ido com a Samantha?

— A casa dos pais dele — me passou o endereço e me fez um pedido — Samantha é a única coisa que eu tenho agora — aquilo me soou quase como uma suplica, mas nem era preciso, eu mesma estava suplicando pela vida daquela criança, tanto que esqueci da minha.

— Nós faremos o possível — afirmei e sai em seguida da sala.

***

Corri tão rápido pelos corredores da escola, que estava certa de que colocaria os pulmões para fora do corpo, pela boca.

— Oi, a Johanna Beckett Castle — me identifiquei e solicitei pela minha filha.

— Uma moça esteve aqui e a levou — agora podia jurar que meu coração era que estava me deixando, através da boca.

— O que? — disse um pouco agressiva, mas já beirando o desespero — Como é possível? Eu sou o contato emergencial dela. Eu sou a mãe.

— Como a senhora demorou, acionamos o outro contato emergencial dela.

— E quem seria? — questionei atônita.

— É — a mulher olhou no cadastro — Alexis Castle — respirei aliviada, mas ainda me culpando sobre o ocorrido.

— É a irmã dela, obrigada — mais uma vez corri até o carro e me dirigi ao hospital onde Alexis trabalhava.

Quando cheguei e encontrei Alexis alimentando a irmã, foi um misto de sentimentos, até então estava angustiada e com medo de que qualquer coisa de ruim pudesse acontecer com a minha pequena, mas ela estava lá, segura e em plena sintonia com a irmã. Estavam comendo, conversando e brincando. Nesses meses todos, pouco tinha sido meu contato com Alexis, já que agora ela não morava com o pai e dormia na casa dele apenas alguns dias da semana. De qualquer forma aquilo me aqueceu o coração. Quando descobri que estava grávida, minha relação com ela evoluía constantemente, estávamos cada vez mais ligadas e eu mentalizava que Johanna fosse tão parecida com a irmã, o que deu completamente certo. Então, vê-las juntas, despertou o melhor de mim. Então me aproximei das duas.

— Será que tem lugar para mais uma nessa mesa?

— Ah, Kate! — exclamou surpresa.

— Alexis — a cumprimentei.

— Mamãe! — Johanna pulou da cadeira e me abraçou saudosa. Estava tão linda, all-star branco e o uniforme da escola, uma saia xadrez que unia lilás com rosa e um laço na cabeça.

— Oi bebê, senti sua falta — acariciei sua barriguinha.

— Eu também, mamãe. A Lex estava me ensinando matemática — disse animada.

— E eu tenho uma ótima aluna! — sorriu e me convidou para sentar de vez.

— E essa aluna, por um acaso, deu muito trabalho? — sorri inconformada e ela notou.

— Tudo bem, Kate. Acontece com as melhores. Ao menos não foi como a minha mãe que me esqueceu na área de recreação do shopping — rimos juntas e a tensão ia se esvaindo gradativamente.

— A tia Mer? — Johanna estava mais atenta do que esperávamos e nos perguntou com os olhos arregalados.

— Hei mocinha, isso não é assunto para crianças — apertei a pontinha de seu nariz com o dedo indicador.

— Isso não é conversa para crianças — imitou minha voz e revirou os olhos.

— HEEEI — estendi a chamativa.

— Eu gosto da tia Mer — levou uma batata frita até a boca.

— E quem não gosta — respondi enciumada.

— Ela não sabe o que fala, mas você? — Alexis riu, estava mais descontraída do que o normal.

— O que há, é sua mãe, eu não posso ser uma ordinária.

— Tudo bem. — falou aos risos e notei que seu Pager anunciou uma nova cirurgia, um novo coração a ser transplantado — Garotas! Eu preciso ir, mas sempre que precisarem da super irmã, ela pode aparecer, está bem, mocinha? — beijou a bochecha da irmã.

— Tá bom — Johanna gargalhou e devolveu o beijo com a mão gordinha — Tchau Lex.

— Tchau, meu mini amor – retribuiu o beijo no ar.

Lembrei do tanto que escondi a gravidez e depois a irmã, neta, filha, de sua família. O quanto de amor evitei que ela tivesse. Mas tudo bem, foi um erro e nós estamos corrigindo, sempre evoluindo. Buscando o melhor para o centro dessa história toda.

— Mamãe, eu fiquei com medo — confessou.

— Medo do que, Jo?

— Que você me deixasse de novo – uma arrepio dolorido atingiu meu corpo todo, como se eu não fosse conseguir recobrar o ar nunca mais. Ela tinha medo. Ela sofria por isso. Como eu pude?

— Ei! Escuta o que a mamãe vai dizer! – segurei em suas mãos com toda a força do mundo, a prendendo a mim e, ela acenou positivamente — Nada, nada, nadinha vai nos separar. Nunca mais vamos nos afastar. Você entendeu? — concordou com a cabeça.

— Mas mamãe, mesmo se eu tirar nota baixa, pedir café pela manhã, me mexer demais na cama e molhar o chão da sua casa, mesmo assim você não vai me devolver? — disse tremula. Era uma confissão e tanto.

— Mesmo que tudo isso aconteça, eu nunca vou deixar você, bebê. A mamãe está aqui! — se aconchegou no meu colo e recostou sua cabeça em meu ombro — Não precisa ter medo de nada. — a abracei com força. Enquanto ela se agarrava a mim com toda força existente em seu corpo e a sua tremedeira ia cessando. Retirei a corrente do meu pescoço — Esse anel, aqui na ponta — ela olhava para mim e para o colar — era da minha mãe, eu uso porque ele me dá a sensação de que ela estará sempre comigo, onde quer que esteja. — me encarava com seus lindos azuis, sem entender muito bem o motivo daquilo — Agora ele é seu! — coloquei a presilha que o prendia no menor circulo do colar, o adequando ao tamanho de seu pescoço e, em seguida posicionei o colar com o anel da minha mãe, na minha filha.

— É lindo, mamãe — disse com voz baixa e tremula, mexendo no anel, como eu mesma fazia.

— E é seu. Pra você saber que eu sempre estarei sempre por perto.

— Eu te amo, mamãe — meu coração estava certo de que não poderia mais permanecer no peito, era um lugar pequeno demais para tanto sentimento.

— Eu também te amo, bebê.

— Infinito, mamãe?

— Infinito!

***

— Eu levei um susto, hoje.

Um silêncio pairou na linha, sucedido pela voz mais atraente do mundo — O que foi?

— Nossa filha — as palavras tomavam seu próprio rumo e eu pude ouvir ele engolir a frase a seco.

— O que ela aprontou dessa vez? — estava dormindo, só podia.

— Eu te atrapalho? — perguntei depois de ter iniciado o diálogo.

— Você sabe que nunca me atrapalha — essa foi a minha vez de engolir palavras a seco — ao menos que a intenção seja menos do que inflar meu ego.

— Não continue se achando, PEB — caminhei em direção ao quarto de Johanna e encostada no batente da porta, a fiquei admirando dormir.

— É bom que tenha aprendido a sigla do que eu realmente sou, um Pai Extremamente Bonito.

— Claro que é.

— Eu sei. Mas você ia me contando que levou um susto. O que temos por aí?

— Um medo imenso de que eu suma.

— Ele sempre esteve lá, mesmo quando não existia uma figura física de você, ela tinha medo que você nunca aparecesse ou desse uma de Harry Potter com sua capa da invisibilidade. Aparece, some, aparece, some.

— Cas... — novamente as palavras tinham vontade própria — é um medo palpável. Como posso não decepcioná-la mais? Eu tenho medo de dar um passo qualquer e machucá-la.

— Você não vai. Você é a mulher mais extraordinária que eu já conheci, detetive.

— E você conhece muitas — o provoquei.

— O suficiente — devolveu.

— Que seja — não podia mais lidar com a minha própria provocação.

— Você é excelente com ela. Apenas seja você e será um grande feito.

— Eu tenho o hábito de afastar as pessoas que amo — sim, foi uma indireta.

— Mas você não pode esquecer que a Johanna também é uma Castle, ela nunca vai deixar você afastá-la de si. É uma antiga tradição de família, nunca deixar os Becketts correrem para longe.

— Não é como se corrêssemos — sorria de forma incoerente.

— Eu não posso ganhar essa, né?

— Definitivamente não.

— E que tal um jantar?

— Você já teve êxito com melhores tentativas, Castle — tentei me esquivar.

— Eu tenho mais uma chance?

— Quem sabe. Boa Noite, Castle.

— Até amanhã, detetive.

Entrei no quarto de Johanna e coloquei dois dólares abaixo de seu travesseiro, a beijei, a cobri e segui o caminho de volta para o meu quarto. Me deitei e contemplei as dezenas de possibilidades depois desta incrível noite.

***

— Não foi não, papai — disse coçando os olhos.

— Obedeça a sua mãe, abelhinha.

— Mamãe, vem aqui — acenou com a mãozinha.

— Eu estou completamente imersa na sua mochila, mocinha. Agora não vai dar.

— Mamãe! — foi firme, eu diria até que foi mandona.

— Tudo bem, tudo bem, garotinha.

— Mamãe, eu estou dando trabalho? — apontou para a tela do iPad, onde falava com o pai.

— Definitivamente não. O seu pai faz mais isso do que você.

— Eu deveria me sentir ofendido, detetive.

— Papai, você é uma criança! — Johanna gargalhava.

— O que, até você? Duas contra um, isso não pode ser justo.

— Hm, logo você falando em justiça? Criança! — eu e Johanna fizemos um toque de mãos especial e ele fingiu estar ofendido, como sempre.

— Onde está a minha abelhinha? Aquela menina doce que nunca ia contra seu pai.

— Papai!

— Pois é, eu devo ser corruptora de crianças indefesas.

— CASTLE!— uma voz manhosa o chamou, parecia vir do banheiro do quarto gigantesco em que ele estava. Neste momento eu estava na cozinha e encarei a conversa deles com tamanha atenção que pude perceber Johanna reconhecendo a voz que estava do outro lado.

— Tia Gina – ela chamou animada.

— A tia Gina não pode agora, abelhinha, mais tarde vocês se falam.

— Ela está dividindo o quarto com você, papai? – disse de forma inocente e um soco atingiu meu estômago.

— Mocinha, eu acho que já chega de interrogatórios, não é mesmo? – Cheguei à sala, demonstrando, talvez, um pouco de amargura pelo que estava ouvindo.

— Está tudo bem, Kate. Nós estamos dividindo sim, abelhinha. Mas não se preocupa, a cama é grande. – ele disse de forma provocativa e, eu tive a certeza que a intenção foi de me atingir. A Johanna? Ela entendeu como devia, que eram amigos dividindo a cama.

— Eu aposto que sim, Castle. – disse tentando controlar a voz tremula – Agora vamos, mocinha, nós temos um dia de deveres escolares.

— Tchau papai. Eu amo você! E manda um beijo pra tia Gina – levou a mão até a boca e encaminhou o beijo.

Notas finais
Até o próximo!