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26 Vigésima Sexta Parte.


Notas iniciais
Amores! Não demorei, não é mesmo? O capítulo está apaixonante, mas assustador. Estamos caminhando para o local em que pretendo chegar. Espero que gostem.

— Foi um choque descobrir a maneira que a sua mulher sustentava a sua família, estou certa senhor Parker?

— Muito mais importante que isso é a Samantha.

— E ela estava preocupada com a Samantha nos últimos tempos?

— A Sarah estava nervosa nos dias que sucederam sua morte, ela disse que faria algo e que nós deveríamos sair da cidade, ir para a casa dos avós da Sam, qualquer coisa. Eu tentei insistir, porque veja bem, mesmo em choque, a Sarah é minha, era... – ele gaguejou.

— Senhor Parker, a Sarah alguma vez sofreu algum tipo de ameaça?

— Não, não que eu saiba. Mas eu não sabia de muita coisa – disse com um certo tom de mágoa na voz.

— Quanto às agressões sofridas por Sarah?

— Eu não gostava do ex-marido dela e muitas vezes cheguei ao extremo por isso, eu não nego, já bati em Sarah. Mas, as coisas mudaram, a Samantha é como uma filha pra mim, eu às cuidei como faço comigo, isso não se repetiu mais desde que fiz tratamento.

— Dependência química?

— Álcool.

— Como imaginei. – suspirei pesado e repassei rapidamente os tempos em que meu pai se perdeu em uma correnteza de bebidas — Tudo bem, eu vou pedir que o senhor não saia da cidade e que se notar algo estranho se dirija à DP. Quanto à segurança da Samantha, estamos disponibilizando dois policiais para montarem guarda em sua casa.

— Está certo detetive – disse já erguendo o corpo da cadeira e a fazendo ranger – A Sarah era uma boa pessoa e eu a amava muito.

— Não tenho dúvidas – tentei transmitir credibilidade.

— Eu deveria me preocupar? – os olhos atônitos com os últimos acontecidos gritavam.

— Nós ainda não sabemos com o que estamos lidando, mas eu o mantenho informado – não poderia lhe passar muitas informações.

***

Apesar das dores de barriga constantes, ao que parece nunca reparamos nas possibilidades disso. Estávamos tão preocupados conosco e com a saúde mental de Johanna, que deixamos passar algumas coisas. Mais cedo, naquela tarde, eu recebi um telefonema da escola que dizia que depois de uma tosse repentina e a falta de apetite na hora do lanche, minha filha eliminou tudo que estava em seu pequeno estômago em uma única golfada.

Transtornada eu fiz o percurso que me levaria até o hospital da pior maneira possível. Todos os momentos em que vivenciei com Castle, a adoção de Johanna e tudo que veio a seguir dançava em frente aos meus olhos enquanto o sinal vermelho insistia em permanecer a me assombrar. Velozmente, desconsiderei todas as leis de transito que conhecia e dirigi até o local, ouvindo repetidas vezes a mensagem emitida pela caixa postal de Castle.

— Droga, atende Castle! – esmurrei o volante, aquela foi a forma que encontrei de descontar minha frustração por ser uma péssima mãe.

Em apenas alguns dias, eu consegui fazer com que minha filha estivesse internada em um hospital. Aquela constatação foi como se um soco atingisse meu estômago, eu tentava não fraquejar perante toda situação que me foi posta, mas era uma tarefa impossível de se cumprir. Cortei caminho e a aflição me tomava por completa. Não recebi muitas informações e naquele momento estavam revirando minha pequena do avesso, a fim de encontrar o motivo do ocorrido.

— Olá, eu preciso de acesso à Johanna Beckett Castle – uma moça calma e bem afeiçoada me atendeu. Conferi o que ela buscava e notei que era o nome que forneci. Enquanto o toque das teclas ecoavam, eu balançava as pernas e friccionava as mãos que à esta altura já estavam além de tremulas.

— Desculpa senhora, mas em nossos registros Johanna consta cadastrada em nome de Richard Castle e Martha Rodgers. Que por sinal já foram contatados.

— Inferno – me exaltei – mais essa agora. – sussurrei e respirei fundo – Martha está em Londres para uma peça. Castle está a caminho?

— Infelizmente não temos essa informação.

— Ela é minha filha, e está só – falei quase que em um suspiro dolorido – ela tem apenas 7 anos.

— A senhora tem algum documento que comprove isso?

— Não, nada aqui comigo. – respondi abalada por toda a situação. Afinal, o que esperar? Meu nome não estava registrado no hospital. Eu nunca fiz parte disso.

— Eu sinto muito, mas são nossas normas de segurança. – ela realmente parecia se convalescer com minha situação, mas regras, as malditas regras. Antes da NYPD nunca fui muito adepta a elas.

— Eu preciso ver ela – tentei já esmorecendo e deixando algumas lágrimas preencherem meus olhos, mas não transbordarem para fora daquele espaço. Enquanto tentava explicar à educada e elegante moça sentada à minha frente que eu era mãe de Johanna mesmo que isso não constasse nos registros hospitalares dela, Castle apareceu abalado, caminhando por um corredor rumo à uma lixeira, não pude deixar de notar – Castle! – gritei soltando todo ar que estava em meus pulmões.

— Senhora – a moça me chamou atenção.

— Kate – respondeu completamente desarmado se dirigindo ao guichê — A Johanna... – falou quase sem forças.

— O que ela tem? — ali, todas as coisas ao redor, incluindo o balcão e a moça atenciosa desapareceram, era como se um buraco se abrisse abaixo de meus pés.

— Não sabemos ainda, os exames continuam – suspirou e desviou um pouco o olhar – a estão revirando em busca do motivo. Ela cochilou e eu aproveitei para vir buscar um café – me explicou.

— Eu estou com problemas – informei já sem coragem.

— O que houve? – preocupou-se.

— Meu nome não consta nos registros hospitalares de Johanna – apontei para a recepção indicando o guichê.

— Eu sinto muito – dirigiu-se ao balcão e incluiu meu nome no documento me autorizando a circular pelo ambiente caso Johanna esteja nele.

— Obrigada – agradeci, em seguida pedindo pelo quarto dela. Ele, gentilmente me guiou em meio a um silêncio que me causava mais dor. Ensaiei algumas possíveis frases como: "Eu não queria que isso estivesse acontecendo", mas não obtive sucesso.

***

— Mamãe, você demorou – ela disse erguendo a mãozinha perdida em fios que a ligavam em um soro e a alguns equipamentos de monitoramento. Estava muito mais abatida do que pela manhã quando nos despedimos carinhosamente. Os olhos pequeninhos e a boca seca. Meu coração se quebrou em vários pedacinhos.

— Oi bebê, a mamãe está aqui agora e não vai sair mais – caminhei até ela, beijei sua pequena e pálida mãozinha e senti um tom gélido ali – Você está com frio? – perguntei.

— Não mamãe. – disse com a voz travando – Eu tô forte – disse tentando um sorriso.

— Hei, e essa porteirinha aí? – Castle se aproximou tentando animá-la ao falar do dente perdido.

— Nós o perdemos nesses dias – respondi já sentando no lado esquerdo da cabeceira da cama, acariciando os cabelos da minha garotinha.

— E nem deu tempo de a fada do dente nos visitar, papai – Castle sentou-se no outro lado da cabeceira.

— Mas ela vai, ela não costuma esquecer das crianças boazinhas – ele me encarou com um pesar na voz. Sustentamos uma troca de olhares que nos permitia ler um ao outro. Palavras não se faziam necessárias. Fomos interrompidos porém, pelo médico responsável pelo caso, a placa identificadora pregada no bolso superior de seu jaleco indicava que o chamavam de Vausemann.

— Senhor Castle, senhora Castle – acenou com a cabeça – Eu sou o doutor Vausemann responsável pelo caso dessa bonequinha aí – confirmou seu nome, nos cumprimentou, apontou para Johanna e acabou por me deixar completamente sem jeito perante à chamativa. Ignorei pois a saúde da minha filha estava em primeiro lugar — Nós podemos ir lá fora um instante?

— Claro – Castle respondeu.

— Filha, — olhei para Johanna – nós vamos ali fora por um minuto está bem? – ela acenou com a cabeça quase entregue ao sono.

Fui sucinta, mas tentei disfarçar o temor que me perseguia — O que temos aqui? – perguntei.

— Um apêndice inflamado.

— Foi alguma coisa que eu fiz?

— Kate! – Castle tentou me acalmar.

— Nós não moramos juntos – fiz um gesto entre mim e Castle – e eu estava responsável por ela neste final de semana — tropeçava nas palavras – foi algo que eu fiz? – Ele compreendeu a minha apreensão e tentou estabilizar meu quadro emocional.

— Veja bem, – ele introduziu a explicação – a apendicite em crianças é extremamente incomum, ela se desenvolve entre 48 e 72 horas e mesmo nós médicos – sorriu humildemente – demoramos a conseguir identificar esta patologia. Então, respondendo à sua pergunta, não, não foi algo que você fez.

— Está tudo bem, Kate. – mesmo assustado, Castle me sustentava – Quais são os procedimentos doutor?

— O tratamento da apendicite consiste na cirurgia para remover o apêndice, senhor Castle.

— Não existe algo que possa evitar a cirurgia? – disse temerosa.

— Infelizmente não, senhora Castle. A cirurgia precisa acontecer ainda hoje. Os exames dela estão ótimos e ela está pronta para o procedimento. Nós precisamos apenas da autorização dos pais.

— Tudo bem, eu cuido disso – Castle se propôs.

— Rick, você não precisa – me dispus a resolver a questão burocrática.

— Descanse, Kate, nós temos longas horas pela frente.

— Tudo bem, vamos lá senhor Castle?

Enquanto ele explicava o procedimento para Castle, eu voltei para junto da minha filha.

— Oi garotinha.

— Oi de novo, mamãe – ela coçou os olhos.

— A mamãe precisa conversar com você. – sentei ao seu lado e ela me deu atenção – O doutor Vausemann disse que você vai ficar boa logo, mas antes vai precisar passar por um tratamento.

— Que tratamento, mamãe?

— Uma operação – ela voltou os olhos aos meus, ela era muito esperta e mesmo eu tentando amenizar a palavra “cirurgia”, entendeu.

— Uma cirurgia, mamãe?

— Sim, meu amor. Ele vai fazer um buraquinho pequeno aqui – apontei para a barriga dela mostrando o local aproximado – tirar o machucado e costurar. Depois de um tempo, você vai ter uma marquinha como essa – mostrei uma marca que eu tinha no pé, uma cicatriz de um machucado de infância.

— Ual, mamãe – achou incrível.

— É isso mesmo, só garotinhas fortes têm dessas – sorri tentando passar confiança.

— E eu vou ter – sorriu radiante e por alguns segundos me fez esquecer todos os riscos de um procedimento cirúrgico.

— Vai sim. Vai dar tudo certo, bebê. A mamãe vai estar com você o tempo todo.

— Promete?

— Sempre.

Uma longa noite, de longos e tortuosos dias estava por começar.

Notas finais
Comentem!!!