You came back
7 Sétima Parte
Notas iniciais
Quando eu havia me tornado tão vulnerável? Era só o que me assombrava os pensamentos nas duas – quase três — últimas semanas. As coisas iam bem, Castle estava no quarto, ainda sedado, pois seu quadro ainda era muito instável e ele precisava de determinada observação. Eu já não estava afixada naquele hospital, mas agora as coisas pareciam ter mudado.
– Você precisa saber a hora de parar – Lanie afirmou ao telefone.
– Eu não posso, não agora. Lanie, se eu deixar as coisas como estão, as provas podem se perder e tudo se tornar ainda mais difícil.
– Eu não vou conseguir te convencer, não é?
– É. Não. – Pontuei – É que...
– Estou te ouvindo, mas antes de prosseguir com o que você vai dizer, é bom que saiba que o Castle não vai gostar nada disso quando acordar.
– Lanie, você pode parar? – perguntei enquanto erguia a corrente na qual o pingente era o anel de minha mãe.
– Eu estou parada.
– E se eu disser que eu sei o que está acontecendo com você? Ah qual é Kate, você achou que poderia esconder de mim? Eu sou sua melhor amiga, garota.
– Hm. E o que está acontecendo comigo, sra. sabe tudo? – Falei sentido um arrepio percorrer meu corpo fazendo-me congelar e meus músculos tencionarem.
– Você está precisando sair garota! Ah, que isso! Há quanto tempo você não vai ao cinema? A um restaurante? Vamos fazer assim, esse final de semana eu estou de folga e vou aí ficar com você.
– Tudo bem, senhora engraçadinha. Você sabe que sempre será bem-vinda por aqui. Vou desligar, Lanie. Eu preciso ir. – Senti meu corpo relaxar de maneira automática.
– Kate... – ela pausou — eu quero que você fique bem.
– Eu estou bem, Lanie. E – ponderei – está tudo bem. Só que, Lanie, eu preciso ir. – desliguei antes que minha amiga entendesse o que estava se passando e passei a fitar o anel pendurado ao colar.
Não, eu não estou com medo, é só que... medo, você está com medo Kate Beckett – fiz um alerta mental. Definitivamente não é um bom momento para isso. “Kate, não há um momento certo”, lembrei-me das palavras de Castle e voltei a ingerir o meu fiel companheiro de noites em claro, o café.
Dirigi-me até o banheiro da espaçosa casa, onde eu estava vivendo sob o mesmo teto que as ruivas, e finalmente segurei firme naquele objeto que me traria a resposta de dias sem me saciar de algo sólido. Segui todas as etapas e confortei-me ao notar no visor do teste de gravidez uma resposta negativa. Até pensei em fazer mais algum teste, talvez outra marca, mas estava claro, eu não estava grávida. Foi definitivamente um alarme falso e eu não deveria mais me preocupar com aquilo. Mas e agora? Tudo parecia um pouco mais vazio e aquilo me invadia cada vez mais. Estava tentando me habituar com a ideia de que possivelmente eu seria mãe, afinal, convivi um mês com essa dúvida.
Estava tornando-se rotineiro pensar que Alexis ganharia um irmão ou irmã – ponderei – Martha um neto e Castle, ah... – suspirei – Castle ganharia mais um membro em seu castelo. Perguntei-me o motivo da frustração, da decepção se eu realmente não queria um filho, não agora. E mesmo a resposta estando clara em minha frente, eu parecia estar perdida em um nevoeiro e não compreendi o que a minha reação com aquele decepcionante resultado quis me dizer. Senti-me ridícula depois daquele exame; em duas semanas, completaria 3 meses. Era o tempo em que eu e Castle não tivemos contato íntimo. Como seria possível? — Uf — Idiota – pensei balançando a cabeça negativamente. Terminei de me vestir, pegando documentos, bolsa e papeis do caso de Castle, e saí depressa para o hospital. Qualquer coisa que me fizesse esquecer essa corda bamba em que eu me encontrava.
Dirigi até o hospital pensando que a única coisa que eu precisava naquele momento era o colo de meu pai. Jim Beckett era ótimo em lidar com perdas e, nos últimos tempos, eu estava perdendo tudo o que mais me importava. Além de, claro, o rumo. Era como se meus planos estivessem indo por água baixo, escoando por entre meus dedos. Respirei fundo ao constatar que meu pai viria na próxima semana. Os compromissos de meu pai com uma nova filial do escritório estavam fazendo com que ele se ocupasse de maneira exacerbada. Mas eu sabia que tudo que ele mais queria, assim como eu, era me encontrar e me dizer que tudo iria ficar bem. Esse era Jim Beckett.
Cheguei ao hospital cerca de duas horas da tarde e Martha veio rápido ao meu encontro, tentando disfarçar seu desapontamento, mas não foi difícil de notar a tristeza que se fazia presente em seu tom de voz. Ela me contou sobre o estado do filho que poderia se prolongar por mais um mês, talvez mais – referia-se ao coma induzido. O quadro de Castle não era nada bom. Em alguns dias, os sinais vitais do meu namorado – corrigi-me mentalmente, noivo Kate, noivo — diziam que logo, logo, ele estaria conosco novamente, mas em outros momentos, tudo nos levava a crer que ele nunca mais estaria circulando livremente por aí. O quadro clínico de Castle era uma roleta russa, ninguém sabia como iria ser e o que viesse poderia desacreditar-nos ou nos fazer acreditar ainda mais em sua melhora.
***
O final de semana com Lanie finalmente chegou e, – não saberia se era certo agradecer ou não, — seguimos o cronograma estipulado por minha amiga. Ela fazia jus à sua função, definitivamente poderia estar em vários lugares ao mesmo tempo.
– O que? Você tem um relógio do tempo ou algo do tipo? – questionei ao ouvir tudo que ela havia feito para cumprir com o compromisso comigo.
– Kate querida, eu estou aqui, não estou? Não reclame! Então – pausou — eu sabia que pessoalmente você não teria como escapar – perguntou-me enquanto ingeria uma taça de vinho – O que você tem pra me contar?
– Eu só... achei que estava grávida – falei de forma rápida, tropeçando nas palavras e fixando-me ao cardápio para encobrir a vergonha que estava sentindo.
– O que? – a reação de Lanie foi engraçada – E quando você estava pensando em me contar? Você sentiu algum sintoma? Seus peitos, eles cresceram? Doeram? – Disparou milhões de perguntas que me fizeram pensar.
– Lanie! – chamei atenção – eu pensei estar grávida, PENSEI.
– Ah garota! Eu sinto muito!
– Não sinta – disse já degustando um prato de macarrão, muito similar ao de Castle, por sinal – Eu não estava preparada – disse encobrindo a boca por estar com ela cheia.
– Tá bom Kate, vai me dizer agora que esse não seria um ótimo motivo para seguir em frente.
– Lanie! Eu vou seguir em frente e eu não preciso de um bebê pra isso. – Revirei os olhos – E como estão as coisas por aqui?
***
4ª semana:
O quarto de Castle recebia visitas em todos os horários. Principalmente aos finais de semana, quando todos vinham de Nova York para vê-lo. Eu o visitava em todos os horários em que não estava trancafiada em casa afogada em pistas ou afogada na tela daquele laptop, buscando respostas para as minhas investigações. Eu contava com a ajuda de Lanie e dos meus amigos da NYPD, ainda não me sentia à vontade para pedir algo para meus parceiros do FBI. Organizei-me em horários que me permitiam concentrar 100 por cento em Castle, sua recuperação e na investigação, o que não foi muito difícil tendo Martha e Alexis por perto. Quatro semanas que estávamos nessa. Duas semanas no UTI e duas no quarto no quarto. E quando estimei que tudo estava bem, é que a vida veio e mais uma vez me pôr a prova.
Céus! Havia recebido um chamado para retornar ao trabalho, uma semana tinha se passado, semana essa que parecia anos. Eu sabia que em algum momento teria que voltar à minha rotina normal, assim como Martha e Alexis teriam que fazê-la, mas definitivamente eu não estava preparada. Eu não tive tempo para isso, não tive tempo para me preparar. Tempo para me preparar para viver sem ele.
Enfim, era isso, ao menos por enquanto, eu teria que viver sem ele. Não diga bobagens Katherine Beckett, ele está aqui, vivo. Condenei-me. Sempre que pensava em Castle era como se ele já não estivesse mais ali naquela sala. Como se não estivesse respirando. Vivo. Ele está. Fiz uma nota mental para nunca esquecer que Castle não havia me deixado.
Havia passado umas horas desde que soube que teria que voltar ao trabalho. Não podia recusar. Agora mais do que nunca tinha que pagar as minhas despesas e as de Castle também. Por mais que eu soubesse que Castle não precisava, pois tinha plano de saúde, e mesmo aquelas despesas em que seu plano não cobriria, ele tinha como arcar com os custos. Ainda assim, mesmo sabendo de tudo isso, eu queria poder ajudar em alguma coisa. Eu ainda me sentia culpada por tudo que aconteceu e o ressarciria de alguma forma.
Se ao final de tudo, Castle não me quisesse mais por perto, eu entenderia e aceitaria. Já estava começando a pensar nessa possibilidade.
Voltei à sede do FBI. Todos me encaravam com um olhar de piedade. Quando pisei naquele ambiente, eu só me questionava sobre como manter o foco para que um bom trabalho continuasse sendo feito. Era o que eu havia me proposto a fazer e seria o que eu faria. De alguma maneira, colocaria o lado emocional para escanteio e direcionaria toda a minha atenção – ao menos enquanto estivesse ali – para o trabalho. A próxima semana então seria de reabilitação. Para mim e, se qualquer força maior quisesse, para Castle.
Durente os dias de trabalho aproveitei-me do sistema do FBI, usei de algumas amizades, e prossegui com a investigação do incidente com Castle. Tudo sem levantar muitas suspeitas. Se me vissem investigando eu nem sei o que poderia acontecer. Por isso, com apoio de alguns, eu pude prosseguir. Nada me faria desistir. Ainda mais agora que havia encontrado uma pista, um pouco fora de alcance, para mim, mas não para os meus amigos da 12ª.
E assim estava a minha vida, dividida entre hospital, família – isso era sobre aquele laço que comecei a construir no início de tudo isso com Martha e Alexis – e meu trabalho.
Finalmente meu pai havia chego a DC e uma das primeiras tarefas das muitas de que se incumbiu foi visitar Castle. Tomamos um café no refeitório do hospital, onde aparentemente todos já me conheciam, como se eu fosse uma parte que compunha aquele recinto. Conversamos um pouco e finalmente me abri para o meu pai. Mesmo sendo extremamente difícil, ele conseguiu fazer com que eu aceitasse seus conselhos e principalmente o seu ombro amigo. É isso. O meu pai é o meu grande amigo. Sempre agradeci por isso. Hoje mais ainda.
Meu pai ficaria por ali por uns dias a mais, provavelmente até o final da semana. Ele conseguiu liberação do escritório e eu o agradeci muito por sempre estar comigo, recebendo um olhar cúmplice e acolhedor. A maior parte dos dias, meu pai passou ou comigo no hospital, trabalhando em algum café — perto do hospital — ou em nossa casa pedindo simploriamente que eu me afastasse disso tudo — o caso.
***
5ª semana
Uma semana trabalhada e Martha me ligou no meio do expediente. O quadro de Castle estava estável, estável a ponto de poder ser transferido. Em cinco semanas, o meu mundo havia desabado duas vezes. A primeira quando todo esse pesadelo aconteceu e a segunda agora. As coisas ocorreram tão rápido que não tive tempo de imaginar que isso aconteceria. Claro. Como poderia não acontecer? Primeiro que em NY estão os melhores médicos do mundo, inclusive os médicos de Castle. Segundo que lá ele estaria cercado de amigos e pessoas que zelariam por seu bem-estar, comodidade, conforto, segurança e felicidade. Coisa que eu não poderia fazer estando aqui, me dividindo entre o trabalho e os cuidados com ele. Igualmente, Alexis e Martha também tinham seus afazeres, também tinham uma vida, que estava em Nova York.
Por fim, eu certamente não poderia segurá-lo aqui e novamente me vi em uma escolha. Castle ou esse emprego? Recorri à única pessoa que me ouviria sem ousar me julgar.
– Oi – sentei à mesa do café onde ele havia ficado nos últimos dois dias em DC.
– Katie... –encarei-o com um olhar de súplica. Eu não sabia a quem recorrer e certamente meu pai me faria, se não me ajudar a resolver, pelo menos me sentir melhor.
– Está tudo tão confuso. Nesse momento era para estarmos casando. No entanto...
– Katie – ele pausou. Ao que tudo indicava, falaria duras palavras agora – quando perdi sua mãe, eu quis muito poder voltar atrás, voltar algumas horas antes de tudo acontecer, e não pra impedir de acontecer, até porque talvez eu não pudesse. Eu queria ter estado lá, para dizer pra ela o quanto eu a amava. O quanto me arrependia de não ter estado com ela em momentos que precisou. Eu queria ter a oportunidade de estar lá com ela quando acordasse. Mas isso não aconteceu, ela não acordou. – meu pai chorou. Eu nunca mais vi lágrimas naqueles olhos, nunca mais desde que minha mãe morreu. Eu senti tudo o que ele tentou me passar com aquelas palavras. E eu posso fazer diferente do meu pai, eu posso estar lá quando ele acordar.
Era claro, só não queria admitir, que eu prezava mais por ele do que por meu emprego. Eu estava do jeito que nunca quis estar, dependente de Castle. Do seu amor, do seu ar, de tudo que dizia respeito a ele.
Terminei a conversa com meu pai e andei por alguns minutos em um parque que estava próximo ao café. Estiquei as pernas e inalei ar puro – como me fazia falta. De forma concentrada, eu refletia a respeito de tudo que o meu pai disse. Eu não queria deixar a culpa se sobressair. Então precisava pensar livremente, sem nenhum tipo de influência que não fosse as palavras ditas por meu pai. E assim o fiz. Depois de algum tempo por ali, resolvi conversar com aquela que sempre teria uma palavra certa, no momento certo. E não houve muito a ser dito.
– Olha, eu posso comprar sua passagem se você quiser.
– Minha passagem?
– Ora, vamos lá garota, não me diga que você não virá para casa?
Por um instante eu fiquei ressabiada ao ouvir a palavra “casa”, mas aquela era sim a minha casa. O meu lar. E daí que as coisas não saíram como planejei? Ainda tinha a chance de fazer as coisas darem certo. Eu poderia, não é? Minha resposta foi tão espontânea que me espantei.
– Não seja ridícula, Lanie. Claro que vou. Mas compro minha própria passagem.
– Você já tomou as providências? – referia-se a Castle e todas as dificuldades que envolviam uma transferência.
– Já estão tomadas. Estamos falando de Martha Rodgers – Pude notar Lanie rindo no outro lado da linha – Não ria! Você não sabe o quão autoritária minha sogra é – gargalhamos juntamente.
O silêncio durante a chamada se prolongou no limite de uma conversa normal. Pensei por um momento que a linha tivesse caído, só então eu a chamei de volta.
– Lanie, você está aí? – Pedi.
– Estou garota. Eu prometo que vai ficar tudo bem por aqui, Kate. Vocês serão ótimos.
– Obrigada.
– Sempre garota.
– Eu vou indo – finalizei.
Não precisei pensar muito depois que ouvi aquelas palavras de meu pai e depois, as de Lanie. Corri para casa acompanhada de meu pai e empacotei algumas coisas que considerava importante levar e fiz as malas. Liguei para minha prima Sofia, que alugava meu antigo apartamento e pedi que ela o liberasse em alguns dias. De todas as decisões que já tomei, essa era a que tinha mais certeza.
***
Os últimos dias estavam uma bagunça. A transferência de Castle ocorreu de maneira complicada. Como sempre, as coisas saíram de controle por um tempo e achei que perderia Castle de vez. Mas fora isso, estávamos lá, mais uma vez em processo de readaptação.
– Finalmente em casa – disse ao soltar a alça de uma das malas que portávamos, eu e meu pai.
– Enfim, querida – alcançou-me depositando um suave beijo em minha testa – como você se sente? – meu pai soou preocupado.
– Bem – me esforcei para retribuir o sorriso que ele tinha no rosto. O momento foi interrompido pelo toque agudo do meu celular.
– Ah, oi Lanie – respondi apontando o desânimo em que me encontrava.
– Controle sua excitação garota! – Como sempre, vários questionamentos.
– Ah bom, é que... bem, acabei de chegar em NY, mais especificamente em casa – disse deslocando-me até a mesinha de centro e abandonando ali o molho de chaves.
– E Castle? – aquela era a pergunta que não havia me abandonado por cerca de um mês, um pouco mais – estava imergindo-me no tempo, prestes a ser totalmente engolida por ele.
– Concluímos a internação dele, mas eu precisava vir em casa descarregar as malas jogar uma água no corpo, a viagem foi extremamente exaustiva.
– Kate, você tem certeza que vai ficar sozinha por aí?
– Mr. Jim está por aqui, Lanie. Está tudo bem.
– Mas e Martha e Alexis, elas vão ficar bem sem você?
– Lanie! Elas não estão sem mim, pensa um pouco...
– Você entendeu espertinha.
– Não... claro que não.
– Kate, você está querendo dizer que conviveram durante um mês sob o mesmo teto e agora você sai assim, em um momento crítico desses?
– Lanie... é complicado. Eu... eu não sei.
– Tudo bem, só me prometa que vai pensar. E não vá pensando que vai escapar daquela conversinha. Kate, nós podemos fazer isso, não vai durar nem dois minutos e você vai saber qual é o problema com você. Se é que isso é um problema, o que eu duvido muito. – Ouvi Lanie resmungar ao telefone.
– Ok, ok, mais tarde nós conversamos, agora preciso de um banho e uma longa conversa com você sabe quem.
– Claro! Dessa vez você escapa, mas isso não vai ficar assim Kate.
– Está bem, sabe tudo – finalizei a ligação após um incessante suspiro.
***
– Lanie? – meu pai abeirou-se.
– É, e acompanhada de sua abundante curiosidade – suspirei.
– Quem sabe não seja esse o momento ouvi-la?
Revirei os olhos e finalmente iniciei o longo trabalho que teria por ali. Desempacotei alguns utensílios que haviam chego antes de mim e encontravam-se encaixotados. Muitos porta-retratos, alguns de meus pais, meus e alguns meu e de Castle – a maioria. Como estávamos muito distantes, essa era uma forma de tê-lo sempre comigo. Várias fotos dele pela casa. A família de elefantes que era de minha mãe e me acompanhava onde quer que eu fosse, e por fim alguns discos, revistas e os livros de meu autor favorito, Castle.
Levando em conta o número pequeno de artefatos que estavam comigo em Washington, o trabalho levou poucos minutos. Meu pai organizou o quarto e finalmente tudo estava lá, no lugar de onde nunca deveriam ter saído.
Fui ao banheiro pela primeira vez desde que voltei e encontrei tudo no lugar, como Sofia prometeu que seria. Despi-me e desprendi meu cabelo que estava preso em um coque. Caminhei até o box, o piso estava gelado sob meus pés descalços, o que fez com que meu corpo tremesse um pouco. Tentando manter minha mente nos novos desafios e pensando em como voltar para cá sem Castle, finalmente relaxei meu corpo.
Desde que essa confusão toda começou, notava que meu corpo reagia de maneira desordenada. Perdi peso, sentia-me cada dia mais debilitada e não via sequer a possibilidade de ingerir qualquer alimento sólido. Vivia literalmente de café. Voltar para Nova York teria lá suas vantagens, Lanie me obrigaria a comer e a cuidar mais do meu físico e emocional.
O marasmo tomou conta dos meus dias e nada que fizesse podia afastá-lo. Naquela tarde, tentaria organizar mais um pedaço de minha vida. Aos poucos, as coisas iam se ajeitando. As circunstâncias me trouxeram para cá e é aqui que eu devo permanecer, mesmo que o medo em determinados instantes me assombrasse. Estava perdida em pensamentos, mas precisei finalizar aquele momento relaxante. Vesti-me de forma adequada e finalmente desloquei-me para o local no qual vivi grande parte de minha vida. Onde tentaria montar mais uma parte desse caótico quebra-cabeça.
– Senhora, considerando que eu tive o maior número de casos encerrados enquanto estive nessa delegacia, eu acho que mereço um voto de confiança – conversávamos há alguns minutos e Gates parecia me entrevistar novamente como se não fosse apta ao cargo. Ou estava me testando. Eu realmente não sei.
– Veja bem, detetive, você precisará passar por uma bateria de exames e por todo o procedimento indicado para que não restem impasses quanto ao seu retorno. – Enfim, senti a tensão desprender-se de cada centímetro de minha alma.
Gates me aceitaria de volta. Retornaria ao local onde tudo aconteceu, onde Castle e eu nos conhecemos e nos apaixonamos. Estar em Nova York, ter o meu emprego, amigos e residência de volta só me faziam sentir ainda mais falta do convívio diário com Rick. Mas tudo se acertaria – pensamento frequente nas últimas semanas. Mas uma coisa era certa: Como senti falta de tudo e todos em NY.
– Obrigada, capitã – apertei sua mão em sinal de agradecimento.
– Ah, que isso, detetive, agradeça fazendo o seu trabalho com excelência, como sempre o fez – Sorriu aparentando compaixão e prosseguiu... – afinal, você tem o maior número de casos resolvidos nesse departamento. – finalizou mudando o rumo da conversa — E o senhor Castle?
Expliquei para ela como as coisas estavam se conduzindo, finalizando nossa conversa e me encaminhando para o hospital. Finalmente encontraria Castle novamente. Precisava contar para ele as novidades. Atualizá-lo das coisas, como estava fazendo desde que comecei a visita-lo.
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