Notas iniciais
Primeiramente eu gostaria de pedir desculpa pelo atraso no capítulo, minha beta está realmente MUITO ocupada, mas de qualquer forma acredito que ela voltará para os demais. Esse, eu recebi a ajudinha para betar, de uma amiga muito especial, autora de Endless Love, a fic mais fofinha dos últimos tempos. O capítulo cheio de novas tormentas. Espero que gostem.

***

Cheguei ao hospital e encontrei Martha, Alexis e Pi, como habitualmente acontecia. Martha encontrou-me como se estivesse surpresa por me ver ali. Mas afinal, havia sequer passado pela cabeça dela que eu os abandonaria mesmo?

Informaram-me dos novos horários de visita – nada flexíveis – e conversamos um pouco, como habitualmente fazíamos. Parecíamos mais uma família aguardando notícias do seu ente querido. Éramos isso e eu não poderia mais fugir. Não queria.

Por fim, Castle estava quase que sem nenhum sedativo e, novamente seria alvo do experimento médico. Seu quadro como sempre – depois de tanta oscilação – parecia estável e eles tirariam os sedativos. Para isso ele voltaria à UTI, para garantir que nada de ruim pudesse acontecer e, se acontecesse por lá ele teria a assistência necessária para isso.

Concordamos com tudo o que os médicos disseram, mesmo sem entender muito bem. A verdade é que já entendíamos sim. Estávamos habituadas a ouvir palavras como ‘estável’, ‘instável’ e outras tantas mais que pareciam fazer parte de nossa rotina diária. Poderia até criar um dicionário apenas com termos técnicos que ouvimos durante nossa estadia nos hospitais. – Tudo bem, podemos vê-lo? – questionei, recebendo um aceno positivo do médico. Ele analisava a ficha presente em suas mãos, que eu acredito que deveria ser a de Castle. Ergueu os óculos, que eram escorregadios e teimosos – eles estavam sempre na ponta de seu nariz, como se fossem cair a qualquer momento – e concluiu.

– O senhor Castle ainda está no quarto, acredito que por hoje e amanhã – que seria sábado – vocês poderão seguir os horários de visita do quarto. Mas vamos com calma. Assim que as coisas mudarem, nós os avisaremos.

– Obrigada – concordei.

– Vocês podem ir vê-lo – ele por fim nos autorizou.

Martha ainda ficou mais um tempo conversando com o senhor grisalho que cuidou de praticamente toda sua família. O doutor Baker, como o chamava, era mais do que apenas um médico e, por isso, era estritamente cuidadoso ao tratar de assuntos relacionados ao Rick.

– Vamos eu e você então – Alexis sorriu me encorajando.

– Ele deve estar com saudades.

– Ah, qual é Kate, não faz nem um dia inteiro.

– Pois então ele deveria estar. Nós fazemos falta.

– Nós fazemos? – Ela já não se referia ao pai. Percebi que estávamos falando de nós e de nossa distância, agora palpável.

– Muita. –respondi tentando passar em meu semblante explicações por algo que nem eu mesma sabia explicar.

Andávamos Alexis e eu, lado a lado pelos corredores. Pi tinha ido buscar um café, a pedido da namorada.

– Como estão as coisas? – Ela me pergunta com um semblante que demonstra a sua falta de jeito para lidar com a situação. Ela estava claramente sem graça.

– Bem. Ao que parece, eu estou dentro novamente – me referia à delegacia.

– Então você conseguiu – fitávamos o final do corredor e encaminhávamo-nos para a porta do quarto de Castle.

– É o que parece – nos faltava assunto e, enfim, eu não queria ter aquela conversa com Alexis. Ao menos não hoje. Adiar seria bom. Ao menos conseguiria organizar aquelas sensações que vinham tomando conta de mim.

– As coisas estão voltando ao normal – ela sorriu deixando suas covinhas à mostra.

– E isso é bom?

– Talvez – ela girou a maçaneta do quarto e encerrou aquela conversa quase que monossilábica que tivemos.

Encontramos um homem sereno, ainda com a barba por fazer e o cabelo desgrenhado. Ele havia – assim como eu – perdido peso. Mas eu sou suspeita, o acharia lindo nas condições mais inimagináveis. Alexis, já acostumada com tudo aquilo, foi até a janela e mexeu na veneziana permitindo que alguns raios de sol invadissem o lugar. Eu, como sempre, entrelacei meus dedos aos dele e permaneci realizando alguns movimentos circulares com as pontas dos dedos no dorso de sua mão.

Alexis mexeu nas cadeiras do quarto e me alcançou uma delas, me incentivando a sentar. Ficamos ali por uns minutos, trocando algumas palavras, entre nós e com Castle. E depois deixei-a sozinha com o pai. Mesmo ansiosa – estava muito – para contar as novidades para ele, não poderia impedir Alexis de estar a sós com seu pai.

Minutos depois, ela saiu da sala – acredito que de maneira premeditada – dizendo que iria buscar o café com Pi, me oferecendo um copo também. Acenei positivamente e me surpreendi ao notar que ela, assim como Castle, já sabia meus sabores e aromas prediletos.

– Obrigada – eu disse quando ela já estava de costas e quase pude ver o seus lábios se curvarem em um sorriso.

Desencostei da parede onde me afirmava e voltei para o quarto.

– Hei amor, voltei! Alexis foi buscar café – era tão comum conversar com Castle que eu agia como se ele pudesse me ouvir e quem sabe até responder. Isso não aconteceria. – Ao que parece, eu sou uma detetive novamente – disse e subi meus dedos pelo seu braço, o acarinhando – Ah! Sabe como é, a Gates birrou um pouquinho, mas ela sabe que seria desperdício não me ter de volta na equipe – imaginei uma resposta de Castle a essa minha afirmação. Claramente pude ouvi-lo se gabar de algo ou caçoar de mim. Ele era campeão em dizer que me influenciou nesse negócio de ‘se achar’. Sentia-se orgulhoso por isso. Era engraçado. – Você pode até se gabar eternamente por isso e me amolar, mas eu preciso dizer que não é a mesma coisa sem você. Claro! Você já deve saber disso – agora as minhas mãos já estavam entre seus cabelos, era confortável massagear seu couro cabeludo, os longos fios escurecidos apesar de tudo permaneciam macios. Pensava em como ele amava quando eu mexia em seu cabelo – Ela vai me matar por isso e, você tente não se achar Castle, mas... a Gates perguntou por você! – Disse e sorri com a revelação – Acho que ela realmente gosta de você, como o senhor sempre se orgulhou em dizer. Queria inclusive vir visita-lo. Eu a incentivei, claro, ela é minha chefe novamente. – Mexi na altura de sua cama, abaixando-a um pouco, como havia aprendido nesse último mês em que minha casa foi praticamente o hospital – Assim está melhor – Arrumei alguns fios insistentes no lugar e continuei nosso monólogo – Eu estou com um pouco de medo – confesso – Tudo bem, eu sei que estarei entre amigos, mas, e se... se eu não me habituar novamente, Castle? Ou se não for boa o suficiente? Quem vai me ajudar a construir histórias sem sentido? – eu ri com as minhas palavras e fui interrompida por Martha que adentrou suavemente o quarto.

– Como ele está?

– Bem, ao que parece.

Martha deu a volta na cama e sentou-se na cadeira onde Alexis estava.

– As perspectivas são boas – ela afirmou acariciando o rosto de Castle.

– Sempre são – soei desanimada.

– Anime-se, criança. Tudo vai ficar bem. – E lá estava Martha novamente incitando meus pensamentos positivos. Eu apenas acenei positivamente.

– Eu vou.

– Querido, nós mal podemos esperar para tê-lo em casa novamente. Dr. Baker está positivo. Temos fé que você vai sair dessa. Continue conosco. – Martha falou tranquilamente sem se importar com nada e eu sorri, agradecendo mentalmente por estar cercada de pessoas como ela. Logo Alexis voltou com nossos copos fumegantes de café. Bebemos e finalizamos a visita, mesmo que contra vontade. Nesse tempo, havíamos criado uma espécie de comunicação visual. Nos entendíamos apenas com o olhar e quando chegavam esses minutos finais de visita, Alexis e Martha me deixavam a sós com Castle. Como sempre fazia, beijei sua testa e sua bochecha e o agradeci por ainda estar conosco.

– Voltamos amanhã cedo, amor.

Droga! Era sempre assim, como se uma parte de mim ficasse naquele quarto. Eu queria passar as noites e dias com ele. Olhando sua expressão tranquila e afirmando para mim mesma que ele ficaria comigo. Eu queria poder beijá-lo novamente. Sentir seus lábios macios percorrendo partes de mim que até eu mesma desconhecia. Ouvi-lo proferir palavras sujas em momentos sensuais, excitantes. Eu só o queria bem. Mas as coisas não podiam ser assim. Nada para nós seria fácil. Já estava acostumada.

Usei a noite para investigar. Os exames que me permitiriam voltar para a delegacia foram feitos antes de visitar Castle. Em alguns dias, eu estaria de volta à delegacia. Voltaria em um sábado, para um plantão. Ótimo. Perderia o horário da primeira visita de Castle. Justo no sábado. Nosso dia. Mas tudo bem, sem reclamar. As coisas estavam entrando meticulosamente nos eixos. A noite regada a café me levou a alguns indícios. Estava pela primeira vez mexendo nas roupas do dia do acidente, quando encontrei um papel com as iniciais MB. O papel estava no bolso da camisa de Castle. A letra não parecia a dele, então liguei para o Espo na mesma hora. Fitei o relógio e o insultei mentalmente. Droga! Droga! Droga! Atende Espo!

– Esposito! – ele me chamou no outro lado da linha.

– Você ainda está na delegacia?

– Por mais, 5, 4, 3, não mais – ele contou os segundos.

Ótimo. Teria que segurar a ansiedade até amanhã. Ou...

– Tudo bem.

– Aconteceu alguma coisa?

– Não. Está tudo bem. – Ele tentou puxar assunto mas, eu o interrompi – Espo, te ligo amanhã.

Dirigi-me rapidamente até a casa de Lanie e solicitei um exame para examinar as digitais que aparentemente tinham naquele pequeno papel. Lanie o faria no dia seguinte, mas a minha ansiedade não me permitia ficar um segundo se quer em casa. Precisava dividir minhas teorias com alguém. Teorias, isso me soava tão Castle. Afinal, ele me deixou algo pelo qual lembrar-me dele.

– Garota, você aprendeu a voar ou algo do tipo?

– O que?

– Você me ligou não tem nem 20 minutos.

– Ah! Posso? – pedi permissão e ela então abriu passagem.

– Deve! – senti Lanie fechar a porta atrás de mim – está frio – ela afirmou envolvendo a si mesma com os braços.

– Um pouco.

– Mas me fale garota, o que te tirou de casa?

Suspirei e desatei a falar algumas – muitas – frases desconexas que para mim faziam total sentido. Mas não para Lanie, que precisou organizar milhões de palavras perdidas no ar.

– Deixa-me ver se entendi – eu apenas acenei com a cabeça – esse papel estava perdido entre as roupas do dia do incidente? E você quer que eu analise para ver se encontro digitais? – aguardou minha confirmação.

– Isso!

– Certo, eu vou ver o que posso fazer – eu a entreguei um saquinho que continha a anotação com as iniciais MB.

– Descarte as minhas digitais e as de Castle que talvez possam estar nesse papel e me diga o que encontrar.

– Ok! Mas já que está aqui... vinho? Noite das garotas?

– Lanie... – ia protestar, mas ela me impediu.

– Qual é garota? Você precisa viver!

– Ok, ok – me dei por vencida. A exaustão me possuía quase que por inteira. Eu estava precisando relaxar mesmo.

– Agora me conta... como estão as coisas? A sua volta... seu pai, Alexis e Martha.

– Você como sempre – ri da quantidade de perguntas e segui – Bem... ao que parece minha sogra não acreditou que eu fosse aparecer novamente no hospital.

– Ah, conta outra Kate!

– É sério! Você precisava ver a expressão de surpresa que Martha fez ao me ver. Era como se eu nunca mais fosse aparecer.

– Ok, ok, tudo bem que você é esquisita – alertei-a, dando um tapa em seu braço – Mas até mesmo um mártir sabe que você jamais deixaria o menino escritor.

– Eu também não entendi, mas, fico feliz em ultrapassar a expectativa dela. Alexis que não me pareceu bem.

– É normal.

– Normal? – Tentei entender o que Lanie me dizia.

– Garota, você tem sido o mais próximo de uma mãe que Alexis já teve. E não me venha com modéstia, porque era você quem estava lá para segurar a mão dela quando chorou pelo pai.

– Por minha culpa – interrompi, recebi um olhar reprobatório e fui ignorada por Lanie.

– Quem esteve com ela durante esse último mês? Você, garota! Você tem sido mãe e pai da Alexis esses dias todos. Sempre tentando suprir algo pelo qual você pensa ser culpada. Mas Kate, quem poderia prever?

– Pode ser.

Lanie mudou de assunto rapidamente, afinal, já havia conseguido o que tanto queria: despertar dúvidas sobre meus atos. Conversamos mais um pouco e decidi ir para casa. Meu corpo não reagiu nada bem à quantidade de bebida ingerida. Céus! Abri as cortinas mesmo com o adiantado da hora e joguei-me no sofá. Meu pai não estava e agradeci por isso. Apoiei minha nuca no sofá e levei meu braço para sobre meus olhos, descansando minha cabeça que girava de forma inconstante. Respirei um pouco do ar puro que entrava da janela, na tentativa de recuperar minhas forças.

Finalmente levantei e senti minhas pernas fraquejarem. Ignorei. Mas não demorou muito e iniciei uma corrida sem sucesso rumo ao banheiro, o qual sujei inteiro ao colocar o pouco que restava no meu estomago pra fora.

Deus! O que está acontecendo comigo? Questionava mais do que nunca. Afinal, grávida eu não estava, aquele maldito exame já havia me dito isso. O que eu tinha então? Juntei meus cabelos com as mãos e lá estava eu, recostada na parede tentando fazer com que o ar chegasse aos meus pulmões. Tentativa frustrada. A única coisa que eu conseguia voltar a fazer era mirar o vaso e continuar a colocar todo o café que eu havia bebido pra fora.

Era a sensação mais insuportável aquela que me tomava. Finalmente, um tempo depois, eu consegui ficar em pé. Escovei os dentes na tentativa de eliminar o gosto dos alimentos não digeridos e passei um pouco d’agua em pontos estratégicos, tentando recobrar a consciência. Encharquei meu rosto e molhei meus punhos e nuca. Assim que me vi em frente ao espelho, constatei o que já sabia. Eu não estava bem. Um papel seria menos branco do que eu.

Encolhi-me na cama e me cobri com o edredom mais grosso que tinha em meu quarto. Estava com frio. Gélida e pálida. Por ali fiquei até adormecer.

***

Um sangramento terrível me atingiu. Acordei durante a noite sem entender de onde estava vindo o líquido grosso e avermelhado. Eu me senti perdida e sem noção de tempo, horário e local. Afinal, eu estava no meu quarto? Quando mesmo em meio à tontura inexplicável e ao desespero, eu consegui me situar. Alcancei o telefone na cabeceira da cama. Era tarde, mas não hesitei em ligar para Lanie.

– Lanie, eu, eu preciso de ajuda – fraquejei e senti uma escuridão me invadir.

– Kate? O que você tem? Kate? Fala comigo, Kate... Responde, garota!

***

Lembro-me de sentir uma claridade invadir minhas pupilas, que por sinal estavam dilatadas. Acordei assustada dando de cara com um par de olhos desesperados que me encaravam esperando por um sinal.

– Ah garota, finalmente!

– O que, o que aconteceu? – minha voz, ainda fraca, a questionou. Levei minhas mãos até minha cabeça, que parecia ter sido pisoteada. Isso pareceu preocupar Lanie que me pediu calma.

– Está tudo bem, garota. Você vai ficar bem. Você está com dor? – ela me questionou desnorteada.

– Eu estou bem! Com um pouco de dor. O que eu tive? – Estava mesmo em uma cama hospitalar? Ao que parecia, estava sim – Como eu vim parar aqui? – prossegui a interpelar Lanie em busca de respostas que fizessem tudo aquilo fazer algum sentido. Afinal, o que eu estava fazendo ali?

– Você me ligou, não se lembra?

– Ah! – por um momento, imagens da caótica noite invadiram a minha mente e eu balancei a cabeça tentando afastar — Será que agora você pode me dizer o que aconteceu?

– Você teve um sangramento intenso, mas está tudo bem.

– Até aí, nada de novo. Mas e o médico, tem um médico, ou uma médica, não? Eu estou em um hospital, não é? Alguém deve ter dito algo. Será que você pode parar de enrolar? – sua tensão era perceptível e eu estava ficando igualmente tensa.

– Tudo bem, Kate, mas você precisa me prometer que não vai surtar, não vai enlouquecer e nada do tipo. Você acha que pode fazer isso? – apenas acenei com a cabeça, deixando clara minha urgência em entender o que se passava.

– Fala logo, Lanie! – senti uma dor nada convidativa me atingir em cheio.

– Lá vai – ela disse espremendo os olhos e logo em seguida largando a bomba – você quase sofreu um aborto!

– Espera... quase? Eu... eu... – permaneci em choque por alguns segundos.

– Garota, você está grávida! – Ela disse com visível emoção.

– Você só pode estar maluca, é claro que não! Eu fiz o exame, você esqueceu? – pausei, voltando a jogar várias frases que para mim faziam sentido sobre minha amiga, que nada tinha a ver, mas, me deixou prosseguir — Lanie, é o meu corpo e eu saberia reconhecer se isso realmente estivesse acontecendo. Caramba! Três meses Lanie, se passaram mais de três meses. É claro que não, isso não é possível, é? – Lanie apenas acenou com um sinal positivo e me incentivou a prosseguir.

Tudo bem, caí na real no minuto seguinte quando a doutora entrou afirmando que nós estávamos bem. Ao que parece, eu havia mesmo sofrido um quase aborto. Meu corpo por pouco não expeliu o feto e assim prosseguiu a médica me relatando sobre meus exames.

– Por quanto tempo eu dormi? – Perguntei, tentando entender como aqueles exames todos haviam sido analisados.

– Algumas horas – respondeu Lanie.

– Percebi – afirmei um pouco sestrosa.

Ignorei por quanto tempo pude os questionamentos de Lanie. E ela afirmou que me deixaria em paz, ao menos por enquanto. A médica prosseguiu com as indicações, me alertando por diversas vezes que a próxima vez seria fatal e, que bem, se eu realmente queria esse bebê, deveria me cuidar. A Lanie intrometida como sempre, prometia por mim que as coisas mudariam. Ela foi quem memorizou grande parte das coisas. Sabia que ela me atordoaria com insistentes cuidados de hoje em diante. Agora com auxilio de seus colegas.

A doutora parecia muito preocupada com minha contagem de células sanguíneas, plaquetas e sei lá mais o que. Já havia ouvido falar nisso durante os procedimentos com Castle. Castle... como ele iria ficar feliz. Um filho – senti uma dor me atingir, uma dor que não era física e sim emocional. Meu coração ardia. – Eu vou ter um bebê – disse, meio que incrédula, interrompendo Lanie que obtinha mais material com que me torturar pelos próximos 6 meses.

– Você vai ter um bebê – ela disse, unindo as mãos e me encarando com os olhos que mais pareciam dois meteoros. Estava claramente feliz – Quer dizer, nós vamos. E vai ser menina – disse despretensiosa.

– Ah vai? – tentava manter o controle e agir normalmente. Na verdade, não tinha nada de normal. Afinal, eu estava grávida de três meses e meio. Perdendo cada vez mais peso, me alimentando tão mal quanto uma criança birrenta de 7 anos, não dormindo e ingerindo grandes quantidades de bebidas alcoólicas e café. Eu não sabia como as coisas seriam de hoje em diante, mas pedi desculpas mentalmente para aquele pedacinho de Castle que estava dentro de mim. No fim das contas, ele ou ela não tinha culpa de nada. Eu não poderia prever, mas deveria ter percebido antes. Claro, Kate! O exame falhou. O que você esperava? Era um teste de farmácia.

– Menina. E por favor, eu quero um nome que pareça com o da madrinha. – Lanie estava radiante. Era adorável – Vamos lá, Kate, anime-se!

– Eu estou pálida, escabelada e em um hospital. Não tem como ficar animada.

– Tem sim. Você ainda está grávida e, convenhamos você tem um bom anjo da guarda.

– Eu acho que já entendi essa parte do ‘você está grávida’. Mas obrigada por me lembrar – eu ri – e quanto ao meu anjo da guarda, ele está bem na minha frente. Obrigada. – ela concordou com a cabeça como quem se gaba. Parecia Castle – Quando eu vou poder ir embora?

– Kate, qual a parte do ‘você sofreu um quase aborto’ você não entendeu?

– O que, eu não posso ficar aqui a vida toda.

– Mas vai ficar o tempo necessário para que esse bebezinho aí esteja em segurança.

– Tudo bem, mas, qual o tempo necessário pra isso?

– Dois ou três dias talvez, quem sabe?

– Sério? – Afirmei com uma entonação de voz já alterada. Lanie levantou as mãos afirmando não ter culpa.

– Vocês precisam descansar garota, e se recompor para tudo que vem pela frente.

– Eu sei, mas 2 dias? Lanie, o que eu vou dizer pro meu pai? Que eu fugi com uma turma grunge? Não, talvez eu chegue depois de dois dias e diga, eu resolvi ir pra uma grave que duravam dois dias e duas noites, fiquei bêbada e acabei esquecendo que tenho trabalho e um noivo pra cuidar. CLARO, você tem razão, são só dois dias.

– Kate, não surte! A super Lanie está aqui pra te ajudar – ela sorriu como se fosse capaz de sanar todos os problemas do mundo e, por uns minutos, eu acreditei – Eu vou dizer a ele que você está na minha casa, nada demais. Que vai ficar uns dias para que eu possa controlar sua alimentação e, além do mais, seu pai não vai nem sentir, ele mal tem estado em casa que eu sei! – apontou-me o dedo como uma mãe dando um sermão em seu filho.

– Sei. E a delegacia?

– Bem, você volta só no sábado e, quem sabe até lá você já pode realizar alguns trabalhos burocráticos?

– Sério mesmo? Papelada? – balancei a cabeça negativamente.

– Katherine Beckett, se eu souber que você foi a campo, grávida, ah garota você terá que lidar com a minha fúria.

– Sua fúria, com essa eu realmente não quero ter que lidar – eu sorri tentando demonstrar alegria por aquele momento. Mas isso era tudo o que não conseguia sentir, não agora. Eu estava confusa. Porém sabia que devia muito, sobre eu estar bem, a Lanie. Ela era meu anjo da guarda noturno, como diz na canção, mas agora, muitas coisas me atormentavam e eu ainda não estava certa sobre o que fazer com todas essas dúvidas.

Notas finais
Comenteeeeeeeeeem, indiquem e favoritem! Beijo no core!