Notas iniciais
Boa leitura e desculpem a demora. Postarei sem beta, possível que alguns pontos, virgulas e algo mais esteja fora do lugar ou errado. Sorry. Espero que gostem e por fim, está grandinho, rs.

POV Kate:

Muitas coisas iriam mudar, quer eu quisesse ou não. Agora eu precisava tomar algumas decisões fundamentais que mudariam a minha vida.

– Garota, como você passou a noite?

– Você fala isso como se tivesse saído daqui em algum momento.

– Não seja ingrata Katherine Beckett.

– Estou bem. Um pouco... cansada só.

– Você fala isso como se tivesse dormido em algum momento. – Fiz uma cara feia para Lanie, afinal, como ela queria que fosse, que eu tivesse dormido perfeitamente com... com isso aqui dentro? – Mas então, melhorou?

– Um pouco. Ainda sinto como houvesse um peso sobre minha cabeça, mas não é como se isso fosse me impedir de fazer algo. – pausei – É... Lanie, você conseguiu falar com meu pai?

– É claro que sim, apressadinha. Para a sua sorte o senhor Jim voltará no final de semana e até lá esperamos que você esteja em casa.

– E trabalhando.

– Não. Qual foi Kate, não vá você pensando que as coisas vão continuar da mesma maneira que estavam, porque eu não vou deixar.

– Ah claro... – revirei os olhos – você.

– Não é assim que as coisas funcionam Kate, agora você carrega mais alguém junto com você. E garota, você já está de 4 meses, se algo acontece agora, vai ser permanente.

– E se... – criei coragem para dizer o que viria a seguir – se eu não quiser – joguei as palavras como se fossem pequenas partículas explosivas, que explodiram, obviamente – se eu não quiser ter esse bebê, cuidar de mim mesma nesses últimos tempos já tem sido complicado demais e, se eu não quiser ter que cuidar de mais alguém? – Não podia acreditar naquelas palavras que saiam da minha boca, me arrependi no minuto seguinte, mas, já haviam sido ditas.

– Kate... – Lanie pareceu assustada, mas compreendeu o meu medo – Você não está sozinha nessa e se você quer um conselho, eu vou lhe dar um, procure Martha e Alexis, elas serão o mais próximo de Castle que você poderá ficar agora.

– Como ele está?

– Você sabe... na mesma – ela não pareceu muito preocupada com o que eu faria, sabia que não passava de um medo bobo.

– É, eu sei. Eu sinto tanta falta dele Lanie, ele saberia o que fazer agora. Me guiaria e me diria que vai ficar tudo bem.

– E você ainda tem duvidas disso? – ela questionou e eu apenas acenei positivamente com a cabeça – Nós vamos ficar bem Kate, nada dura para sempre, nem o sofrimento.

– Promete?

– Sempre.

POV Lanie:

Passaram três dias desde que Kate deu entrada no hospital com um sangramento inerente e inconstante. Eu não esperava que tudo fosse acontecer de forma tão abrupta. Kate sofreu uma tentativa de aborto instantânea e se ela não se cuidasse ao menos nos próximos dias isso claramente se concretizaria. Eu sabia o quanto ela precisava dessa criança. Kate precisava recobrar a fé na humanidade e ter algum sentido para viver.

Depois que Castle sofreu esse acidente, nada mais fazia sentido e eu estava vendo Kate cair em um abismo sem fim, de onde eu jamais conseguiria tirá-la. Esse anjinho veio na hora certa pra sacudir a mãe dele e dizer que tudo isso ainda não acabou, que eles ainda têm esperança, e mesmo que não tenham, eles iam recobrar isso juntos.

Kate estava com medo, e eu nunca havia visto minha amiga assim, frágil e delicada quase como uma peça de porcelanato. Criar o bebê sozinho, Castle no hospital, e tinha mais aquela insistência em fazer justiça sem saber o que encontraria pelo caminho, somando tudo isso, era coerente que ela sentisse medo.

Beckett havia recebido alta do hospital depois de três dias, Martha e Alexis ficaram sabendo de sua internação, Alexis não desconfiou de nada, mas não convencemos Martha da mesma forma. De qualquer jeito ela fingiu acreditar na história que inventamos para Kate ter ido parar no hospital. Sabia que Martha não a pressionaria e a deixaria em paz para que contasse quando se sentisse a vontade. Por sorte não precisamos alertar Jim porque ele estava viajando. E a capitã, bem, era a capitã e ela claramente não entregaria nada do que falássemos para ela.

Eu ainda tenho medo, medo do que a Kate pode vir a decidir sobre essa criança. Não que eu vá impedi-la de algo, mas eu tenho a plena certeza de que ela vai se arrepender, eu a conheço, é a Kate. Ela quer isso, só está com medo e tenho receio do que esse medo possa fazer com ela e com essa criança. Isso pode consumir ela, ou consumir o bebê. Bem, eu não sabia como seria dali em diante, mas eu precisava deixa-la pensar, mas isso não significava que eu não fosse aconselhá-la.

– Você tem certeza que vai ficar bem aqui sozinha? Garota, eu tenho plantão e hoje não vai dar para ficar com você – ela apenas me encarava com um medo constante presente em seu olhar – Já sei, tenho uma ideia – ela pareceu reprovar o que viria a seguir, Kate imaginava o que seria, mas não tentou me impedir. No fundo ela também queria isso.

Fim do POV Lanie

***

POV Kate:

– Oh Martha, eu nem sei como agradecer – Lanie carregava uma pequena mala de mão onde eu havia colocado o necessário para alguns dias.

– Obrigada – foi a única coisa que consegui dizer.

Nesses dias em que fiquei no hospital e depois quando Lanie me fez companhia, eu não conseguia tirar os pensamentos de Castle e sobre como ele estaria feliz em saber que seria pai novamente. Mas, apesar de tudo havia tomado uma decisão muito importante: Não contaria nada para ninguém – sobre a gravidez. Esconderia o quanto pudesse. Seria difícil já que precisava tomar muito cuidado já que os riscos de não manter o meu bebê eram além das expectativas. Na realidade seria um milagre se essa criança sobrevivesse. Eu ainda estava em uma fase onde tentava acreditar que isso estava realmente acontecendo comigo, só me restava saber qual fase viria depois.

– Kate... – Senti um peso na voz de Alexis que me encontrou em um abraço, determinada mágoa, ou seria um pesar em me ver tão debilitada? Eu não sabia ao certo se ela ficaria feliz com as notícias, mas, sentia que precisava falar para elas. Precisava mas não agora. Afinal, eu nem sabia se essa gravidez iria adiante, e claro, esse pensamento estava me atordoando.

Gates me liberou do trabalho – aquele de qual eu nem havia reiniciado – e eu me cuidaria, ao menos por uns dias mais. Evitaria estresses, pesos, corridas desnecessárias e qualquer outra coisa que pudesse prejudicar o bebê. Tenho certeza de que Martha e Alexis me ajudariam com essa tarefa, até demais.

– Oh querida, pode ficar tranquila, aqui ela está em boas mãos.

– Boas até demais – afirmei, arrancando um sorriso de Alexis.

– É bom ter você de volta, mesmo que por uns dias – ela disse evidenciando as covinhas.

– É bom estar de volta – sorri em resposta.

Nos minutos que se seguiram, Martha e Alexis ajudaram-me em minha acomodação e após um banho, no qual eu estava sestrosa por fazê-lo, elas me chamaram para a sala, para a janta. Jantamos no mais completo silêncio, algo me incomodava, e não era estar carregando o peso do mundo sozinha, era muito mais, era não saber se eu queria carregar aquele peso. Eu não sabia se queria ter esse bebê, que droga, era tudo o que Castle sempre quis um filho, nosso. Mas, definitivamente não era o que eu queria, não agora. Eu não sei ao certo o que se passa dentro de mim, se tudo isso é medo, insegurança ou quem sabe eu realmente não tenha nascido para ser mãe. Não saberia ser o que minha mãe representou para mim, para essa criança. Eu sinceramente não seria uma boa mãe e eu claramente não faria isso. Belisquei um pouco daquele macarrão com queijo – sim, minha sogra e Alexis sabem como me agradar – e por fim levantei para recolher os pratos e copos sujos durante a ceia, sendo impedida por Martha que mandou que eu descansasse, visse um filme ou algo do tipo. Ela me lançou um olhar cumplice e em algum instante eu notei que talvez ela soubesse mais do que estava falando.

Sentei-me no sofá, não queria parecer antissocial, afinal, convivíamos há mais de dois meses em uma rotina compartilhada. Isso. Nós estávamos compartilhando uma vida há algum tempo. Desde que Castle está lá naquele maldito e torturante estado de saúde. Alexis jogou-se ao meu lado no sofá, logo em seguida.

– Trouxe pra você. Bem, eu pensei que...

Balancei a cabeça positivamente em sinal de compreensão e conclui: — Vamos? – ela sorriu de forma que eu vi nela, o pai dela.

Estendemos o tabuleiro na mesinha de centro causando a maior desordem possível na sala de Martha, rimos de forma cumplice e posicionamos os dardos.

– Eu fico com o amarelo e bem, sobra esse aqui – estendi junto com o dado. A jogada era dela.

Jogamos banco imobiliário pelas horas seguintes e quando encerramos o jogo eu me perguntei sobre em qual momento Alexis havia se tornado tão parecida com o pai? Ou eu estava deveras emotiva. Droga. Os hormônios.

O jogo se prolongou, pois, Alexis não admitia perder. Por vários momentos eu lembrava de Castle e sua insistência em me vencer em uma partida de Scrabble.

– Poxa Kate... – eu sorri desviando os olhos .

– Podemos parar.

– Não – ela riu – não enquanto eu não vencer Kate Beckett.

– Tudo bem – eu disse já atirando o dado para a próxima rodada.

Alexis estava com duas cidades que a deixavam com determinada vantagem sobre mim, cada vez que meu peão se movia pelo tabuleiro insistia em parar nas propriedades de Alexis. Os alugueis eram altíssimos já que eram Nova York e Los Angeles. Prosseguimos com o jogo, adquiri Chicago e Baltimore, o que não me proporcionavam grandes lucros. Alexis estava confiante de que dessa vez me ganharia e eu estava impressionada com as tramas, estratégias e jogadas espertas e oportunas.

Alexis já havia instaurado casas e hotéis nas cidades dela quando adquiriu Houston e Filadélfia. Definitivamente aquele jogo estava perdido, mas, prossegui, queria dar a ela a chance de vencer. Ela adquiriu nas próximas jogadas, Dallas e Detroit completando as cidades amarelas e vermelhas.

– Estou perdida com você.

– Me ganhe se for possível – ela riu evidenciado as covinhas.

– Uhum – Eu sorri internamente, mas tentei aparentar concentração.

Phoenix e San Diego também eram dela, me restaram apenas San Antonio, San José e Indianápolis, comprei com o pouco dinheiro que eu tinha. Mas Alexis, só lucrava sobre mim, com seus negócios extraordinários. O jogo terminou e mesmo perdendo quase que todas as cidades, eu venci.

– Ah, vamos lá, anime-se – a incentivei, mas rindo das caras e bocas que ela fazia.

– Eu não vejo vantagem nisso.

– No que? – me fiz de desentendida, já guardando o tabuleiro e as peças.

– Em ter você como madrasta e não ganhar sequer uma partida. Não é justo.

– Vem cá, bebê – ironizei a queixa dela.

– Você é sádica – ela não conseguia se manter séria. De fato, nossa ceninha estava deveras divertida. E eu não queria estar em lugar algum que não fosse ali, com ela, com elas, com as pessoas que eu havia escolhido para estarem comigo pelo resto da vida.

Então seria assim, seria assim se eu e Castle tivéssemos dado certo. Se o destino não tivesse se encarregado de tornar as coisas ‘complicadas’. Arrumamos a mesa de centro e não demorou muito para aquela sensação estranha me atingir novamente. Pedi licença tentando não transparecer em minha voz o desespero e subi para o quarto.

– Boa noite.

– É... bo.. boa noite – fraquejei.

Entrei no quarto me movendo de maneira que nem sabia ser possível. Eu era veloz. Adentrei o banheiro e me despi na tentativa de entender se aquilo realmente iria persistir. Para meu alívio, não era sangue, eu não estava sangrando novamente. Era apenas a impressão. Então era isso, eu não queria esse bebê, mas eu levaria essa gravidez até o fim. Despi as poucas peças que estavam caídas ao chão e voltei para o quarto. Um pouco mais calma e certa do que faria nos próximos meses. Eu estava certa disso... ou não?

Notas finais
Ei, comentem, indiquem e favoritem. Obrigada por aguardarem!