You came back

1 Primeira Parte


Notas iniciais
Bem pessoal, sem mais delongas, é lendo que vocês vão saber se vão ou não gostar. Espero que eu receba uma chance e que vocês resolvam ler, favoritar e acompanhar. Vocês vão encontrar referências da série durante o texto. Quero pedir que ao menos nos primeiros capítulos vocês fiquem atentos aos POV's, pois terei que usar várias visões para que fique claro. Queria agradecer imensamente uma pessoa especial, que foi tipo Kate Beckett para Richard Castle. Eu estava desacreditada de que poderia voltar a escrever e ao acompanhá-la em sua saga, retomei a força de vontade para novamente vir aqui e pôr a cara a tapa, coragem e inspiração. Importante agradecer também, a minha Beta que me ensina há cada dia mais com suas correções - citarei ela mais para frente novamente, pois ela e sua consultoria estão sendo fundamentais para os rumos da história. Obrigada meninas! Castle não é meu e isso é uma mera ficção de fã. Espero que se apaixonem, tanto quanto eu estou apaixonada em escrever.

– Kate, não nos vemos há seis semanas.

– Acredite em mim, não foi minha decisão. Estou tão chateada quanto você.

– Não, eu sei é que... da última vez fui eu quem cancelei.

– Tenho que ir. Compensarei você, prometo.

– Certo, eu vou te cobrar isso.

– Está bem. Eu te amo.

– Também te amo. Tchau.

– Tchau.

***

Eram seis semanas, que se tornaram 7, 8, 9 e finalmente 10. Já se passavam dois meses desde que Beckett havia se mudado para Washington. Castle havia tentado sair da cidade, mas seus compromissos com “Deadly Heat” não permitiam. Kate cada vez mais se via afundada em papéis, casos e treinamentos inacabáveis, precisava entender dos relatórios ainda melhor do que quem os havia escrito. Na maioria das vezes era Beckett quem cancelava os encontros.

Em uma certa tarde, Castle decidiu que iria acabar com essa situação – não havia feito antes por causa dos compromissos com o livro. Vinhos, frutos do mar, queijos e flores. Havia preparado uma noite magnífica, relaxante até.

Passavam-se das 10 horas da noite quando ouviu um barulho na porta e acreditou que finalmente a tortura acabaria, iria finalmente abraçá-la e beijá-la, acabar com aquele desejo infinito que o consumia dia após dia. O que ele não imaginava era que daquela noite em diante, seu mundo viraria de cabeça para baixo.

Ele remexia nas gavetas da cozinha tentando achar um abridor para o vinho, colocou as taças sobre a bancada, organizou os petiscos, cozinhou alguns frutos do mar e os juntou sobre a mesa. No momento seguinte, organizou suas coisas no quarto, mas não desfez a mala. Sabia que logo teria que voltar. A promoção de Deadly Heat estava surtindo efeito e por isso não podia estagnar, assim achava Paula. Mudou a roupa e sentou-se para aguardar a sua “agente” chegar. Como soava estranho “agente”, ele divagava em pensamentos, e acabou não percebendo quando a porta se abriu.

Mas nem com toda a experiência do mundo ele conseguiria enfrentar o que viria pela frente.

***

– É tudo culpa sua! Eu nunca devia ter deixado isso acontecer, NUNCA! – os olhos se perdiam no rio de lágrimas que ali se fazia presente.

– Alexis... eu, eu, sinto muito – arfou todo o ar possível, podia-se dizer que todo o ar do ambiente.

POV Kate:

Eu não sabia o que dizer muito menos o que fazer. Em meio a tantas coisas boas, isso. Eu estava sem chão e não era somente eu. Alexis e Martha estavam completamente desnorteadas, no sentido figurado da coisa toda. Elas realmente haviam perdido seu norte, aliás, o norte, o sul e tudo mais.

Martha era mais compreensiva; apesar de toda sua dor, seus olhos me passavam confiança, era Martha – poderia dizer que era a que mais devia estar sentindo ali – quem tentava me acalmar, mas nada poderia fazê-lo naquele momento.

O dia parecia se arrastar, a vida parecia se arrastar. Alexis, eu tinha a sensação de que ela me odiaria para o resto da vida. E sinceramente? Eu não a culpava. À medida que o tempo passava, a repulsa da menina por mim aumentava notavelmente. Essa reação da Alexis tornava tudo ainda muito pior.

Sentei em uma poltrona qualquer, em um canto afastado. Imaginando todos os aspectos daquele momento, analisando todas as prováveis respostas, possíveis expectativas, definitivamente nada do que eu pudesse pensar ou até mesmo esperar, seria bom. Na melhor das hipóteses, não, ‘esquece Beckett’, repeti mentalmente durante alguns segundos, na tentativa frustrada de afastar os pensamentos tenebrosos que naquele instante estavam vencendo toda e qualquer sanidade que ainda me restava.

Havia alguns áudios de whatsapp que Castle havia me mandado há algumas semanas, na verdade, havia áudios dos últimos dois meses, o que realmente era um material significativo. Poderia dizer que reunindo tudo, eu definitivamente passava 24 horas do meu dia ao telefone com ele. Estávamos nos adaptando a isso. Não, é mentira, a verdade é que não estávamos.

Saí de meus devaneios ao notar que havia um áudio de um dia atrás. Caramba, como não pude notar? Condenei-me mentalmente. Achei que fosse dele, mas, não. Era um áudio de um número desconhecido, o que na verdade não me importou, talvez fosse meu pai ou algum dos meninos. Não sei, eu estava absolutamente sem cabeça para qualquer outra pessoa que não fosse Castle.

Andei um pouco pelo prédio, me deslocando para fora do ambiente, precisava de ar, sentei em um canto próximo a um canteiro e recostei minha cabeça na parede mais próxima.

Em um local que considerei intimo, eu desalentei. Permaneci ali, encolhida, com os fones, ouvindo aquele som tão reconfortante e familiar. Eu digo ouvindo, porque não era simplesmente escutar, era realmente entender, perceber os sons pelo sentido do ouvido, escutar os conselhos, as razões, escutar a mim mesma, eu precisava daquele instante comigo mesma, encontrar paz naquela melodia, naquele timbre que me soava tão pessoal, tão meu. Eram instantes tão nossos, brincadeiras, risos, declarações, bom dia, boa noite... Era como ver minha vida passar, como se eu fosse apenas uma telespectadora do meu próprio mundo.

Se eu soubesse. Que ironia, era como um terremoto passando por cima de mim e destruindo tudo que eu ainda acreditava ser real, ser meu. E o dia ainda nem havia chegado ao fim.

POV Alexis:

Eu estava perdida em pensamentos, em tudo o que a minha avó havia me dito, sobre Kate, meu pai, sobre sermos uma família e que por esse motivo precisávamos estar ali uns para os outros, em qualquer ocasião. E por mais difícil que tudo isso parecesse, eu sabia que Kate não havia tido culpa. Mas eu precisava culpar alguém, precisava concentrar minha raiva, descontar minha frustração.

Talvez fosse mais fácil culpá-lo, culpar a teimosia do meu pai, mas se ele não fosse assim, certamente não seria filho de Martha Rodgers, eu pensava, e me perdia nessas lembranças e conclusões.

Nesse dia, eu não queria pensar em ter conversas definitivas, como a que eu sabia que deveria ter com Kate. Uma hora eu a teria, mas não hoje, não agora. Caminhar pelos corredores, está aí uma coisa que me deixava ainda mais nervosa e perdida, aqueles sons eram como se a vida de todos ali em algum momento tivesse se esvaído. E em 90% dos casos, eu poderia dizer que eles jamais voltariam a tê-la. Os bipes eram um péssimo indicador para cada um deles.

– Pie – atendi ao telefone, pois já não aguentava mais sentir aquele objeto pulsante em meu bolso.

– Hei! Tudo bem por aí? – ele me questionou durante a chamada.

– Não... quer dizer, na verdade eu ainda não sei – suspirei pesadamente e concluí – não sabemos nada.

– Amanhã pela manhã eu estou indo para aí, babe, você quer alguma coisa? Roupas talvez? Vi que você não levou muita coisa.

– Talvez – fiquei em silêncio. Não sabia como seriam os próximos dias dali em diante, não sabia de nada, e nem tinha vontade de nada. Eu sentia minha pele gelada, e não tinha nenhum agasalho por ali, algo que pudesse vestir, mas não importava. Pi me deixava angustiada só em ouvir sua voz. O motivo? Era ridículo, mas era meu, tão meu. – Tem uma bolsa na parte inferior do meu armário, nela deve caber o necessário. Por favor, traga dois casacos dos que estão na primeira porta, uma calça e algumas roupas intimas que ficam na segunda gaveta – falei depois da longa pausa.

– Tudo bem – ele assentiu, mas pareceu preocupado, e eu compreendia, mas não havia tempo para pensar nele, nem sequer em mim. A realidade era que meus pensamentos não saíam do meu pai e de todo esse caos que se estabeleceu em nossas vidas.

***

POV Kate:

A noite estava chegando, e com ela fortes ventos. O céu escureceu e eu não sabia bem se isso se dava apenas pelo horário – passava das 6 horas da tarde – mas senti minha pele arrepiar, e as árvores começarem a balançar, folhas caíam e galhos se desprendiam de seus troncos. É, definitivamente não era apenas a escuridão da noite que chegara. A tempestade se aproximava também. E como eu queria o abraço de Castle aqui para me fazer sentir sua, seus braços envoltos em minha cintura me passando segurança e tranquilidade, o seu suspiro quente em meu pescoço. Céus, como eu o amava!

Notei duas mãos estendidas para mim, me incentivando que eu me erguesse do chão, que a essa altura congelava ainda mais meu corpo. Estendi as mãos com a maior boa vontade possível e, forcei um sorriso, o que não era difícil normalmente, mas ESTAVA sendo difícil naquele momento. Já em uma posição confortável, em minha estatura habitual, fui recebida com um café.

– Beba, querida.

– Obrigada, Martha – eram as únicas palavras que eu conseguia dizer agora.

– Onde está Alexis? – eu perguntei, já sorvendo o liquido quente e um tanto quanto reconfortante.

– Eu não sei, faz algum tempo que ela saiu para espairecer.

– E você?

– Ah querida, veja bem, não é nada fácil para mim estar nesta posição, mas eu estou e, por mais que eu queira, não há nada que eu possa fazer. Nós precisamos estar aqui, por nós e para ele. – Ela me soou sincera, parecia tentar me acalmar, mesmo com todo o peso sobre as costas e as sombras que estavam rodeando seu coração de mãe.

– Vai ficar tudo bem, não vai? – Peguei-me perguntando isso justo para a pessoa que mais queria que tudo estivesse bem. Senti-me um tanto quanto insensível, mas não consegui segurar, saiu, foi automático, e eu precisava ouvir que tudo ia melhorar, precisava de alguém que me transmitisse confiança.

– Vai, vai sim – ela assentiu com a cabeça, e me estendeu os braços — assim como minha mãe fazia quando eu era criança, tinha um pesadelo e corria para a cama dela – e deixou com que eu descansasse minha cabeça por alguns minutos em seu ombro.

POV Martha:

Katherine Beckett mais parecia uma criança acuada, com medo do escuro. Eu vi Richard nos olhos dela, vi o meu filho com medo dos monstros embaixo da cama. Nesse caso, os monstros eram reais, andavam e infelizmente, matavam.

Eu sabia que ela precisava de um abraço, que aquilo tudo estava sendo demais até mesmo para ela. Kate era do tipo durona, sempre foi, nisso ela se parecia muito com meu filho. Eles eram idênticos nesse sentido, o que era inacreditável. Ele se negou a dizer o que sentia por ela por anos, não assumiu e assim ficaram. E ela fez o mesmo, se escondendo em seus “muros”. Eles eram absolutamente teimosos (e orgulhosos). Mas se amavam.

Mesmo depois de tantos muros serem derrubados, era difícil fazer Kate se abrir, principalmente com alguém que não fosse Richard. Esse era um feito quase que exclusivo dele, fazer Kate falar sobre seus sentimentos, medos e outras coisas mais.

Depois de alguns minutos, Kate se desprendeu do abraço, e eu a deixei livre. Notei que ela limpou discretamente algumas poças d’agua que se formavam em seus olhos. Ela as evitava, afinal, ainda era muito cedo pra isso.

– Tudo bem querida, você não precisa esconder isso de mim – ela assentiu ao final de minhas palavras.

– É só que, isso tudo é tão... surreal – pareceu desprender todo o ar presente em seus pulmões em pouquíssimos segundos.

***

– Agente qual a sua relação com a vítima?

– Noiva. Ele é meu noivo — respondia ao interrogatório.

– E o que você sabe?

– Não muito – mexia em suas mãos de maneira que o nervosismo transparecia — recebi um telefonema do FBI às onze horas, eu ia passar a noite no alojamento e naquela hora me preparava para dormir. Informaram-me que Castle havia sido encontrado na minha casa, sem muitos detalhes.

– E depois?

– Eu corri para averiguar, e confirmei o meu maior medo.

– E você não sabia que o Senhor Castle estaria em sua casa?

– Na verdade não, não nos víamos há algum tempo devido a alguns compromissos e imprevistos. Acho que ele queria me fazer uma surpresa.

– Quando você chegou notou alguma coisa que possa nos ajudar? Algo fora do lugar ou remexido?

– Não senhor. Quando cheguei, vi a cena mais desesperadora possível, o vi agonizar inconscientemente e quase morrer na ambulância. Não me importei com evidências naquele instante.

– E no corpo dele, detalhes do corpo, o que você pode me contar?

– Eu não sei, talvez tenham sido dois tiros com uma 38? Eu realmente não sei, havia muito sangue fluindo dos ferimentos, e ele estava desacordado próximo à mesa, o que me fez pensar que talvez ele tivesse batido a cabeça, e isso é o que realmente me preocupa.

– Há mais alguma coisa que você queira acrescentar? Algo que você lembre?

– Na verdade há sim, senhor. Eu quero fazer parte desta investigação.

– Agente, infelizmente você está envolvida intimamente com este caso, por isso eu creio que não será possível atender ao seu pedido.

– Mas senhor...

– Agente Beckett, eu vou ver o que posso fazer, agora vá ficar com ele, acredito que nesse momento isso seja prioridade para você.

– É, é sim – ele já ia se retirando e dando passagem para Kate quando ela voltou-se novamente para ele – e quanto à minha casa?

– Bem, você sabe como são os protocolos, ficará fechada por alguns dias para perícia. Enquanto isso, eu acredito que o departamento de Washington pode lhe conceder uma casa temporária, até mesmo para sua proteção.

– Tudo bem. Obrigada.

Notas finais
Pode clicar em avançar, porque deixarei dois capítulos postados e caso queiram que eu continue, já sabem, me deixa um recadinho. Vou gostar de te ouvir - ler.