You came back
15 Décima Quinta Parte
Notas iniciais
POV Castle:
Estou conversando com minha filha sobre o cachorro dela, o bubble e confesso, se arrependimento adiantasse, eu não teria deixado ela adotá-lo quando encontramos na rua. Por diversas vezes, enquanto eu a explicava sobre a alimentação dos cachorros, ela revirou aqueles olhos gigantes, me lembrando a mãe dela, mas eu realmente preferia deixar isso passar. Eu adorava passar o tempo com ela, minha filha, aquele serzinho doce, esperta, cativante e extremamente forte, independente e decidida, uma mistura perfeita dos pais. Sendo assim, foi difícil até escolher uma escola para coloca-la, já que em todas ela punha um defeito, dos mais simples, aos mais complexos, e ela não tinha nem cinco anos, mas o vestido que ela estava, por exemplo, ela havia escolhido, disse que combina mais com seu apelido. Ela me encantava a cada dia. Até mesmo quando batia o pé para brincar com o filho da vizinha. Garoto inconsequente – pensava entredentes.
Foi por ela que eu resisti todos esses anos. O acidente não foi muito complacente comigo, a terapia me acompanhou até dois anos atrás, as fisioterapias então, faz alguns meses que as encerrei. Mas Johanna, ela me fez querer melhorar dia após dia.
LEMBRANÇAS
O transtorno era tanto, como ela podia ter feito àquilo comigo? Com nossa filha? Mas comigo e com Kate, as coisas nunca foram muito fáceis e assim, logo depois que deixei o loft, eu tive vontade de voltar. Eu estava encharcado, a chuva surgiu de forma repentina, o tempo, nada mais refletia do que a minha dor, e naquele dia, naquela exata fração de segundos, tudo que eu queria era retornar. Para ela. Voltar e dizer que eu a perdoaria e que ainda tínhamos tempo. Nós sempre teríamos. Que a vida havia sido injusta conosco, traiçoeira até, mas que íamos nos recompor. Que tiraríamos nossa filha daquele lugar e cuidaríamos dela, que iriamos dar todo o carinho do mundo, para que ela nunca se sentisse só. Seriamos uma família novamente. Eu queria comprimir Kate em um abraço, um daqueles que sufoca, mas que acolhe e te faz esquecer o mundo lá fora. Queria carregar Kate sobre meus braços e niná-la de forma que ela também não se sentisse só, de forma que ela entendesse que eu sempre estaria com ela. De um jeito que ela superasse todo e qualquer problema, eu sempre estaria ali. Essa era uma verdade universal. Tudo isso iria passar, queria muito prometer isso a ela, mas eu precisava respirar um pouco mais aquele ar gélido. Colocar os pensamentos em ordem para voltar para ela, voltar pronto.
Dei algumas voltas, ainda com a chuva desabando sobre mim e por fim voltei para o loft. Lá estava apenas uma blusa da NYPD, que eu bem, não sabia se ela havia esquecido propositalmente ou por desatenção. Eu corri até o apartamento dela, mas ao que parece Kate não esteve lá por muito tempo, a chave reserva, a que ficava abaixo do tapete de boas vindas, na entrada, aquela chave ainda estava lá, era como se ela me desse um sinal de que logo voltaria, mas o desencontro foi fatal. Eu liguei várias vezes, mas as ligações iam direto para a caixa postal. Droga de Caixa Postal, a Kate nunca me perdoaria de não falar diretamente com ela. É muito orgulhosa. Tentei o número de Jim, mas nada funcionava. Lanie, nem estava sabendo de nada. As coisas aconteceram tão depressa que pelo jeito ela não teve tempo nem de contar para Lanie. Por fim, desisti, voltei para o loft e por lá deixei-me ruir.
— Droga! Porque Kate? – disse apertando com força a blusa a qual levei até o nariz, inalando o cheiro que nela se fazia presente. Naquela noite, bebi algumas doses de whisky, o que me deixou um pouco alterado e deitei, adormeci com a roupa ainda molhada mesmo.
Quando amanheci liguei para minha mãe e Alexis e me certifiquei que elas permanecessem no retiro em que estavam. Não podia lidar com elas. Não agora. Liguei para o meu advogado e sinalizei sobre um possível caso, o que não demorou muito para ser confirmado por ele como um caso em que resolveria. Isso mesmo, ele me afirmou solucionar o problema. Dito e feito.
— Qualquer juiz meu amigo, qualquer juiz vai dar a guarda a um pai que comprove ter sido enganado. Além do mais, Kate abdicou da guarda. Não há com que se preocupar, faremos os testes e em breve comprovaremos sua paternidade.
— E depois? Eu quero minha filha comigo o mais rápido possível Adams.
— Depois de comprovada a paternidade entramos com o pedido de guarda. Por sorte você, comprovando os laços com a menina, terá a guarda dela, logo.
— Eu trabalho com tempos Adams. Quanto tempo? – disse já alterado.
— Bem, cerca de um mês, sendo positivo.
— Eu preciso dela antes, Adams, eu confio em você.
Naquela semana eu procurei pela Kate perseverantemente, liguei para um amigo de Jim que me informou que Kate estava por lá, me desloquei até a cabana com aspecto interiorana, mas eu não sei. Realmente não entendia o que estava acontecendo conosco. Eu queria contar para ela, contar que buscaríamos nossa filha, sim, nós. Tinha vontade de incluí-la na vida da garota. Mas Kate parecia fugir. Talvez não fosse nossa hora.
Assim que voltei da estreita estrada que me custou umas duas horas do meu dia, contatei Adam. Meu advogado não só cedeu às minhas solicitações, como foi ágil e, em menos de uma semana o exame estava pronto. Na semana seguinte eu pude finalmente buscá-la no abrigo. E a mágoa me fez cometer um erro que não sabia se merecia perdão. Os arquivos da solicitação de guarda de Johanna, ele estavam lacrados, e permaneceriam assim. Certifiquei-me que órgãos como FBI e CIA não tivessem acesso, assim, Kate jamais saberia.
FIM DAS LEMBRANÇAS
Eu ainda não acreditava no que via, parecia, uma miragem, é uma linda miragem, que tocou minha campainha e me deixou completamente perdido. Era Kate, depois de quatro anos, Kate estava em minha porta. Ela estava ainda mais linda do que da última vez que a vi, como sempre, sobre um salto altíssimo e com uma postura incrivelmente forte. Fiquei analisando ela até que senti alguém segurando minhas pernas.
— Kate? – eu realmente não podia respirar tão bem assim.
— Castle? – ela me olhou de forma acanhada e respondeu. Estava nervosa, mas logo, ela reparou em Johanna que estava entre minhas pernas. Eu só conseguia pensar que finalmente mãe e filha estavam se encontrando. A empatia foi algo ímpar. Tanto Johanna, quanto Kate pareciam sorrir com os olhos ao olhar uma para a outra. Eu simplesmente amava aquelas duas, porém, quatro anos e meio se passaram.
Johanna como sempre, não teve uma timidez duradoura, pelo contrário, ela saltou em nossa frente, balançando aqueles cachinhos nas pontas dos longos e lisos cabelos que eram semelhantes aos de Kate. Fiquei com medo da reação de Kate ao encontrar ela, tive medo pelas duas, tive medo que ela descobrisse, mas ela sequer notou a semelhança gritante entre elas.
— Ele está consti, cons, constip, construpado – ela me arrancou um riso que saiu em meio a tanto nervosismo. Fez Kate rir também, entretanto era um riso ainda muito introvertido. Eu corrigi Jo e recebi o olhar de reprovação da mãe dela, como eu nos imaginava juntos, como uma família. Como eu imaginava constantes olhares de reprovação da Kate quando eu mimasse demais a nossa filha ou a corrigisse como fiz. E assim a minha filha deixou ainda mais claro de quem era filha, ela colocou as duas mãos na cintura, ela foi autoritária e revirou os olhos, assim como a mãe dela fazia. A inesquecível virada de olhos que me perseguiu nesse tempo todo. Que tomou conta dos meus pensamentos e do meu dia-a-dia, desde que Johanna aprendeu a revirar aqueles lindos olhos, aliás, a única prova de que era minha filha. Ela era toda Kate, na aparência.
Quando Johanna finalmente se aproximou de Kate, meu coração deu um looping, gelou e esquentou, tudo ao mesmo tempo. Kate conheceu o cachorro da filha, conheceu o nosso cantinho, conheceu o abraço da filha. Conheceu sua própria filha. Filha essa que me punha em situações deveras constrangedoras ao insistir que sim, que eu namorava Gina. Só sabia me perguntar de onde ela havia tirado aquilo.
Enquanto eu me preocupava em responder sobre Gina para Kate, em esclarecer que eu não namorava ninguém – que eu estava ali o tempo todo esperando ela – a Johanna se apresentou e, foi pelo apelido. Que alívio. Por fim, relaxei, foi o único momento naquele encontro em que eu liberei aquela adrenalina de revê-la depois de tanto tempo. Mas Kate não pareceu ter relaxado, não entendi nada do que aconteceu, a única coisa que me passou pela cabeça foi em como eu esclareceria todo esse desencontro, todo esse tempo. Como? Foi quando liguei para Lanie e implorei que ao menos naquela vez ela nos ajudasse. Em seguida, fiz a ligação que mudaria a minha vida ou que ao menos incluiria mais alguém nela.
Fale com o autor