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13 Décima Terceira Parte


Notas iniciais
Vamos lá! Boa leitura e eu confesso que não sei se está bom, mas foi o que a minha sanidade me permitiu. Meninas, os comentários de vocês estão me incentivando fortemente. Continuem comigo! Leiam com atenção pois o capítulo tem dois pontos de vista e alguns flashs.

POV Kate

Castle estava melhorando aos poucos, bem, na verdade, era incrível como as coisas corriam tão bem. Era natal. Finalmente a manhã de Natal. Como não havia tido tempo para ajudar Castle com as – milhões de – caixas com as – trilhões de – decorações natalinas, o fizemos justamente na manhã de natal. Foi um tempo agradável em que passamos montando árvores e trens. Ele parecia mais uma criança vendo aquelas peças todas. Era encantador a forma com que sorria. Era o segundo ano que passávamos o natal juntos e eu ainda não estava habituada com toda esta pompa na qual Castle tratava a ocasião, mas, confesso que naquele ano eu gostaria muito de ter uma manhã de natal com ele.

— Eu ainda lembro como se fosse hoje.

— O que? – sentei-me no colo dele com uma pequena xicara de café entre as mãos.

— Esse biscoito, Alexis fez com aquelas mãozinhas gordinhas, logo que entrou na pré-escola – disse acariciando minha cintura com uma das mãos, a que estava livre do artefato.

— Você sente falta disso?

— Muita. Quando nós tivermos os nossos você vai entender.

— Os nossos?

— Os nossos três filhos – disse sorridente — Só espero conseguir dar conta já que você será senadora e os nossos genes aliados um ao do outro não dará, algo muito... – pausou – muito calmo ou tranquilo.

— Definitivamente não – aquela dor que me atingiu quando Castle falou sobre nossos filhos, imediatamente foi tomada pela imagem de Johanna e sua imensa destreza em me deixar para trás. Ela era muito além do que eu podia imaginar, sem deixar de dizer que era muito bagunceira, birrenta e sedutora. Era uma perfeita mistura de nós dois. Levantei do colo de Castle depositando um beijo em sua testa. Foi estranho, ele achou estranho.

— Mas, acabamos por aqui, detetive?

— Por aqui, escritor. Eu preciso ir, Cas — pude ver ele derretido e acredito que estava do mesmo jeito. Mas em mim haviam umas mil toneladas de preocupação e uma dor infinita. Afinal, como faria aquilo? Como contar para ele?

— Eu preciso passar na delegacia, ou aquele lugar vira uma bagunça sem mim.

— E precisa ser agora?

— E você precisa ser tão ranzinza?

— Eu não sou.

— Há controvérsias meu amor, há muitas delas.

— Não é o que Gina diz.

— Sério Castle? Sério que você vai me comparar com Gina?

— Eu não comparei, apenas constatei.

— Você fala como se ela não ligasse toda semana reclamando que você tem algum capítulo do livro pendente – dei a língua.

— E você fala como se isso não te causasse ciúmes. Confessa Kate, você tem ciúmes de mim desde o primeiro dia em que nos vimos, aquele que você se apaixonou por mim.

— Jura? De novo? Você pode até tentar, gatinho – um riso longo e alto fez com que Castle ficasse emburrado e eu por fim completei – mas eu preciso ir. Eu volto logo para abrirmos os presentes.

— Tudo bem, mas não vá se acostumando.

— A que?

— A sair sem mim.

— Definitivamente isso é algo pelo qual eu não quero me acostumar – pisquei para ele e finalmente peguei as chaves do carro.

FLASH BACK ON

POV Castle

Ela era como Yoko foi para Lennon, a inspiração da minha vida. Se há alguns anos atrás não a tivesse conhecido, certamente não teria voltado a escrever. Kate sempre foi minha musa e assim será. Ela não havia saído do meu lado durante todos esses meses, minha mãe estava sentada ao meu lado e eu, bem, eu estava anestesiado com a quantidade de medicamentos que estavam me injetando. Por pouco não arranco todas aquelas sondas e cateteres. Mas eu precisava melhorar. Melhorar para ela. E assim faria.

Depois de alguns minutos com a mão fixada a da minha mãe, soltando algumas palavras desconexas e enrolando a língua, mais do que qualquer outra coisa, eu dormi. Aquelas poucas horas que descansei, tive uns lapsos de memória, que não sei ao certo se eram lapsos ou se eram sons da minha mente inebriante. Eram ideias realmente inebriantes, pois eu gostava do que ouvia. Era perceptível o meu estado, eram momentos dos meses em que estive em coma. Comecei a repassar as imagens em minha mente assim que abri os olhos.

Acordei com a voz de Kate me puxando para cima. Ela estava me contando sobre como estava sendo sua rotina no trabalho sem mim e, tudo que eu mais queria era me mover dali para segui-la, como sempre fiz, mas, por um motivo desconhecido, eu não conseguia. Contava-me sobre Johanna, aquele era o motivo dos ruídos, Kate sempre a levava para me visitar nos últimos dias. Johanna, que nome lindo. Mas quem era? Estava certo de que não era a sua mãe.

Johanna estava atrapalhando nossos monólogos, mas eu por algum motivo não queria que ela parasse. Na verdade, fazia força para conhecer esse ser que tanto resmungava quando chegava perto de mim.

Era estranho, mas, meus sentidos de um tempo para cá começaram a aguçar, eu não conseguia responder de maneira alguma para Kate, mas já conseguia aspirar mais de seu cheiro, cheiro que por sinal se misturava à um cheiro um tanto quanto peculiar e, eu diria até que era um odor conhecido.

Ficou mais um tempo me estimulando com seu toque, até que eu senti em meu eu mais profundo algo repousar sobre minha testa e, fiz uma enorme força para responder àquele gesto, o que não aconteceu. Em questão de minutos – eu acho – Kate e sua voz doce sumiram.

Assim o sonho acabou e eu me remexi várias vezes naquela cama de hospital, as dores e o inesgotável desgaste não ajudavam em nada, mas ainda sim, eu me recordava do sonho. Mas, tudo bem, sonhar com Kate era o suficiente, por enquanto. Mais tarde conversaríamos.

FLASH BACK OFF

***

POV Kate

— Hei! – fui ao seu encontro e encostei meus lábios nos dele – você podia ter me ligado, sabia? Senti sua falta! – respirei fundo, soltando todo o ar gélido trazido da rua.

— Hmmm, que cheiro bom – ele pareceu ter ignorado a segunda parte do que falei.

— Ah é? Cheiro de que? – tirei as luvas e o gorro e sentei-me ao seu lado.

— O seu cheiro.

— Qual foi Castle? Eu não estou cheirando a... — disfarcei e o encarei nervosa, tentando tornar meu semblante mais amigável e ao que parece, funcionou — nada. Senti sua falta – disse desviando o assunto, mas sendo sincera – Eu senti sua falta por todo esse tempo.

— Eu também. Eu não estava acordado, mas eu não consigo imaginar um mundo em que eu não sinta sua falta. Você certamente fez falta.

— Eu sei.

— Você fala como se fosse uma mártir certa de seus sentimentos.

— E eu sou – pausei – eu realmente sou capaz de morrer pelo que acredito – passei a língua sobre os lábios e sorri de forma provocante. Eu realmente sabia como aquilo iria terminar. Com minha sogra nos deixando a sós para nos reencontrarmos e minha enteada na casa de Meredith – ela costumava ir para lá após abrir os presentes com o pai – nós certamente teríamos a tarde e quem sabe a noite livre.

***

Acordei no meio da noite, despertei-me por conta de um infortúnio pesadelo. Contei os passos e vesti a calça que estava pelo chão do quarto, me movi tão rápido pelo quarto que nem reparei na cama. Apenas queria poder sentir aquela dor sozinha. Na ponta dos pés corri até a sala, chegando finalmente na mesinha de centro onde haviam ficado as chaves do carro, antes da noite alucinante de amor que tivemos. Um engasgo, uma tentativa de chamar minha atenção me despertou. Era Castle, ele não estava na cama como pensei. Nem dormindo. Tentei disfarçar o nervosismo quando ele ascendeu a luz do abajur, mas, no fundo eu sabia que uma tempestade iniciaria. Era inevitável argumentar contra aquilo, Castle não só havia me pego tentando sair em meio à madrugada, como, também estava com uma grande quantidade de munição em punho. Era como se segurasse dinamite.

— O que é isso?

— Não é nada do que você está pensando, me deixa explicar – ele levantou e passou várias vezes a mão sobre os cabelos desgrenhados.

— Não é o que eu estou pensando Kate? Como isso pode não ser o que estou pensando? Eu tentei fechar os olhos e me tornar um cético total, acreditar que você não estava me escondendo nada, que os seus choros pelos cantos, eram apenas sinais de um corpo cansado, eu te dei ainda mais carinho, porque eu me culpava Kate, me culpava por tudo que sei que fiz você passar. Mas por favor, você não tinha o direito, Kate, não tinha o direito de esconder isso de mim. Você não tinha o direito de esconder a minha filha de mim.

— Cas... – fraquejei, mas ele não, ele continuava lá, munido de sentimentos nada sadios. Pronto para me atacar e me culpar ainda mais.

— Eu confiava em você Kate, eu sempre fiz. Mas caramba Kate! Você ultrapassou todos os limites.

— Você... – as lágrimas finalmente começavam a cair, tentava manter o equilíbrio, mas nada faria isso dar certo — estava em coma, eu tinha certeza de que não voltaria.

— E por isso precisava dar a sua própria filha? Que belo gesto, Kate. Que bela mãe. Você não se tornou muito melhor que Meredith depois disso, aliás, você é cruel, Kate.

As palavras chaves, ele conseguiu, completou a missão de destacar todos os meus medos, como troféus que evidenciavam o meu fracasso total. Ele me comparou com a Meredith e me chamou de cruel, aquilo não podia ser real. Por pior que imaginei que fosse ser, nem de longe seria tão apavorante quanto estava sendo. Meu caos interno estava voltando e ao que parece, para ficar.

— É claro, é muito fácil me culpar, quando você não estava aqui para me ajudar. Eu estava um caos, Castle, e ainda estou – gaguejei. Afinal, eu não queria justificar o meu erro, colocando a culpa nas minhas fraquezas – eu estou me recompondo. CASTLE! – gritei solicitando encarecidamente que ele me olhasse – Eu não conseguiria sem você – silenciei por alguns minutos, me reestabelecendo da enxurrada de lágrimas que me ocorreram — Nunca. Eu nunca quis me afastar dela, ela é a parte mais pura de mim, de nós. Mas quando ela começou a crescer aqui – levei a mão até a barriga, me recordando da gravidez – eu não sabia muito bem como agir, eu só... – titubeei – só queria o melhor para ela. O melhor que eu sabia que não podia dar não naquele momento.

— Ela tem família Kate. O que não tem sentido é isso aqui – jogou a ultrassom longe e segurou apenas a carta em que abdiquei da guarda.

Eu Katherine Houghton Beckett, Declaro, para os fins e efeitos da Lei 8.069 de 13 de julho de 1990, que em razão de me encontrar inteiramente impossibilitada de satisfazer as condições essenciais à subsistência, saúde e criação da minha filha, Johanna Beckett Castle, do sexo feminino, filha de Richard Edgar Alexander Rodgers Castle, entrego a guarda da minha filha aos cuidados do governo do estado de Nova York.

— Você podia ter pedido ajuda da minha mãe. O seu pai, você tinha todo o suporte necessário, Kate, você não tinha o direito!

— Sua mãe, a Alexis, elas são incríveis, mas elas não precisavam de mais esse peso. Nós estávamos todas sentindo o peso que era cuidar de você e ainda ter esperança de que melhoraria, quando a verdade era que você não tinha esperança de melhoras. Quando na verdade, você estava MORTO sobre aquela cama, Castle e ao que parece você realmente estava morto e livre de todo e qualquer sentimento que possa fazer com que você me entenda ao menos um pouquinho, Rick... – a frase na qual comecei aos gritos terminou em sussurros. Faltava-me forças para tudo aquilo.

— Ah claro, agora você já pode liberar a culpa que você – apontou para mim – sente, em mim.

— Eu só estou tentando... – respirei fundo – explicar – juntei a ultrassonografia do chão e fiz uma rápida viagem.

FLASH BACK ON

Me preparei para ir ao hospital, para ver Castle mais uma vez, mas, dessa vez era diferente. Um dos meus amores estava completando mais um ano de vida. Era o aniversário do Castle, era dia de festa. Martha, Alexis e eu subornamos a enfermeira – a mesma que nos acompanhou durante todos esses meses – a ponto de conseguir levar um bolo para a sala – não posso deixar de dizer que foi engraçado. Alexis se encarregou de fazer o bolo e eu levei algumas flores para animar o ambiente – eu levava flores toda semana, mas elas murchavam em uma velocidade extraordinária. Extraordinário também era a palavra que deveria ser usada para Rick. Os médicos não sabiam o motivo que não permitia que ele saísse daquele coma de tantos meses, mas viviam constatando o quão forte e apegado à família ele devia ser, pois ainda estava ali, de alguma forma estava ali. E eu queria apenas passar esse exemplo para nosso bebê, certamente é uma ótima herança de valores a se passar, mesmo que ele não estivesse conosco, assim como o pai. Tenho certeza de que Castle gostaria que fosse assim, que ele fosse como nós costumávamos ser.

— Hei Cas... – acariciei seu ombro – nós temos uma surpresa pra você... – tirei as ultrassonografias da bolsa. Essa é a sua cópia. Ao que parece nossa menininha cresce perfeitamente. E... ela é tão pequeninha Cas, e segundo o médico não vai crescer muito mais – sorri acariciando sua mão. Terminamos o nosso diálogo quando Alexis e Martha voltaram com dois pratinhos e copos para a nossa comemoração fora da lei.

Foi uma tarde sufocante, mas ainda sim, agradável. Esperança. Nunca deveríamos perder a esperança, essa era a regra fundamental. Um amigo uma vez me disse: never say never, ou, nunca diga nunca.

FLASH BACK OFF

Notas finais
Comentem amores! Obrigada por tudo!