You came back

18 Décima Oitava Parte


Notas iniciais
Caramba! Bem, essa é a primeira vez que posto depois de toda a confusão que a ABC fez. Foram dias de MUITA, muita dor, eu sofri demais com todas essas decisões. Prevejo que isso ainda não é o fim e virá muito mais por aí. Eu chorei horrores com a saída da Stana, por ela, por nós, por Nathan e principalmente por Castle e Caskett. Eu amo Stanathan e vou defendê-los, sempre. Eu custei a ficar estável para conseguir escrever ou pensar sobre isso. Pra falar a verdade, eu ainda estou péssima, mas me conformando. Dito isso, o capítulo está lindo, com todas emoções que estavam em meu coração e eu felizmente pude trazer em palavras. Mas, não revisei e está grande, isto é, 14 mil caracteres e possivelmente alguns (muitos) erros de pontuação ou gênero. Após postar aqui, relerei, como sempre faço, e corrigirei. PS.: As fanfics continuam e eu estarei aqui mesmo depois do fim. Caskett vive! Boa leitura.

Passei o dia com Johanna, que preferia dormir, a ler ou brincar. Cada vez que eu me movia em sua cama, ela levava um susto e acordava fixando seus bracinhos em mim, eu em meio a sussurros, a tranquilizava. Johanna, não queria que eu fosse, e no fundo, nem eu queria ir. Eu jamais iria. Josh tentou me ligar por duas vezes enquanto eu estava com a menina e eu tive que recusar sua chamada, não era o momento pra isso, talvez não existisse mais um momento para nós. Permaneci deitada, com o braço suportando a cabecinha dela, que dormia completamente presa em mim, ela caracol, eu; sua casa. Em meu âmago, a vontade era uma só, não sair dali. Nunca mais. Jamais. Aconcheguei-me mais e ao relaxar, acabei dormindo abraçada em minha quase-filha, lembrei da Lanie novamente.

POV Castle:

Eu fiquei as admirando por um longo tempo. Aquilo me doía profundamente, saber de tudo e não poder contar para Kate e Johanna. Elas não podiam mais permanecer afastadas como estavam, mas ao mesmo tempo, como elas reagiriam? Como ficaria a cabecinha da minha filha? E se Kate quisesse fugir novamente? Se aquilo fosse demais para ela? Não podia suportar perdê-la novamente, perdê-la para ela mesma, ver aquela escuridão apossar-se da mulher que eu amava, amo e sempre vou amar. Tê-la por perto, mesmo que não fosse romanticamente, ainda me fazia sorrir em momentos ruins ou sentir meu coração bater descompassado. Beckett é uma espécie de vício, mas um vício bom, se é que existe um desses.

Depois de alguns minutos recostado no batente da porta, eu sentei na cama, ao lado da minha filha e repousei minha mão sobre sua testa para verificar a temperatura. O resultado da ação não foi nada bom, já que a febre de Johanna parecia estar aumentando mais há cada fração de tempo. Eu já tinha retirado Johanna da cama, quando Beckett se remexeu e resmungou algumas frases desconexas, debatendo-se na cama. Ela estava tendo um pesadelo. Ela chamava por nossa filha e parecia que aquele corpo, abatido, tinha marcas mais profundas do que eu podia imaginar. Sua mente parecia carregar um filme. E aos poucos compartilhávamos do mesmo desespero.

— Hei, hei, calma. Está tudo bem aqui fora. – incentivo Kate a sair para cima – Foi só um sonho — digo acariciando seus cabelos.

— Johanna, cadê ela? – os gritos são mais altos do que o pulo que ela dá, me fazendo pensar em como as coisas foram difíceis para ela nesses anos todos – Cadê a minha filha?

— Kate, está tudo certo. Ela está dormindo na minha cama.

POV Kate:

Por momentos Castle ignorou a minha insanidade e me cobriu com carinho. Ele afagava meus cabelos, enquanto deslizava a mão em minhas costas, ao me confortar e dizer que tudo ficaria bem.

— Eu prometo.

— Você sabe o quão delicado é prometer algo para mim, não sabe? – dei um leve soco em seu ombro.

— Eu acho que posso ter esquecido que você me torturava – ele fez uma careta.

— Eu acho que posso te lembrar.

— Isso pode doer.

— Ah, vai sim – eu sorri e fiz com que ele refletisse o meu ato.

— Você está melhor?

— Quase que como nova – hesitei – eu posso ver ela?

— Eu acho que você tem alguns direitos como mãe.

— Está tudo bem Castle – o olhei compreensivamente – Você não precisa.

— Está tudo certo, afinal, depois de todos esses dias, não há como não fazer esta comparação.

— E como seria se... – pauso – se eu fosse? – ele engole a seco aquela frase.

— Eu acho melhor verificarmos sua febre – ele virou as costas e seguiu porta a fora, enquanto eu só consegui forçar os dentes contra meu lábio inferior.

Tudo isso, toda esta confusão, estes desencontros, aquele encontro quando tudo que eu queria era terminar com Josh, tudo isso me deixou ainda mais suscetível ao que viria a seguir.

— Ela é linda. Tem seus olhos. – disse encostada no batente da porta, com os braços cruzados, admirando aquela cena encantadora de um pai velando o sono da filha.

— Parecem mais com os da mãe.

— Certo. E eu por um acaso, a conheço? – disfarcei o pânico, a verdade era que eu não queria a resposta.

— Talvez – ele suspira como se houvesse algo.

— Você parece gostar dela. E bem, vindo de você, isso é bem incomum. – Forcei um sorriso.

— Eu a amo – está perfeito, Kate, está aí a resposta que você tanto queria – mais do que qualquer outra – ele dizia com os olhos fixos em Johanna.

— E o que está errado?

— Tudo.

— Tudo – suspirei baixinho, com os olhos fixos no chão.

— E você – ele me olhou pela primeira vez – como vão os preparativos para o casamento?

— Bem, eu... quanto a isso, eu queria que você soubesse que – ouvimos um choro desesperado que acontecia em nossa frente e Johanna mais uma vez pedia por mim, que claro, corri de encontro à cama. — A febre dela está alta demais, Castle. Não é como se nós não tivéssemos a medicado.

— Eu vou leva-la para um hospital.

— Eu vou com você.

— Kate, você não... – ele suspirou a pegando no colo – não precisa.

— Está tudo bem, Castle, eu vou com vocês. Ela está pedindo por mim, você consegue ver isso?

— É. Eu posso.

— Que bom.

— Que bom. – ele sorria com os olhos e inalava gratidão, era incrível, só o que eu poderia dizer sobre aquele homem — Você pode pegar algumas coisas? – ele me disse e eu não hesitei, revirei o quarto com os olhos.

— Onde estão?

— Estão junto com os preferidos dela – eram as peças favoritas de Johanna, jogos, roupas ou livros preferidos, que ela escondia do pai, com medo de tê-los recolhidos em alguma possível apreensão ou ordem de restrição, o que nunca aconteceria, afinal, era Castle — segunda porta à esquerda – ele disse enquanto vestia um casaco e calçava um sapato em Johanna, algumas peças que estavam em seu armário, o que não me surpreendeu. Castle era um cara extraordinário.

Enquanto eu buscava por uma bolsa para colocar algumas peças de roupas de Johanna, só conseguia pensar em como fomos parar onde estávamos. Organizei algumas coisas e finalmente fomos para o hospital.

O Caminho para o hospital foi feito tendo como trilha, um silêncio ensurdecedor. Me despus a ir com Johanna no banco traseiro, enquanto Castle dirigia. Meu olhar voltado para o lado de fora, constrangido com a intensidade com que os olhos preocupados de Castle me atingiam, era como se ele me quisesse para si, mas não era um simples desejo, era algo mais, carinho, gratidão, eu não entendia bem, mas tinha certeza que parte disso, se dava pela filha dele que estava sendo cuidada por mim. Movemo-nos pelo congestionado trânsito de Nova Iorque e por fim, quando chegamos, ele abriu a porta segurou firme a filha para que eu pudesse me retirar do carro.

Com a bolsa e os pertences de Johanna eu me desloquei pelos corredores, acompanhando Castle. Muitas coisas passavam pela minha cabeça, lembranças de um passado não tão distante, dele naquelas camas, não exatamente as mesmas, mas em um quarto de hospital, aqueles momentos que fizeram nossa vida desandar, mas no fim de tudo, todas eram substituídas por pedidos e pensamentos positivos. Castle colocou Johanna em meu colo e eu senti meu corpo arrepiar com o calor do corpinho dela. Eu acariciava suas costas, na tentativa de extrair aquele sofrimento. Daria tudo para trocar de lugar com Johanna. E enfim, estávamos apenas eu e ela, em uma sala, aguardando a enfermeira nos indicar o caminho para os exames. O medicamento a deixou molinha e sonolenta, por isso ela custou a acordar, assim como os exames custaram a serem feitos, também.

Depois de uma série de exames, ela finalmente acordou e me encontrou por ali.

— Kate... – ela disse e eu que estava de costas virei rapidamente, encontrando aqueles lindos olhos azuis.

— Hei menininha.

— Cadê o meu pai?

— É isso? Eu não basto mais?

— Eu só tenho medo.

— Hum, e será que você pode me contar qual é o medo? Porque o seu pai me disse que você é a menina mais corajosa que ele já conheceu. Então eu não posso acreditar nisso.

— Mas e se ele vai embora?

— Ele não faria isso. Você sabe como é... nós iriamos atrás dele e faríamos no mínimo uma guerra de cócegas – eu disse já iniciando as cócegas nela – assim – aquela risada era tudo o que me faltava.

— E tem a vovó – ela disse depois da sessão risada.

— E a Alexis – completei.

— E você.

— Se depender de mim você vai sempre ter alguém para puxar suas tranças – a frase me trouxe lembranças.

— Eu não uso mais tranças, eu sou grande Kate – ela disse de maneira prepotente. Ela me lembrava alguém.

— Ahhh, mas é muito chato ser grande.

— Mas quando eu for grande, o papai vai me contar sobre a minha mãe – ela disse e os olhinhos dela brilharam.

— E o que você sabe sobre ela?

— Só que eu me pareço muito com ela. O papai diz que quando eu reviro os olhos é como se visse a mamãe. – ela revirou os olhos me mostrando como era – Você conhece a mamãe? – é sério aquilo era muito estranho, eu certamente já vi alguém revirar os olhos assim.

— É... não. Eu e seu pai nos conhecemos muito antes disso.

— Interrompo alguma coisa? – Castle entrou no quarto com um copo de café e um Donuts rosa, não era difícil de adivinhar para quem era.

— Papai! – ela reagiu positivamente.

— Ninguém disse que enquanto esperamos você não pode comer donuts. – ele riu e me entregou o café – Pra você.

— Ninguém disse que podia também, Castle.

— Não seja estraga prazeres.

— Não volte aos seus 14 anos.

— O que foi a Johanna gosta de vacas, ela adoraria uma.

— Eu quero! – ela disse com a boca cheia e cheia de cobertura rosa.

— Abelhinha, o que eu disse sobre falar de boca cheia?

— Que é feio – ela disse novamente com a boca cheia e eu ri.

— Qual foi Castle, você já fez pior.

— Hei! Eu deveria ficar ofendido.

— E deveria criar vergonha na cara também – nós dois rimos.

— Quando eu vou pra casa? – ela perguntou.

— Quando o seu pai aqui deixar de ser chato – pisquei.

— Vai demorar – ela disse com os olhos voltados para o donuts, no qual ela não parou de devorar.

— Eu ouvi Johanna, eu ouvi – ele respondeu parecendo uma criança – como seu pai, melhor amigo e super-heroi favorito, eu tenho que dizer que você vai ficar sem o livro do pequeno príncipe pelas próximas semanas.

— Eu já li mesmo – ela balançou os ombros e continuou comendo.

— Você nem sabe onde está – segui o exemplo dela e balancei os ombros.

— E desde quando você sabe detetive?

— Disse bem, DETETIVE, eu sei – olhei para Johanna de forma cumplice.

— A Kate sabe de tudo, papai – ela sorriu e o meu peito parecia que ia explodir de amor.

— Eu acho que você perdeu – ela riu e eu fiz um movimento de vai e vem entre mim e Johanna – duas contra um.

— A minha sina é ser rodeado por mulheres e sempre perder para elas – ele torceu os lábios fingindo dor, arrancando gargalhadas minhas e da filha. Não demorou muito e o médico entrou para nos atualizar.

— Johanna Castle deve ser essa mocinha aí, estou certo?

— Eu, eu, eu! – ela disse com os dentes coloridos pelo donuts.

— Então eu devo dizer que você vai precisar passar essa noite aqui comigo.

— Eu não quero papai – disse de forma manhosa agarrando-se no pai.

— Abelhinha, eu vou estar aqui com você. Eu posso. Certo?

— Claro! Pai e mãe podem sim. – Mãe? MÃE? MÃE? Foi exatamente como a minha cabeça reagiu àquela frase. Meu coração acelerou e meu corpo estremeceu, eu era uma adolescente de novo. Ele pai, eu mãe, nós pais. Espera, quantos anos eu tinha mesmo? Parou Kate, parou. Chega!

— Eu não... – respirei fundo — não sou mãe dela.

— Ah! – o médico enrubesceu – Desculpa!

— Tudo bem. Johanna a considera. – Castle tentou concertar.

— Infelizmente eu não sei se é possível, senhor Castle.

— Tudo bem – Johanna observava assustada – eu vou ficar por aqui mocinha, não pense que eu te abandonei.

— Você não seria capaz, eu te encheria de cócegas – espera, quanto tempo da vida dela eu perdi?

— Oh meu Deus, você está usando as minhas palavras contra mim, é isso? – disse fazendo cocegas nela novamente, enquanto ela se contorcia e gargalhava.

— Eu não faço mais – ela revirou os olhos, sorriu e silenciou.

— Eu amo você – disse passando o dedo indicador sobre a ponta do nariz dela.

— Eu amo mais – ela suspirou.

— Sempre.

— Sempre – dei um beijo em sua bochecha e fui envolvida por seus bracinhos curtos.

Saí da sala imediatamente na tentativa de evitar as lágrimas que certamente cairiam. Como pode? Tão pouco tempo e tanto amor envolvido. Ela era tão minha que não haveria algo que pudesse mudar aquilo. Alguns pensamentos sem sentido me atormentaram e não pela primeira vez.

— Kate – alguém pressionou meu ombro me forçando a lhe encarar.

— Castle – respondi tentando limpar as lágrimas.

— O médico te autorizou a ficar – ele disse sem jeito ao apontar para a porta do quarto.

— Ah! E o que ele disse? – a preocupação estava reprimida durante o dia todo, mas agora ela parece ter decidido por me atormentar.

— Que os exames não mostram nada, então eles tentarão alguns que os digam algo em maior profundidade.

— Como você faz?

— O que?

— Como você se mantem assim, forte... quando ela fica doente?

— Quer dizer, eu pareço? – ele apontou para si mesmo.

— É. Bem.

— Não, certamente não.

— Você mente bem – eu disse e ele notou o meu desespero. Nos minutos seguintes estava recostada sobre seu peito e ele acariciava meus cabelos.

— Esta tudo bem, Kate. Não é como se ela fosse sumir – ele não tinha noção do que falou, então eu preferi não absorver – ela está logo ali, esperando por nós e por um donuts, claro.

— Sempre os donuts – eu disse.

— Sempre você. – eu ergui a cabeça, encontrando aquele mar azul – Quero dizer, ela sempre pede por você.

— Eu acho que ela gosta de mim.

— Ela parece com você.

— Ela tem seus olhos.

— Tem – ele disse levando a mão até meu queixo.

— Assim como a nossa.

— Nossa.

Bastou aquela última palavra para que suas mãos repousassem em minha cintura. Ele me puxou para si, me apertando de forma delicada e pressionando meu corpo ao seu. Em questão de segundos lá estavam os seus lábios encaixados aos meus. Ele me calou com um beijo que, começou casto e foi tomando maiores proporções, suas mãos percorreram o meu corpo e finalmente estávamos entregues um ao outro. Inalei por diversas vezes o cheiro dele, o que me fez lembrar os diversos momentos em que nos beijamos. Línguas que se entrelaçavam, mordidas, suspiros, foi tudo extremamente profundo, era como se cada beijo viesse acompanhado de uma promessa. Perdemos o fôlego por diversas vezes e, intercalamos entre os longos beijos e os selinhos. Em algum momento eu acreditei que iriamos ocupar um corpo só devido a maneira com que ele me tomou para si, e quando finalmente fomos nos desfazendo um do outro, mergulhei em seu pescoço, enterrando meu rosto naquela curva e ele fez o mesmo comigo.

— Você não é nada fácil.

— Há controvérsias.

— Bobo.

— Linda.

Suspirei e recostei-me sobre o peito de Castle. — Como você acha que ela está?

— Dormindo.

— Você acha ou ela está?

— Estava.

— Ah.

— E nós, como estamos?

— Bem, eu acho.

— É uma boa resposta.

— A única por enquanto.

— Eu a aceito. Por enquanto.

— Obrigada.

— Sempre. – ele disse levando sua mão de encontro ao meu maxilar — Você quer entrar? – apontou para a porta do quarto.

— Quero.

Naquele momento as coisas estavam realmente bem. E deveriam continuar assim.

Notas finais
Comentem!