You came back

19 Décima Nona Parte


Notas iniciais
Bem, desculpa a demora. Mas, obrigada por quem ainda está aqui e espero que não me abandonem agora que Castle acabou. Estou programando duas novas fics e quero vocês comigo. Sobre o capítulo: está uma fofura só. A fic vai continuar. Sobre o final de Castle: Que coisa mais linda! Estou certa que Lily se chama Johanna Lily Castle. Iludida. Mas falando sério, antes foi também, eu achei aquele final costurado, mas ainda melhor do que a Beckett morrendo ou fingindo estar morta. Caskett Always. Boa leitura! PS.: POV Kate.

Finalmente depois daquela noite incrivelmente mal dormida e daquelas poltronas, nada macias, Castle nos avisou que os resultados dos exames estavam disponíveis.

— Isso é para você – disse Castle ao entrar no quarto e me entregar um copo de café, ato que retribui com um sorriso.

— E isso é para você! – entregou outro donuts para Johanna.

— Castle! – o repreendi.

— Está tudo bem – ele respondeu e me fez compreender que as coisas estavam entrando nos eixos, finalmente – um donuts pela manhã não prejudica ninguém, detetive.

— Eu já ouvi isso antes.

— Eu apenas reproduzo o que ouço por aí.

— Está gostoso papai – Johanna sorriu com a boca suja de azul desta vez e eu repeti seu gesto.

Johanna pouco falou, ela estava completamente ansiosa para deixar o hospital, principalmente porque durante a madrugada acordou de hora em hora. Castle e eu mal dormimos cuidando para que ela estivesse em perfeito estado. Não poderíamos mais esperar para abandonar aquele quarto.

Por sorte ela não estava doente e eu não precisaria mais causar transtornos à minha coluna. Segundo o pediatra aqueles sintomas se tratavam de seu emocional que se continuasse a ser provocado daquela maneira, certamente ela voltaria a ficar nestas condições ou até pior, nunca se sabe como o emocional de uma criança vai se rebelar. Minha culpa.

O médico assinou a alta de Johanna e ela foi liberada de sua mini rotina hospitalar com um lindo sorriso no rosto e alguns pulos de felicidade sobre a cama do quarto. E eu podia apostar que estava reproduzindo as mesmas expressões dela. Castle me liberou algumas roupas de Johanna e pediu que eu a vestisse enquanto ele estaria lá fora recolhendo os papeis dela. E assim o fiz.

— Ao que parece aquele mocinho lá, não tem medo de nos deixar sozinhas.

— Não... — ela disse suspirando. Eram muitas preocupações para uma criança de seis anos.

— E porque essa cara, mocinha? – disse solicitando que ela erguesse seus braços para que eu colocasse o vestido que Castle havia me deixado.

— Porque você vai embora – ela baixou a cabeça em sinal de desapontamento.

— Hei! Eu não estou indo a lugar algum que não seja pra sua casa, com você. – agora estava colocando uma meia calça grossa e pedindo que ela levantasse uma perna após a outra para que eu continuasse a vesti-la.

— Promete? – ela disse com toda doçura e inocência possível. Por vezes pensei que aquela menina não poderia ter saído de outra pessoa, que não fosse eu mesma. Porque ela era tão minha que qualquer um poderia acreditar facilmente em um laço sanguíneo.

— Promessa de escoteiro! – eu disse e ela abriu um largo sorriso, sentou na cama para que eu colocasse o sapato em seus pés. – Mas agora você podia me contar sobre essa coisa de esconder os livros do seu pai — disse fechando a fivela dos sapatos, mas ainda concentrada naquelas bolinhas de gude azuis me encarando.

— É o meu castigo – ela suspirou e baixou a cabeça novamente – o papai sempre esconde meus livros – ela fez um bico lindo e eu parei o que fazia só para apertar aquelas bochechas.

— Mas você é criativa mocinha, não precisa só de livros para viajar – Ela apontou para a escova de cabelo e o laço que seu pai havia deixado junto da pilha de roupas – vamos lá amor, você pode ir até a lua se quiser – disse enquanto eu penteava seus cabelos.

— E pegar uma estrela?

— Pode sim! – ela balançou a cabeça e eu só consegui rir — Pode fazer o que você quiser.

— E conhecer o pequeno príncipe?

— Pode também.

Eu sorri e logo em seguida, o pai dela invadiu o quarto informando que as indicações eram as mesmas, prosseguir com a terapia – não me surpreendia que ela já a fizesse – e em caso de febre ou vômito, havia alguns medicamentos que já tínhamos decorado, ela devia fazer uso deles. Isso tudo, além de atualizar o pediatra dela com determinada frequência.

Johanna dormiu durante todo o percurso até a minha casa, onde estive para arrecadar algumas peças de roupas. Em seguida, nos dirigimos para a casa de Castle. No dia seguinte eu precisava ir trabalhar por isso as roupas, além disso, podia acreditar facilmente que as roupas que eu vestia sairiam andando em qualquer momento. Tudo isso para ficar perto dela, eu não conseguiria arredar o meu corpo das proximidades de Johanna. Prometi que estaria sempre lá para ela e assim o faria. De hoje em diante, ela era parte de mim também, parte da minha vida. Mesmo que as coisas entre eu e Castle não caminhassem tão bem, eu ficaria. Não faria como fiz todas às vezes com Castle e com minha filha, com a minha Johanna, dessa vez não, eu não me esconderia atrás de muros. Eles já estavam precários há certo tempo. Aqueles muros não se sustentavam mais, tinham estruturas abaladas por algumas doses extras de afeto.

Depois de dois dias sem trocar as roupas, eu tinha um humor incrível, mas um visual não tão bom assim, eu estava precisando de um tempo. Definitivamente, ser mãe era algo cansativo. Mas eu estava adorando a ideia. Adentramos a casa de Castle. Ele carregou Johanna até sua cama e eu larguei as chaves sobre a mesa de centro da sala e sentei no sofá, o aguardando.

— Como ela está? – questionei quando Castle voltou para a sala.

— Bem, eu acho. A febre cedeu. Obrigado.

— Ah, pelo que, Castle?

— Por você estar aqui comigo – ele pausou, mas percebeu a problemática da frase – e com a Jo.

— Não é mais do que minha obrigação. Conforme-se Castle, você vai ter que dividi-la comigo.

— Isso é totalmente aceitável.

— Eu acho que tem Johanna pra nós dois.

— Ou quem sabe a gente pode cortar ela ao meio – hesitou – é... não.

— Não é como se ela se regenerasse.

— Mas podia.

— Podia. Assim nós nunca passaríamos por outro dia como esse.

— Isso nunca tem fim.

— Parece que não. – espera, ele estava falando dela ou de nós?

Ele levantou, serviu duas taças de vinho, me alcançou uma e voltou ao meu encontro.

— Será que eu... posso? – pediu licença e eu apenas acenei positivamente — Você já falou com o Josh? – disse ao beber um gole do liquido escuro – eu digo... você está aqui desde ontem e bem, hoje você também vai estar aqui conosco, você deveria... — Esse homem só podia estar brincando comigo. Depois de tudo o que aconteceu nesses dois dias, depois do beijo no hospital. Josh? Era sério? Era. – falar sobre isso.

— Não. É... Castle acho que eu já vou indo. Está um pouco tarde.

— Não. Espera! Eu acho que falei demais.

— É. Eu acho.

— Eu não quero te pressionar.

— Tudo bem. Você não está. Mas eu acho melhor que eu vá dormir mesmo.

— Kate... não – ele me puxou pelo braço enquanto eu fazia menção em ir na direção do quarto de hóspedes.

— O que você quer Castle?

— Você.

— Não foi o que me pareceu alguns minutos atrás.

— Que diabos, Kate – ele suspirou e nós só conseguimos rir.

O clima sólido e alegre deu lugar à tensão sexual. Um arrepio percorreu a minha espinha quando Castle posicionou suas mãos em minha cintura, me puxando para si e me silenciou com um beijo. Não precisou de muito tempo para que nós esquecêssemos a briga tola que íamos iniciar. Pausamos o beijo, respiramos fundo e voltamos a nos encarar. O sorriso estampado no rosto dele era lindo e eu podia jurar que se pudesse me encarar, eu estava com este mesmo sorriso.

— Você vale muito pouco, Castle – eu disse e nós começamos a rir.

— Eu deveria ficar ofendido por isso, detetive – respondeu com seu típico sorriso sedutor.

Enterrei meu rosto na curva de seu pescoço e por ali fiquei por alguns minutos.

— Eu acho que vou indo – disse sem mover qualquer parte do corpo que fosse.

Meu corpo ficou alerta ao sentir uma de suas mãos percorrer minha cintura enquanto a outra resvalava livremente por cada pedacinho da minha nuca. Em uma fração de segundos ele puxou novamente, — desta vez com mais força e precisão — minha cabeça para si, fazendo com que meus lábios fossem de encontro aos dele, assim ele roçou sua boca sobre a minha e passou a língua sobre ela, impondo o início de um beijo. Aquela ação era um suplício, porque eu queria mais. Muito mais. Eu só sabia pedir por mais. Era como se eu precisasse daquilo para sobreviver, então comecei a aprofundar o beijo. Com as mãos afixadas em minha cintura Castle me carregou para o quarto sem que desgrudássemos nossos lábios em algum momento. As nossas línguas buscaram uma a outra com avidez e meus pulmões imploravam por ar. Os beijos eram exigentes e famintos.

Por fim, adentramos o quarto. Castle sentou-se e me puxou para seu colo. Sua mão percorreu com lividez a lateral do meu corpo, vindo repousar na minha coxa, se insinuando para o interior da mesma, subindo para me tocar. Eu já estava ofegante apenas com a expectativa.

Ele deslizou sua boca pelo meu maxilar e eu senti minha pele arrepiar quando ele pressionou seus lábios no meu pescoço.

— Cas... – disse tentando recobrar a sanidade – aí... – ofeguei – não.

Era complicado, ele sabia, mas aquela marca não poderia estar por ali pela manhã, então seria bom que ele não a fizesse. Era inacreditável o quanto eu queria aquilo. Estar com ele. Estar na cama com ele, na cama dele. Ser dele. Era o que eu mais queria. Giramos, buscando trocar as posições e Castle foi descarregando o peso de seu corpo sobre o meu, colocando-se entre as minhas pernas.

Os beijos estavam cada vez mais quentes, sua língua percorria cada centímetro da minha boca, como se quisesse encontrar algo. Respirei fundo e com os meus dentes, puxei seus lábios para mim e ele só teve como reação, sua risada sensual. Como retribuição ao meu ato anterior, ele pressionou sua extremidade contra mim, o que fez meu coração reagir com palpitações fortes e descompassadas.

Depois de deslizar seus lábios por toda pele que estava ao seu alcance, em um jogo onde sua boca percorreu cada centímetro do meu corpo — que nesta altura já estava nu. Os nossos dois estavam – ele pausou em meus seios, que eu podia jurar que foram estimulados por horas. Quando notou que já havia ficado o suficiente por ali, decidiu fazer o mesmo com minhas coxas, encontrando enfim o subterfúgio entre minhas pernas. Por ali pude contabilizar os meus múltiplos espasmos.

— Cas... – divagava – faça – pausei – isso – recobrei as forças para finalizar – logo.

Movimentos calmos que nos conectaram deram ritmo àquela noite. Castle tinha um único objetivo por ali: Fazer-me suplicar por ele. Fixei minhas mãos no lençol, o apertando e puxando com força. Aos poucos nós entramos em um ritmo próprio. Foram gemidos sufocados, respirações ofegantes, trocas de olhares e sorrisos. As mãos que se uniam umas as outras e ficavam entrelaçadas e depois voltavam a contornar os corpos um do outro. Tentativas frustradas de trocas de beijos enquanto nos movimentávamos. Suspiros, afagos, arranhões e mordidas. Era muito mais do que podia imaginar.

A vida parecia finalmente colaborar e conspirar em nosso favor. O que senti naquela noite foi infinitamente melhor do que em nossa primeira vez. Eu estava completa. Dizem que o corpo reage negativa ou positivamente, pois o meu só sabia fazer de uma forma. Seguimos um ritmo sincronizado até atingirmos o ápice, juntos.

Mesmo depois de anos nós ainda achamos uma maneira de estarmos juntos e vivermos esse sentimento. Após tanto tempo ainda formávamos um belo time.

— Ual! Isso foi...

— Incrível – ele completou. — Detetive, você...

— Quer dizer, você... – arfei o quanto era possível de ar – gostou?

— Se eu gostei? – ele ergueu as sobrancelhas e eu só consegui esconder meu rosto com o fino lençol que nos cobria e rir. — Eu deveria me sentir ofendido por isso, certo?

— Deixa pra ficar ofendido quando eu te vencer.

— Como se isso fosse possível.

— Diga isso para o tabuleiro de scrabble, Cas.

— Diga isso para o baralho de pôquer.

— Diga isso para o dinheiro que eu te devolvi – disse erguendo uma sobrancelha.

— Digo o mesmo para você, detetive.

— Parece que empatamos.

— Diga isso para as nove vezes que salvei sua vida – ele claramente se sentia o maioral – ou seriam 12?

— Eu não posso acreditar que você continua com essa conta ridícula – ri e me aconcheguei na cama, acomodando alguns travesseiros na cabeceira da cama e repousando minhas costas neles. O lençol agora cobria apenas o meu corpo, isto é, indo até a altura dos meus seios.

— Assim como você continua negando que me amou desde o primeiro minuto que botou os olhos sobre mim.

— Não é como se eu acreditasse em amor à primeira vista, Castle. Mas teria me poupado um bom tempo eu admito.

— Era realmente mais fácil admitir.

— Admitir que você era um idiota e que eu queria chutar seu traseiro, cada vez mais em cada fração de segundos?

— Essa doeu.

— Doeria mais se eu tivesse feito.

— Em troca você não teria tido essa noite maravilhosa ao meu lado.

— E nem... – respirei fundo.

— Johanna.

— Qual delas, a que está lá em cima, ou a nossa? – sorri e desviei o olhar, já ficando completamente cabisbaixa e ele apenas tropeçou em milhões de palavras soltas e desconexas.

— Bem... é – ele gaguejava – de certa forma aquela que está lá em cima também aconteceu por sua causa. Pense! Se estivéssemos juntos até hoje, ela não existiria.

— Você é um cara esperto, Castle.

— E será que eu mereço algo por isso?

— Hm, quem sabe na próxima vez que você for à delegacia eu te deixe continuar a puxar minhas tranças.

— Oh, e isso por um acaso seria um convite? Estaria certa detetive com problemas para resolver casos?

— Não seja tão convencido.

— Se isso continuar te arrancando esses risos soltos, eu acho que pretendo continuar com esta virtude. Porque convenhamos, é uma grande virtude.

— Você entende muito mal sobre virtudes.

— E o que você entende por virtude, Katherine Beckett?

— Hm... – resmunguei — o jeito que você me beija, isto é uma virtude e tanto.

— Taí, você me convenceu – ele disse me puxando para si.

Nós rimos até perder o ar, até que iniciei algumas provocações que eu podia jurar que nos faria ficar acordados por ao menos mais quatro ou cinco rodadas, e assim foi feito.

O relógio marcava mais de quatro horas da manhã quando nos aconchegamos um ao outro para finalmente dormir. Ele me puxou para seus braços e eu deitei minha cabeça em seu peito, fazendo alguns círculos em seu ombro.

Naquele momento eu me senti segura como nunca havia sentido antes. Foram alguns minutos em que as nossas respirações falaram por si só e vagarosamente encontraram o seu ritmo. Um mar de promessas silenciosas nos atingiu e eu estava quase me entregando ao sono quando Castle balbuciou algumas palavras.

— Kate – chamou.

— O que foi Castle? – disse um pouco grogue.

— Eu te amo.

— Sempre? — perguntei me deixando levar.

— Sempre.

Finalmente eu podia me permitir dormir. Aquele dia tinha sido o dia mais intenso de todos os outros da minha vida. Talvez os próximos viessem a ser assim, também. Então era melhor estarmos preparados para o que viesse. O importante era que essa dança jamais ia parar.

Notas finais
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