Notas iniciais
Olá novamente! Tudo bem com vocês? Aqui está a Parte 2 do capítulo anterior. Eu dedico esse capítulo á todas as minhas leitoras maravilhosas que sempre me dão um pedacinho do seu tempo para me deixar um comentário. Não importa o tamanho, não importa como seja, mas vocês estão sempre aqui. Agradeço do fundo do meu coração, vocês não sabem o quanto isso é importante para mim. Obrigada por tudo! ~tia dark tá chorando 3 Boa leitura! (E esse gif eu não consegui achar menor. Eu tô num azar pra imagem que só por Deus. Ignorem o rapaz que aparece na imagem depois do gif da Alura, achei que a expressão dela combinava com o capítulo mórbido da fanfic e por isso está aqui)

A lanchonete estava calma naquele momento, as pessoas viviam as suas vidas sorrindo e conversando, enfiados na sua própria rotina, no seu próprio mundo. Uma garçonete rechonchuda passava pela as mesas servindo café aos clientes e, ao meu lado, Tobias estava pé alisando o meu ombro tentando me consolar. Ele me olhava com preocupação. Meu corpo estava cansado mas os meus nervos estavam alertas, temerosos, como se alguma desgraça estivesse prestes a acontecer.

De repente, tudo ficou em câmera lenta.

Os movimentos eram mínimos, as vozes cessaram, a garçonete parou enquanto despejava café numa caneca, o líquido ainda no meio do seu trajeto antes de chegar ao copo. Minha garganta engatou num bolo achando aquilo tudo muito familiar, minha marca ardia como brasa. Olhei para Tobias ao meu lado procurando por respostas, ele me olhou com raiva.

— A culpa é sua — disse, não afetado pelo clima mórbido e lento do lugar.

— O quê? — sussurrei para ele, minha respiração acelerando gradativamente.

— Todas essas pessoas vão morrer e a culpa é toda sua! — ele gritou pressionando o meu ombro qual ainda segurava com força me tirado o ofego doloroso — Você trouxe a desgraça para nós, você o atraiu até aqui!

Arregalei os meus olhos com sua declaração, minha respiração curta e acelerada. E então, quando pensei que seria perfurada pelo seu olhar odioso, tudo voltou ao normal. Meus olhos piscaram de pavor, meus lábios tremeram levemente. As pessoas voltaram ás suas rotinas, a garçonete ainda passava por nós, Tobias já não me olhava com raiva.

— Moça, você esta bem? Já chamei uma ambulância — ele disse preocupado, como se não tivesse explodido contra mim a segundos atrás. Meu corpo tremeu de medo sem entender o que estava contecendo.

Repentinamente uma dor alucinante começou entre os meus seios fazendo a marca sangrar e meus dentes trincarem. Eu sabia o que viria a seguir.

— Abaixe-se! — gritei para todos levando Tobias que era o mais próximo ao chão comigo, mas já era tarde. A lanchonete explodiu em vários pedaços de concreto e vidros cortantes em menos de dois segundos, as pessoas estavam repentinamente ao chão, todos agora mortos. Sufoquei um grito de terror olhando o amontoado de corpos jogados no chão, abaixo de mim Tobias suspirava pesadamente. Olhei para o seu rosto vendo uma estaca de vidro enorme atravessada em seu peito, ele cuspia sangue.

— Por favor, não morra — soei alarmada tentando estancar o sangramento, mas já era tarde. A vida esvaiu do seu corpo, seus olhos apagados refletindo a sua última expressão: pavor.

— Deus, não...- me arrastei de cima dele olhando o meu próprio corpo vendo que eu não sofri nenhum dano, sequer a fuligem grudou nas minhas roupas. Arrastei os escombros no meu caminho tentando sair daquele lugar, daquele cemitério. Quando ganhei as ruas de Metrópolis novamente o cenário que eu vi me apavorou; a cidade estava acabada, estava tudo destruído, estavam todos mortos. Antes que eu pudesse ter um ataque de pânico senti um peso no meu colo como se estivesse carregando uma mala nos meus braços, olhei para baixo vendo uma criança em meu corpo que chorava compulsivamente. Ele virou seu pequeno rosto para mim me olhando com medo.

— P-Pietro? — sussurrei. Me perguntava como ele foi parar ali — Onde está sua família? Onde está todo mundo?

— Estou com medo, tia Lua — ele murmurou me ignorando, seus olhinhos verdes apavorados.

— Eu vou te tirar daqui, não se preocupe — olhei ao redor tentando achar um lugar seguro — Eu vou te manter seguro, Pietro. — afirmei convicta como se a minha vida dependesse disso.

Caminhei no meio da estrada esburacada vendo o estrago que a cidade estava. Escombros caíam do céu, corpos enfeitavam o chão, a cada passo eu me sentia seguida pelo os olhares moribundos. Minutos depois ainda atravessando a névoa que o concreto causou eu vi um prédio pequeno surgindo na fumaça que aparentemente não sofreu nenhum dano. Corri para lá apertando a cabeça de Pietro contra o meu peito para que ele não visse o cenário terrível que nos cercava. Arrombei a porta principal com um chute subindo o lance de escadas do que aparentemente era uma pequena pousada, entrei em um dos quartos e tranquei a porta suspirando de alívio por conseguir chegar num lugar seguro, um lugar onde Pietro não seria afetado.

— Você demorou — uma foz forte veio ás minhas cortas fazendo os cabelos da minha nuca se arrepiarem, meus músculos tencionarem. Segurei Pietro com mais força me virando lentamente, pavor inundando cada célula do meu corpo. Ali estava o General Zod flutuando no meio do quarto, sua capa negra tremulando ás suas costas, um sorriso esnobe no rosto que não disfarçava em nada os seus olhos inundados de raiva.

— Você... — me virei rapidamente para a porta pra fugir me deparando com o peitoral do General a poucos centímetros do meu rosto. Trombei para trás caindo no chão, meus olhos alarmados, Pietro chorando no meu colo. Olhei ao meu redor procurando desesperadamente por uma brecha, por um sinal, por alguém.

Um salvador.

— Ele não virá, prostituta imunda — Zod sorriu desdenhosamente respondendo ao meus questionamentos não ditos — Mortos não podem se levantar.

— Você o matou? — perguntei trêmula, espantada, cada célula do meu corpo morrendo com a repentina notícia. Meus olhos se encheram de lágrimas de dor, descrença, pavor.

— Matei, é claro — sua voz soava divertida, óbvia, enquanto os seus olhos eram os mais malignos que eu já tinha visto na vida — E a culpa é toda sua. — cantarolou.

Minha respiração falhou, meus olhos embaçados pela as lágrimas.

— Não — neguei com a cabeça sentindo as lágrimas descerem — Você mente, ele não está morto!

— Todos eles morreram por sua culpa, terráquea — decretou num tom mais sombrio, ignorando minhas palavras. Ele veio flutuando até mim lentamente, recuei com os cotovelos até ser bloqueada por uma parede atrás de mim. Apertei Pietro com mais força em meus braços sentindo-o chorar compulsivamente — Quem chorará no seu túmulo quando for a única maldita vagando nesse planeta miserável?

Meu nariz foi invadido por um cheiro podre, cheiro de morte. Olhei ao redor com pavor ao ver os corpos dos meus entes espalhados pelo quarto, abertos, violados sem misericórdia. Minha mãe e meu pai jaziam sem vida próximos aos meus pés, ao meu lado Rosaly sangrava com os olhos e a boca aberta em total horror.

— Não, não, não, ela não — solucei tremendo da cabeça aos pés, meu corpo mortificado pelo horror.

— Você não me respondeu, puta! — Zod gritou, agora flutuando sobre a minha cabeça, seus pés na altura do meu peito — Quem lamentará a sua morte quando for a única coitada vagando por essa terra?

E então os seus olhos brilharam em neons novamente. Um fogo quente e maligno que fez meu corpo paralisar de medo.

— Tia Lua? — o tempo parou novamente quando Zod lançou o seu raio em nossa direção, Pietro sussurrava no meu pescoço, sua vozinha doce sendo a única coisa qual podia ser ouvida nesse momento — Estou com medo.

Foram as suas últimas palavras antes do raio fumegante atravessar a sua pequena cabeça fazendo-a explodir em vários pedaços de sangue, ossos e miolos. Gritei de horror, chorei, não sentindo a dor do raio atravessando o meu ombro qual a cabeça do pequeno filhote estava. Zod gargalhava acima do meu corpo. Meus gritos histéricos e dolorosos eram altos, talvez fosse capaz de atravessar toda a Metrópolis, toda a cidade que jazia agora morta.

Por minha culpa.

Atrás de Zod um corpo flutuava sem vida, um corpo que anteriormente pertencia ao herói de Metrópolis. Sua cabeça virou para mim de uma forma estranha, pendurada no ar. Seus olhos azuis e antes tão brilhantes agora opacos e sem vida. No meio de toda a dor que eu sentia e de todo o barulho das risadas perversas de Zod, meus gritos de horror e pânico e as lamúrias dos que já foram eu ouvi a sua voz soar nos meus ouvidos.

— Você está só agora, como sempre quis. Não é?'

Levantei o meu corpo da cama com total horror, ainda gritando histericamente sentindo a minha marca arder como um inferno. Olhei ao meu redor apavorada, trêmula, soluçando compulsivamente ainda sentindo a respiração medrosa do pequenino no meu pescoço. Saí da cama com brusquidão ainda enrolada nos meus cobertores fazendo com que eu caísse de cara no chão, senti meu nariz sangrar. Chutei as cobertas como se fossem o próprio demônio, minhas lágrimas me cegando. Tateei a cômoda ao lado da cama procurando o meu celular, o pegando rapidamente vendo o monitor brilhar em dez chamadas perdidas nos últimos vinte minutos.

Chamada de 'Clark-fodido-Kent'

Um alívio repentino tomou o meu corpo, inesperado. Ele estava vivo. Verifiquei o meu WhatsApp á muito tempo esquecido checando as mensagens vendo três novas de Ross me pedindo desculpas á três horas atrás. Outro alívio, ela também está bem. Fui no contato de 'Sophia Monaé' vendo a última mensagem que ela me mandou á uma semana atrás. "Pietro adora sorvete de caramelo!" Dizia a mensagem e logo abaixo uma foto de toda a família tomando sorvete, Pietro todo lambuzado da cabeça aos pés de uma cobertura escura com um sorriso enorme no rosto e suas mãozinhas lambuzadas abertas em direção a pessoa quem tirou a foto, seus pais rindo no fundo e a pequena Lola flagrada no meio de um revirar de olhos com os braços cruzados. Atrás deles a torre Eiffel enfeitava a foto, linda e gloriosa. Eles estavam na frança visitando os pais de Sophia. Sorri entre lágrimas vendo a pequena e feliz família. Eles também estavam bem. Mas só por precaução, mandei outra mensagem.

"Desculpe por não responder antes, minha vida está uma loucura. A foto está maravilhosa, não se esqueçam de emoldurar. Me liguem quando der, estou sentindo falta do meu duelista favorito. Se divirtam" enviado para 'Sophia Monaé' ás 2:45AM ✓✓.

Suspirei mais aliviada ao perceber que tudo não passava de outro pesadelo, um maldito pesadelo. Me levantei do chão e abri a pequena cômoda, vendo os meus soníferos á muito esquecidos no fundo da gaveta. Abri a caixa e destaquei uma pílula, saindo do quarto em direção a cozinha para pegar um copo d'água. Olhei o remédio mais uma vez antes de toma-lo com relutância, eu odeio ser medicada. Sentei no sofá da sala puxando os meus joelhos pra cima apoiando minha cabeça entre eles. Foi o pesadelo mais intenso que eu tive desde o acidente. Ainda era capaz de sentir o horror ao ver o garotinho morto em meus braços, a dor no meu ombro, as palavras duras que ouvi, o desespero ao saber que estavam todos mortos, inclusive ele. Meu coração falhou uma batida de novo, novas lágrimas invadiram os meus olhos. Doía como um inferno pensar na sua morte e eu não entendo o porque, eu não entendo mais merda nenhuma que acontece na minha vida.

Sufoquei um soluço ao ouvir meu celular tocar no quarto.

— Quem diabos estaria me ligando ás três da manhã? — sussurrei chateada caminhando lentamente de volta para o meu cubículo de terror.

Olhei para a cama com nojo, como se ela fosse a fonte dos meus temores, mas relutantemente me sentei na mesma enquanto pegava o meu celular. Clark Kent me ligava pela décima primeira vez. Ás três da manhã. Maldito filha da puta. Deixei tocar até a chamada se encerrar, não demorou muito para que mais mensagens dele chegasse. Ignorei por uns minutos até perceber que ele não me deixaria em paz. Abri seu WhatsApp apenas para ver mais de trinta mensagens não lidas. Definitivamente Clark Kent não conhece limites. Li apenas ás duas últimas.

"Alura, eu sei que está chateada e eu realmente quero dar o seu tempo, mas posso sentir que você não está bem. Por favor, fala comigo" recebida de 'Clark-fodido-Kent' ás 2:40AM ✓✓

"Atente o celular, por favor. Deus, estou tão preocupado" recebida de 'Clark-fodido-Kent' ✓✓

Revirei os meus olhos sentindo minha marca arder. Com certeza essa maldita delatora tem alguma culpa nisso. Antes que eu desligasse o celular uma nova mensagem dele chegou.

"Alura Murray, se não me atender eu juro por Deus que vou até aí" recebida por 'Clark-fodido-Kent ás 3:00AM ✓✓

Em seguida o celular começou a tocar novamente, atendi com raiva.

— Você não se atreva a vir até aqui, seu maldito psicopata!

"Graças a deus você está bem, graças a Deus" ele suspirou aliviado do outro lado, ignorando a minha explosão. Os pelos dos meus braços e pernas se arrepiaram ao ouvir a sua voz, lembranças de ontem a noite invadindo o meu corpo "Fiquei tão preocupado com você, tão malditamente preocupado-"

— E por quê diabos isso? Por quê estava preocupado? — me ouvi perguntando contra a minha vontade.

Clark suspirou do outro lado pesadamente. Não era minha intenção falar com ele como se nada tivesse acontecido, definitivamente não era. Eu ainda estou com rava, com medo e profundamente confusa mas o meu corpo não me obedecia direito, minha marca ardia sentindo a sua falta, o seu cheiro invadindo as minhas narinas mesmo que ele não estivesse perto. Por deus, eu o odeio.

"A sua marca" ele sussurrou "Estava inquieta. Como se você estivesse em perigo. Mas eu sei que não era um perigo real, eu posso sentir quando for. Você... estava tendo um pesadelo muito ruim, não é?" sua voz era doce agora, amena. Meu corpo reagiu ao seu tom, a marca enviando sinais de calmaria para os meus nervos.

— Você... — solucei, mal contendo minha voz falha de medo e surpresa, indignação e pavor — O que diabos você fez comigo, seu fodido idiota! Por que eu tenho isso grudado na minha pele? Por que eu?

"Esse não é o tipo de conversa que podemos ter por telefone, querida. Posso ir aí agora?"

— Não! Inferno, não, você não pode! Não aja como se estivesse tudo bem, Kent!

"Eu sei que está tudo um caos pra você, sei que está odiando tudo isso. Mas é por isso que precisamos conversar, Lua. Você precisa entender-"

— São três da manhã! E eu não quero vê-lo, não quero escutá-lo, não quero sequer saber da sua existência maldita. Me deixe em paz, inferno! — explodi histérica. Minha marca protestou numa guinada dolorida.

"Querida, por favor.." Sua voz era dolorosa, baixa e rouca. Parecia estar sofrendo "Você sabe que precisamos conversar, você sabe disso Alura. Não fuja de mim"

— Não — balancei a cabeça veemente como se ele pudesse me ver — Não existe um nós, Kent. Por mil infernos, eu sequer sei quem você é! Você... mentiu pra mim.

"Lua-"

— Não! — gritei — Eu não quero essa merda toda na minha vida, eu sei muito bem o que aconteceu da última vez em que estive no meio dos seus assuntos. Nós quase fomos dizimados, Metrópolis quase se foi! E de alguma forma estúpida eu fui marcada a ferro por um destino que não me pertence, eu não quero isso! Eu não o quero perto, eu não — engasguei, sentindo as lágrimas voltarem a fluir. A linha ficou muda por uns minutos.

"Alura? Fala comigo, por favor" disse preocupado.

— Eu tenho medo — sussurrei minha confição involuntária. A linha ficou muda por alguns longos segundos, a respiração do homem do outro lado da linha se alterou.

"Querida, você está chorando? Por favor, não, não faça isso" A voz de Clark era alarmada e sôfrega, parecia machucado "Por Deus, a culpa é minha. Me perdoe, me perdoe por ter presenciado aquilo, eu não sabia na época, não era pra você estar lá. Eu te protegeria se soubesse desde o começo. Me perdoe" eu não entendia sobre o que ele dizia com tanto desespero, mas suas palavras me fez chorar ainda mais "Permita que eu vá até aí, por favor. Eu preciso te explicar"

— Não — minha voz não passava de um sussurro agora, fraca. De uma forma estúpida, eu não queria ser mais rude do que eu já fui, eu não tenho mais forças pra brigar hoje — Eu não quero saber, Kent. Eu não quero ter mais nada a ver com isso. Por favor, me esqueça, me deixe em paz. — implorei pateticamente.

"Eu não posso!" ele sussurrou também, mas seu tom soava como se o que eu disse fosse o maior absurdo que ele já escutou na vida "Deus sabe que eu não posso. Eu tentei, Lua, juro que tentei deixá-la em paz. Mas eu não posso, eu não quero. Eu não... eu não quero ficar longe"

— Por quê? Por quê, Clark? Você nem me conhece, droga — deitei na cama me encolhendo, o celular no ouvido. A conversa parecia mais íntima agora, mais amena. Como se nós dois estivéssemos numa forca qual não poderíamos nos livrar.

"Não me force a dizer isso por telefone, querida. Por favor, é você quem não me permite ficar perto" meu coração acelerou na caixa torácica, uma mistura de repulsa e vontade invadindo o meu corpo. "Vamos conversar pessoalmente, por favor. Me deixe ir aí"

— São três da manhã, Kent — murmurei cansada de discutir. — Não seja estúpido.

"Eu posso voar, Lua" ele soltou uma risada fofa do outro lado como se fosse a coisa mais óbvia e mais normal do mundo.

— Você é um maldito bastardo que não conhece limites! — exclamei com raiva, mas sua risada doce soou do outro lado como um calmante instantâneo. Meu corpo relaxou, o remédio enfim fazendo efeito. — Você tem noção do quanto isso tudo é uma loucura? Do quanto isso tudo é uma merda? Por deus, eu não quero essa droga toda na minha vida.

"Temos visões diferentes da mesma situação, mas eu entendo o seu lado Alura, eu realmente entendo. Posso fazer vê-la a situação com outros olhos, se permitir"

Suspirei pesadamente. Um sentimento lento de incapacidade de fugir se arrastava pelo o meu corpo, assim como o cansaço. Como se fosse o meu destino costurado a ele com linhas de aço.

— Se entende, então dê o meu tempo, sim? Minha cabeça está cheia dessa merda, minha vida está uma bagunça. Me dê um tempo, você está me sufocando.

"Você está..." ele ofegou "Aceitando a minha proposta? Tão fácil?"

— Não diga em voz alta, me sinto ridícula! — gritei com ele — Não faça com que eu me arrependa, idiota.

"Não farei, meu anjo. Prometo. Vou dar o seu espaço, tá bom?"

— Parece o diabo oferecendo contratos em troca das almas dos outros, Kent — resmunguei e ele riu, uma risada doce — E acho bom cortar essa droga de intimidade que você acha que tem comigo, não sou nada sua.

"Tá bom, Alura" ele resmungou entre sorrisos. Tive vontade de xingá-lo por não me chamar por Murray, mas estupidamente eu não fiz isso. Maldito idiota que me faz ceder "Você está melhor agora?"

— Não me venha com essa, estou com muita raiva de vocês dois ainda — novamente os meus lábios disseram o que não deveriam. Clark suspirou do outro lado.

"Querida eu sei que está com raiva e você tem todo o direito do mundo de ficar, mas você foi dura com Rosaly. Ela é sua amiga, não faça isso com vocês duas. Ela se preocupa com você"

— É claro que você sabe disso porque estão bem íntimos, não é mesmo? — cuspi ácida, uma dor latejante começando no meu peito — Vocês são dois malditos ferrados. Se merecem. — ele ofegou do outro lado por segundos.

"Você não pode estar pensando o que eu acho que está, Alura" soou incrédulo minutos depois, parecia chateado de verdade agora e sem querer me encolhi ao seu tom ríspido "Tire essas besteiras da sua cabeça, eu não tenho nada com Rosaly!"

— Isso não é da minha conta, você não é nada meu! Não me deve droga de satisfação nenhuma. — disse amargurada, repentinamente chateada em níveis altos.

"Por deus, você é tão complicada ás vezes!" ele suspirou "Você irá etender que eu não quero nada com sua amiga, você tem que entender que eu quero-Espere... você está com ci-"

— Vá pro inferno, maldito alienígena! — encerrei a chamada desligando o celular em seguida.

O joguei do outro lado do quarto e me embrulhei até a cabeça com o cobertos, como se isso fosse me livrar de todos os meus problemas, meu coração batendo com força no peito. Apesar de tudo o meu corpo estava mais relaxado agora, meus olhos pesavam de sono. Minha marca ainda pulsava, mas não ardia como se fosse me rasgar igual estava anteriormente. Meus olhos se fecharam, embalada pela voz grossa e calmante do repórter mentiroso.

Maldito seja Clark Kent e seu maldito poder de persuasão.

Alura Pov's Off

Acima do telhado do prédio puído, Superman flutuava ouvindo a chamada se encerrar repentinamente, um sorriso cheio de dentes enfeitando o seu belo rosto. Ele viera desde que sentiu no fundo do seu âmago a sua prometida sofrendo, chorando, sentindo dor entre os pesadelos e não invadiu a sua casa para ampará-la quando ouviu os seus gritos cortar a noite porque sabia que não era o certo a se fazer, apesar de cada célula em si implorar que fizesse isso. Ele sabia que era algo relacionado ao acidente como sempre era, mas ela não chamou por seu nome dessa vez, seu peito doeu uma batida enquanto se perguntava se isso era culpa dos últimos acontecimentos que os afastaram um do outro. Entretanto, apesar de toda carga emocional, ele sorriu. Sua prometida, sua Alura, fora maleável com ele. Ele sinceramente esperava muito mais. Por um lado ficava aliviado com a sua repentina e não declarada trégua, por outro ficou terrivelmente incomodado com a ideia de tê-la magoado tanto ao ponto dela não ter forças para lutar contra si. Ele preferia uma leoa furiosa em sua verdadeira face do que uma gatinha fofa quebrada por dentro.

Ele a ama do jeito que ela é.

Se concentrou no som bonito do seu coração esperando que ele fluísse mais lentamente até ela dormir, e quando o som se tornou rítmico e calmante ele flutuou lentamente até sua varanda que ela tinha uma péssima mania de deixar aberta. Caminhou a passos lentos até a sua cama sentindo o seu cheiro de mulher invadir suas narinas como uma borrifada do perfume mais caro e mais cobiçado do mundo: o cheiro da sua Alura. Lentamente sentou-se na sua cama, ao seu lado, puxando suavemente os cobertores que cobria a sua cabeça com uma suavidade tão grande que nem ele próprio se reconheceu. Abaixo dos cobertores, uma Alura descabelada descansava cheia de olheiras e lágrimas marcada no seu belo rosto, Clark chorou por dentro perante ás lágrimas da sua mulher. Ele se certificaria de jamais fazê-la chorar novamente. Alisou a sua bela e delicada face quase com adoração, como se ela fosse uma peça rara e frágil de porcelana, traçando as suas expressões com um carinho que nunca sentiu por nada ou ninguém na vida: com um carinho que sabia que jamais sentiria por outro ser além da sua mulher.

Em seu sono, Alura franziu os olhos levemente ficando inquieta. Clark percebeu que poderia ser mais um pesadelo a perturbando. Instintivamente, ele sabia o que fazer para acalmá-la, mas queria ser mais íntimo do que o comando da sua própria voz. Lentamente ele abaixou mais os cobertores revelando o seu busto coberto com nada mais além de uma fina blusa do Batman sem sutiã nenhum. Ele recuou ligeiramente, olhando para o lado contrário sentindo o seu corpo reagir a sua presença, ao seu copo atraente. Por Deus, ele estava a tanto tempo sem sexo que mesmo que um laço não os envolvesse ele estaria subindo ás paredes, exatamente como estava agora. "Foco, Clark. Não a desrespeite em seu sono, ela ainda não o aceitou" repetiu para si mesmo sentindo sua sanidade querendo se esvair com o cheiro doce e excitante da sua mulher penetrar as suas narinas, o seu voluptuoso corpo a apenas alguns centímetros do seu. Uma leve ereção começava a endurecer rapidamente, fazendo um atrito doloroso e ao mesmo tempo prazeroso contra a sua roupa colada de herói.

— Concentre-se em não tomá-la aqui e agora, concentre-se. Ela não é só um corpo quente, é a sua futura senhora, não faça bobeira, não a desrespeite em sono — sussurrou de olhos cerrados, os punhos fechados com força. Minutos depois de muita respiração profunda sua ereção se controlou dentro das calças. Olhou para o seu belo rosto novamente a vendo se sobrancelhas franzidas, outro pesadelo. Seguindo a sua ideia inicial ele abaixou levemente a sua blusa se concentrando unicamente no que veio fazer ali ou não se controlaria, sentindo enfim a marca entre dois dos seus dedos.

Com total horror e se esquecendo do prazer de tocar no corpo da sua mulher ele a viu extremamente inchada e terrivelmente avermelhada, pulsando dolorosa, machucando a sua mulher, quase sangrando. Sua respiração se alterou ao ver que sua marca, o símbolo da casa El que fazia Alura oficialmente sua prometida a torturava com dores por estar longe de si, como se a punindo por ir contra o destino de ambos. Ele suspirou pesadamente sentindo fúria nascer dentro de si, um sentimento quebrado no peito, ele não quer forçá-la a nada nunca mesmo que o laço entre eles exijam contato. O símbolo da casa de El jamais deve puni-la, ela deve se orgulhar de pertencer a ele, e não sofrer como um cão que não faz o que lhe é ordenado.

— Me perdoe, minha Lua. Eu não sabia que estava sendo torturada pela nossa ligação — compreendeu ele naquele instante que, junto com a marca, sua dona estava passando por vários ciclos de humor que a mesma não entendia. A marca era quase como um hormônio no seu corpo, a levando ao extremo em vários sentidos. Pensou que sua mulher estava emocionalmente exausta, e a marca só intensificava os seus sentidos.

Carinhosamente ele sei abaixou a altura dos seus seios fartos levemente esparramados para os lados lhe dando um caminho mais fácil até a marca (mas ele não pensaria nisso, ou não se concentraria no que veio fazer) e a soprou levemente com seu ar gelado vendo-a desinchar instantaneamente. Beijou a marca com adoração sentindo a pele de ambos se arrepiarem com o contato e um leve suspiro da sua prometida -se não fosse o respeito que ele tem por aquele corpo ele veria os bicos dos seios da sua futura mulher se endurecerem de prazer também-, sabendo que ela estava ligado com os sentimentos de ambos, e tentou passar a ela todo o seu amor vendo-a voltar a sua forma original; uma leve cicatriz com o simbolo El levemente avermelhado naturalmente. Voltando a se sentar ele olhou pra sua mulher vendo o seu corpo mais relaxado, sua expressão mais tenra, parecia até mesmo feliz. Ele sorriu com amor a cobrindo até os ombros.

— Não torne isso mais difícil para nós dois, minha paciência está acabando — sussurrou alisando os seus cabelos negros, se inclinando e depositando um beijo doce em sua testa.

Contra o seu corpo e até mesmo o dela ele se virou em direção a varanda, seus nervos protestando contra a partida, mas ele sabia que precisava ir. Se virou para olhar aquele rosto angelical uma última vez aquela noite antes de cortar os ares num impulso forte. Já no céu, ele não poderia deixar de pensar na textura deliciosa que era ter a sua pele contra os seus lábios. Pensou que quando estiverem realmente juntos, se certificaria de passar os lábios por cada centímetro daquele corpo todos os dias das suas longas vidas.

Era uma promessa.

Notas finais
Bom, e aqui está mais um. bem pesado, né? Mas eu tive que postar esses dois capítulos obscuros para os mares de rosas começarem a fluir por esse rio. Capítulo 15 promete, só digo isso ♥ Espero que tenham gostado e, sinceramente, espero receber comentários maravilhosos de vocês. ♥ >>>Agradecimentos especiais a minha querida Isis que é uma psicóloga incrível, uma amiga maravilhosa e uma leitora Fiel. Amo você, neném ♥ E, claro, que não poderia faltar agradecimentos a nossa querida e amada Batman também que é uma editora maravilhosa e está sempre mandando presentes pra essa fanfic. Muito obrigada, meu anjo! A Aesthethic que você mandou se encaixa melhor no próximo capítulo, onde a usarei com todo o orgulho do mundo. Muito obrigada pelo presente divino ♥ Beijos, amoras!