You Rock My World
2 II
Notas iniciais

(...) Um pressentimento ruim lhe invadiu e teve que se apoiar numa parede pela tontura que a assolou, nunca havia sentido tamanha sensação em sua vida, uma mistura de adrenalina com medo. Sua marca de nascença agora ardia, coçava, sua pele começou a suar e suas pernas ficou bambas, uma vontade repentina de chorar a invadiu e não soube o porque: Aliás Alura nunca, nunca chorava.
— Moça... Moça... -- Tentou focar sua visão na pessoa a sua frente, era um rapaz --- Você está bem? Precisa de alguma coisa?
— Eu não sei -- sussurrou. Sentiu seu braço ser passado por alguém e em seguida uma mão na sua cintura, a forçando caminhar. Seu peito vibrava, uma sensação que nunca sentiu antes.
— Vou levá-la a lanchonete daqui em frente, moça -- o rapaz respondeu, parecia preocupado. Passaram por uma porta ouvindo barulho de sino e sentiu-se sentar em algo macio, sua visão agora estava limpa e focada mas a tremedeira e o aperto no peito não passava, sua marca de nascença queimava como brasa, estava aflita, quase sem ar. Um copo com líquido amarelo foi posto a sua frente --- É suco de laranja. Vou ligar pra uma ambulância vir buscá-la, moça. Precisa ir ao hospital.
— Obrigada...
— Tobias. Meu nome é Tobias. Qual é o seu?
— Meu nome é Alu...
Aconteceu muito rápido, Alura não saberia explicar se a perguntassem. Uma hora estava tudo calmo, a lanchonete cheia, as pessoas conversavam animadamente, Tobias a sua frente a olhava preocupado e uma garçonete passava por eles servindo as mesas, mas no segundo seguinte tudo virou caos. Sua marca ardeu com uma força tão grande que sentiu sua pele rachar e um pressentimento anormal lhe dizia apenas uma palavra: abaixe-se.
— Abaixe-se! -- ela gritou expressando o que passava em sua mente pulando em Tobias o derrubando, em seguida todos os vidros do ambiente explodiram arremessando cacos em tudo e a todos, tentou se proteger como pode mas o impacto fora forte, os cacos arranharam seus braços, ouviu gritos de adultos e crianças, as pessoas lá fora berravam. Parecia um ataque terrorista. Ficou em posição fetal ao lado de Tobias que emudeceu pela surpresa, até ouvir um barulho alto atingir o chão fazendo-o tremer.
— T...Terre...moto? Terroristas? -- Tobias perguntou a olhando com os olhos arregalados, ela lhe tapou a boca. Por mais que o barulho dos gritos das pessoas camuflassem suas vozes, sentia que não deveria falar. Seu peito ardia com força, e ao passar os dedos entre os seios sentiu sangue e uma ondulação estranha se formar entre eles. Seu corpo paralisou.
— ONDE ESTÁ? -- uma voz masculina berrou ao lado de fora, parecia fora de si. Sua respiração ficou irregular -- A PROMETIDA IMUNDA DE KAL-EL, ONDE ESTÁ? -- gritou com autoridade. Não sabia descrever as sensações de medo que a invadiram, pois sendo uma pessoa azarada sabia que de alguma forma aquilo se tratava dela. Ouviu passos pesados, ouviu uma parte da lanchonete desmoronar e em seguida uma série de gritos. Se encolheu, ele estava apenas a alguns metros dela mas não teve coragem pra olhar -- Sinto o cheiro do seu medo, Humana.
A criatura deu um passo em direção a si, ela sentiu, mas em seguida a terra tremeu novamente com outro impacto e outra voz fora ouvida.
— Deixe esse povo, Zod! Eles não tem nada a ver com isso! -- era outro homem, voz firme e poderosa.
— Sinta o cheiro da sua prometida, Kal. Será a primeira e última vez! -- ouviu um zunido e logo mais a presença inexplicavelmente apareceu ao seu lado, as botas frente ao seu rosto. Seus cabelos foram puxados brutalmente a fazendo gritar, a criatura ergueu seu rosto é só então ela abriu os olhos -- Com medo, criança? Espero que sim.
Alura paralisou olhando a face a sua frente, era de traços fortes e raivosos, vestia uma armadura colada preta estranha com uma mangueira mais estranha ainda passando pelo pescoço e ele era alto, muito alto. Seus pés não tocavam mais o chão, ele a ergueu pelos cabelos até acima do seu rosto e Alura tentava achar algum apoio segurando seu braço com suas mãos. Sua cabeça doía, seus cabelos desprendia do seu couro e por um momento se odiou, odiava se sentir fraca, vulnerável e odiava estar numa situação que não lhe dizia respeito. A criatura sorriu, um sorriso maldoso e repugnante e em seguida olhou para o outro homem que parecia paralisado com os olhos vibrados em si.
— Uma prometida a altura do grande filho de Jor-El, não acha? Jovem, bonita, fértil... -- ronronou num tom ousado a olhando de cima a baixo, teve a impressão que ele poderia ver através de si -- Eu quase lamento por você, Kal-El -- ele gargalhou e ela sentiu seu coração vibrar na caixa torácica.
Ela olhou de relance o outro homem tentando pedir algum tipo de ajuda e viu o quão surpreso ele estava com os olhos fixos ainda em si e ao focar novamente no que a segurava seus cabelos um grito ficou preso a sua garganta, ali o seu mundo começou a mudar completamente. Os olhos do homem brilhavam vermelhos como neon, um brilho forte e muito quente. Alura não sentia seu coração bater, não ouvia a própria respiração, esquecera até do aperto em seus cabelos, seus olhos estavam vibrados naquele estranho sobrenatural a sua frente.
— Deixe-a em paz, Zod! -- o outro ser despertou do seu transe.
Aconteceu rápido, no momento em que tinha certeza que sua vida seria ceifada pelo brilho nos olhos do ser a sua frente, ela viu o estranho chamado Zod ser arremessado contra a parede da lanchonete com apenas um soco certeiro em sua cabeça vindo do outro homem, o atirando a quilômetros de distância. Seu corpo caiu sentado no chão num baque mudo, em cima dos cacos. Sua cabeça doía, alguns fios de seus cabelos caiam no seu colo. Ela não sabia como reagir, coisas impossíveis aconteceram na sua frente, ela, que sempre fora cética, viu o impossível! Ouviu passos novamente e se arrastou no chão para longe da pessoa, quem quer que fosse. O mesmo homem do soco potente abaixou a sua frente, a segurando nos ombros e a erguendo em pé, mãos fortes e firmes. Levantou os olhos temerosos para ele e ali o seu mundo parou novamente, sentiu sua boca ficar repentinamente seca.
Alura caiu numa imensidão azul em questão de segundos, azul como os olhos do homem que a segurava. Tão intensos quanto nenhum outro poderia ser, tão azuis quanto o céu, olhos bondosos e quentes, muito quentes, mas bastante surpresos. Desviando o olhar para o resto do homem, viu o quanto era bonito e ela que nunca acreditou em divindades pensou seriamente que fosse um ele fosse um Deus. Era uma montanha de músculos, roupa colada de tom azul escuro que deveria ser patético mas estranhamente combinava com ele, uma longa capa vermelha naturalmente esvoaçante, um S em seu peito, maxilar quadrado, cabelos pretos como a noite, rosto firme e viril, lábios convidativos como a de nenhum outro homem jamais fora para si... Ela balançou a cabeça descrente de si mesmo e empurrou os pensamentos pro fundo da mente, não perdia seu tempo pensando em rapazes e não poderia começar a fazer isso logo em que aparentava ser inimigo.
— Então é verdade -- disse incrédulo depois de muito tempo, sabia que o ser a avaliava tanto quanto ela a ele. Por um momento se sentiu constrangida, não gostava de ser alvo de atenção de ninguém, queria escapar mas ele ainda a segurava pelos ombros com força. O olhar dele desceu devagar pelo seu corpo parando atenciosamente em seus seios, sentiu-se exposta mas não teve forças para reagir, estava em transe. Os olhos dele demoraram ali os arregalando em seguida, incrédulo, respiração pesada -- Você tem a marca do meu povo. Então é mesmo real, Zod não mentiu.
Ela não entendeu o que o estranho quis dizer, de fato não estava entendendo absolutamente nada que estava acontecendo naquele dia. Sentia medo, frio, as pessoas gritavam, mas por incrível que pareça sentia uma estranha sensação de segurança perto... dele. Um ser forte e incrivelmente bonito. O homem desviou os olhos de si por um segundo em direção aonde, aparentemente, o outro fora arremessado. Suspirou frustrado, a soltando. Parecia ter voltado a si.
— Irei levá-lo para longe mas não terá muito tempo, precisa sair daqui rápido -- a olhou nos olhos outra vez, sua expressão transbordando sentimentos quais ela não saberia decifrar.
— Quem e você? —- sussurrou sentindo sua voz arranhar a prórpia garganta.
— Não há tempos pra explicações, ele está acordando -- ele levou sua mão esquerda em direção ao seu rosto, que não teve forças pra desviar do toque atrevido do forasteiro -- Vá para longe e não olhe pra trás. Quando for seguro irei ao seu encontro. Prometo.
Ele demorou para retirar a mão do seu rosto mas quando o fez não olhou pra trás ao partir. Ela continuou ali parada olhando o nada tentando digerir tudo que aconteceu nos últimos minutos. A terra tremeu novamente e um estalo forte foi ouvido, a despertando do transe que o homem bonito a colocou. 'Eu definitivamente não quero vê-lo de novo, nunca mais', pensou se virando para o esquecido Tobias que olhava para o lado de fora com olhos arregalados.
— Ele voou... Ele voou! -- gritou. A morena quis rolar os olhos, apesar de toda loucura que tem acontecido aquilo era simplesmente uma tolice grande demais para aceitar.
— Vamos, Tobias. Esse lugar vai desmoronar, precisamos dar o fora daqui!
— O seu namorado voou! -- ele gritou novamente.
— Aquele esquisito não é a droga do meu namorado! Vamos logo sair daqui! -- ela teve que dar uns tampinhas no rosto de Tobias para que despertasse e quando enfim ele saiu do choque eles correram para as ruas. A cidade estava um caos, prédios desmoronavam, pessoas gritando correndo de um lado para o outro, pessoas machucadas no chão, carros desgovernados tentando fugir dos entulhos que caiam do céu fazendo uma densa camada de poeira cobria a cidade.
— O que aconteceu aqui? -- sussurrou para si vendo o centro de Metrópolis sendo destruído, como em poucos segundos isso acontecera ela não saberia dizer. Tobias a puxou pelo braço e puseram a correr, desviando das enormes pedras de concreto no chão.
Alura seguia Tobias, não sabia como suas pernas se mexiam. Estava horrorizada, nunca presenciara nada parecido na vida nunca imaginou que presenciara tal tragédia de perto. As pessoas estavam machucadas, choravam e corriam, ninguém sabia exatamente o que estava acontecendo. Quatro ruas a sua esquerda de distância ela viu um ponto preto atingindo com força mais um prédio, o derrubando. 'Mísseis?', pensou. Mas o ponto preto se levantou, e ela viu assustada o mesmo homem de rosto raivoso olhar diretamente para si, antes de ser atingido por algo com uma capa vermelha.
— Isso não é possível, não é possível! -- sussurrou incrédula não acreditando no que seus olhos viam. Tobias a guia até um carro abandonado com as portas abertas, a chave ainda estava engatada. Ele assumiu o volante, dando partida em seguida.
— Para onde vamos? -- ela conseguiu perguntar depois de muito tempo em transe.
— Para longe daquelas aberrações! Você também viu, não foi? Eles estavam voando! Porque estavam atrás de você? É uma daquelas coisas também?
— Óbvio que não! -- esbravejou -- Não faço idéia do que queriam comigo, isso tudo é culpa do meu despertador!
— O que???
— Meu dia não estaria essa bagunça se eu tivesse acordado cedo, não encontraria com James e estaria livre desse caos. Inferno!
Tobias a ignorou, decerto era uma mulher problemática tendo um ataque histérico. Ele não estaria envolvido nisso se não tivesse a ajudado, estaria em sua casa agora muito longe do centro só vendo a tragédia pela TV, apertou o volante com força ao pensar nisso. Não poderia culpa-la por passar mal, assim como não poderia se culpar por ajudar uma pessoa, sua mãe o ensinou a sempre ajudar quem precisa.
— Tobias, cuidado! -- ele despertou do seu transe, mas já era tarde demais. O carro deu de frente com um enorme pedaço de concreto. Alura agradeceu a todos os deuses que existiam quando o para-choque acionou, salvando seu pescoço de quebrar em vários lugares mas seu corpo doía, sua cabeça explodia e estava zonza. Ao seu lado Tobias havia desmaiado, ela suspirou em derrota, precisava tirá-lo dali.
— SEUS PRECIOSOS HUMANOS NÃO SERÃO POLPADOS, E ELA SERÁ A PRIMEIRA! -- ouviu mesma voz de minutos atrás. Murmurou palavrões, seu corpo ainda não conseguia se mexer pela dor aguda do acidente. A porta a sua direita fora arrancada com força, em seguida o mesmo homem de minutos atrás apareceu no seu campo de visão -- Vamos brincar um pouco, humana.
Zod agarrou seu braço a arremessando pra fora do carro, Alura bateu a cabeça ao cair. Sua visão estava escura, seu corpo cansado, queria desmaiar e fingir que esse dia não estava acontecendo. Sentiu sua nuca ser agarrada, Zod a virou erguendo-a pelo pescoço.
— Olhe só para você, tão fraca e imunda. Vocês nasceram para serem governados! --- esbravejou a estrangulando -- Seu amado Kal ficará feliz em vê-la, não acha? Vamos visitá-lo na sarjeta.
E então, quando achou que não poderia ficar pior, ela sentiu o chão deixando seus pés com velocidade. Seu coração disparou, a pressão fez com que seu nariz sangrasse. Ao contrário da maioria, voar nunca fora o sonho de dela, amava seu querido e firme chão e sair voando estava fora dos seus planos, não que achasse que fosse acontecer algo do tipo algum dia mas ali estava ela sendo levada pelos ares a toda velocidade por um maluco de penteado engraçado e juntando a dor do acidente, do aperto em seu pescoço, do arremesso e das novas informações sobre a vida rendeu-se enfim ao desmaio.
(•••)
— Veja como seu povo sangra, Kal. Veja como a sua prometida está machucada, e a culpa é toda sua! -- ouvia vozes ao seu redor, longe demais para que pudesse entender. Não queria voltar, apenas dormir e dar descanso pro seu corpo mas ao lembrar dos últimos acontecimentos, seus olhos abriram com rapidez. Sua cabeça doía, seu corpo doía, mas ao menos estava no chão e agradeceu por isso.
— Ela acordou, papai -- olhou debilmente ao seu lado, uma menina loira a encarava com enormes olhos azuis. Estava machucada e suja.
— O que está acontecendo? -- pigarreou forçando sua voz a sair, um homem sentou ao lado da menina.
— O alien de capa vermelha a colocou aqui -- respondeu. Seu olhar estava abatido, cansado, mas ainda sim lhe sorriu -- Eles estão la fora agora, muitas coisas foram destruídas, algumas pessoas estão machucadas, minha esposa...
Alura não se considerava uma pessoa muito sentimental, mas sempre teve empatia e não gostava de ver o sofrimento tão perto de si sem poder fazer nada para apazigua-lo. Forçou a se sentar e olhou para o homem a sua frente, é só então notou um menininho atrás de si, devia ter no máximo uns três anos.
— Tenho certeza que ela esta bem, senhor. Mas precisamos ficar longe deles -- O homem assentiu a levantando, sentia o mundo dar voltas ao seu redor mas iria sobreviver.
— Nao há lugar seguro, moça. Está tudo destruído lá fora, o exército está tentando controlar a situação, daqui a pouco estarão aqui.
Antes que ela respondesse que não havia tempo para esperar o exécito, sentiu sua marca queimar novamente e pela experiência anterior sabia que era algo ruim, só teve tempo de se jogar em cima do menininho de três anos que estava mais próximo a si antes do teto de vidro do local se estilhaçar fazendo voar cacos para todos os lados. Suas costas arderam uma dor fina e excruciante, sentiu sangue escorrer. Levantou soltando um grito abafado ao sentir um corte fundo repuxar.
— V...Você está... bem? -- murmurou para o rapazinho abaixo de si que balançou a cabeça freneticamente, os olhos cheios de lágrimas.
O pai da criança os puxou levando-os pra longe dos forasteiros que agora se encontrava dentro do local brigando entre si nunca troca de socos e provocações brutais. Alura escorou numa parede cinco passos depois sentindo seu corpo nas ultimas, não aguentaria mais tempo acordada, sua cabeça doía como um inferno. O homem e sua família veio até ela.
— Precisamos ir, moça!
A sua frente uma luta acontecia ainda mais selvagem que antes, não conseguia desviar os olhos dos homens e em algum momento os lindos olhos azuis do belo homem se fixaram nos seus e o que viu neles a fez querer fazer algo, estavam tristes e confusos mas a olhava com carinho.
— Se você ama tanto essas pessoas -- Zod disse com dificuldade, os olhos do guerreiro negro também vibrados no seu -- Então pode chorar por elas, por... ela!
Então quando achou que já havia visto de tudo, os olhos do homem brilharam novamente, dessa vez disparando um raio potente e fumegante ao seu lado. Pegou o pequeno garotinho no colo que chorava assustado, sua perplexidade não permitia nem a ela e nem aos demais de se moverem.
— Não os machuque! -- o homem de belos olhos gritou, estava transtornado. Seu braço laçou firme ao redor do pescoço do seu adversário, mas aquilo não impediria o raio atingi-los 'então será assim a minha morte?' ela pensou, seu coração batendo a mil -- PARE!
Alura estava letárgica pelo momento, não imaginou a morte vindo tão cedo e jamais nessas circunstancias, a criança em seu colo chorava com a cabeça enterrada em seu pescoço. Atrás do belo homem surgiu uma mulher ruiva, bem arrumada que derramou lágrimas ao olhar para a situação.
— PARE, ZOD!
— NUNCA! -- respondeu seu inimigo e então, centímetros do raio atingi-la os olhares se encontraram novamente, ele sofria, ela sentia medo. O suplicou com o olhar para polpar aquela família, polpar o pequeno garotinho que chorava em seu pescoço, enquanto o seu só transbordava a certeza que não a deixaria morrer, jamais. A cruel decisão foi tomada, e o pescoço do general Zod fora brutalmente quebrado pelo homem de capa. Zod caiu no chão com um baque mudo, o vermelho dos seus olhos se apagando a medida que o tempo passava.
Os segundos seguintes foram silenciosos, um ainda olhava nos olhos do outro. Por um segundo o homem desviou o olhar para o corpo do seu semelhante no chão e aquilo lhe doeu, matara o último da sua espécie, tirou a vida de alguém. Kal-El caiu de joelhos no chão soltando um urro agoniante, chorando em seguida. Alura não soube dizer como ou porque mas aquilo a quebrou mais do que as ofenças da sua mãe, mais do que seu emprego fodido, mais do que o relapso do seu pai. Sentia uma parte de si mudando, uma parte de si jamais revelada queria lhe dar consolo, colo, passar seus dedos por aqueles cabelos escuros e dizer que ficaria tudo bem, mas antes que seu corpo pensasse em responder algum de seus impensados comandos a mulher ruiva aproximou-se lhe afagando os ombros, e em seu colo o homem achou consolo a abraçando. A marca dela ardeu novamente, tão forte e intenso que sangrou. Não poderia dizer porque mas não gostara da ruiva.
As emoções do dia caíram feito chumbo em seus ombros, seu emocional, suas certezas, seu futuro, tudo estava destruído. Precisava descansar. Sua respiração foi falhando assim como as batidas do seu coração, se renderia feliz a escuridão que a acolhia e a última coisa que viu foi o grande homem a olhando alarmado largando rapidamente a mulher ruiva em seguida, caminhando apressado até si a figura imponente com sua capa farfalhando as suas costas de olhos tão azuis quanto preocupados.
Alura sorriu débil ao ver o rosto confuso da ruiva, se entregando a escuridão quando o homem bonito a segurou no colo.
Definitivamente fora o pior dia da sua vida.
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