You & Me
55 Sm :: 10
Rosalie acordou arrependida de cada gota de vinho que tinha tomado durante a madrugada com a Kate, ressaca de vinho a deixava se sentindo horrível. Precisar usar o banheiro, lavar o rosto, beber uma garrafa de água e uma caneca enorme de café bem forte pra se sentir humana.
Quando abriu os olhos, ela conseguiu afastar toda a confusão da sonolência e percebeu que não estava no próprio quarto. Sentou rápido demais no susto, e se arrependeu porque sua cabeça parecia pesar uma tonelada. Olhou ao redor e pra si mesma, estava com seu vestido ainda.
“Ele não atende, então vamos até ele!” Kate tinha dito na noite anterior depois que as duas tentaram ligar para Emmett e Rosalie pulou no banco em que estava sentada, achando a ideia genial.
Claro que tinha achado genial, estava bêbada! Rosalie não podia acreditar que Kate tinha concordado em levá-la bêbada para o loft de Emmett no meio da madrugada. Mas claro que Kate tinha levado, surpresa seria se tivesse sido sensata e dito “não Rosalie, você está bêbada demais para tomar decisões, você pode falar alguma besteira”.
Rosalie arregalou os olhos. Será que tinha dito alguma besteira?
Lembrava das coisas no geral, devia faltar algumas partes do diálogo mas tinha uma certeza: tinha atacado Emmett. Rosalie colocou as mãos no rosto quando se lembrou de ter se jogado sobre Emmett e ele foi educado o suficiente pra colocá-la na cama pra dormir.
— Bom dia, bela adormecida. Então, a sobriedade começa a trazer lembranças do porre?
Talvez se continuasse escondendo o rosto nas mãos ficasse invisível ou Emmett sumisse. Mas ele continuou ali e riu do gemido de constrangimento que ela soltou.
— Relaxa, você não fez nada demais. Nada que a Kate não faria.
— Isso não me consola nem por um segundo. — murmurou atrás das mãos.
— Você quer tomar banho antes de conversarmos?
Rosalie deixou as mãos cair sobre o colo, encarando-o. Poderia dizer que ele ficava lindo pela manhã, mas nem tinha certeza sobre que horas eram então só diria: ele ficava lindo a qualquer momento do dia. Com uma bata masculina azul-marinho e uma bermuda caqui, seu cabelo úmido e agitado parecia ter sido recém-secado despreocupadamente com uma toalha e sua barba estava feita, ele conseguia colocar elegância e sensualidade até em um visual casual.
Mas ela estava tentando não reagir a isso, ele já estava claramente se divertindo muito com a sua situação.
— Sim, por favor, eu me sentiria mais humana.
Emmett respondeu risonho:
— Pode usar o banheiro, tem toalha limpa no armário, pode usar os produtos da Bella. E tem escova de dente nova na gaveta, se quiser. Você quer café?
— Que horas são?
— Quase meio dia.
— Merda, eu tenho que ir pra casa, eu nem avisei meus pais.
— Eu pedi pra Kate avisar os seus pais e ela ligou umas seis horas da manhã pra me avisar que enviou uma mensagem e pra te avisar que ela está com o seu celular, porque você ficava querendo jogá-lo pela janela do carro dizendo que não servia pra nada.
Rosalie gemeu cobrindo o rosto novamente, o que só o fez rir mais.
— Aposto que ela só está contando o lado que te constrange da história, ela deve estar envolvida nessa situação. — Emmett a consolou. — Sabemos como a Kate é.
Rosalie riu e tirou as mãos do rosto.
— Obrigada. Eu vou aceitar o café. Bem forte, por favor.
— É pra já. Eu vou te conseguir algumas roupas da Bella, pra você tirar esse vestido.
— Eu não acho que as roupas da Bella vão servir em mim, Emmett.
— É... Você tem mais curvas que a minha irmã, mas eu vou dar um jeito, vai lá.
Quando Emmett desceu as escadas, Rosalie se arrastou pra fora da cama. Ela adorava o loft dele, sem paredes e divisões, apenas esse andar superior onde estava o quarto e o banheiro, era tudo tão aberto e iluminado, além de sempre mais organizado do que ela esperava.
Seu vestido estava todo amarrotado por ter dormido nele, mas, pelo menos, estava inteiro. Ela entrou no banheiro, fechou a porta e se assustou ao ver seu reflexo no grande espelho na frente da pia. Seu cabelo estava pior que seu vestido, desgranhado como um monte de feno e sua maquiagem estava perdida, mas o pior era seus olhos – ela devia ter esfregado os olhos em algum momento da noite pra seu rímel e lápis de olho ter se espalhado daquele jeito. Olhou as próprias mãos e encontrou os vestígios da maquiagem preta.
— Por que você não me avisou que eu estava assim?! — Rosalie gritou.
— O que?
— Minha cara, por que você não me avisou que eu estava assim? Eu estou parecendo uma Taylor Momsen depois da enchente.
— Está parecendo quem? — Emmett perguntou, agora conseguia perceber que ele estava do lado da porta.
— Um guaxinim, eu estou parecendo um guaxinim.
Emmett gargalhou.
— Mas um guaxinim muito fofo!
Rosalie queria ficar séria, mas acabou sorrindo com o comentário.
— Na última gaveta tem uns lenços umedecidos que a Bella usa no rosto pra limpar maquiagem, pega um desses.
Lenço umedecido? Rosalie franziu o cenho, mas abriu a gaveta e riu ao encontrar os lenços demaquilante.
Fez um coque sem elástico no cabelo e usou os lenços pra tirar a maquiagem de seu rosto, depois lavou com um dos sabonetes líquidos de Bella.
Pegou uma das toalhas que ele tinha indicado, pendurou no pequeno gancho da parede ao lado do box de vidro da ducha e tomou um banho mais rápido do que gostaria porque estava na casa dos outros.
Estava no meio do banho quando Emmett avisou que deixaria umas roupas na porta pra que desse uma olhada se gostava de algo ou se ele precisava pegar outra coisa. Com uma toalha enrolada no corpo, ela abriu a porta e reprimiu um sorriso pras roupas dobradas em uma pilha sobre uma cadeira na frente da porta, pegou todas e voltou a fechar a porta.
Colocou-as sobre o mármore da pia pra dar uma olhada. Tinham praticamente a mesma altura, mas dificilmente o mesmo tamanho. Bella era toda petit, enquanto Rosalie tinha curvas de sobra. Um vestido preto de alças parecia largo o suficiente pra ficar aceitável em seu corpo então experimentou – pelo menos chegou até seus joelhos, com certeza ficou mais justo nela do que ficaria em Bella, mas dava pra ficar com ele até que chegasse em casa. Abaixou as calças e colocou o sutiã que estava usando na noite anterior porque seus seios ficaram imorais naquele vestido (e não resolveu muita coisa, porque ainda tinha muito decote a vista), mas serviria de saia já que nenhuma outra peça de Bella passaria em suas coxas ou fecharia o botão (e precisava de alguma coisa longa porque ficaria sem calcinha pra não colocar a da noite anterior). Por cima colocou uma camisa de flanela vermelha que parecia grande demais pra ser de Bella porque até em Rosalie ficou larga – arregaçou as mangas até os cotovelos, amarrou a barra na altura da cintura e fechou o resto dos botões até seus seios. Se colocasse uma bota pareceria que estava indo pra uma festa country, mas, pelo menos, estava mais coberta.
Organizou o banheiro novamente, dobrou as roupas que não usou, dobrou a toalha e a deixou sobre a pia. Achou em uma das gavetas um elástico de cabelo então soltou o coque e prendeu seu cabelo em um alto rabo de cavalo que fez parecer que o desalinhado era proposital. Seu rosto estava totalmente sem maquiagem – olá olheiras e imperfeições da pele, bom dia. Claro que Bella devia manter suas maquiagens em uma necessaire que carregava em sua bolsa quando ia pra casa de Edward, então Rosalie não tinha o que fazer ou como melhorar sua situação.
Colocou sua calcinha usada no meio de seu vestido e o dobrou, pediria uma sacola a Emmett pra levá-lo pra casa. Saiu do banheiro e desceu descalça, puxada pelo cheiro de café fresco.
— Eu deixei a toalha que eu usei e as roupas na pia, devolvo essa depois de levar. — ela avisou. — Você poderia me conseguir uma sacola pro meu vestido?
Sentou em um dos bancos do balcão da cozinha enquanto ele pegava a sacola em um dos armários na cozinha planejada, mas, na verdade, lhe deu uma ecobag de mercado. Rosalie guardou sua roupa e sorriu quando Emmett encheu uma caneca com café preto pra ela.
— Avisa se quiser mais açúcar ou adoçante.
— Mmmm... — ela bebeu de olhos fechados, gemendo de prazer. — Está perfeito, me sinto 100% mais humana e menos guaxinim agora.
Emmett riu.
— Quer comer alguma coisa? Omelete, ovos mexidos e bacon, torradas? Eu pensei em ir comprar alguma coisa na padaria mas fiquei com medo de você acordar enquanto eu estivesse fora então, é só o que posso te oferecer.
— Eu estou bem, obrigada, mas vou ficar só no café. E eu realmente preciso ir embora, hoje é dia de almoço em família na casa dos Cullen, eu não perco mais essas ocasiões por nada. — Rosalie sorriu com orgulho.
Tinha aprendido sua lição, jamais deixaria nada ficar entre ela e sua família porque no fim era eles que estariam ali pra ela – independente de qualquer coisa.
Eles se encararam em silêncio e Rosalie fugiu de seu olhar bebendo seu café lentamente.
— Nós temos que conversar, né? — ele começou.
Suspirando, ela colocou a caneca na mesa mas não soltou.
— Me desculpa por ontem.
— O que?
— Você sabe, toda a coisa de te atacar. Eu não me lembro de tudo mas eu tenho certeza que te ataquei e me envergonhei na sua frente, eu sinto muito.
— Você não se envergonhou, está tudo bem. — Emmett sorriu. — Mas me atacou.
Com um gemido de vergonha, ela abaixou a cabeça por alguns segundos.
— Ei. Se você estivesse sóbria, seu avanço teria sido correspondido.
— Obrigada por ter me respeitado.
— Não me agradeça por ser um ser humano decente.
Rosalie sorriu com a revirada de olhos dele. Deus, ela não tinha a menor ideia do que estava fazendo. Não sabia como flertar, nunca soube como flertar. Sabia fingir que estava flertando quando estava servindo as pessoas no Cullen’s a noite, mas só porque tinha a segurança de que não estava realmente interessada nas pessoas, agora ela estava na frente de um homem que ela estava interessada e não sabia como agir, a situação estava apenas embaraçosa e constrangedora. E sabia que ele não faria nada a respeito porque estava lhe respeitando, indo em seu ritmo.
— Acho que eu devia ir.
Rapidamente estava em em pé segurando a sacola de seu vestido, indo na direção da porta mas ele se colocou na sua frente.
— Descalça?
— Oh. — ela olhou pros próprios pés. — Acho que seria legal colocar meu salto nessa sacola também, onde eu os deixei ontem mesmo?
— Na sala, eu tirei pra você dormir melhor. O que você veio fazer aqui, Rosalie?
— O que? Eu estava bêbada e...
— Não, para. Ontem você me disse que não era o álcool falando, era você.
— Eu... Nem sei o que eu falei depois disso, era o álcool falando.
— Você sabe o que dizem, o álcool só te dá coragem de fazer aquilo que você já queria fazer sóbrio. Seja sincera comigo agora que você está sóbria, o que você veio fazer aqui?
No silênico, ele se aproximou dela lentamente.
— Eu sempre deixei bem claro meu interesse por você, Rosalie. Eu mereço ouvir isso de você agora porque você me disse ontem e eu preciso saber se era você ou o álcool. Se era você isso continua ai.
Um flash da discussão que tiveram da última vez que esteve naquele apartamento e naquela situação veio em sua cabeça. “Resolva sua vida e, se estiver solteira e eu puder ser a primeira opção, sabe onde me encontrar”.
O coração de Rosalie estava tão acelerado que ela quase se preocupava se estivesse tendo algum tipo de ataque.
“Se é você falando então quando você estiver sóbria isso ainda estará ai” ela se lembrou dele lhe falando isso enquanto estava na cama.
— Eu não sou mais casada, Emmett. — Rosalie disse. — E eu só consigo pensar em você porque você é a minha primeira opção.
— Já não era sem tempo. — ele disse ao anular a distância entre eles, pegou o rosto dela entre suas mãos e a beijou.
Rosalie nunca tinha experimentado a magia de um primeiro beijo até aquele momento – nem no primeiro beijo de sua vida, ou no beijo de seu casamento, nada se comparava àquele momento.
Ela deixou a bolsa cair no chão e segurou os braços dele enquanto seus lábios continuaram juntos sem se mover por vários segundos. Quando ele moveu os lábios sobre os seus suavemente, ela tomou iniciativa e separou seus lábios. O primeiro clichê que veio em sua mente foi como suas bocas se encaixavam perfeitamente, como a língua dele contra a sua parecia quente e macia.
Emmett com certeza sabia o que estava fazendo e assumiu o controle do beijo, as mãos dele soltaram seu rosto e desceram pra sua bunda. Suas mãos eram enormes e cada uma assumiu uma banda de sua bunda, então ele apertou com firmeza. O tecido do vestido era tão fino que foi como senti-lo em sua pele, gemeu em sua boca e teve certeza que ele sorriu entre o beijo.
Enquanto as mãos dela subiam de sua nuca para os seus cabelos, Emmett deu mais um aperto no traseiro dela. Como tinha sonhado com aquele momento – tanto o beijo, como a de sentir a bunda dela em suas mãos. Era um homem fissurado por bundas, não pediria desculpas por isso. Demorou um pouco para soltá-la, subiu a mão lentamente até sua cintura e apertou também com mais suavidade.
Rosalie quis protestar quando ele interrompeu o beijo, mas foi beijando seu pescoço até sua orelha.
— Se você não tivesse que ir pra casa dos seus pais eu iria te carregar pra minha cama agora mesmo.
Um arrepio percorreu todo seu corpo e sentiu o volume dele endurecendo contra sua barriga. Engoliu seco, um pouco desnorteada demais pra responder.
— Eu nunca quis ninguém como eu te quero, Rosalie. Merda, não puxa meu cabelo desse jeito ou todo meu autocontrole vai por água abaixo.
— É... — ela soltou o cabelo dele. Nunca mais trocaria sua família por homem nenhum, tinha prometido a si mesma. — Eu tenho que ir.
Relutante, ele a soltou.
— Eu vou te levar.
— Não precisa, eu posso chamar um táxi.
— Eu não vou te deixar ir sozinha, nós precisamos-
— O que? — Rosalie o interrompeu e empurrou abruptamente. — Você não tem que me dar permissão pra nada, está me entendendo? Nós nos beijamos uma vez, você não tem direito ou controle nenhum sobre a minha vida, você me entendeu?
— Rosalie...
— Não, eu não vou deixar isso acontecer de novo! Eu já me perdi minha vida uma vez na mão de um homem que achava que podia me controlar, não vai acontecer de novo!
Ofegante, ela parou ao perceber como tinha perdido o controle. De repente era como se estivesse na frente de Royce novamente, tinha sido daquela maneira sútil que ele começara a controlar sua vida e no fim acabou controlando cada detalhe de sua vida. Lembrou da sensação das mãos dele apertando seu pescoço, transformando a coleira invisível que parecia ter colocado nela em algo real e que quase a matou sufocada.
Lutou contra a vontade de se desculpar, não iria se desculpar.
— Por que você está sorrindo?
— Eu estou muito orgulhoso de você, Rosalie. — Emmett disse sorrindo. — Eu não estava tentando te controlar, mas estou feliz em ver que você está pronta pra me colocar no meu lugar se eu precisar.
Rosalie franziu o cenho. Estava confusa demais naquele momento.
— Eu realmente não estou tentando te controlar, Rose, só quero te proteger.
— Do que você... O que você sabe que não está me contando, Emmett?
— Royce me mandou uma mensagem ontem. Foi um número bloqueado, na verdade, mas a ameaça deixou claro que era ele. Ontem de madrugada ele sabia que você estava aqui comigo, ou seja...
— Ele está me seguindo. — os olhos arregalados de Rosalie logo se encheram de lágrimas, seu coração acelerou junto com a sua respiração. Precisava sentar, precisava se segurar em algum lugar. Ele estava de volta.
Nem percebeu que estava murmurando em voz alta que precisava se sentar até Emmett passar o braço por sua cintura e lhe guiar até o sofá. A deixou por alguns segundos e voltou com um copo de água. Ele estava falando alguma coisa, mas ela não conseguia ouvir nada.
De repente ela estava novamente no chão de sua sala...
...Não conseguia abrir seu olho esquerdo e o lado direito de seu rosto estava contra o chão, por isso não conseguia enxergar o que acontecia ao redor, mas ouvia passos e vozes masculinas. Royce não estava sozinho.
— Você vai deixar ela ai?
— Por agora. — Royce se abaixou ao seu lado, acariciando sua bochecha com a ponta dos dedos. — Você é minha esposa, querida. Você não é a melhor, mas é minha e eu vou voltar por você.
Rosalie fechou os olhos...
— Rosalie!
Emmett gritou, ela piscou as lágrimas e voltou a realidade.
— Ele me disse naquela noite que eu era dele e ele ia voltar por mim. Ele... Ele vai me matar. Ele vai me matar.
— Ela não vai tocar em você, Rosalie. Eu preciso que você me escute agora — sentado ao seu lado no sofá, ele segurou seu rosto entre suas mãos. — Eu vou te proteger, ele não vai se aproximar de você. E se ele tentar, eu vou acabar com ele. O que ele fez com você não vai ser nada comparado ao que eu vou fazer com ele, você está me escutando? Você me confia em mim nisso?
— Eu confio em você.
— Ótimo. Mas você precisa confiar me mim quanto a sua segurança também, Rosalie. Eu já comuniquei essa ameaça a polícia, ele agora é considerado foragido e perigoso, ele está sendo procurado pela cidade. Você vai precisar ser mais cuidosa na hora de sair, talvez devêssemos considerar contratar um segurança particular e-
— O que? Não! — ela se levantou rapidamente. — Eu me descontrolei porque me lembrei daquela noite e de como ele me deixou no chão, machucada, impotente, mas eu não sou mais aquela Rosalie. Eu não vou deixar o Royce me controlar de novo, eu não vou deixar ele me impedir de fazer as minhas coisas ou ficar sendo seguida por alguém por causa dele. Eu estou retomando a minha vida, Emmett, eu prometo que serei cuidadosa mas não vou deixar que ele estrague isso.
— Tudo bem.
— Ele não vai me controlar de novo. — ela repetiu ao enxugar as lágrimas.
— Não, ele não vai. Mas eu vou te levar na casa dos seus pais só por preocaução, pelo menos nesses primeiros dias você tem que evitar andar sozinha por ai porque ele ainda pode estar por perto, está bem?
Rosalie assentiu e se deixou ser abraçada por Emmett, com os braços ao redor da cintura dele e a cabeça em seu peito, se sentia tão pequena e segura nos braços dele que não queria que aquele momento acabasse.
…………………………
Achou adorável da parte de Emmett recusar ficar para o almoço porque sabia que ela já teria muita coisa pra explicar e não queria acrescentar nenhum constrangimento a lista mas ela sabia que a ausência dele não impediria ninguém de lhe encher de perguntas. Sua mãe já devia estar com uma lista de perguntas elaboradas para disparar em sua direção, perguntas que ela não saberia mesmo como responder.
Ela entrou em casa e praticamente correu para seu quarto pra não fazer a caminhada da vergonha com roupas emprestadas e descalça na frente de seus pais – coisa que não fazia desde sua adolescência –, ainda sentindo seus lábios formigarem com a sensação do beijo de despedida que trocaram no carro.
Tomou um novo banho, dessa vez lavando seu cabelo que estava suado e cheirando a bebida com fumaça da noite passada fora de casa. E o banho frio também serviu para acalmar seu corpo quente da excitação frustrada causada pelo contato com Emmett. Esperava que sua mãe tivesse, no mínimo, feito um de seus pratos favoritos pro almoço porque mesmo que não fosse culpa dela tinha desistido de algo que, com certeza, seria ótimo por aquele momento familiar.
De jeans, um suéter confortável e os cabelos soltos, ainda úmidos do banho, ela desceu as escadas na ponta dos pés. Estava se perguntando se Bella e Edward estariam ali para almoçar ou ficariam em casa comemorando juntos o noivado, e também se perguntava onde estava dona Esme. Sua mãe tinha uma audição irritantemente espetacular, ela já devia ter escutado um carro estacionar, a porta ser aberta e Rosalie subindo as escadas correndo, seu pai devia estar lhe segurando em algum cômodo da casa, tentando lhe dar algum espaço. Pobre papai, ela pensou se divertindo em imaginar a situação.
Teve a resposta ao ouvir a voz de sua mãe repreendendo seu irmão e Bella rindo.
— Olha quem chegou. — Edward disse sugestivamente ao vê-la na porta da cozinha.
— Deixa a sua irmã em paz. Leva essa travessa pra mesa. — Bella mandou.
Edward a obedeceu sem reclamar, o que fez Rosalie rir.
Edward seria exatamente como Carlisle e Bella seria Esme, chegava a ser cômico como ele teria tudo que Rosalie sempre quis sem esforço: um casamento como o de seus pais. Ela odiava quando as vezes sentia inveja, não queria ter pensamentos amargos sobre isso, ficava imensamente feliz por seu irmão porque ele merecia essa felicidade.
— Rose, a Kate pediu pra te avisar que entrega seu celular amanhã.
— Obrigada. — sorriu pra cunhada. — Então, vocês precisam de ajuda em alguma coisa?
— Não, querida. — Esme sorriu pra filha, terminando de temperar uma salada. — Vamos almoçar lá fora, a Bella já me ajudou no que faltava, e seu pai e seu irmão estão arrumando a mesa.
— Essa é a parte boa do casamento. — Carlisle disse ao entrar na cozinha, indo direto em sua direção. — Agora Bella será oficialmente uma Cullen, podemos explorá-la sem medo dela chutar o seu irmão. Olá querida.
Rosalie riu e abraçou seu pai, sorrindo ao receber um beijo na bochecha. Não importava a idade, sempre se sentiria a garotinha do papai – como Edward gostava de provocá-la na infância – nos braços dele
— Você parece feliz. Algum motivo que possa compartilhar com a sua família?
— Ganhou pontos por ter sido mais sútil que o Edward.
Carlisle deu um soco no ar dramaticamente como se comemorasse.
— Mãe, faça com o papai o mesmo que a Bella fez com o Edward.
— Carlisle, leve a salada para mesa. Vamos lavar as mãos e estamos prontos para almoçar.
Com um suspiro e um sorriso para a esposa, ele disse “sim querida” e fez o que ela pediu. Rosalie imitou o gesto do pai com um sorriso debochado, dando um soco no ar, agora tinha sido ponto dela.
Enquanto lavava as mãos, Rosalie esperava que sua mãe estivesse dando o discurso de “deixem a Rosalie em paz, ela falará quando estiver confortável em falar” e ela tinha certeza que sua mãe tinha tentado, mas no meio do almoço Edward perguntou onde ela tinha passado a madrugada. Fugir do assunto só traria mais provocações, então respondeu:
— Com o Emmett. — seu tom de voz deixava claro que aquele era o fim da conversa, mas seu irmão... Ah, como ela queria enfiar um garfo na garganta dele naquele momento.
— Então, vocês estão namorando? Tenho que ir ter a conversa do “qual sua intenção com a minha irmã”?
— Não estamos namorando. E você não tem que ir ter conversa nenhuma com ele, eu tenho um pai, lembra?
— Então eu tenho que ir conversar do “qual sua intenção com a minha filha”? — Carlisle perguntou fazendo seu irmão rir.
— Meu deus, vocês parecem crianças! Mãe!
— Ah querida, não posso te ajudar nessa porque também estou curiosa.
Entre risadas, ela sentiu o rosto esquentar.
—A Bella, irmã dele, está na mesa, por favor.
— Não se preocupem comigo porque eu farei um interrogatório pro meu irmão também, então isso só vai me poupar também.
— Nós estamos... Nos conhecendo, está bem? Fim de conversa, chega.
— Mas...
— Edward, chega, deixa sua irmã em paz.
Como uma criança de cinco anos, Rosalie lhe mostrou a língua vitoriosamente.
E o resto do almoço passou em um clima leve e agradável, com o foco todo em Edward e Bella. Esme estava nas nuvens por ter que organizar esse casamento e já estava imaginando uma coisa grandiosa, mas Edward puxou sua mãe de volta pra terra e lhe lembrou que nenhum dos dois queriam algo grande, provavelmente seria algo íntimo no Cullen’s que era um lugar importante pros dois. Mas isso não desanimou sua mãe, ela poderia trabalhar com isso, organizaria algo maravilhoso.
Não seria o primeiro casamento que sua mãe organizaria, mas era diferente agora que todos gostavam de Bella, ao contrário de Royce. Os preparativos e o dia tão esperado não seriam envoltos em um clima de desconforto geral, sorrisos forçados, falsa educação e indiretas nas entrelinhas, ninguém faria nada por obrigação e pensando “estamos fazendo tudo isso apenas por Edward”, como tinham feito por com ela. Seu casamento tinha sido lindo naquele momento, a cerimônia em uma igreja e a recepção no jardim da casa de seus pais, mas ninguém estava realmente feliz por ela.
Mas ela não podia culpá-los, Bella era amada e se dava bem com todos ao contrário de Royce – que nem ao menos se esforçava para ser agradável com as pessoas. Era incrível como as coisas que ela não viu antes agora ficavam tão claras, seu casamento estava fadado ao fracasso desde os seus preparativos.
— Rosalie?
Ela piscou, encarando a sua mãe.
— Oi? Desculpa.
— Está tudo bem, querida? Você não gostou da comida? Quer que eu prepare outra coisa?
— Não, mãe, está incrível! Eu só me perdi nos pensamentos por alguns segundos, do que estamos falando?
— Sobre você ser minha madrinha de casamento. — Edward respondeu mastigando.
— Edward. — Esme o repreendeu.
— Você acabou de me pedir pra ser madrinha do seu casamento mastigando? — Rosalie riu. — Que especial. Claro que eu aceito! Jasper vai ser o padrinho?
— Claro, da onde você acha que virá os melhores presentes?
Todos riram da brincadeira, mas sabiam que era muito mais do que apenas pelos melhores presentes. Edward e Jasper eram melhores amigos, irmãos, não teria como ele escolher outra pessoa nem se tentasse.
— E o Jasper já disse que se recusa a ser padrinho do nosso futuro filho porque não gosta de crianças. — Bella lembrou.
— A menos que essa criança seja a filha da Alice. — Rosalie disse.
E era uma verdade óbvia pra todo mundo, a pequena Mel tinha conquistado o coração de Jasper nos últimos meses – mesmo que ele tentasse se fingir de durão. Rosalie tinha se aproximado de Alice e, consequentemente, da filha dela então as três faziam muitas coisas juntas e, quando acabavam passando o sábado ou domingo na casa dos Cullen, Jasper acabava aparecendo e ficando por perto. Os dois brincando juntos na piscina era de fazer soltar suspiros, pareceram uma pequena família quando Mel chamou a mãe pra piscina e Alice se juntou a eles, Rosalie tinha tirado muitas fotos e enviou várias para Jasper porque sabia que ele era controlado demais pra pedir, mas devia ter salvado todas porque ficaram maravilhosas. Nunca tinha visto Jasper sorrir de maneira tão doce – não era aquele seu sorriso de lado que era puro charme ou flerte, nem um sorriso debochado, era um sorriso de alguém sendo feliz da maneira mais simples e genuína. Mas era difícil culpá-lo, a filha da Alice era completamente adorável, era impossível não ficar apaixonada pela pequena princesinha depois de alguns minutos conversando ou brincando.
— Eles formariam um casal tão lindo. — Esme disse com um sorriso animado. — Eu já considero a Mel uma neta, imagina se Jasper e Alice ficam juntos mesmo? Oh Carlisle, podemos nos oferecer para ficar com a Mel enquanto os dois vão em um encontro, vamos falar com eles.
— Mãe, não se intrometa na vida do Jasper.
— Eu não sou intrometida, Edward, sou apenas preocupada com o bem-estar dos meus filhos e o Jasper é como meu filho, talvez eu fale apenas com o Jasper. Ele pode estar com uma coisa maravilhosa na frente dele mas está ocupado demais olhando para o outro lado.
— Esme, querida, eu acho que isso é algo que o Jasper deve decidir.
— Uma conversa não machucaria ninguém.
— Mãe, por favor, fique fora disso.
— Tudo bem. — Esme bufou e baixou os olhos para o próprio prato enquanto cortava a carne.
Todos a encaravam desconfiados porque aquele “tudo bem” não tinha convencido ninguém. Jasper já sabia como lidar com Esme, mas Alice? Ela era doce e boazinha demais pra lidar com sua mãe, aceitaria qualquer coisa que ela falasse com aquele olhos doces e sorriso materno por medo de magoá-la. Pobre Alice, talvez devesse alertá-la sobre as intenções de sua mãe.
—
Era início da noite quando Bella e Edward começaram a se preparar pra irem pro Cullen’s, mas antes que fossem Bella a chamou de canto e perguntou o mais direta possível:
— Você vai ir passar a noite com o meu irmão?
Os olhos de Rosalie não podiam ter se arregalado mais. Se estivesse comendo, teria se engasgado. Se estivesse bebendo, teria cuspido a bebida como em uma cena de filme.
— Se você for, eu passo a noite no Edward. Se você não for, então eu passo no Cullen’s e de lá eu vou pra casa e torturo meu irmão até conseguir alguma informação.
— Então... Se eu for pra lá farei um favor ao seu irmão, certo? Salvando seu irmão de um longo e vergonhoso interrogatório, como o que eu sofri no almoço.
— Claro. Então eu vou ligar lá na portaria e avisar que você tem autorização pra subir, acho que uma surpresa seria ótimo. — Bella sorriu como se estivesse organizando uma grande conspiração.
…………………………
Não deveria trabalhar em pleno domingo a noite, mas aquela era a única coisa que conseguia ocupar sua mente naquele momento. Não queria sair com ninguém que tinha enviado mensagem lhe chamando para fazer alguma coisa e a pessoa com quem queria sair não tinha lhe enviando mensagem, então estava naquela situação.
Podia ter ido até a casa de Jacob para assistir algum jogo na televisão como faziam sempre, mas ele agora estava dedicado todo seu tempo a Leah em suas últimas semanas de gravidez, e compreendia isso totalmente, então estava sem opções. Assistiu a um jogo de basquete na televisão comendo pizza que tinha pedido com cerveja, quando acabou e começou a se sentir inquieto, pegou seu notebook e respondeu alguns e-mails, revisou alguns arquivos, organizou alguns papéis e terminou no sofá, com o notebook em suas coxas, redigindo um contrato para um cliente.
Era muito bom em seu trabalho porque, de alguma forma, seu cérebro conseguia se fechar para o resto do mundo quando estava em “modo trabalho”, por isso aquela era a melhor maneira de evitar pensar em tudo que tinha acontecido pela manhã – e precisava daquela pausa porque tinha passado o dia inteiro pensando nisso. Depois que Rosalie foi embora, teve que ir ao banheiro para aliviar seu tesão e fazia tempos que tinha gozado tão rápido, mas ainda não foi suficiente, recomeçou o trabalho manual e gozou outra vez. Arrumou o flat todo como nunca fazia num domingo e quando voltou ao quarto para arrumar a cama, apenas sentir o cheiro dela em seu travesseiro foi suficiente para lhe deixar semi-duro novamente. Aquela mulher estava lhe deixando louco. Deixá-la no controle e ir no tempo dela estava lhe deixando louco. Não mandar uma mensagem lhe chamando para passar a noite com ele, em sua cama, estava lhe deixando louco. Por isso preferia enterrar sua cabeça no trabalho e ficar ali até sentir sono o suficiente para dormir sem pensar em nada, mesmo que acabasse sonhando com tudo.
Sua noite acabaria daquela maneira, então quando a campainha de seu loft tocou imaginou que seria alguém do prédio porque o porteiro sempre pedia permissão pelo interfone pra deixar qualquer pessoa subir, por isso foi mais do que surpresa abrir a porta e dar de cara com Rosalie Cullen.
Não tinha certeza de como estava seu rosto naquele momento mas, com certeza, devia ter deixado claro como estava surpreso porque Rosalie parecia reprimir um sorriso divertido, como o de uma criança adorável sendo pega no meio de uma traquinagem.
— Eu estou sóbria dessa vez.
Emmett soltou o ar com uma pequena risada e agarrou a nuca dela, puxando-a para um grande beijo.
Fale com o autor