You & Me
52 Sm :: 07
Não existia ninguém mais curioso que ele naquele momento, Emmett Swan tinha certeza disso. E a culpada era: Rosalie Cullen.
E tudo começou com a primeira mensagem, que chegou quando ele menos esperava e o surpreendeu completamente (e inclusive o fez se engasgar com o pedaço de pizza que estava comendo quando a leu, mas não comentaria essa parte com ninguém).
Rosalie: Oi, boa noite. Sei que deve parecer estranho, mas será que você teria algum tempo pra passar no Sweet Rose amanhã para conversamos pessoalmente? É um assunto profissional que eu não queria discutir por telefone.
O número estava salvo em seu celular, mas mesmo lendo o nome no topo da mensagem precisou conferir o número pra ter certeza de que estava lendo direito. A mulher que estava evitando todo mundo, inclusive ele, queria agora lhe encontrar pessoalmente e no Sweet Rose? Antes de responder, mandou uma mensagem para Bella e perguntou se Rosalie tinha voltado ao trabalho, e Bella respondeu prontamente dizendo que Alice conseguira tirá-la de casa e, pelo que Alice tinha comentado, era muito provável que Rosalie voltasse a vida normal. Parou de responder a irmã mesmo quando ela mandou várias mensagens perguntando o motivo da pergunta, voltou a janelinha da conversa com Rosalie.
Era a primeira vez que estava sem saber como responder a mensagem de uma mulher desde... Sempre? Nem na adolescência teve esse tipo de problema, sempre foi muito hábil e popular com as mulheres desde os quinze anos quando conheceu a primeira garota por quem se interessou, ela tinha dezoito anos e era experiente, enquanto ele era um virgem que só conhecia o corpo de uma mulher por revistas pornôs que comprava escondido de um colega de classe que tinha um irmão mais velho com um estoque de pornografia. Mas depois de perdeu a virgindade com essa garota aprendeu muita coisa e agora ele era bom – muito bom, modéstia a parte – mas Rosalie lhe deixava... Inquieto. Não gostava da palavra inseguro, mas era o que estava sentindo. Estava pisando em ovos.
Respirou fundo e decidiu deixar que Rosalie guiasse a situação, iria apenas no ritmo dela. Além do mais, ela queria falar sobre algo profissional então devia ser algo sobre o divórcio. Ele conseguia fazer isso.
Emmett: Claro. Que horas?
Rosalie: Pela manhã? Se você não estiver ocupado, claro.
Emmett: Não estou, então passo aí pela manhã.
Ele mentiu, ele estaria ocupado e teve que pedir para sua assistente limpar sua agenda até o horário do almoço e reagendar tudo, o que bagunçaria toda sua agenda da semana, deixaria tudo mais corrido e irritaria alguns clientes, mas ele não se importava.
E quando entrou no Sweet Rose naquela manhã e a viu atrás do balcão, entregando uma nota fiscal a um cliente com um sorriso no rosto, ele percebeu que cancelaria todos os compromissos do mês inteiro só por aquela conversa se fosse preciso.
O sorriso ainda não parecia chegar aos seus olhos, mas, pelo menos, ela estava fora de seu quarto e tentando retomar sua vida, o que já era uma vitória enorme e o deixava muito orgulhoso.
O braço imobilizado na tipoia junto ao seu peito era a única evidência de algo tinha acontecido, mas qualquer pessoa que não soubesse da história completa pensaria que foi algum acidente ou alguma queda infeliz. Os inchaços em seu rosto tinham desaparecido completamente e qualquer marca restante devia estar escondida sob a maquiagem muito bem colocada. Mas Emmett odiava o quanto ela ainda parecia abatida, o cabelo solto em leves ondas ao redor de seu ombro parecia disfarçar, mas ele percebia como seu rosto estava mais magro e ela parecia ainda menor dentro do casaco fechado que era maior que ela. Cinco minutos com Royce, era tudo que ele precisava. Ao pensar nisso, ele apertou as mãos com raiva mas relaxou quando Rosalie olhou em sua direção.
— Alice? Você pode ficar no meu lugar um momento? Eu preciso conversar com o Emmett, por favor.
— Claro. Olá Emmett, você vai querer alguma coisa?
— Oi docinho. — Emmett sorriu pra tímida funcionária delas, fazendo-a corar. — Eu vou querer um café com leite, por favor. E duas bombas de chocolate.
— Ok. Rosalie, quer alguma coisa?
— Não, obrigada. Nós vamos sentar lá nas mesas de fora.
Rosalie avisou a Alice, mas Emmett também entendeu o recado e saiu do Sweet Rose, sentando em uma das cadeiras junto as pequenas mesas de ferro sob o toldo do lugar. Do outro lado da rua estava o Cullen’s, aos redores outros pequenos comércios, mas ainda era tudo muito calmo naquela hora da manhã. Um lugar ótimo para tomar um café e apreciar alguma das maravilhas que a Bella fazia na cozinha.
Esperou Rosalie aparecer respondendo uma mensagem de sua assistente. Uma cliente estava reclamando porque sua hora com Emmett tinha sido cancelada e remarcada para o mesmo horário do dia seguinte, estava reclamando sobre falta de profissionalismo e que procuraria outro advogado. Emmett revirou os olhos – fique à vontade, respondeu mentalmente. Ele não era de julgar os clientes porque nunca sabia a história inteira, apenas uma parte, mas ele entendia completamente o motivo do marido dela ter pedido o divórcio, a mulher era uma megera. Mesmo que ela estivesse lhe rendendo honorários ótimos, um mês como advogado dela e ele é quem estava pronto para pedir o divórcio do trabalho e pagar uma cerveja para o ex-marido.
“Seja gentil com todos porque você nunca sabe o que a pessoa está passando” era algo que seu pai lhe dizia quando era mais jovem e ele tentava usar como um lema, então respirou fundo e respondeu a mensagem: “Peça as minhas mais sinceras desculpas e diga que um problema pessoal surgiu, se ela não pode esperar até amanhã então posso tentar atendê-la no fim da tarde, é tudo que posso fazer por hoje. E se ainda assim ela não estiver satisfeita com o meu serviço, ela é livre para procurar outro advogado.”. O lema era “seja gentil” e não “seja um idiota que as pessoas acham que pode controlar por ter dinheiro”.
— Aqui está seu café e bombas de chocolate. — Rosalie disse ao se aproximar carregando a bandeja com apenas uma mão.
— Deus, Rosalie! — Emmett largou o celular na mesa e levantou rapidamente, quase derrubando a cadeira para trás, pra tomar a bandeja da mão dela. — Você não devia carregar peso com esse com o ombro machucado!
— Meu ombro está parado exatamente como me mandaram, estou usando apenas o braço bom. E carregar uma bandeja não é carregar peso. — revirou os olhos. — Eu sirvo mesa nos Cullen’s desde a adolescência, carregar uma bandeja cheia de bebida em cada mão sem derrubar uma gota é um dos meus talentos.
Emmett riu enquanto ela se sentava na cadeira a sua frente. Gostava de como ela parecia de bom humor.
— É bom te ver, Rosalie, você está ótima.
— Oh, obrigada, é a maquiagem. — ela forçou uma risada envergonhada.
— Não. É você.
Rosalie parou no meio de uma respiração, parecendo surpresa com as suas palavras e apertou os lábios antes de abaixar a cabeça.
Emmett se chutou mentalmente onde estava o “deixar Rosalie guiar a situação, ir no ritmo dela”?
— Então, sobre o que você gostaria de falar?
— Certo. Eu... Eu acho que você sabe que eu...
— Rosalie? — ele a interrompeu. — Você poderia erguer a sua cabeça? Fala comigo, não com a mesa ou a suas mãos.
— Desculpa. — ela disse envergonhada, mas sem erguer os olhos de suas mãos.
— Não precisa me pedir desculpas, só olha pra mim. — quando Rosalie ergueu a cabeça, Emmett sorriu. — Viu? É fácil, você consegue fazer isso.
— Certo. Então... — Rosalie respirou fundo. — Ontem eu fui com Alice a uma reunião de grupo de apoio a vítimas, ou melhor, sobreviventes de violência doméstica.
— Isso é ótimo, Rosalie, eu fico muito feliz e orgulhoso disso.
— Obrigada. — Rose sorriu mordendo o canto do lábio inferior, controlando a vontade de abaixar a cabeça. — Então, no meio da conversa uma das mulheres acabou falando sobre o divórcio dela, que ela não estava conseguindo se divorciar e está sem advogado, ela comentou como estava precisando de um bom advogado e eu acabei falando que conheço um.
— Eu?
— Você.
— Um bom advogado, huh? — Emmett ergueu uma sobrancelha, risonho.
Rosalie riu.
— Você é um bom advogado, sabe disso. E você está cuidando do meu divórcio, você é bom nesses casos de divórcio, então eu prometi que conversaria com você sobre a possibilidade de você assumir o caso dela.
— Claro, eu posso fazer isso.
— Eu ainda não acabei.
— Desculpa — ele riu. — Pode terminar.
Enquanto ela falava, Emmett bebia seu café.
— Ela precisa de um advogado bom e barato porque ela está passando por... Dificuldades financeiras com essa coisa de divórcio, então eu prometi que falaria com você sobre um possível desconto? Ou você pode cobrar dela apenas uma parte e eu completo o resto, mas isso teria que ser sem ela sabe porque eu não quero ofender ou ferir o orgulho de ninguém, porque você já está cuidando do meu caso de graça, mesmo quando meus pais insistiram em te pagar, eu não quero abusar da sua boa vontade e dos seus serviços, então seria justo você receber alguma coisa.
— Você terminou? Eu posso falar agora?
Rosalie assentiu, apertando os lábios.
— Bom. Primeiro, da mesma maneira que eu jamais cobraria pra fazer qualquer coisa pra minha irmã e pros meus amigos, eu jamais vou cobrar pra fazer algo pra você ou a sua família, Rosalie, você terá que aceitar isso. Segundo, será meu prazer ajudar a sua amiga e eu farei isso pro bono.
— O que? Não, você não pode ficar trabalhando de graça o tempo todo, você tem que receber alguma coisa!
— Rosalie, eu tenho o suficiente pra conseguir cuidar de dois casos pro bono sem que isso me faça passar fome, pelo amor de Deus.
— Eu sei! É que... Não é justo.
— O que vocês passaram não é justo, Rosalie. Eu vou ficar bem. Então, esse lugar que a Alice te levou é o que exatamente?
— É um abrigo pra mulheres e crianças nessa situação. — Rosalie explicou. — Lá eles abrigam as que não tem pra onde ir ou que estão em situação de risco, mas também tem grupos de apoio, psicólogas voluntárias, oferecem cursos, ajudam as mulheres a recomeçarem suas vidas, é um lugar bem legal.
— É mantido pelo governo?
— Não, eles vivem apenas de doações e trabalho voluntário. E é um lugar enorme e pelo pouco que eu conheci ontem já pude ver que é maravilhoso.
— Isso incrível, então vocês acham que eles aceitariam outro voluntário?
Rosalie arregalou os olhos.
— Não pareça tão surpresa. — Emmett riu. — Eu já faço doações a instituições de caridade não governamentais, mas nunca me aproximei o suficiente de uma causa pra ser voluntário, então, se a sua amiga precisa de um advogado talvez as outras precisem também?
— Emmett, isso seria... Mas você não pode trabalhar tanto, no seu escritório e se voluntariando pro abrigo, isso não é saudável.
Emmett sorriu, como se sentia bobo por ficar tão feliz por ela estar se preocupando com ele.
— Eu posso ir duas ou três vezes por semana por algumas horas e eu já estava pensando em aceitar alguns estagiários de direito no escritório, então posso procurar umas duas ou três que se interessem por esse tipo de trabalho e elas podem me ajudar nisso, não vai ficar pesado pra mim.
— Você pensou nisso tudo agora?
— Não, eu realmente aceito estagiários de direito no escritório, não posso efetivar todos mas, dependendo do desempenho deles, garanto boas referências e até faço indicações. O resto eu pensei agora, acho que é o cérebro de advogado sempre pronto pra encontrar soluções.
— Incrível. — Rosalie riu. — Você já está me ajudando e agora vai ajudar outras mulheres que passaram pelo que eu passei, é... Eu nem sei como te agradecer.
— Eu que fico feliz em ajudar e que você procurou minha ajuda. Você sempre pode contar comigo, Rosalie, eu quero ser seu amigo.
Rosalie não conseguiu responder ou tirar os olhos dos olhos dele, nem ele quebrou o contato visual. Abriu a boca pra tentar falar algo, mas não conseguia pensar em nada e a fechou novamente. Sentiu as lágrimas crescerem atrás de seus olhos e antes que se envergonhasse chorando, agitou a cabeça e passou a mão livre nos olhos.
— Me desculpa.
— Está tudo bem, você não precisa pedir desculpas por qualquer coisa.
Rosalie se lembrou da noite em que teve a grande briga com Royce. Pedir desculpas era o que ela sempre fazia, tinha gritado isso durante a briga: “Você viu o que eu ia fazer agora? Eu te pedir desculpas, de novo. É sempre assim, a gente discute, você grita, eu choro e eu peço desculpas, esse tem sido o nosso relacionamento, eu tô nesse piloto automático há meses e quer saber de uma coisa, Royce? Eu cansei”. E ainda não tinha conseguido sair completamente do piloto automático, pelo visto.
Quando alguém chamou seu nome e tocou sua mão, Rosalie se assustou e puxou a mão rapidamente. Emmett lhe encarava surpreso e confuso.
— O que? Me... — ela parou no meio da frase. Não era o Royce. Emmett não é o Royce. Ela colocou a mão sobre a mesa novamente e tentou relaxar. — É costume. Quando vive com alguém que te faz se sentir errada o tempo todo, pedir desculpas vira um hábito.
— Aquele desgraçado. — Emmett apertou a mão em punho sobre a mesa. — Eu o odeio pelo que fez com você. Eu odeio que eu não fiz algo antes, quando eu tive a oportunidade. Eu queria ter te salvado dele.
Rosalie esticou o braço sobre a mesa e pousou sobre a mão dele, apertando suavemente até que ele a relaxasse novamente.
— Você não pode se culpar por algo que não estava no seu controle e nem pode salvar alguém que não quer ser salvo. Você está do meu lado e está me ajudando agora, eu sou muito grata por isso.
E antes que ele dissesse alguma coisa, Rosalie tirou a mão da dele e continuou:
— Então, eu posso te enviar os detalhes da Victoria e do abrigo?
— Por que não vamos lá pessoalmente? Assim você pode me apresentar a sua amiga e eu posso conhecer o local e oferecer os seus serviços. Você acha que sábado é um bom dia?
— Eu vou ligar pra dar uma confirmada, te mando uma mensagem pra estiver tudo bem.
— Ótimo. — Emmett sorriu e bufou quando seu celular começou a tocar na mesa.
— Você pode atender, eu tenho que voltar ao trabalho. — Rosalie levantou. — Emmett, muito obrigada mesmo.
— Estou sempre a sua disposição.
Emmett tentou mas não conseguiu evitar de acompanhá-la com os olhos. Ela estava mais magra, mas ainda tinha um corpo que ele não conseguia tirar os olhos. O traseiro dela encheria sua mão de um jeito perfeito. Não queira tratá-la como um objeto, mas porra, como imaginava como seria tê-la nua em sua cama.
Ele bufou quando seu celular voltou a tocar, mas também ficou grato quando seus pensamentos foram interrompidos porque tudo que não precisava era de uma ereção naquele lugar e naquela hora.
…………………………
No sábado, quando estacionou o carro em frente a Casa da Esperança, Emmett sorriu ao vê-la lhe esperando em frente ao abrigo.
Como ela não podia dirigir ainda por causa do braço, tinha se oferecido para buscá-la em casa e assim poderiam ir juntos, mas ela disse que estava tudo bem em ir sozinha e desconversou então ele preferiu não insistir, não queria deixá-la desconfortável de maneira alguma.
Checou seu cabelo no espelho do carro, pegou sua carteira e celular no painel, e desceu do carro sorrindo para ela.
— Me desculpa se te fiz esperar muito tempo. — Emmett disse mesmo sabendo que estava atrasado apenas dois minutos. — Você está linda.
E ela estava. Rosalie fazia o simples — cabelos soltos, pouca maquiagem, jeans e suéter escuro com uma sapatilha preta nos pés e uma bolsa transversal de couro marrom em seu ombo – parecer extraordinário.
— Não, eu acabei de chegar também. — Rosalie sorriu. — Obrigada, você também está ótimo.
— Essa coisa velha? — brincou olhando pra própria roupa, era apenas uma calça jeans escura e uma camisa chambray com as mangas arregaçadas. — Não sabia se devia vir de terno ou mais casual, não queria parecer um babaca almofadinha e nem um desleixado que não poderia ser um bom advogado nem se comprasse todo o júri. Até pensei em te mandar uma mensagem perguntar que roupa você usaria, mas ai eu percebi como isso seria ridículo porque é algo que a minha irmã perguntaria.
Rosalie riu.
— Verdade, eu mesma já mandei essa mensagem várias vezes pras minhas amigas antes de sairmos. Mas sério, você está ótimo. Você está com um look “sou um excelente profissional, mas também sei como me divertir num sábado a noite”.
— Só nesse jeans? Uau, eu sou melhor nessa coisa do que eu imagina.
— Tudo bem, Clinton Kelly, vamos.
— Quem? — Emmett franziu o cenho e ela gargalhou.
Eles entraram e se identificaram então foram deixados sozinhos esperando pela Erin, responsável pelo local, enquanto Emmett fez Rosalie explicar a referência que ele não entendeu. Clinton Kelly era um consultor de moda estadunidense que apresentava o programa What not to Wear no Discovery Home & Health, ela estava falando grego pra ele. Mas ela parecia uma grande fã desse canal e, pelos programas que ela descreveu, só parecia passar um monte de programas chatos.
— Se você quiser posso te recomendar canais melhores e algumas séries pra você assistir quando não tiver nada melhor na televisão pra assistir.
— Não seja um babaca almofadinha julgando o canal antes de assistir, tem uns programas ótimos!
— Claro que tem, mas você já ouviu falar do Netflix?
Rosalie gargalhou.
— Rosalie!
Os dois se viraram na direção da animada voz feminina.
— Victoria. — Rosalie sorriu indo na direção da pequena mulher de cabelos ruivos e a abraçou desajeitadamente com apenas um braço.
— É bom te ver, você não sabe o quanto sou grata pela sua ajuda
— Eu não estou fazendo nada demais, é o Emmett que vai fazer. Ele é o advogado de quem eu falei. Emmett, essa é a Victoria.
— É um prazer te conhecer, Victoria. — Emmett esticou a mão e ela a apertou com firmeza com um sorriso sugestivo.
— O prazer é todo meu mesmo! Eu nem acredito que você vai realmente pegar meu caso e de graça? Mil vezes obrigada! — ela se jogou em seus braços, lhe surpreendendo com um abraço.
Emmett olhou confuso para Rosalie, que apenas deu ombros, então a abraçou de volta.
— O prazer vai ser meu. Então, você pode me falar sobre o caso?
— Claro! — Victoria o soltou. — Eu trouxe a pasta com todo o arquivo, papéis, documentos, coisas que eu não entendo. Isso tudo é tão ridículo, tudo que eu quero é o meu divórcio e meu dinheiro, eu fiquei com aquele lixo por quase dez anos, eu mereço!
— E eu te garanto que vou conseguir exatamente tudo que é seu por direito, Victoria.
— Você não vai falar aquelas besteiras que meu advogado me disse? Que é difícil, que vai fazer o seu melhor mas que não pode me dar garantias?
— Não. Se eu fizer o meu trabalho direito, você vai conseguir seu dinheiro, metade de tudo que ele tem e talvez até mais. E eu sou muito bom no meu trabalho.
— Eu já gosto muito de você, Dr. Swan. — Victoria tocou seu braço, sorrindo.
— Você pode me chamar de Emmett.
— Ótimo. Minhas coisas estão lá no pátio, podemos sentar em uma das mesas pra conversar e você dar uma olhada nos meus papéis. A Erin também disse que falaria com vocês, ela está apenas terminando um telefonema e já vai nos encontrar. Vamos?
Seguindo-os na direção do pátio, Rosalie observou a conversa e interação entre eles. Em poucos segundos foi fácil perceber como Victoria tinha realmente gostado dele, sorrindo o tempo inteiro e aproveitando cada risada que dava como desculpa para tocá-lo, ela nem tentava disfarçar seu interesse. Só não conseguia ter certeza se era recíproco, porque Emmett tinha um sorriso fácil com todos e sua simpatia podia ser confundida com flerte facilmente.
Não seria surpresa se ele estivesse interessado, Victoria era uma mulher absurdamente linda. Seus cabelos naturalmente ruivos em volumosos cachos eram a moldura perfeita para seu rosto de anjo com traços perfeitos, pele branca enfeitada por sardas e olhos num tom tão claro de azul que nem parecia natural. E como se não bastasse, ela era alta e elegante em seu corpo atlético com curvas apenas em seus seios fartamente perfeitos e um traseiro que enchia o jeans que usava, mas com quadril e cintura estreitas. Que homem não repararia nela? Ela mesma estava reparando nela e nem era atraída por mulheres.
Não que isso lhe incomodasse, quer dizer, Emmett era solteiro e podia fazer o que quisesse. Mas Victoria não era solteira ainda e Emmett não saia com mulheres casadas. Tudo bem que Victoria estava em processo de divórcio, mas, ainda assim, ela estava saindo de um casamento conturbado que terminou em caso de polícia, era uma situação complicada, isso era um problema que ele não queria e nem precisava, não era o que ele tinha lhe dito?
Rosalie não sabia mais se estava falando da Victoria ou de si mesma. Não sentou com eles na mesa do pátio onde uma grande bolsa de couro vermelho estava sobre algumas pastas.
— Enquanto vocês conversam, eu vou ao banheiro ok? — Rosalie disse.
Emmett ergueu o rosto para ela com uma ruga de preocupação entre as sobrancelhas.
— Você está bem?
— Claro. Só um minuto, já volto.
Ela se virou e foi na direção oposta deles, voltando pelo mesmo caminho que vieram, andando na direção do banheiro... Que ela não tinha ideia de onde ficava. Quando chegou ao mesmo lugar da entrada olhou para os dois lados. Alice não tinha lhe mostrado o banheiro ou tinha e ela não se lembrava? Tudo bem, não precisava ir ao banheiro mesmo. Se recostou na parede e ficou ali fora do campo de visão deles.
E pensar que Alice disse que ela era forte e corajosa, que piada.
Só precisava de um pouco de ar e ficaria bem para voltar. Tirou o celular da bolsa e fingiu mexer pro caso de alguém aparecer.
Rosalie: Estou mexendo no celular para disfarçar que estou sozinha no meio de um corredor.
Segundos depois veio a reposta:
Edward: Você está bem?
Rosalie: Sim. Só disfarçando.
Edward: LOL.
Rosalie sorriu, sentia falta de seu irmão. Só agora que não tinha mais Royce ao redor conseguia perceber o quanto tinha afastado as pessoas mais importantes de sua vida – sua família e suas amigas. As constantes reclamações de Edward sobre Royce a fez se afastar porque se recusava a aceitar que era tudo verdade e depois a vergonha de encará-lo sabendo que ele tentara lhe alertar, mas seu irmão era a melhor pessoa e em momento algum lhe disse um “eu avisei”, por mais que devesse pensar isso. Ela estava tentando recuperar o contato com ele, a proximidade que tinha antes.
Rosalie: Então, podemos almoçar juntos hoje? A Bella também, claro.
Edward: Claro! Vou falar com ela. Aqui em casa? Faço lasanha.
Rosalie: Sim!!! Te ligo quando estiver saindo daqui.
— Rosalie!
Ela saltou quase derrubando o celular, sobressaltada.
— Me desculpe, querida, não queria te assustar. — Erin disse rindo. — É bom te ver aqui novamente, tudo bem?
Edward: Já acabou de disfarçar?
Rosalie: Sim, chegou companhia. Até.
— Eu estava distraída. Obrigada, é bom estar de volta.
— Seu amigo, o advogado, já chegou?
— Já! Ele está lá no pátio conversando com a Victoria, eu vim aqui atender uma ligação — Rosalie mentiu e ergueu o celular. — E ai meu irmão resolveu me mandar mensagem. Mas eu já acabei, vamos lá?
— Claro. E então, como você está?
— Eu estou bem, obrigada. Aquela reunião, as coisas que eu ouvi, me fizeram muito bem.
— Eu fico muito feliz em ouvir isso, querida. Espero que venha novamente se juntar a nós.
— Eu vou. — Rosalie sorriu sinceramente.
Emmett estava escrevendo alguma coisa em uma folha sobre uma das pastas quando elas se aproximaram.
— Esse é o Emmett. — Rosalie disse a Erin. — Emmett, essa é a Erin, diretora e responsável pelo abrigo.
Ele se levantou e esticou a mão para ela.
— É um prazer conhecer a senhora.
— Por favor, sem esse senhora. — Erin disse ao apertar sua mão. — Eu sou apenas Erin. Está tudo bem, Victoria? Está recebendo a ajuda que precisava?
— Sim! O Emmett está me deixando realmente esperançosa.
— Você tinha advogado extremamente preguiçoso e incompetente, porque esse é um caso bem simples.
— Eu sabia! Aquele filho da puta! Queria ir na casa dele agora e...
— Victoria, respira fundo e relaxa porque violência não é a resposta. Agora você tem um bom advogado e vai ficar tudo bem, viu? Você não precisa se estressar mais.
— É, mas seria legal ir gritar sobre a incompetência dele na porta dele. Agora eu preciso ir porque vou trabalhar ajudando uma amiga numa festa, preciso de dinheiro pra viver enquanto o Emmett não ganha meu caso.
Victoria já tinha trocado telefone com Emmett, então o abraçou e agradeceu pela ajuda, depois fez o mesmo com Rosalie chamando-a de anjo que colocou Emmett em sua vida, depois um abraço em Erin, pegou a bolsa na mesa e saiu quase correndo ligando para alguém.
— Essa é a Victoria — Erin riu. — Não se preocupem.
— Ele parece tão forte, é difícil acreditar que ela... — Rosalie parou no meio da frase.
— Que ela sofreu alguma violência? — Erin completou. — A violência contra mulher não escolhe classe social ou algum tipo específico.
— Ela me disse que frequenta o abrigo faz um ano? — Emmett comentou.
— Sim, no primeiro dia ela não era nem sombra de quem é hoje, eu tenho muito orgulho de como ela conseguiu recuperar quem ela era antes que o ex-marido tentasse quebrar seu espírito, ele se sentia diminuído exatamente pela força dela.
— Vai ser um prazer imenso acabar com ele no tribunal.
— Aposto que ela ficou feliz em te ouvir falando assim. — Erin brincou fazendo-os rir e continuou: — A Rosalie me disse no telefone que você gostaria de falar algo comigo, então vamos nos sentar e conversar.
— Ele ficou muito interessado quando eu comentei que o abrigo vive apenas de doações e trabalho voluntário. — Rosalie começou quando os três estavam sentados e Emmett juntava os papéis na pasta.
— Eu vou ajudar a Victoria então eu pensei que talvez pudesse me voluntariar aqui, ajudar as outras mulheres. — Emmett explicou. E seguiu explicando que podia ajudar com as situações jurídicas de todos os tipos, desde a parte criminal a divórcios, suporte na área de documentação, aconselhamento, também falou sobre a ideia das estagiárias que ajudariam também.
— Isso seria ótimo, é o tipo de ajuda que precisamos mesmo, depender de advogados públicos as vezes é só complicação, mas aqui muitas mulheres têm receio ou trauma, algumas até pânico de lidar com homens e você é um homem grande. Não estou querendo que você seria capaz de ferir alguém, mas você pode assustá-las. E algumas também ficam desconfortável em expor suas vidas a homens.
Rosalie assistiu Emmett murchar, obviamente decepcionado.
— Eu poderia acompanhá-lo. — disse sem pensar e os dois lhe encararam. Tenho que aprender a controlar melhor minha boca, ela pensou. Mas pensando bem, era uma boa ideia. — Sim, eu posso ajudar. Elas nunca ficariam sozinhas com o Emmett, eu sempre estaria presente para deixá-las confortável, pra passar confiança porque passei pelo que elas estão passando e ele cuidou do meu caso. E no futuro ainda terá as estagiárias, Emmett se certificará de serem mulheres. Isso pode dar certo, Erin, nós podemos fazer dar certo.
— Se vocês trabalharem juntos, então isso vai ser maravilhoso! — Erin disse animada. — Emmett, você só precisa dizer que dia e hora fica bom pra você, anunciaremos para todas e você terá uma sala aqui.
— Isso é ótimo! — Rosalie sorriu.
Emmett teria apenas que conversar com sua assistente para organizarem e coordenarem sua agenda de uma forma que ele tivesse horas livres, precisaria de, pelo menos, uma semana para isso. Então combinaram que Erin anunciaria a todas na próxima semana, recolheria nomes pra ver quantas interessadas teriam, então ela enviaria a lista por e-mail e então ele diria o dia e hora bom pra começarem a trabalhar.
Erin encerrou a reunião agradecendo os dois com abraços e eles se despediram.
— Você tem certeza que quer me ajudar nisso, Rosalie? Você já tem seu trabalho e...
— Você também já tem seu trabalho, Emmett. — ela o lembrou. — Mas se você tiver algum problema comigo te ajudando...
— Não. — ele a interrompeu. — Se você quer fazer isso também, será um prazer trabalhar com você.
— Já sou parceira da Bella, agora ao que parece serei sua parceira também. — Rosalie disse sorrindo e então pareceu corar ao perceber como sua frase poderia soar.
— Então você quer uma carona? — Emmett perguntou antes que ela tivesse tempo de se corrigir, tinha gostado de como a frase dela tinha soado.
— Não, eu vou almoçar no Edward então vou chamar um Uber.
— Sabe, Rosalie, se vamos trabalhar juntos e você quer deixar as pessoas confortáveis na minha presença você tem que começar a se acostumar e ficar confortável com a minha presença.
— Eu... Eu sou confortável com a sua presença.
— Da próxima vez tente falar isso sem gaguejar. Vamos, eu te dou uma carona até a casa do Edward assim você já vai treinando.
Rosalie o encarou por alguns segundos e então bufou como uma criança contrariada. Emmett sorriu vitorioso. Já era um começo.
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