You & Me
53 Sm :: 08
Leah tentava ajudar, mas cada vez que se aproximava de uma caixa – uma pequena, porque ela não era idiota e sabia que não podia carregar peso – alguém gritava seu nome e a impedia. Sempre que tentava organizar alguma coisa, alguém aparecia e a mandava sentar.
“Você não tem esse grupo enorme de amigos a toa, senta seu rabo naquele sofá e espera!” Kate gritou. Provavelmente a mando de Jacob, ele tinha medo de gritar e magoá-la só porque uma vez ele gritou sobre alguma idiotice que nem lembrava o motivo e ela acabou chorando (por culpa dos malditos hormônios, ela gostava sempre de deixar bem claro), mas acabou traumatizando o coitado e desde então ele tinha sido o mais paciente, calmo e suave possível, era até bonitinho.
Então Leah sentou no sofá da sala com as mãos sobre sua gigantesca barriga de oito meses. Gigantesca era pouco, mesmo com todos dizendo o quanto não tinha engordado muito, Kate dizia que ela estava só barriga e peito, sua médica tinha lhe parabenizado por como se manteve saudável e engordou apenas o esperado, ela estava se sentindo do tamanho de uma SUV. Tudo que conseguia era usar eram calças leggins ou saruel que comprara já que tudo que tinha em seu guarda-roupa eram calças justas ou shorts jeans que não conseguia mais fechar os botões ou ficavam desconfortável demais, ou as vezes as calças de moletom de Jacob que eram ótimas pra dormir; assim como suas blusas não ficavam confortáveis ou nem passavam de seus seios, estava tendo que usar as blusas largas de Jacob ou as batas que tinha ganhado de presente. Leah queria chorar cada vez que vestia uma das túnicas, mas não era pior do que colocar as calcinhas enormes ou os sutiãs de gestante. O único orgulho de Leah era que não tinha colocado o pé em uma loja de gestante, tudo que tinha era presente de sua mãe ou Esme, até Rosalie e Bella tinha lhe dando algumas coisas.
Ela não tinha ideia de como existiam filmes pornôs com mulheres grávidas, com certeza era invenção de homens que nunca tinham engravidado, porque era impossível se sentir sexy o suficiente pra filmar uma sex tape naquele estado. Mas não é porque ela não se sentia sexy que ela não sentia vontade de transar, porque como ela estava excitada nos últimos meses, Jacob só precisava beijar seu pescoço e aquelas calcinhas ridículas e enormes estavam molhadas. No momento que aquele bebê estivesse fora de seu corpo e ela se recuperasse, estivesse se sentindo bem com seu corpo novamente, Leah daria a melhor trepada da vida de Jacob para compensá-lo pelos meses de sexo chato em posição missionária ou de lado já que qualquer outra posição depois de um minuto lhe dava câimbras, ele merecia por ainda assim conseguir manter o pau duro por tempo suficiente pra fazê-la gozar.
Aquela era uma coisa boa da casa nova, vários lugares novos para batizar com sexo. Lugares longe do quarto do bebê o suficiente pra ela poder gemer sem medo de traumatizá-lo. Outro ponto positivo, nada de paredes finas de apartamento ou medo de incomodar algum vizinho (não que ela tivesse esse medo, era uma preocupação só de Jacob, ela jamais deixaria que a vergonha de alguém escutar impedi-la de gozar).
Uma casa. Leah nem podia acreditar que ela agora tinha uma casa. Não um apartamento minúsculo que era usado apenas para guardar suas coisas e dormir já que passava a maior parte de seu dia fora de casa, agora ela tinha uma casa confortável e mobiliada. Uma sala com um sofá grande em couro preto e uma poltrona na mesma cor, a parede em frente a ela era uma enorme estante embutida cercada com os DVDs, CDs, jogos de vídeo-game e livros com uma enorme televisão de LED embutida no meio. Eles tinha uma cozinha americana planejada com cores combinando. Um banheiro enorme no corredor e um banheiro na suíte deles que tinha até banheira. Três quartos: a suíte deles, o quarto do bebê e um terceiro que transformaram em quarto de hóspedes, porque em breve Sue estaria ali para ajudá-la com o bebê assim como também receberiam a visita do pai de Jacob, Billy (por isso foi importante também escolherem uma casa adaptada para receber um cadeirante). Jacob também dizia que esse terceiro quarto em breve poderia se tornar em outro quarto de bebê. Claro, Leah ironizou, Kate se transforma em um bebê quando está bêbada. Duvidava que fosse engravidar novamente, nem sabia como as mulheres tinham mais de um filho, era loucura passar por aquela coisa duas, três, quatro vezes. A casa tinha até uma área de serviço completo.
Mais de um banheiro, mais de um quarto, área de serviço? Para Leah aquilo era tudo luxo. Estava feliz que seu bebê fosse viver com conforto e não apertado em um apartamento mal iluminado. Claro que ficariam muitos meses pagando a grande hipoteca da casa, mas ela não estava preocupada com isso porque Jacob agora era dono de sua própria oficina! Ela não podia estar mais feliz e orgulhosa!
Dois meses atrás, Jasper nem piscou em aceitar o negócio que ela e Jacob foram lhe propôr, com um sorriso enorme ele aceitou e disse que seria um prazer ser sócio deles nesse negócio. Jacob começou a procurar lugares pequenos que pudessem comprar e começar, podiam ir expandindo aos poucos, mas então Emmett apareceu em sua porta dois dias depois com uma pasta mostrando a proposta que tinha feito ao dono da oficina em que Jacob trabalhava em nome de Jasper e ele tinha aceitado, ela agora dele e seria de Jacob quando ele assinasse os papéis da parceria, seriam sócios. Jasper receberia sempre 30% do lucro da oficina e, no momento em que ele recebesse de volta o que tinha investido no local, a oficina passava a ser 100% de Jacob. Leah era muito grata a Jasper, sabia que ele estava fazendo isso apenas para que Jacob não se sentisse recebendo caridade porque ele não precisava daquele dinheiro. E também estava orgulhosa de Jacob por não ser orgulhoso e recusar essa oportunidade maravilhosa que a vida estava lhe dando, sua prioridade era apenas sua casa, o bebê e fazer a oficina dar certo. E estava dando! A Black Motors, como era chamada agora, estava indo maravilhosamente depois que Jacob assumiu a administração demitindo os ex-funcionários preguiçosos e contratando gente competente, manteve os clientes antigos e conquistou novos, ela nunca tinha visto Jacob mais feliz.
Ela mesma nunca esteve tão feliz. Acariciou sua barriga sob o tecido daquela horrenda bata azul-marinho. Com um bebezinho que nem tinha nascido ainda, que ela nem sabia o sexo porque ela e Jacob quiseram manter a surpresa, o que acabou se tornando uma aposta entre eles, ela apostou em um menino e ele em uma menina, o que depois se tornou em um bolão de aposta entre todos os amigos e até suas famílias, aquela coisinha estava lhe trazendo tanta felicidade.
E o melhor era que não sentia mais que sua felicidade era inadequada, como se sentiu quando descobriu que estava grávida porque ela não era quem devia engravidar e ser feliz em um relacionamento, essa devia ser a vida da Rosalie, a única que se casou e tinha uma vontade louca de ser mãe, ela tinha nascido pra ser mãe, mas tinha acabado sem um bebê e com um marido idiota que a espancou. Mas agora Rosalie estava muito bem, estava trabalhando no Sweet Rose, era voluntária em um abrigo de sobreviventes de violência doméstica com Emmett, as vezes trabalhava a noite no Cullen’s, as vezes ficava apenas para um drink, estava saindo com as meninas novamente, estava voltando a ser a Rosalie de antes de Royce, todos diziam, estava seguindo sua vida e sendo feliz. Bella e Edward também estavam imensamente felizes em seu relacionamento, todos estavam apostando pelas costas deles quando Edward a pediria em casamento ou quando passariam a morar juntos. Jasper, Kate, Carmen, Eleazar, Emmett, estavam todos felizes e isso fazia Leah ser ainda mais feliz.
— Nem acredito que acabamos! — Kate disse com um suspiro ao sentar ao seu lado. — Eu estou exausta!
— Cansada do que, Kate? — Eleazar perguntou incrédulo. — Você não carregou nada pesado, só tirou coisas de algumas caixas.
— E dai? Isso cansa! Não é bebê? — Kate se inclinou sobre Leah com o rosto a altura de sua barriga. — Sua dinda está cansadinha.
— Leah, você está tirando qualquer chance dessa criança ser normal com Kate falando com ele o tempo inteiro.
— O que, bebê? — Kate encostou a orelha na barriga como se escutasse o bebê falar. — Ok, eu passo o recado. A bebê mandou você parar de ser mal com a dinda linda dela.
— Para de se referir ao meu filho no feminino, é um garoto. — Leah disse empurrando Kate.
— Você está errada, é uma garotinha.
— Apoiada!
Leah escutou a voz de Jacob só não sabia de onde vinha até que ele apareceu com seu lindo peitoral e abdômen definido exposto, brilhando com a fina camada de suor, enxugando o suor da testa com a camisa. Como ele era gostoso! Ela queria lambê-lo completamente.
Kate gargalhou.
— Ela está pensando em te lamber.
Tinha dito em voz alta?
— Você não disse em voz alta. E nem perguntou isso em voz alta, eu só te conheço muito bem e conheço expressões faciais, essa é a cara de quero-lamber-você-todinho.
— Aqui o lanche da mamãe. — Rosalie apareceu com uma bandeja que tinha um prato com um sanduíche e um copo de suco.
— Cadê o lanche do resto do grupo? A gente também ajudou. — Jasper perguntou aparecendo também.
— Edward foi buscar pizzas pra todo mundo, esse sanduíche natural e saudável é apenas para Leah, ela precisa se alimentar bem.
Leah bufou.
— Jacob para de mandar as pessoas fazer seu serviço sujo, eu quero pizza igual todo mundo!
— Você pode comer um pedaço depois que comer o sanduíche. — Jacob disse sem nem ao menos tentar fingir que pediu pra Rosalie lhe servir alguma coisa saudável porque sabia que Leah não gritaria com ela.
Sem paciência para discutir – e com fome – Leah pegou o prato e o copo da bandeja.
— Me deixa segurar o suco pra você. — Kate se ofereceu.
Eles continuaram conversando e ela tinha terminado seu sanduíche, estava terminando o copo de suco, quando Edward chegou carregando cinco caixas de pizza, logo atrás estava Bella com mais cinco caixas e então Emmett com três fardos de latinhas de refrigerante.
— Vocês estão planejando alimentar um batalhão? — Rosalie perguntou rindo.
— Não, só uma grávida. — Edward respondeu piscando pra Leah.
— E o Emmett. — Bella acrescentou.
— Eu não vou te xingar pelo comentário porque eu quero pizza, estou cansada de pão com alface. Levem pra cozinha, tem guardanapo lá. Ninguém usa prato, ou usa e limpa. Sujou, limpou.
— Awn, que linda, já está falando até como uma verdadeira mãe e dona de casa. — Kate a provocou fazendo-os rir.
— Vão se foder.
— Ela está de volta. — Kate se levantou, pegando a bandeja com o prato e copo vazio. — Eu vou até lavar a sua louça porque sou uma amiga e comadre maravilhosa.
Leah revirou os olhos e se levantou muito desajeitada com dificuldade, usando a mão em suas costas para lhe dar apoio. Sua mão ia automaticamente para suas costas na maior parte do tempo, como se pudesse aliviar um pouco do peso que estava carregando, não era fácil carregar o peso de uma casa – ou o peso de seu exagero.
Enquanto todos iam para a cozinha, Leah foi para o lado aposto. Seguiu todo o corredor, olhando as portas abertas. Eles realmente tinham organizado os quartos, ainda tinham algumas caixas espalhadas no chão, mas os móveis estavam em seus lugares e as camas forradas, a única porta fechada era a última. O quartinho do bebê.
Ela não tinha entrado em nenhuma loja de gestante, mas tinha perdido um pouco o controle em lojas de bebês. Cuidar de cada detalhe com Jacob foi uma das coisas mais divertidas de toda a mudança, ela entrou e sorriu para o resultado. Eles não fizeram um quarto todo branco porque não sabiam o sexo do bebê, ela estava bem feliz que Jacob acreditava, assim como ela, que não existia essa besteira de “cor de menino” e “cor de menina” então, independente de qualquer coisa, o quarto era todo em tons claros de verde, lilás e branco – as paredes verdes, todos os tecidos lilás e os móveis brancos.
Leah correu os olhos por tudo. O guarda-roupa que estava cheio de coisas de bebês compradas e ganhadas, uma das partes era só uma enorme coluna de fralda descartável; a cômoda de gavetas com mais roupas de bebê e um trocador sobre ele; a poltrona da mamãe com um apoio para os pés na frente; o sofá-cama junto a parede, que Jacob chamou de sofá do papai; o berço. Leah se aproximou do berço e apoiou a mão em sua grade.
Em um mês teria um bebê de verdade deitado ali. Um bebezinho minúsculo que dependeria dela pra tudo, um bebezinho que ela já amava mais que qualquer coisa no mundo e que ela sabia que precisaria estar feliz pra que ela fosse feliz.
— Acho bom você ser um garoto, coisinha. — Leah disse olhando pra baixo. — Com garotos eu sei lidar, não vou saber o que fazer com você se for uma garotinha fofinha e delicada.
E essa era uma verdade, Leah estava apostando que seria um menino porque não saberia o que fazer com uma garota. Com garotos ela tinha experiência porque tinha ajudado sua mãe com Seth. Meninas? Zero experiência. Ela não era fofa ou delicada, acabaria criando uma mini-Leah.
Duas batidas na porta a fez se virar, sorriu para Bella e Rosalie.
— Está tudo bem?
— Jacob mandou vocês?
— Não. — Rosalie riu. — Só viemos nos despedir mesmo, já estamos indo.
— Já? Todo mundo está indo?
— Não, só nós duas. — Bella respondeu. — Tenho que buscar uma coisa no shopping, mas eu preciso que você me faça um favor. Esteja no Cullen’s hoje a noite.
Leah gargalhou.
— Oh, você está falando sério? O que eu vou fazer lá com esse tamanho e sem poder beber? E o Jacob mal me deixa sair do sofá.
— É muito importante que todos estejam lá hoje, por favor, Leah. Eu tenho certeza que você pode convencer o Jacob ou ir mesmo sem ele deixar e ele vai te seguir.
— Você está tramando alguma coisa, não está, Isabella?
— Talvez? — Bella mordeu o canto do lábio inferior, abafando um sorrindo.
— E contra o Edward? — Leah estreitou os olhos. — Ok, não posso perder isso, estou dentro. Estarei lá.
— Ótimo! — Bella pulou animada. — Prometo um lugar ótimo pra você sentar. Agora você não pode contar nada a ninguém, só apareça lá casualmente.
— Considere feito.
Sorrindo animada, Bella beijou seu rosto e acariciou sua barriga, se despedindo do bebê. Rindo da cunhada, Rosalie também se despediu com um beijo e um tchauzinho pro bebê. Leah estava mais do que acostumada com as pessoas falando com sua barriga como idiotas.
Quando ficou sozinha, voltou a acariciar sua barriga e conversar com o bebê sobre como todo o quartinho estava lindo e pronto pra ele. O que ela podia fazer? Também era idiota e não conseguia parar de sorrir.
. . .
— Você tem mesmo que ir ao shopping buscar alguma coisa ou foi só uma desculpa?
— Desculpa. — Bella respondeu. — Mas talvez eu compre alguma coisa.
— Você vai me dizer o que você vai aprontar hoje no Cullen’s?
— Quando chegarmos no shopping.
Rosalie olhou para a cunhada pelo rabo de olho, mas continuou dirigindo pro shopping. Não estava reclamando, adorava passar um tempo com sua cunhada que tinha se tornando uma grande amiga.
Os últimos dois meses tinham sido para Rosalie como uma grande caminhada a redenção, a volta da filha pródiga. Conseguiu se reaproximar de seus pais e de seu irmão, depois de seus amigos, eles a humilhavam com tanta generosidade e amor, nenhum deles guardou rancor pelo tempo que ela passou afastada e se desculpando pelo comportamento de Royce com eles.
Estava cuidando do Sweet Rose e do trabalho voluntário que fazia na Casa da Esperança, passando tempo com sua família e amigos, estava sendo feliz. Claro que nem tudo eram flores, as vezes tudo que queria era ficar em sua cama e as vezes tinha crises de choro, mas como sua psicóloga (com quem se consultava no abrigo) dizia: “a mudança ocorre aos poucos, mesmo que você não perceba imediatamente, ela está acontecendo. Você já é uma outra pessoa e isso é uma vitória, você procurar ajuda é uma vitória, você não querer voltar a ser a pessoa que era quando chegou aqui é uma vitória, você está conseguindo e pode ficar orgulhosa de si, extravasar seus sentimentos com lágrimas não é sinal de fraqueza”. E Rosalie estava se convencendo a acreditar nisso. Então, toda vez que acabava tendo uma crise de noite fazia alguma coisa diferente pela manhã. Não precisava der alguma coisa espetacular, ela só precisava fazer alguma coisa por ela mesma então conhecia algum lugar novo sozinha, um novo restaurante, um ponto turístico, uma loja de livros, comprava roupas ou sapatos. A última vez que chorou tinha sido a duas semanas e ela nem sabia o motivo de choro, se de tristeza pelos seus sonhos finalmente enterrados ou de alívio quando Emmett lhe entregou os papéis que oficializavam seu divórcio, então na manhã seguinte Rosalie foi ao salão de beleza de Carmen e mudou seu visual – clareou seu cabelo loiro escuro com um ombre hair em loiro claro, Carmen fez um serviço ótimo no degradê. Ainda não teve a coragem de cortá-lo, mas estava decidido, iria cortá-lo na altura do ombro se acabasse chorando novamente.
Rosalie Cullen estava ainda mais loira e divorciada. Com um B.O em mãos e um advogado incrível, o divórcio tinha saído mesmo que Royce não tivesse comparecido ou assinado qualquer documento, já que ele tinha desaparecido completamente desde a noite em que lhe espancou. Nenhuma ligação, nenhuma mensagem. Ele era procurado por tentativa de homicídio, mas Rosalie duvidava que tinham homens realmente o procurando pelo país ou qualquer buraco que ele pudesse estar escondido. Mas ela não se importava, ele podia estar escondido ou recomeçando sua vida com uma identidade falsa, contanto que ele ficasse bem longe dela – e tinha uma ordem de restrição para deixar isso bem claro – ela estava feliz.
Longe de Royce e toda sua toxicidade, ela estava tentando retomar sua vida. Ou melhor, recomeçar. Estava tentando reconstruir sua confiança, voltando a usar as roupas que destacavam suas curvas e não as que escondiam, como tinha feito nos últimos meses porque sempre tinha alguém minando sua confiança e lembrando como ela estava gorda. “Não existe essa coisa de perfeição porque cada pessoa vê uma coisa” sua psicóloga disse. “Então você precisa se preocupar apenas com a sua opinião, com a percepção que você tem de si mesma”.
Na teoria, era fácil. Na prática? Nem tanto, mas ela estava tentando.
E esses dois meses também serviram para aproximá-la de Emmett e ela estava feliz sobre isso. Trabalhar juntos duas, às vezes três vezes, na semana por algumas horas no abrigo fez florescer uma amizade entre eles, agora ela ficava confortável em sua presença e passava isso em forma de confiança para as outras mulheres que eles ajudavam.
Ela não fazia muito quando estava lá, mantinha a organização na ordem de atendimento e dos documentos de todos, às vezes segurava a mão da mulher que eles estavam conversando, oferecia lenços quando começavam a chorar ou dizia que compreendia exatamente o que estava passando, fora isso, o máximo que já tinha feito eram anotações e ligações, mas ela não trocaria essa experiência por nada porque era maravilhoso assisti-lo trabalhando. Emmett era incrível com as pessoas, conseguia enxergar os limites de todas em poucos minutos de conversa e as deixava confortável em contar seus casos. Ela também pode acompanhá-lo ao tribunal em alguns casos (algumas vezes em casos que não envolviam o abrigo, apenas por curiosidade) e ele era como uma força da natureza. Com o cabelo perfeitamente no lugar e o terno de corte perfeito, ele dominava o lugar com firmeza, sua presença se tornava intimidante e ele sempre conseguia o que queria com seu talento nato. Mas quando saía do tribunal, ele afrouxava a gravata e voltava a ter aquele sorriso fácil cercado por duas adoráveis covinhas, voltava a ser o cara fácil de se estar perto e que se preocupava em te deixar confortável ao redor dele. Ela podia assisti-lo e analisá-lo por horas sem se cansar, enquanto ele deixava um rastro de mulheres – e até homens – apaixonadas por onde passava.
Mas eram apenas amigas, ele era extremamente educado e cavalheiro. Eles apenas compartilhavam o ambiente de trabalho, as vezes os finais de semanas no Cullen’s junto com os outros, as vezes iam comer alguma coisa junto quando saiam do abrigo, trocavam mensagens algumas vezes por dia, mas era apenas amizade. Claro que ele flertava com ela em alguns momentos, mas em alguns momentos ela até duvidava que fosse proposital, parecia ser apenas natural dele, como fazia com qualquer mulher que não fosse sua irmã e ela se controlava para não rir igual uma adolescente colegial em frente ao seu crush. Crush, ela se encolhia cada vez que pensava nessa palavra, odiava essa palavra, não tinha idade para pensar em ninguém usando esse termo idiota.
Ela apenas gostava de estar ao redor dele, ria basicamente o tempo inteiro e era revigorante estar perto de alguém com uma energia tão boa. Não ter brigas, não ter gritaria, não ter que pedir desculpas a cada cinco segundos, não se sentir errada e diminuída a cada pequeno comentário que parece natural mas era feito para atingi-la. Tentava não pensar no fracasso de sua vida de casada, mas quando voltava para casa após algumas horas com Emmett ou quando respondia rindo uma mensagem dele ou quando se pegava sorrindo só por pensar nele, não conseguia evitar comparar como era estar perto de Royce e estar perto de Emmett.
Mas é claro que não existia comparação porque Royce não tinha como competir com Emmett em sentido nenhum.
Com o braço enlaçado ao de Bella, as duas caminhavam pelo shopping olhando as vitrines. Rosalie não disse, deixou que Bella as guiasse até que elas pararam em frente a uma joalheria. Rosalie esperou que ela entrasse, mas ela continuou parada.
— É uma boa loja. — comentou. — Produtos de qualidade, garantia.
— Eu sei. — Bella disse sem tirar os olhos das vitrines.
— Podemos entrar, sabe? Não tem algo tipo consumação mínima, podemos só dar uma olhadinha.
— Eu sei.
— Então? Você me dizer o que você está tramando ou não?
— Eu vou pedir o seu irmão em casamento.
— O que?!
— O que? — Bella soltou seu braço e se virou. — Você acha que é loucura? Quer dizer, eu sei que é loucura até porque eu já estive noiva uma vez e não deu certo, mas... Quer saber, você está certa, é loucura vamos embora!
Quando Bella se virou, Rosalie agarrou seu braço.
— Espera! Você só me pegou de surpresa, é isso. Não vou ser culpada de estragar o futuro pedido de casamento do meu irmão, ele nunca iria me perdoar se soubesse.
— Ele não precisa saber, vamos apenas esquecer isso.
— Bella? Respira.
Bella respirou fundo e soltou o ar.
— Eu não sei porque eu fiquei tão nervosa de repente, é que... Você é a irmã dele e ele te ama tanto, eu preciso que você aprove nosso casamento, Rosalie.
— Bella... — Rosalie pegou as mãos da sua cunhada. — Eu aprovo. Eu não escolheria outra pessoa pro meu irmão, você se amam tanto e eu amo vocês.
— Obrigada Rosalie, obrigada! — exatamente como tinha pulado para beijar Leah, Bella pulou e abraçou Rosalie, que ria da animação da cunhada.
— Então, me conta mais sobre esse pedido.
As duas sentaram no banco de madeira não muito distante da joalheria e Bella começou:
— Nós já falamos disso, também já falamos sobre morarmos juntos, mas eu queria um tempo sozinha, sabe? Mesmo a gente namorando, eu ainda conseguia ter o meu tempo e o meu espaço, eu precisava ter certeza e agora eu tenho. Quando eu aceitei me casar com o Jacob foi por... Conveniência? Quero dizer, eu amava o Jacob, a gente tinha uma vida juntos, era próximo passo a ser dado, fazia parte do protocolo e eu não devia me casar com alguém por achar que é parte de algum protocolo. Já com o Edward... — Bella suspirou com um sorriso enorme no rosto. — Eu amo tanto o seu irmão que dói não me imaginar com ele pelos próximos, sei lá, cinquenta anos? Não quero me casar com ele porque é conveniente, quero me casar com ele pra construir uma vida, uma família, juntos.
Rosalie riu.
— Aposto que ele se sente da mesma maneira.
— Eu acho também, por isso eu acho que não levaria um não em público, né?
— Com certeza não.
— Então eu preciso de um favor seu.
— O que você quiser.
— Esteja lá e leve seus pais, mas de maneira casual, ninguém pode estragar a surpresa.
— Considere feito. Você vai comprar algo na joalheria?
— Não sei, eu deveria comprar algo tipo um anel pra ele?
— Não sei, não conheço os protocolos de uma mulher pedindo alguém em casamento. E se você fizesse alguma coisa, não sei, diferente?
— Diferente como?
— Algo que combine totalmente com você.
— Sou todo ouvido.
— Vamos. — Rosalie se levantou e a puxou. — Vamos pro Sweet, temos tempo.
— Não acredito que a gente veio pro shopping pra nada. — Bella parou olhando ao redor.
— O que foi? Podemos comprar alguma coisa se você quiser.
— Não é isso, estou com uma sensação estranha. Está sentindo isso?
— Sentindo o que? O que você está procurando?
— Eu não sei, é uma sensação de ser observada? Seguida? Não sei.
Rosalie sentiu um arrepio percorrer seu corpo e olhou ao redor também.
— Ok, para! Você está me assustando. Estamos sendo observada por pessoas do shopping, paramos na frente de uma joalheria, você me disse algo e então estava indo embora, eu te puxei, a gente se abraçou então sentamos, devem estar pensando que você me pediu em casamento e eu não aceitei, estão esperando o desfecho dessa história. Vamos! — Rosalie passou o braço ao redor da cintura da cunhada. — Faça cara de uma mulher apaixonada que está indo agora pra casa ter uma maravilhosa tarde de amor ardente.
Bella gargalhou e passou o braço sobre o ombro de Rosalie.
— Vamos.
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