You & Me
51 Sm :: 06
Como escutou as vozes de Edward e Bella da porta, e eles não pareciam fazer nada indecente (não que isso fosse impedi-lo de entrar de qualquer maneira), Jasper entrou no apartamento do amigo sem bater e parou com o cenho franzido.
Se tivesse encontrado o casal no meio do ato sexual mais bizarro não ficaria tão surpreso quanto estava de vê-los ajoelhados ao redor da mesinha de centro, com um kit de chá de brinquedo sobre ela, acompanhados de uma criança.
— Certo, esse é o tipo de cena que eu só esperava ver daqui a alguns anos.
— Oi Jas. — Bella o cumprimentou sorrindo, erguendo xícara de plástico rosa que segurava.
— Quem é ele? — a criança perguntou timidamente a Bella.
— Eu sou Jasper, quem é você?
— Mel. — ela sorriu.
— Você é amigo da tia Bella e do tio Edward?
— Eu sou.
— Legal. — ela sorriu. — Qué bincá de tomá cházinho com a gente?
— Hum, não, obrigado.
Ela enrolou seu pequeno lábio inferior num beicinho e franziu o cenho, decepcionada. Jasper não gostou de causar aquilo, parecia errado fazer uma pequena fadinha ficar triste.
— A não ser, é claro — ele emendou — que você que me sirva um desses biscoitinhos.
A pequena sorriu novamente com os olhos brilhando. Ela lhe parecia extremamente familiar, mas era impossível. Com certeza nunca a tinha visto porque não tinha contato com crianças. Nem de crianças gostava.
Jasper se aproximou e se ajoelhou no lado livre da mesinha, de frente para a pequena Mel, olhando confuso para Bella e Edward.
— Mel é a filha da Alice. — Bella explicou enquanto Mel colocava um pratinho e uma xícara na frente de Jasper.
— Alice? A Alice que trabalha pra você?
— Sim. Alice conseguiu tirar a Rose de casa, estamos cuidando da Mel enquanto isso.
— Ok.
Jasper escondeu a decepção. Tava explicado porque a achava familiar, ela era muito parecida com a mãe. Mas uma mulher com uma filha pequena? Não, obrigado. Nada contra, apenas não era o tipo de bagagem que queria. Ele não estava brincando quando dizia que não gostava de criança, nem saberia o que fazer com uma. Crianças o assustavam, só estava ali ajoelhado pronto para tomar um cházinho imaginário numa xícara rosa porque Edward e Bella estavam ali com ele ou teria dado meia volta e ido embora.
Mesmo que a pequena Mel fosse adorável, extremamente fofa. Seu sorriso era doce mesmo faltando um dente da frente, combinava com toda a doçura e inocência de sua aparência. Ela era pequena com feições delicadas, a pele pálida era salpicada de sardas suaves no nariz e seu cabelo negro escorria tão liso sobre seu ombro que parecia brilhar.
— Jasper! — Edward bateu em seu braço.
— O que?
— Eu peguntei se você qué leite? — a pequena disse risonha, segurando a jarrinha de plástico lilás.
— Oh. Sim, por favor.
A pequena fingiu derramar a bebida em sua xícara.
— Ponto, cuidado puque tá quente.
— Ok. — Jasper pegou a xícara pela alça e ergueu o dedinho. — É assim?
A menina riu, uma gargalhada gostosa que fez Jasper sorrir.
— Não pecisa levantá o dedinho, mas se quise pode.
— E os biscoitinhos?
— Aqui. — ela ergueu o pratinho rosa que tinha quatro biscoitos com gota de chocolate de plástico e Jasper pegou um. — Mas não pode come de vedade puque é de plástico, tá? Nem coloca na boca.
— Sério? Mas parece tão gostosa.
— Mas é de mentirinha. — a pequena ria.
— E por que a tia Bella não vai buscar uns biscoitos de verdade pra gente comer? — Bella disse sorrindo pra garotinha. — E tio Edward vai pegar leite pra gente beber com os biscoitos.
Mel assentiu com um sorriso enorme enquanto Jasper agitava a cabeça negativamente com os olhos arregalados. Eles estava ficando loucos? Não podiam deixá-lo com aquela criança. Edward parecia estar se divertindo com o seu desespero e Jasper disse apenas movendo os lábios “vocês vão me pagar por isso”, a risada dele mostrou que tinha entendido bem a mensagem.
— Mais chá tio Jaspe?
— Sim, princesa, eu adoraria. — sorriu pra ela, esticando sua xícara.
— Pincesa? — ela franziu o pequeno narizinho.
— Ué, isso aqui não é um chá de princesas?
— Não, é só cházinho.
— Que surpresa, porque você parece muito uma linda princesa.
— Pareço? — ela arregalou os olhos.
— Claro que parece.
— E ai a mamãe é uma rainha?
— Eu já vi a sua mamãe e ela é tão linda quanto você, ela é realmente uma rainha.
— Ai ela vai pecisá de um rei, você vai ser o rei?
— Eu adoraria, porque você não diz isso pra sua mamãe?
— Jasper! — Bella gritou da cozinha. — Não ouse usar a Mel.
— A culpa é de vocês por deixá-la comigo sem supervisão!
A menina riu sem provavelmente nem entender do que tava rindo. Ele não gostava de criança e queria distância delas, mas tinha que concordar a filha da Alice era muito fofa.
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Como não sabia onde ficava o lugar e não conseguiria dirigir com o braço imobilizado, Rosalie deixou Alice dirigir e foi ao seu lado.
Naquelas poucas horas, Alice parecia ter saído de sua concha e foi o caminho todo falando sobre o lugar onde iriam. Era o abrigo “Casa da Esperança” criado há quase dez anos por uma vítima de violência doméstica para mulheres e crianças na mesma situação; lá tinham abrigo temporário para elas, psicólogas, psiquiatras, reuniões em grupo, eles ajudavam as mulheres a seguirem com suas vidas oferecendo alguns cursos e conseguindo entrevistas de emprego, tinha várias coisas úteis e eles viviam apenas de doações e trabalho voluntário.
Rosalie estava bem nervosa, mas, pelo menos, não parecia tão ruim quanto estava antes. Depois de emprestar uma blusa a Alice (para que ela não fosse com a blusa do Sweet Rose), escovou seu cabelo desgranhado, colocou um jeans escuro, uma blusa larga e um casaco escuro. Seu braço imobilizado na tipoia junto ao peito era a única coisa óbvia, se estivesse em um lugar diferente pensariam que foi apenas causado por algum acidente ou descuido dela. Alice tinha feito um trabalho maravilhoso em seu rosto com a maquiagem, não tinha nenhuma marca aparente.
“Muita experiência em esconder marcas” ela explicou quando Rosalie elogiou o milagre que ela tinha feito com corretivo, base e pó. “Depois ele aprendeu que era melhor me bater em locais que ninguém pudesse ver as marcas e que minha roupa fosse cobrir”.
Rosalie nem imaginava o que Alice devia ter passado. Na verdade imaginava, só não podia imaginar como ela pode ter suportado e superado seu passado. Agora ela conseguia enxergar que estava em um relacionamento abusivo desde o começo, Royce tinha sido abusivo psicologicamente com ela por muito tempo, mas passou a violência física apenas nos últimos três meses e foi suficiente para lhe quebrar, Alice parecia um milagre vivo. Estava muito grata a Alice pela ajuda que ela estava lhe oferecendo, provavelmente não teria saído de casa e teria demorado ainda mais a procurar ajudar profissional – mesmo que seus pais e seu irmão não parassem de dizer o quanto ela precisava, o quanto lhe faria bem – se não fosse por ela. Não sabia se fazia sentido, mas de alguma maneira parecia mais fácil enfrentar toda a situação com a Alice agora que sabia que ela tinha passado pela mesma situação. Não existia pena nos olhos dela, existia compreensão e dor, que Rosalie não sabia ser por ela ou por lembrar do próprio passado. Alice tinha razão, elas seriam amigas.
Quando estacionaram em frente ao prédio, Rosalie respirou fundo e soltou o ler lentamente lendo “Casa da Esperança” na placa que tinha um arco-íris sobre o nome, com números de contato da casa e os dizeres “casa de apoio e abrigo a sobreviventes da violência doméstica. A porta da esperança para um novo começo”.
— Você está pronta? — Alice perguntou suavemente. — Podemos ficar um pouco aqui no carro, se você quiser.
— Não, eu estou bem. Vamos.
Rosalie desceu do carro e esperou Alice descer também, ativando o alarme ao parar ao seu lado. Alice sorriu e pegou sua mão livre, dando um aperto suave e carinhoso. Um silencioso: Você não está sozinha. Rosalie sorriu de volta.
Elas entraram juntas, passaram por um enorme e musculoso segurança, então uma pequena mulher negra com os volumosos cabelos cacheados controlados por um turbante colorido se aproximou com um grande sorriso e uma prancheta nas mãos. Alice a cumprimentou e lhe apresentou, ela era Laurie e ajudava na organização da casa.
— Seja bem-vinda, Rosalie, fique à vontade. — Laurie disse com um sorriso simpático. — Normalmente eu a acompanharia e apresentaria toda a casa, mas tenho certeza que a Alice pode fazer isso.
Alice concordou sorrindo, elas se despediram e Rosalie foi puxada pela nova amiga pra dentro da casa. O lugar parecia um centro comunitário, uma escola, não propriamente uma casa de tão grande. Alice foi caminhando pelos corredores e apontando para as portas, falando que aqueles eram os consultórios médicos e de assessoria voluntária as pessoas. Do outro lado ficavam as salas dos cursos oferecidos e na parte de trás ficavam os refeitórios e os quartos onde as pessoas ficavam abrigadas.
— E as reuniões em grupo acontecem no salão de festa menor. — Alice explicou. — É mais pra festas particulares ou reuniões mesmo, porque geralmente as festas são feitas no pátio aberto, que fica na parte central da casa.
— Esse lugar é maior do que eu imaginava.
— Eu sei. A primeira vez que eu vim aqui até me perdi. — Alice riu.
Rosalie tentou rir, mas tudo que saiu foi um sorriso trêmulo e nervoso. Alice apertou sua mão suavemente novamente e elas entraram juntas na sala. Que era maior do que ela esperava também, tinha um círculo formado com vinte cadeiras de plástico no centro e junto a parede duas mesas cobertas por toalhas brancas com alguns pratos com lanches (da distância que estava achava ser pedaços de torta salgada e pãezinhos cortados com patê), pratinhos e copos de plástico, guardanapo, quatro garrafas de refrigerante e duas garrafas térmicas.
As mulheres sentadas nas cadeiras em círculo olharam na direção delas, algumas sorriram, algumas apenas deram leves acenos com a cabeça, outras permaneceram quietas, mas ninguém pareceu hostil.
Mulheres de idades diferentes, raças diferentes, histórias diferentes e ainda tão semelhantes. Algumas não pareciam ter nenhuma marca, mas uma delas tinha um baita olho inchado e lábio partido, outra estava em uma cadeira de rodas (que Rosalie não sabia o motivo, mas imaginou logo alguma tragédia envolvendo um ex-parceiro). Eram todas sobreviventes. Rosalie lembrou a si mesma que estavam todas na mesma situação quando sentou com Alice nas duas cadeiras vazias.
https://www.youtube.com/watch?v=zDeu9Z5p6FQ
I Believe – Christina Perri
— Temos uma nova companheira no nosso grupo. — a pequena senhora de longos cabelos castanho agrisalhado semipreso e desgranhados usando roupas hippies disse olhando para Rosalie. — Meu nome é Erin, você quer se apresentar ao resto do grupo?
Rosalie olhou para Alice e depois de volta a Erin. Na verdade, não queria. Mas não sabia como dizer isso sem parecer rude ou ser expulsa da sala.
— Tudo bem, você pode dizer apenas o seu nome, não precisa contar sua história, se não quiser.
— Meu nome é Rosalie.
— Bom. — Erin sorriu como se estivesse orgulhosa de sua força e coragem de dizer seu nome. — O que dizemos?
— Seja bem-vinda, Rosalie. — todas as mulheres disseram juntas.
— Seja bem-vinda, Rosalie. — Erin repetiu. — Esse é o nosso círculo de confiança. Aqui podemos dizer o que quisermos, não importa o que seja, pode ser algo sobre o seu dia, sobre o seu passado, qualquer coisa, sem medo e sem julgamentos. Alguém quer falar hoje?
— Eu. — Alice disse erguendo uma mão.
— Ok, Alice. Fique à vontade.
— Eu trabalho pra Rosalie e desde que fiquei sabendo o que aconteceu com ela e o marido dela, eu... Voltei a ter pesadelos.
Rosalie franziu o cenho, surpresa com a revelação.
— Pesadelos com o que, Alice?
— James, meu ex. Eu sonho com as surras que ele me dava, sonho com a noite que eu fugi com a minha filha e procurei ajuda na casa da minha mãe, mas ela se recusou a me ajudar; eu sonho que ele aparece na minha porta com arma e diz que veio terminar o serviço.
— Alice, você sabe que o James está morto. — Erin disse calmamente.
— Eu sei. É o que eu repito pra mim mesma quando eu acordo, que são apenas pesadelos idiotas e eu não tenho do que ter medo, mas eu ainda assim levanto e vou me certificar de que todas as portas e janelas estão trancadas, que a Mel está no quarto dela.
— Você está passando por um momento estressante por estar tão próxima de um evento estressante, você não pode deixar que esse medo te domine novamente quando você fez tanto avanço. Você devia procurar maneiras de relaxar e não pensar nisso antes de dormir, pra que você durma com a cabeça vazia.
— Sabe o que é bom pra relaxar? Sexo. Você está fazendo sexo? — uma jovem de cabelos ruivos disse. — Uma boa trepada e você vai dormir com os anjos.
Todas as mulheres riram, inclusive Rosalie e Alice.
— Por que não? — Erin sorriu. — Sexo é um bom exercício físico, gaste energia antes de dormir e você dormirá mais pesadamente.
Com mais uma risada do grupo, outra mulher falou que estava porque tinha conseguido um bom cirurgião plástico que aceitou o caso dela e ajudaria com as cicatrizes que ela tinha no corpo graças a um ex-namorado que tinha lhe escaldado com água fervente. Outra mulher estava feliz porque tinha conseguido um emprego, vencendo o problema que tinha em enfrentar situações novas porque seu ex-marido vivia repetindo que ela não servia para nada.
Rosalie queria chorar a cada história triste, mas sorria a cada pequena vitória que elas compartilhavam. Uma estava conseguindo sair com os amigos novamente; outra tinha arranjado um encontro; outra tinha voltado a universidade.
Mulheres de origens diferentes e vidas diferentes, mas que viveram por situações parecidas. Elas se entendiam como ninguém. Rosalie não falou, não quis compartilhar sua história, mas estava se sentindo mais confortável do que se sentiu nas últimas duas semanas desde que saiu do hospital, ela nem percebeu a hora passar porque estava se sentindo acolhida e compreendida.
Quando uma das mulheres disse que ainda lutava contra a culpa, o que Erin respondeu trouxe lágrimas aos olhos de Rosalie:
— Se você consegue olhar para essas mulheres ao seu redor e perceber que nada que seus parceiros fizeram foi culpa delas, por que você não consegue fazer o mesmo com você? Então esse vai ser o exercício dessa semana pra todas vocês, ok? Da próxima vez que vocês se sentirem culpadas ou pensarem algo ruim sobre vocês, vocês vão imaginar que estão falando com a melhor amiga de vocês ou com outra mulher desse grupo, vão dizer a si mesmas a mesma coisa que diriam a outra mulher na sua situação. Vocês serão gentis com vocês mesmas, vocês merecem isso. Vocês vão dizer a si mesmas que não são culpadas e vão se perdoar, pra que possam deixar isso pra trás e recomeçar.
Rosalie enxugou as lágrimas que desceram por seu rosto e depois que secou a mão em seu jeans, Alice pegou sua mão novamente.
— Temos mais vinte minutinhos, alguém quer dizer mais alguma coisa pra finalizar?
— Eu. — a ruiva de cabelos cacheados que falou sobre o sexo antes disse.
— Sim, Victoria?
— Aquele filho da puta do meu ex-marido não quer assinar o divórcio. Eu tenho um boletim de ocorrência contra ele, meu advogado era uma bosta e ficava querendo fazer acordo e eu não quero acordo nenhum! Eu quero a minha parte dos bens, eu tenho direito! E eu quero divórcio! E agora nem advogado eu tenho!
— Ok, Victoria, se acalma. Você tentou procurar um novo advogado?
— Eu mal tenho dinheiro! Um bom advogado custa dinheiro! Eu encontrei um que disse que pegaria meu caso se eu trapasse com ele, eu quase vomitei, ele era um porco gordo e suado, se ainda fosse interessante. — riu maliciosa. — Eu quero dar um tiro no meu ex, eu até procurei armas no Google.
— Victoria, você realmente precisa se acalmar. Você não quer estragar sua vida por causa do Greg.
— Oh, eu quero sim. — a ruiva riu.
— Não, você não quer. Você continua frequentando as aulas de krav maga que tinha começado? Já falamos como é bom você fazer esses esportes para colocar a raiva pra fora.
— Eu estou. E também comecei com boxe. É muito bom dar um socos e chutes naquele saco de areia imaginando a cara do filho da puta.
Rosalie estava até surpresa com uma mulher que parecia tão dona de si e forte tinha passado por alguma situação de violência doméstica.
— Agora eu preciso de um bom advogado.
— Eu conheço um. — Rosalie disse por impulso e arregalou os próprios quando percebeu que estavam todos olhando em sua direção.
— Precisa ser bom e barato. — Victoria lembrou.
— Rosalie, você poderia ajudar a Victoria? — Erin perguntou.
— Eu não tenho certeza sobre o preço dele, mas ele é muito bom. Eu posso perguntar quanto ele cobra nesse tipo de caso e talvez conseguir um desconto?
— Isso seria incrível, eu posso te passar meu número.
— Viu, Victoria? Sempre podemos achar soluções não violentas pros nossos problemas. Então acabou nosso tempo por hoje, vocês podem conversar mais um pouco e experimentar o que a Christina e a Ivy nos trouxeram — Erin apontou para a mesa. — Muito obrigada e vocês são todas bem-vindas a voltar na próxima semana!
Todas aplaudiram e Rosalie aplaudiria se conseguisse mexer o braço, estava realmente grata de ter participado daquela reunião. Ela e Alice se levantaram quando Victoria se aproximou e as duas trocaram telefones, com Rose prometendo que ligaria o mais rápido possível com uma resposta.
Emmett. Rosalie estava prometendo a alguém que falaria com Emmett pra lhe pedir um favor. No carro, ao lado de Alice que dirigia silenciosamente, ia amaldiçoando sua boca enorme. Nem sabia porque tinha mencionado Emmett, mas quando Victoria falou de “advogado bom” foi nele em quem pensou e saiu de sua boca antes mesmo que conseguisse lembrar que fazia duas semanas que o estava evitando.
— Eu preciso passar na casa do seu irmão. — Alice lembrou. — Pra buscar a Mel.
— Eu não posso dirigir, então porque você não me deixa em casa e leva meu carro pra buscar a Mel na casa do meu irmão? Você pode me devolver amanhã no trabalho.
— Você vai voltar pro trabalho?
— Eu vou. — Rosalie sorriu. — Eu não posso deixar o Royce continuar tendo poder sobre mim.
— Ótimo! — Alice sorriu orgulhosa.
Minutos depois, quando Alice estacionou na frente da casa dos Cullen, antes que Rosalie descesse, ela disse:
— Rosalie, nós duas passamos por situações que nenhuma mulher deveria passar, que nenhum ser humano deveria passar, e sobrevivemos. Nós fizemos algumas escolhas ruins, mas isso não nos define, nós somos fortes, Rose. Você é mais forte e corajosa do que qualquer um e você mesma possa imaginar.
Com um sorriso inseguro, Rosalie assentiu e desceu do carro se despedindo de Alice. Entrou em sua casa e subiu para o seu quarto refletindo sobre as palavras da nova amiga, forte e corajosa? Ela? Tinha muitas dúvidas sobre isso.
Sentou na cama refletindo sobre a reunião do grupo de apoio, pensando nas palavras de Alice, lembrando que tinha prometido a Victoria falar com Emmett.
Você é forte e corajosa, disse a si mesma mentalmente, você não tem nada do que ter vergonha. Ajudar outra pessoa passando pela mesma situação que você mostrará ao mundo o quanto você é forte e corajosa.
Antes que aquela faísca de coragem autoimposta se apagasse, Rosalie pegou seu celular e abriu seus contatos. Deslizou o dedo no touch screen da tela e selecionou um nome. Enviar mensagem.
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