You & Me
48 Sm :: 03
https://www.youtube.com/watch?v=8aoeOo1p9fs
Love me or Leave Me – Little Mix
— Você me fez fazer isso, Rosalie! Você acha que eu gosto? Você acha que eu tô feliz?! Olha no que você me tornou! — rosnou furioso...
Rosalie tentava ficar acordada, mas parecia ser puxada para a escuridão. A realidade parecia se arrastar ao redor dela em formas desfocadas e vultos, estava tão atordoada que não sabia se estava apenas abrindo e fechando os olhos ou perdendo e retomando a consciência.
...As vozes pareciam distantes.
— Está tudo bem? Minha esposa pensou ter escutado gritos...
— Gritos? Não, está tudo bem, deve ter sido a televisão. Ou a Rosalie gritando com ela. — Royce riu. — Ela tava assistindo uma dessas séries de crime e acaba se envolvendo muito. Vou pedir pra ela se controlar, não quero incomodar os vizinhos.
Escutou a porta fechando, Royce praguejou...
Sua respiração era rasa e frequente, quase ofegante, porque seu peito doía cada vez que tentava respirar fundo, e tinha que respirar pela boca porque seu nariz – além de dolorido – parecia entupido, mas o gosto de sangue em sua boca a fazia querer vomitar. Escutava alguns gemidos e balbuciadas chorosas, foi estranho reconhecer a própria voz nos sons que pareciam o de um animal ferido. Era ela que estava gemendo de dor e balbuciando na tentativa de pedir ajuda.
— Porra, eu não sei! Eu tenho que ir embora daqui, caralho, vem me buscar! Não, eu não posso levar o carro, ele tem a porra de um rastreador, idiota! Tô juntando o máximo de coisas que dá pra vender e os cartões pra retirar dinheiro no caminho. A putinha tinha dinheiro escondido e tem umas joias...
Escuridão. Silêncio.
...Não conseguia abrir seu olho esquerdo e o lado direito de seu rosto estava contra o chão, por isso não conseguia enxergar o que acontecia ao redor, mas ouvia passos e vozes masculinas. Royce não estava sozinho.
— Você vai deixar ela ai?
— Por agora. — Royce se abaixou ao seu lado, acariciando sua bochecha com a ponta dos dedos. — Você é minha esposa, querida. Você não é a melhor, mas é minha e eu vou voltar por você.
Rosalie fechou os olhos...
Sentia dor, mas não sabia exatamente onde porque tudo parecia doer.
…………………………
Bella entrou rindo dentro do apartamento de Edward e parou no meio da sala enquanto ele trancava a porta.
— Foi tudo perfeito, Edward! Meu Deus, deu tudo certo e foi tudo perfeito!
— Você mereceu depois de todo seu trabalho, estou orgulhoso de você.
— Estava mundo elogiando a decoração, o lugar, o meu trabalho! Edward, eles estavam elogiando o meu trabalho! Meu Deus, eu me senti tão... — sem palavras, ela deu um gritinho de felicidade que o fez rir.
Edward ria, mas estava amando vê-la tão feliz, animada e risonha, ela merecia aquele momento. E torcia pra que Rosalie tenha se sentido da mesma maneira – mesmo que um pouco – antes de ir pra casa parecendo miserável com Royce reclamando ao seu lado. Rindo, Bella girou no meio da sala e tirou os tênis com os pés.
— Nós temos que comemorar. — Bella disse sugestivamente, mordendo seu lábio inferior.
Edward ergueu uma sobrancelha.
— Comemorar, huh? Você tem alguma ideia de comemoração?
— Na verdade, eu tenho. — sorrindo maliciosamente, Bella tirou a própria blusa e jogou no sofá, passando o dedo sobre a renda do sutiã meia taça vermelho que usava. — É um presentinho pra você.
— Porra. — Edward soltou o ar com força e passou a mão no cabelo, Bella nunca deixaria de causar esse efeito nele, era como ver seu corpo delicado pela primeira vez todas as vezes em que ela tirava a roupa. — Eu acho que gosto da sua ideia.
— Acha? Talvez eu possa te convencer melhor. — sem tirar os olhos dele, abriu os botões de sua calça jeans e se inclinou pra tirá-la. Dando uma voltinha pra que ele pudesse ver sua pequena calcinha de renda vermelha que combinava com o sutiã.
— Eu realmente gosto da sua ideia, vamos comemorar.
Bella riu e correu na sua direção. Edward a pegou quando ela pulou em seu colo e fechou as pernas ao redor de sua cintura antes de beijá-lo.
Com os dedos entrelaçados aos cabelos dele, Bella segurava a cabeça dele e mantinha o controle do beijo, inclinando a cabeça para aprofundar a língua a sua boca enquanto ele afundava os dedos em sua bunda e a carregava para o sofá. Manteve as pernas firmes ao redor dele enquanto ele a deitada no sofá, segurando-o entre suas pernas. Edward empurrava e esfregava sua ereção contra a boceta dela, usando a fricção para deixá-la ainda mais excitada.
Ela estava ofegante quando ele soltou sua boca e se ergueu apenas para tirar a própria blusa, mas antes que voltasse a beijá-la seu celular começou a tocar no bolso de sua calça.
— Não atende. — Bella pediu, puxando-o para baixo pela nuca.
— Pode ser importante... — ela o calou lhe beijando e eles deixaram o telefone tocar até parar.
Mas alguns segundos depois, voltou a tocar.
— Merda. — Edward rosnou antes de se erguer para pegar o celular
Frustrada, Bella soltou o ar com força e esperou que ele atendesse.
— O que? Mãe? — Edward se levantou, tampando com o dedo o ouvido livre. — Mãe, calma, fala mais devagar porque eu não estou entendendo. O que aconteceu com a Rosalie?
Bella franziu.
— Tudo bem, tudo bem, pra onde vocês estão indo? Certo, o papai está com você? Tudo bem, mãe, calma, eu estou indo e encontro vocês lá, ok? Vai ficar tudo bem. Pede pro papai ter calma dirigindo também, ok? Eu amo vocês. — quando tirou o celular da orelha, Edward rosnou um palavrão.
— O que aconteceu?
— Eu não sei direito, minha mãe disse que não sabia o que aconteceu, só que alguma coisa aconteceu com a Rose, um vizinho ligou pra polícia e polícia chamou uma ambulância, estão levando a Rose pro hospital central, meus pais estão indo pra lá. Merda. — passou a mão no cabelo, nervoso.
— Tudo bem, vamos. — Bella se levantou.
— Você não precisa ir, Bella. Você trabalhou em pé o dia inteiro, precisa descansar, quando eu ligo quando tiver notícias.
— Eu vou ficar nervosa se ficar aqui esperando notícias e olha como você está nervoso. — ao se aproximar dele, pegou sua mão. — Eu não vou te deixar ir sozinho, eu estou com você.
— Obrigado. Eu não te pediria, mas é bom ter você comigo.
— Por que você não pediria? Eu sou sua namorada, estou aqui pra você em qualquer situação. Eu sempre vou respeitar seu espaço, mas se você não quiser, nunca vai ter que passar por nada sozinho.
Edward a puxou para os seus braços e lhe abraçou, sussurrou que a amava enquanto pensava o quanto era sortudo por tê-la ao seu lado. E como a queria ao seu lado pra sempre.
Poucos minutos depois, Edward dirigia com Bella ao seu lado para o hospital central.
— Eu vou ligar para o Jasper e pedir para ele nos encontrar lá, acha que devo ligar pro meu irmão também?
— Por que?
— Jasper porque ele é como um irmão pra você e pra Rose, tenho certeza que ele quer estar lá pra você e sua família também. E meu irmão porque ele é um advogado e você disse que a polícia estava envolvida, talvez vocês precisem da ajuda profissional dele.
— Merda, você está certa, liga pra eles. — quando parou no sinal vermelho, Edward bateu no volante e se virou pra ela. — Se o Royce fez alguma coisa com a minha irmã, ele está morto, Bella. Eu juro por Deus, eu vou acabar com ele.
— Você precisa se acalmar, não apenas por você, mas pelos seus pais, sua mãe vai precisar de você, ok?
— Ok. — Edward respirou fundo e suspirou, voltando a dirigir quando o sinal abriu.
. . .
Quando Emmett atendeu seu celular e perguntou a Bella “você tem noção de que horas são?” esperou alguma resposta espertinha e risadas, mas a voz séria e preocupada de sua irmã fez o medo subir como um arrepio por sua coluna:
— Emmett, preciso que você me encontre no hospital central.
Ele se sentou tão rápido que tudo ao redor pareceu girar.
— Bella, o que aconteceu? Você está bem?
— Sim, não foi comigo, eu estou bem, é com a Rosalie. Eu não sei o que aconteceu ainda, estamos indo pra lá encontrar Esme e Carlisle, não sabemos o que aconteceu, mas envolveu polícia e eu pensei que dependendo da situação seria bom um advogado por perto.
Não podia negar que sentiu um alívio quando Bella disse que estava bem, mas logo foi substituído pelo medo do que podia ter acontecido com Rosalie, então se apressou o máximo que pode e menos de trinta minutos depois entrou no hospital correndo. Passou pelas portas do pronto-socorro e logo avistou o pequeno grupo conhecido no corredor – Edward estava em pé abraçando e afagando as costas de Esme, que estava com o rosto em seu peito; Bella sentada em um dos bancos junto a parede e Jasper em pé.
Chamou o nome da irmã ao se aproximar deles e todos olharam, Bella se levantou parecendo suspirar aliviada em vê-lo e foi na sua direção também. Quando os dois se encontraram no meio do caminho, passou os braços ao redor de sua irmã e a apertou contra seu peito ao beijar seu cabelo.
— Bella, o que aconteceu com a Rosalie?
Bella saiu de seus braços passando a mão no rosto, enxugando as lágrimas que desciam por seu rosto avermelhado.
— Royce aconteceu. — Bella pegou sua mão e o puxou para perto dos outros. — Vem.
Emmett acenou para Edward e Jasper silenciosamente com a cabeça antes de pousar o olhar em Esme, que parecia desolada e desesperada na frente do filho, que estava com o braço sobre seu ombro. O rosto e os olhos vermelhos, o rosto suado e molhado pelas lágrimas, com um pequeno lenço de papel que tinha nas mãos ela fungou ao limpar o nariz.
— Obrigado por ter vindo, Emmett. — Esme disse com a voz trêmula, parecendo fazer um esforço enorme pra parar de chorar.
— Não precisa agradecer, Esme. Vocês são como uma família pra Bella, então são como minha família também. O que aconteceu?
— Minha filha, meu bebê... — a voz dela quebrou e voltou a chorar. Edward puxou a mãe de volta para seu peito, lhe abraçando.
— Royce. — Edward rosnou olhando para Emmett sobre a cabeça da mãe. — Ele... — parou sem conseguir terminar a frase, mas todo o ódio que sentia do cunhado estava estampado em seu rosto. — Meu pai está falando com os policiais, mas ele também está nervoso com tudo, se você pudesse ajudar porque vão abrir um B.O e ele mencionou o exame de corpo de delito.
— Claro. Corpo de delito? O Royce... — Emmett engoliu seco. — Ele bateu na Rosalie?
— O filho da puta espancou minha irmã. — Edward rosnou.
A mente de Emmett voltou a três meses atrás, quando Rosalie foi a seu apartamento:
— E o Royce?
— O que? Já te disse, nós brigamos.
— E ele te bateu?
— O que? — Rosalie empalideceu.
— Seu rosto está vermelho, nós podemos ir na delegacia agora, se você quiser, ou amanhã, posso ser seu advogado...
— Não. — ela agitou a cabeça, se afastando. — Eu gritei durante a briga e estava chorando, por isso meu rosto está vermelho.
— Só de um lado? — ironizou. — Isso parece mais um tapa, Rosalie.
Ele sabia que algo estava errado, mas não pensou que ela mentiria sobre isso ou que, se Royce tivesse lhe agredido de verdade, contaria alguém. Mas quando ela não contou e continuou com Royce, não pensou que tivesse algo errado – pensou que talvez fosse seu cérebro querendo desesperadamente achar defeito no casamento dela com esperança de que um dia ela viria para os seus braços.
Rosalie tinha mudado ainda mais nos três meses que tinha se passado, mesmo que eles não tivessem se falado e, as únicas vezes que estavam juntos era quando tinham outras pessoas ao redor, de longe ele conseguia ver as mudanças. Era como ver uma flor mal cuidada murchar aos poucos, ela parecia ter perdido peso e começou a usar roupas diferentes, grandes que deixavam seu corpo desforme. Agora pensava se isso era pra esconder alguma marca, será que Royce lhe agredira outras vezes e só agora perdeu o controle?
Se tivesse dito a alguém sobre aquela noite, não sobre o quase beijo, mas sobre sua desconfiança de que algo estava muito errado com Rosalie, talvez isso não tivesse acontecido.
— Merda. — Emmett passou a mão na cabeça nervosamente. Era sua culpa.
— Como isso pode ser sua culpa, Emm? — Bella franziu o cenho. — Foi o Royce.
Ele nem tinha percebido que dissera em voz alta, mas agora todos o encaravam.
— Três meses atrás Rosalie foi no meu apartamento dizendo que tinha brigado com o Royce e o rosto dela estava vermelho.
— O que? — Edward soltou a mãe cuidadosamente e a colocou de lado enquanto ia na direção de Emmett.
Jasper se levantou olhando para Edward e Emmett cautelosamente.
— Eu perguntei se a marca era de um tapa, mas ela disse que tinha sido de gritar e eu... Porra, eu aceitei.
— Seu filho da puta! — Edward gritou, furioso.
Tudo pareceu acontecer rápido demais. Quando Edward avançou na sua direção, Emmett empurrou Bella da sua frente pra que ela não se machucasse, escutou o grito dela e o de Esme, mas antes que Edward conseguisse lhe alcançar Jasper foi na sua direção e o interceptou passando os braços ao redor de seu corpo, girando os dois na direção aposta.
— Me solta, porra!
— Edward, para! — Jasper rosnou.
— E você não pensou em contar isso pra ninguém, porra? — Edward gritava enquanto tentava se soltar de Jasper com o rosto vermelho em fúria e uma veia parecendo prestes a explodir em sua testa. — Eles tiveram que levar a minha irmã pra fazer raio-X porque o Royce pode ter quebrado as costelas dela e tomografia por causa das pancadas na cabeça, seu filho da puta!
— Edward! — Esme gritava pelo filho.
Jasper soltou o amigo, mas ficou na sua frente lhe empurrando para trás, o mandando recuar, e então Esme agarrou a camisa do filho.
— Mãe, me solta, eu não quero machucar a senhora. — Edward rosnou ofegante. — Isso é sua culpa mesmo, seu filho da puta!
— Para com isso! — Bella gritou e voltou pra frente do irmão.
— Sai, Bella — Emmett mandou calmamente. — Pra você não se machucar. É o direito dele.
— Direito dele? Não! Edward para! Eu não vou deixar você bater no meu irmão! Não é culpa do Emmett!
— Tudo isso podia ter sido evitado se você tivesse me contado isso, você acha que eu deixaria minha irmã ficar com o Royce se desconfiasse que ele estava batendo nela?!
— Foi a Rosalie quem disse que estava tudo bem! Que motivo meu irmão tinha pra desconfiar se nem você desconfiou de nada?! — Bella gritou com os braços abertos na frente do irmão. — Pra bater nele, você vai ter que passar por mim primeiro!
— Que gritaria é essa?!
Todos olharam para trás, na direção da voz, onde vinham uma enfermeira corpulenta que aparentava estar na meia idade.
— Eu sinto muito, foi apenas um desentendimento familiar, eles já acabaram. — Esme disse envergonhada.
— Bom, porque vocês estão num corredor de um hospital, se vão gritar e se agredir, façam lá fora ou eu chamo a polícia! — a enfermeira mandou.
Quando ela foi embora, ninguém disse nada por alguns segundos, mas Jasper não saiu da frente de Edward e nem Bella saiu da frente de Emmett.
— Isso não é culpa de ninguém além do Royce. — Esme disse quebrando o silêncio.
— Mãe...
— Não, Edward, chega. — Esme o cortou duramente. — Minha filha está fisicamente ferida, mas ela vai sobreviver, minha maior preocupação agora é o estado mental e psicológico dela, eu não vou permitir que vocês piorem isso com essa briga ridícula de achar culpados e mexer no passado, então vocês vão parar com isso agora! Não é culpa do Emmett, não é culpa da Rosalie, é culpa do Royce. Você me entendeu?
— Sim, senhora.
— Bom. Jasper, leve o seu amigo pra tomar uma água e esfriar a cabeça, Bella faça a mesma coisa com o seu irmão, eu vou atrás do Carlisle. E que deus proteja vocês dois se voltarem a brigar na minha frente. Emmett, depois você pode nos encontrar pra resolver a situação a polícia, por favor.
— Vamos, Edward — Jasper bateu no ombro do amigo. — Vamos!
Emmett deixou que Bella pegasse o seu braço e o levasse pra direção oposta dos dois. Eles foram até o início do corredor e saíram pelas portas duplas do pronto-socorro, parando ao lado onde ficava o bebedouro cinza. Bella pegou um copo de plástico, encheu de água e entregou ao irmão, enchendo um copo para si mesma enquanto ele bebia.
— Desculpa, Bella, eu não queria fazer você e o Edward brigarem.
Ela se virou pra ele, bebendo água com o cenho franzido.
— Não brigamos, tivemos apenas uma divergência de opiniões. — pegou o copo do irmão, juntou ao dela e jogou os dois no lixo antes de se virar pra ele novamente. — Vamos conversar, esclarecer as coisas e vai ficar tudo bem entre nós.
— De qualquer maneira, eu não queria te colocar numa situação em que você tem que escolher entre mim e o Edward.
— Eu não fiz isso, Emmett. Ele é o meu namorado e eu o amo, mas você é o meu irmão e eu te amo ainda mais, não estou escolhendo um dos dois, vou sempre amar e defender os dois. E não leva a sério o que o Edward falou, ele não quis dizer nada daquilo, ele só está furioso pela situação da Rose e se sentindo impotente por não poder fazer nada, acabou descontando em você.
— Não tiro a razão dele, Bella, nesse momento eu mesmo quero me dar uns socos por não ter feito nada quando desconfiei que havia algo errado.
— Para com isso, não é sua culpa! Escuta, antes mesmo de nós dois entrarmos na vida dos Cullen e todo o grupo, ninguém gostava do Royce e desse casamento, eles tinham mais obrigação de desconfiar que havia algo errado do que você, mas ninguém disse ou fez nada, então ninguém tem o direito de te culpar, nem você mesmo.
— Ainda assim...
— Chega! — ela o interrompeu. — Você ouviu a Esme, a culpa é do Royce! E quando o Edward esfriar a cabeça, ele vai te pedir desculpas.
— Se eu estivesse no lugar dele, se fosse você ferida, eu teria feito o mesmo. Na verdade, pior, porque o Jasper não conseguiria me segurar.
Bella abriu um sorriso cansado.
— Mas pensa, se você estivesse no lugar dele então quem te seguraria seria o seu melhor amigo, no caso, o Jacob, aposto que ele conseguiria te segurar.
— Ele não é assim tão forte, nós três iríamos pro chão.
Um pouco mais relaxada, Bella riu e passou os braços ao redor da cintura do irmão, deitando a cabeça em seu peitoral. Com a diferença de altura e largura – ela tão pequena, enquanto ele era alto e largo em músculos – Bella sempre se sentia protegida em seu abraço, no meio de toda aquela situação horrível era bom sentir isso.
E Emmett apertou a irmã contra seu peito e beijou seu cabelo novamente, era bom sentir esse conforto e familiar abraço de sua irmãzinha.
. . .
Uma enfermeira se aproximou de Esme e Carlisle e os avisou que Rosalie já tinha retornado dos exames e fora transferida para um quarto de internação na clínica geral do hospital, informando-os também o andar e que podiam passar a noite com ela, os dois avisaram a Edward e Jasper que deviam buscar roupa, coisas de higiene, ver como estava a casa dela. Edward tentou discutir, queria ver sua irmã, mas todos acharam melhor não sobrecarregá-la com visitas agora, então apenas Esme e Carlisle subiram.
Esme sentia as mãos tremerem e seu coração doer antes mesmo de ver sua filha, não podia negar que estava com medo de como podia encontrá-la, apenas Carlisle a tinha visto quando chegaram, porque ela foi direto ser atendida e ela estava nervosa demais para entrar sem atrapalhar a médica e a equipe de enfermagem, esperava apenas ser forte para desmoronar na frente dela.
Quando entraram no quarto, uma jovem de pele negra e o escuro cabelo cacheado em um rabo-de-cavalo preso ao alto de sua cabeça, usando o uniforme da equipe de enfermagem do hospital, terminava de administrar alguma medicação no soro de 500ml que gotejava lentamente indo direito para o acesso venoso periférico conectado ao antebraço esquerdo de Rosalie.
— É uma medicação para dor. — ela explicou.
— Obrigada. — Esme sussurrou com a voz trêmula e as lágrimas crescendo em seus olhos.
Rosalie, seu bebê, parecia tão frágil e pálida naquela cama hospitalar, usando um pijama hospitalar azul-claro com o braço esquerdo imobilizado com uma tipoia junto ao seu peito, coberta apenas com um fino lençol branco enquanto o cobertor mais grosso e felpudo descansava aos seus pés.
O quarto estava frio, não podia deixá-la passar frio.
Se apressou para a cama, pegou o cobertor e o abriu sobre Rosalie, cobrindo-a até a altura de seu peito – com cuidado para não mexer em seu braço imobilizado, mas com a medicação para dor ela nem deveria estar sentindo-o – sem escutar a conversa do marido com a técnica de enfermagem. Sua única preocupação era sua filha.
O lindo rosto de sua filha agora era uma bagunça. Os três pontos em seu supercílio esquerdo pareciam insignificantes dado o estado do seu olho que parecia sumir em meio ao inchaço e hematoma; um curativo cobria o lado direito de sua testa e sua bochecha do lado direito parecia escurecer em um hematoma também; seu lábio inferior estava inchado e ferido; um pequeno curativo cobria a ponte de seu nariz inchado e avermelhado; a marca de uma mão escurecia o pescoço dela.
Ele a tinha sufocado, poderia tê-la matado. Sua filha caçula, seu bebê, poderia estar morta nesse momento. Lágrimas não paravam de descer pelo rosto de Esme, imaginando a dor que sua filha tinha sido enquanto era cruelmente espancada.
Se considerava uma pessoa pacífica, enquanto todos julgavam Royce e eram hostis com ele, Esme estava pronta para acalmar os ânimos e lhe dava o benefício da dúvida, como ela se arrependia disso naquele momento; se tivesse a chance de ficar frente a frente com ele era capaz de matá-lo com as próprias mãos sem se arrepender um segundo sequer.
Quando a pálpebra direita de sua filha tremeu, Esme se aproximou da altura de sua cabeça e pegou sua mão carinhosamente.
— Mãe? — Rosalie sussurrou com a voz rouca.
Sua boca estava seca e sua cabeça, confusa. Mas não sentia dor, na verdade, não sentia nada. Era bom não sentir dor, só queria não estar tão confusa. Não sabia o que tava acontecendo, nem onde estava. O cheiro parecia de álcool hospitalar, talvez um hospital? Mas estava em sua casa, no chão da sala. Se lembrava da dor, da voz do Royce, o punho dele indo na direção de seu rosto.
— Eu tô aqui, Rose. Eu e seu pai estamos aqui com você, está tudo bem agora.
Rosalie sentiu as lágrimas arderem em seus olhos – mas a água salgada desceu apenas pelo seu olho direito, porque nem conseguia abrir seu olho esquerdo.
Agora todos sabiam o que tinha acontecido com a sua vida. Todos sabiam que tinha fracassado. Um pequeno soluço escapou de seus lábios, a vergonha parecia esmagar seu peito.
— Me desculpa... — sussurrou com os olhos fechados novamente.
— Shhh, está tudo bem, meu amor. — sua mãe sussurrou passando a mão em seu cabelo. — Não é sua culpa, você não tem pelo que se desculpar.
— Royce... — parou por não saber o que queria falar sobre seu marido. Onde ele estava? O que tinha acontecido com ele? Será que ele voltaria?
— Dorme, amor, descansa um pouco, você está segura agora.
Ele voltaria. Ele tinha dito que voltaria. Precisava falar para alguém que Royce voltaria e ela não sabia o que ele podia fazer, talvez terminar o serviço? Matá-la? Não queria morrer. Não merecia morrer daquele jeito. Mamãe, por favor... Tentava falar, mas sua língua não parecia obedecê-la e seus olhos não se abriam, não encontrava forças para lutar contra o cansaço – ou talvez fosse a medicação. Letárgica, se sentia sendo puxada para escuridão. A voz de sua mãe parecia estar longe e não conseguia entender o que ela dizia, talvez palavras suaves e tranquilizantes. Tão cansada... Desistiu de lutar e seu corpo relaxou no momento em que caiu no sono.
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