You & Me
29 Km :: 27
Notas iniciais
— Alô? Sou eu. Eu... Eu sinto muito pelo que aconteceu ontem à noite e você não precisa se preocupar, eu vou consertar tudo, ela não pode fazer isso com a gente... — e bateu o telefone público no gancho, olhando ao redor daquele bairro perigoso da periferia, um lugar tomado por criminosos, traficantes e viciados.
. . .
— Edward, hoje é o seu dia com os seus pais, não vou tirar isso de você.
— Então você vai comigo? — Edward perguntou sentado junto ao balcão enquanto Bella preparava panquecas para o café da manhã dos dois, sexy pra caralho usando apenas uma camisa branca de botões dele. — Ou podemos ficar aqui e passar o dia juntos, fazemos alguma coisa pra comer e o resto do tempo nós passamos na cama, fodendo e fazendo amor.
Ela gargalhou e se virou pra ele, segurando a frigideira em uma mão e a espátula na outra.
— Essa é uma grande proposta, garotão — colocou a panqueca no prato. —, mas domingo é o seu dia com a família e eu aprecio isso, não vou tirar isso de você.
— Meus pais te adoram então você deveria ir comigo.
— Depois de ontem talvez seja melhor ir só você, eu posso passar o dia com meu irmão.
— Sei. E o Jacob está envolvido nesses seus planos de passar o dia com o seu irmão? — ele perguntou tentando fingir desinteresse enquanto se servia com café.
— Você vai começar com isso?
— Foi só uma pergunta, me desculpa.
— Sabe o que? Você vai me deixar em casa e antes de ir para a casa dos seus pais pra conversar com o Jacob, pedir desculpas e se acertar.
— Bella...
— Já falamos sobre isso, não vamos começar de novo porque não está em negociação.
— Deus, quando você ficou assim tão mandona? Você está parecendo à dona Esme.
— Isso é um grande elogio pra mim, na verdade, sua mãe é incrível.
— Eu sei, mas ela tem as bolas do meu pai no bolso.
Bella se virou pra ele com um sorriso divertido no rosto.
— Eu posso deixar as suas dentro de uma linda caixinha de joias, se faz você se sentir melhor. — e gargalhou.
Quando terminaram as panquecas, Edward ainda estava com fome e foi preparar torrada, ovos mexidos e bacon pra comer.
Bella só podia concluir que todas aquelas calorias eram gastas com todo seu fôlego na cama, só isso podia explicar seu corpo magro e seu apetite enorme. Como estava satisfeita, buscou seu celular na quarto e sentou no sofá da sala.
— Você devia maneirar na gordura, Edward.
— Isso é alguma reclamação sobre o meu peso? — ele perguntou ofendido e com a boca cheia.
— Não, apenas uma preocupação válida, você tem histórico de problema cardíaco na sua família e não está ficando mais jovem, devia se cuidar mais.
— Você e seu jeito doce de ofender as pessoas sem que elas nem se sintam magoadas. — bufou. — Mas obrigado pela preocupação e por me chamar de velho.
Ela riu, digitando uma mensagem para o irmão: Jacob está ai?
E não demorou muito para a resposta chegar.
Emmett: Ainda não, mas está vindo, o chamei pra almoçar aqui.
Bella: Por quê?
Emmett: Hum... Pra não almoçar sozinho?
Bella: Você o chamou pra contar sobre o que aconteceu no bar né?
Emmett: Talvez? :)
Bella: Meu deus, você é o pior fofoqueiro que eu conheço.
Emmett: Não é fofoca, é repasse de informação.
Bella: Claro, hahahaha. Mas ok, tô voltando pra casa daqui a pouco, peça pra que ele me espere.
Emmett: Não vai pra casa dos pais do Edward?
Bella: Hoje não, façam algo bom para o almoço, por favor.
Emmett: Estávamos pensando em pedir comida, na verdade.
Bella: Por que não almoçamos fora de uma vez?
Emmett: Fechado. Quer que eu vá te buscar?
Bella: Não precisa, o Edward vai me levar.
Emmett: Edward? Tem certeza que essa é uma boa ideia?
Bella: É por isso que ele está me levando, na verdade, pra pedir desculpas ao Jacob.
Emmett: Você conseguiu isso? Hahahahaha. Parabéns, irmãzinha, você tem as bolas do cara.
Bella riu.
Bella: Eu sei. Vamos daqui a pouco.
Emmett: Ok. Até.
Quando ergueu a cabeça do celular, viu Edward lhe encarando, em pé na ponta do sofá. Bella admirou seu esforço pra não perguntar com quem estava falando, mesmo que estivesse obviamente curioso, talvez se perguntando se era com o Jacob.
— Era o meu irmão.
— Eu não disse nada. — ele deu ombros como se não se preocupado, mas agora estava mais relaxado e sorria.
— Mas eu estou ficando boa em ler você, Edward. E também o seu ciúme.
— O que? Eu não sou ciumento.
— Sim, você é. — ela riu. — Mas por enquanto é um ciúme fofo que você tenta controlar, o que te deixa ainda mais adorável.
— Adorável? — ele franziu o rosto. — Isso é uma palavra pra falar de bebês ou filhotes, não de mim, pelo amor de Deus, mulher, escolha um adjetivo mais másculo.
— Másculo? Ok... Talvez um gostoso adorável?
— Não é o melhor, mas acho que a parte do gostoso tira um pouco da feminilidade do adorável.
Bella riu.
— Acredite Edward, não há nada feminino em você, talvez suas mãos, mas o resto é bem masculino.
— Minhas mãos? — ele ergueu as mãos abertas, analisando-as. — O que diabo há de errado com as minhas mãos?
— Elas são bonitas, você tem dedos longos e delgados, suas mãos são elegantes.
— E isso faz delas femininas? Eu dirijo um bar, não um canteiro de obra, por isso minhas mãos são cuidadas. Cuidadas, não femininas. — disse ofendido.
— Cuidadas, macias, suaves, você passa algum creme? — lhe provocou com um sorriso divertido.
Edward suspirou e abaixou as mãos, agitando a cabeça.
— Eu vou usar essas mãos pra bater no seu lindo traseiro e você vai ver o quanto essas mãos macias podem deixar seu rabo ardendo.
— E eu vou adorar. — ela riu. — Meu ciumento-gostoso-adorável-de-mãos-macias namorado.
— E novamente eu mal consigo me focar na sua ofensa, você é boa nisso. As coisas que você está fazendo comigo, Isabella.
Quando ele sentou na ponta do sofá, Bella deixou o celular no sofá e foi para o seu colo, sentando de lado nas suas coxas.
— Você é a primeira pessoa de quem eu sinto ciúme. — Edward confessou.
— E totalmente sem necessidade.
— Eu ainda sou novo nisso, só sei que gosto de ter você e a ideia de te perder me deixa assim.
— Será que você tem alguma ideia do quanto é romântico ou faz isso sem querer?
— Sem querer, na verdade. Eu tô me achando tão cafona que sempre que esse tipo de coisa sai da minha boca tenho medo que você vomite em mim.
Bella gargalhou e passou os braços ao redor do seu pescoço.
— Quando você fala esse tipo de coisa eu fico toda mole e mais apaixonada por você, Edward. Ficar com você é ter o melhor dos dois mundos porque em um momento você está falando sobre deixar meu rabo ardendo e no outro sobre o medo de me perder, eu amo isso, você não vai me perder tão cedo, eu te prometo.
— E quando eu sentir que estou te perdendo, pode ter certeza que vou fazer o inferno pra te conquistar de novo, mas não vou deixar isso acontecer, eu sempre vou te dar o meu melhor e nunca vou te deixar esquecer que ninguém vai amar, cuidar e foder você melhor do que eu.
Bella sorriu e o beijou. Disso não tinha a menor duvida.
–
Naquele momento, enquanto subia de elevador com Bella para o flat de Emmett, Edward entendia o que seu pai tinha dito com “às vezes alguns sacrifícios tem que ser feitos para manter o acesso ao quarto”.
Ele respirou fundo quando Bella abriu a porta do flat e entrou lhe puxando.
Pedir desculpas para Jacob não era algo que faria por livre e espontânea vontade se não fosse por ela, aquilo era um sacrifício que faria para manter o acesso ao quarto e o acesso a Bella no geral. Ela parecia tão feliz segurando sua mão que nem conseguia começar uma discussão sobre sua dignidade e orgulho masculino, aquele sacrifício valia a pena (mas de qualquer maneira, quanto menos pessoas soubessem daquilo, melhor).
— Cadê o Jake? — ela perguntou ao irmão, que estava comendo algo de uma tigela no balcão da cozinha.
— No banheiro. — ele respondeu. — Jacob, eles chegaram! Vocês querem? Salada de fruta.
— Não, obrigado.
— Você, recusando comida? — Bella o provocou.
— É, acho que já comi o suficiente em casa.
Rindo, ela soltou sua mão e foi jogar sua bolsa no sofá.
— Lavou as mãos?
Edward foi para o meio da sala e viu Jacob descendo as escadas.
— Primeiro provoca o Edward, agora o Jacob, você é folgada demais pro seu tamanho, Isabella. — Emmett riu.
— Jake, o Edward quer falar com você. Certo, Edward? — ela se virou pra ele, sorrindo.
Não, não quero.
— Edward?
— Uh, sim, quero.
Emmett gargalhou
— Vou até sentar na poltrona pra assistir isso de camarote.
— Cala a boca, Emmett.
— Jacob, eu...
— Está tudo bem, cara. Eu te entendo, entendi toda a situação e como você viu as coisas, está tudo bem. Eu só quero que você saiba que a Bella e eu somos apenas amigos agora, ela está com você e eu respeito isso, espero que a gente consiga conviver bem, principalmente por ela. — Jacob disse sorrindo.
Edward procurou nele ou em suas palavras algum traço de cinismo ou ironia, mas não encontrou nada, ele parecia sincero e sorria amigavelmente, um sorriso que lhe passava confiança e tranquilidade. De repente Edward não viu mais em Jacob um oponente, mas sim um possível amigo, sentiu até vontade de lhe pagar uma cerveja no bar.
Mas também não podia deixa-lo sair por cima, como o único humilde da situação, tinha que mostrar a Bella que estava disposto também a conviver com Jacob – principalmente por ela.
— Mas eu ainda preciso me desculpar pelo meu comportamento infantil e idiota, eu estava com ciúme e fui estúpido, me desculpe.
— Agir estupidamente com ciúmes acontece, eu mesmo não seria melhor que você se estivesse no seu lugar — ele riu. — Nenhum dano feito.
Por que ele tinha que dificultar as coisas? Era só aceitar as desculpas, não fazer Edward se sentir mal por tê-lo tratado mal, agora sentia como se tivesse chutado filhotes de cachorros na beira da estrada.
— Se minha mãe estivesse aqui naquele dia, eu teria sofrido danos, acredite, ela não criou filho pra ser mal educado com qualquer pessoa, não importa o motivo, ela teria me arrastado pela orelha no mesmo dia pra te pedir desculpas.
— Pior que é verdade, Jake. — Bella riu. — Você precisa conhecê-la, a dona Esme é incrível.
— Você está convidado para o bar por conta da casa e então você pode conhecer minha mãe, contanto que você não mencione o meu pior momento com você.
— Claro — Jacob sorriu. — Eu gostaria disso.
— Então, estamos bem? — Edward ofereceu a ele sua mão.
— Com certeza, cara. — Jacob apertou a mão dele. — Só faça a Bella feliz e estamos bem.
— Eu vou.
— Bem — Emmett suspirou. — Isso não tá tão emocionante quanto era esperando de um encontro entre um ex-noivo e um atual namorado, esperava um pouco mais de drama, talvez ação.
— Cala a boca, idiota. — Bella mandou e ele só gargalhou. — Vamos Edward, te levo até o seu carro.
— Não vai almoçar com a gente? — Emmett perguntou.
— Hoje não.
— Domingo é o dia que ele almoça com os pais. — Bella disse orgulhosa.
— Falando nisso, sua mãe me convidou pra almoçar lá qualquer dia com a Bella.
— Vocês querem ir hoje? Você está convidado também, Jacob, vamos todos, minha mãe cozinha o suficiente para uma grande família.
— Acho melhor irmos outro dia, talvez domingo que vem? — Bella sugeriu. — É mais educado avisar antecipadamente e não surgir na casa dos outros do nada.
— Como se ela fosse se importar com isso. — revirou os olhos. — Mas como vocês acharem melhor.
Edward apertou a mão de Jacob novamente para se despedir e depois a de Emmett, dizendo até logo aos dois, e saiu com Bella.
Ela apertou o botão para chamar o elevador e se virou pra ele, sorrindo.
— Estou muito orgulhosa de você, Edward. Obrigada por ter se desculpado.
— As coisas que eu não faço por você. — suspirou dramaticamente, mas então sorriu. — Mas talvez o Jacob não seja tão ruim quanto eu possa ter suposto.
— Claro que não, o Jake é um amorzinho.
— É... — ele franziu o rosto. — Menos.
— Você não me deixou terminar minha frase. Bella riu e abraçou sua cintura. — Jake é um amorzinho, mas você é um amorzão. Que tal? Não?
— Não. — Edward gargalhou e segurou o rosto dela. — Você é linda.
— Para. — ela sentiu o rosto corar, se ergueu na ponta dos pés e fechou os olhos para beijá-lo.
Pararam de se beijar apenas quando o elevador chegou e ele esticou o braço, impedindo que a porta fechasse.
— Não precisa descer comigo, eu vou sozinho. Nos falamos mais tarde?
— Claro.
Com um sorriso, ele beijou sua boca suavemente e depois sua testa antes de entrar no elevador.
Bella voltou ao apartamento com um sorriso bobo no rosto e logo recebeu provocações do irmão e do melhor amigo, mas apesar de manda-los calar a boca e lhe deixar em paz, ela não parou de sorrir ou perdeu o bom humor porque apesar dos últimos acontecimentos – estava tudo muito bem, obrigada.
. . .
Kate saiu do prédio de Jasper frustrada, pois ele não estava em casa. Ou tinha instruído Jude, sua fiel empregada, a não abrir a porta e dizer pelo interfone que ele não estava.
O fim da noite tinha sido conturbado pela discussão no bar e não conseguiu falar com Jasper depois disso. Correu atrás dele quando ele saiu do bar e o alcançou enquanto ele entrava no carro. Eles tinham combinado de ir para outro lugar dali e se ele não fosse lhe dar carona teria que conseguir outra, mas não era com isso que estava preocupada, era com ele, mas ele disse “não vou te largar aqui, Kate, te levo onde você quiser”. Jamais pararia de surpreender com o quanto Jasper podia ser altruísta e fiel a um amigo, mesmo furioso nem considerou deixa-la para trás. Quando ia dizer que era com ele que estava preocupada, ele apenas entrou no carro e liberou a porta do passageiro pra que ela entrasse também, ignorando suas tentativas de puxar assunto e palavras de consolo. “Tudo bem, entendo que você não quer conversar agora, só me leva pra casa” e ele o fez. Quando o carro estacionou em frente ao seu prédio, ela soltou o cinto e se virou para o amigo: “Se precisar de qualquer coisa, sabe onde me encontrar” beijou o rosto dele e desceu. Ele não disse nada, mas não precisava, ela podia ver a dor estampada em seu rosto e em seu corpo, mesmo que ele tentasse esconder. O conhecia bem suficiente pra saber como estava ferido, estava tão ferido que nem conseguia esconder isso com humor ou malícia, como fazia no resto do tempo.
Então ele não atendeu suas ligações ou respondeu suas mensagens, agora foi na sua casa e ele não estava – ou não quis recebê-la, sabia que era possível – estava muito preocupada.
Da calçada, ela encarava o luxuoso edifício em que ele morava. Ela nunca teria dinheiro pra pagar aquele lugar, nem se comparava ao apartamento velho que tinha herdado de seus avós – e ainda era muito considerando que cresceu sem ter uma casa, criada em trailers e acampamentos viajando por todos os cantos com seus pais hippies –, mas ela estava feliz com o que tinha e sabia que Jasper merecia todo o sucesso que tinha por tudo que era. Com o rosto erguido para o edifício, ela olhava a cobertura, procurando algum sinal de vida dele, mas nada.
Com o celular na mão, ela clicou no atalho das ultimas ligações, selecionou Jasper e clicou para chamar pela milésima vez. E caiu direto na caixa postal pela milésima vez.
— Jasper, sou eu de novo. E não, não vou desistir enquanto você não me atender. Eu tô preocupada com você, por favor, me liga ou me manda uma mensagem, só preciso saber que você está bem. Por favor. Eu te amo. — e desligou.
Guardou o celular na pequena bolsa que tinha sobre o ombro e se virou pra atravessar a rua, pronta para pegar um táxi, quando viu alguém familiar do outro da rua descendo de um Bentley estacionado em frente a outro edifício muito parecido com o de Jasper. Aquele era um bairro residencial de classe alta, mas aquela pessoa não morava ali definitivamente.
Sam. O que ele estava fazendo ali?
Quando uma mulher desceu do outro lado do carro, ela sentiu um embrulho no estômago. Sam podia ser um babaca, mas ele não podia estar fazendo aquilo com Leah.
Sam bateu a porta do carro e foi para a calça, ele passou o braço sobre o ombro da pequena morena ao seu lado e ela virou o rosto pra ele. Os dois conversavam, sorrindo e rindo um para o outro como um casal normal cheio de intimidade. E o embrulho em seu estômago se tornou ânsia quando ele a beijou.
— Filho da puta. — ela rosnou.
Atravessou a rua correndo, segurando sua longa saia pra não tropeçar e feliz por estar com uma simples rasteirinha que não lhe atrapalhava. Os dois já estavam cumprimentando o porteiro do prédio quando Kate o chamou e Sam se virou.
— Oi Sam, que surpresa te encontrar por aqui.
— Kate.
O pânico e surpresa no rosto dele quase fazia aquele flagra valer a pena. Quase. Seu coração já estava doendo só de pensar em Leah.
— Emily, vai subindo porque eu preciso falar com a minha amiga.
— Amiga. — Kate repetiu com uma risada desdenhosa.
A mulher nem hesitou em entrar no prédio. No momento em que ela desviou os olhos dos seus, Kate percebeu que ela sabia que Sam era comprometido.
— O que você está fazendo aqui?
— O Jasper mora nessa rua, idiota, você devia conhecer a vizinhança da sua vagabundinha antes de sair por ai dando demonstrações publicas de afeto com ela.
— Kate...
— Eu sempre soube que você era um babaca, mas isso... Porra, isso é nojento até pra você.
— Você não entende, eu e Leah...
— Você e a Leah ainda estão namorando, seu filho da puta! — o interrompeu gritando.
— Por favor, Kate, não faz um escândalo, estamos no meio da rua, esse é o prédio da Emily, eu tenho clientes por perto, por favor.
— Ah, então você está com medo do escândalo, mas não se opôs a expor seu casinho no meio da rua? Seu porco nojento e traidor.
— Eu sei, eu sei. — ele passou a mão no cabelo com um suspiro frustrado. — Eu não me orgulho do que eu fiz, mas... Eu e Leah estávamos passando por um momento difícil e estamos nos reajustando agora, Kate, você não pode estragar isso.
— Eu, estragar isso? Quem estragou isso foi você, seu idiota! Você estava traindo a Leah!
— Não! A Emily, ela não significa nada pra mim, eu amo a Leah.
Kate riu.
— Você realmente sabe demonstrar seu amor. Vai se foder, Sam.
— Você vai contar para Leah?
— O que você acha?
— Kate, por favor, você não percebe que vai magoar a Leah à toa? Isso não vai se repetir, eu só vim trazer a Emily em casa e ia explicar isso pra ela que o que tivemos foi um momento de fraqueza, mas eu amo minha namorada. Você realmente vai estragar isso? Não conta pra ela, Kate. Ou melhor, me deixa contar.
— O que?
— Eu conto. Por favor, só me dê isso. Sei que não mereço, mas, por favor, é melhor que ela saiba por mim e não por outra pessoa, por favor.
Kate respirou fundo, sem saber o que fazer. Leah era sua melhor amiga e sentia como um dever contar a ela o que tinha visto – além do que, aquilo era o que sempre quis: Leah longe de Sam –, mas conhecia amiga bem o suficiente pra saber que ela não receberia bem aquela notícia, saber disso por outra pessoa iria fazê-la se sentir humilhada e se ela já se menosprezava em vários momentos aquilo só iria piorar a situação. Talvez fosse melhor que ela escutasse aquilo de Sam, talvez ouvir da boca dele ajudasse a fazê-la perceber que a culpada não era dela, mas sim ele.
— Você conta pra ela hoje ou eu conto.
— Eu preciso de mais tempo pra...
— Hoje. — o interrompeu. — E eu estou falando sério.
Sem deixa-lo responder, lhe deu as costas se afastou para pegar o seu táxi.
. . .
Após desligar o celular, Bella se levantou do sofá.
— Aonde você vai? — Emmett lhe perguntou.
Seu irmão estava sentado no sofá com Jacob ao seu lado, estavam assistindo um jogo de basquete, comendo nachos e cerveja. Ela nem se surpreendia por mesmo depois de passarem o dia comendo – entre o almoço e os lanches que comeram na feira esportiva que acabaram passando por acaso –, eles ainda tivessem apetite pra comer alguma coisa, nada sobre eles a surpreendida mais.
— Surgiu algum problema na cozinha e Siobhan precisam da minha ajuda, pelo jeito que o Edward ficou ontem está todo mundo com medo de ligar pra ele. — ela riu. — Vou ver se consigo ajudar e qualquer coisa eu o acalmo antes que ele vá resolver.
Os dois riram com malícia e ela tinha quase certeza que os ouviu falar algo como “sei como você vai acalmar” e “boquete” enquanto subia as escadas para se arrumar.
. . .
Era fim de tarde quando Jasper chegou ao seu apartamento. Ainda não tinha conseguido dormir e estava exausto em todos os sentidos possíveis, estava se sentindo uma merda confusa.
Foi direto para o banheiro e tomou um longo banho, repensando toda a noite de merda que tivera. Mesmo depois de toda a merda que passou em sua vida sinceramente podia dizer que nunca tinha se sentido tão ferido quanto naquele momento. Estava se sentindo traído pela pessoa mais importante de sua vida e não sabia o que sentia, se era raiva ou tristeza.
Saiu do banheiro de samba-canção e uma toalha nos ombros, enxugando o cabelo. Sentou no sofá, acendeu o cigarro e ligou seu celular – que deixou desde que deixara Kate em casa.
Ligações perdidas, mensagens de texto e mensagens de voz acumulavam-se. Números desconhecidos, pessoas que não lhe importavam, pessoas com quem não queria falar no momento.
“Jasper, quando escutar esse recado me liga, por favor, precisamos conversar”, Edward disse em sua mensagem.
“Jasper, sou eu de novo” dizia a da Kate. “E não, não vou desistir enquanto você não me atender. Eu tô preocupada com você, por favor, me liga ou me manda uma mensagem, só preciso saber que você está bem. Por favor. Eu te amo.”
“Alô? Sou eu. Eu... Eu sinto muito pelo que aconteceu ontem à noite e você não precisa se preocupar, eu vou consertar tudo, ela não pode fazer isso com a gente...”.
Os olhos dele se arregalaram. O que diabos ela estava falando? Ele clicou para chama-la de volta e foi atendido após três toques.
— Jasper? — a voz feminina, insegura e chorosa, soou do outro lado da linha.
— Jessica? Onde você está? Que mensagem foi aquela?
— Eu... Eu tô cuidando de tudo, Jasper, você não precisa se preocupar.
“Socorro!” alguém gritou.
“Cala a boca!” Jessica gritou de volta. E então desligou o telefone.
— Merda. — apagou o cigarro no cinzeiro que estava no suporte de copo do sofá e discou rapidamente o numero de Edward. Chamou algumas vezes até que ele atendesse.
— Jasper? Que bom que você...
— Não tenho tempo pra isso agora, Edward, onde está a Bella?
— O que? Jasper, eu sei que você está chateado...
— Porra, Edward, você pode se focar no que eu tô te perguntando? Onde a está a Bella?
— Eu, eu não sei, talvez com o irmão dela e o Jacob? Porra, Jasper, o que está acontecendo? Você está me assustando.
— Eu acho que ela está perigo.
— O que?!O que você fez?!
— Quão idiota você acha que eu sou pra fazer alguma coisa com ela e depois te ligar? Vai se foder. Liga pra ela, para o irmão, descubra onde ela está e vai até ela, fica com ela até eu te ligar, ok?
— Me explica o que tá acontecendo, porra!
— Liga pra ela primeiro e depois me liga, te explico tudo, agora preciso ir até a casa da Jessica. — e desligou.
Passou no quarto pra colocar um jeans e uma camisa, pegou seu celular e chaves, então saiu apressado.
Costurando entre os carros e infligindo o limite de velocidade, só parou em sinais vermelhos para evitar algum acidente, mas com certeza tinha passado por algum radar e acabaria recebendo uma multa por isso.
O apartamento de Jessica era a meia hora de sua casa, mas ele fez o caminho em vinte minutos. Ele conhecia bem o lugar, afinal, ele tinha alugado, pago os primeiros alugueis e arrumado tudo pra que ela tivesse onde morar. Ele a tinha ajudado a se erguer após sair da reabilitação, por isso estava tão preocupado com a situação, sabia do que ela era capaz.
Estacionou o carro, ativou o alarme e subiu sem dificuldade por conhecer o porteiro. Subiu de escada ao segundo andar e parou na porta do apartamento dela.
— Jessica! — gritou enquanto esmurrava a porta. Seu celular começou a tocar, tirou do bolso e atendeu rapidamente: — E ai, achou a Bella?
— Não — Edward respondeu. — Liguei pro Emmett e ele disse que ela foi no bar porque teve um problema e a Siobhan queria a ajuda dela. Jasper, que porra tá acontecendo?
— Merda. Você precisa ir lá ver o que tá acontecendo.
— Eu tô na casa dos meus pais, eu tô indo.
— Eu tô mais perto, eu vou também. Vai rápido.
Escutou Edward chamar seu nome, mas desligou na cara dele. Rosnando um palavrão, Jasper forçou a porta com um ombro e a madeira velha cedeu com facilidade. O pequeno apartamento estava uma bagunça, todo revirado, como se tivessem procurado alguma coisa por todos os cantos do lugar. Quando ele viu a bagunça na mesinha de centro, rosnou um novo palavrão e saiu correndo sem se preocupar em fechar a porta.
. . .
— Por que você está fazendo isso? Você está louca? — Bella perguntou assustada com as lágrimas descendo por suas bochechas e sangue escorrendo de seu nariz para sua boca.
— É tudo sua culpa, é tudo sua culpa, é tudo sua culpa... — ela repetia nervosamente indo de um lado pro outro, fungando.
— Jessica, por favor. — Bella choramingou.
— Cala a boca! — Jessica gritou agitando a mão em que segurava um revólver e então bateu na própria têmpora com a mão livre, respirando ofegante. — Cala a boca, sua maldita! Você não vê que a culpa disso tudo é sua? Nada disso era pra está acontecendo! É tudo culpa sua!
— Mas eu não fiz nada, pensei que você fosse minha amiga.
— Eu podia ser! E eu queria ser! Mas você estragou tudo! — ela gritava, voltando a andar de um lado pro outro. — Cala a boca. Cala a boca.
Bella nunca se sentiu tão assustada em toda sua vida. Jessica estava agitada e nervosa, ela já parecia estranha quando Bella chegou ao restaurante, mas não desconfiou que fosse algo tão sério. Não tinha ninguém no lugar, mas Jessica falou que a Siobhan estava na cozinha, quando passou na frente sentiu uma dor na sua cabeça e então tudo ficou escuro. Quando acordou, estava no chão da cozinha e Jessica andava de um lado pro outro, estava ao telefone e Bella gritou por socorro, ela lhe mandou calar a boca, desligou o celular e chutou seu rosto, lhe apagando novamente. E na segunda vez que acordou no chão, sentiu gosto do sangue na boca que escorria do seu nariz e dor no rosto, se ergueu chorando e viu a arma na mão dela.
E pior do que o ferimento ou a dor era encarar a Jessica. Ela parecia transtornada. Apesar de não chorar, seus olhos estavam vermelhos e seu nariz parecia estar escorrendo, ela não parava de fungar, Bella percebeu que suas mãos tremiam a cada vez que ela erguia a mão livre pra enxugar o suor que brilhava em sua testa. Ela colocava a arma no balcão e olhava assustada pra ela, ofegando, então a pegava novamente. Era como se por alguns instantes de lucidez se perguntasse o que estava fazendo, porque estava com aquela coisa na mão e depois voltasse ao plano original, usar aquela arma. Toda essa instabilidade era o que mais lhe assustava, a qualquer momento ela podia perder o controle completamente e lhe machucar, ou pior, matar.
— Jessica, me escuta — começou suavemente. — Vai embora. Eu não vou falar disso com ninguém, você vai embora e eu digo que cai, bati o rosto e vão todos acreditar, eu sou desajeitada, vai ficar tudo bem, você só precisa ir.
— E eu preciso ir? — ofegou horrorizada. — Eu? Você precisa ir! Você é a intrusa! Você destruiu tudo! Olha o que você fez comigo, com o Jasper, com o Edward, é tudo sua culpa!
Bella chorou.
— Sua vadia sonsa e cínica. — Jessica disse repentinamente calma. — Eu entendi o seu jogo.
— Eu não sei do que você está falando, eu não fiz nada com ninguém...
— Mentirosa! — ela gritou novamente. — Você chegou aqui como quem não queria nada e de repente tinha o Jasper e o Edward em suas mãos, imagino quanto tempo você não planejou isso tudo, semanas, talvez meses.
— Não, eu não...
— Eu estava aqui primeiro! — a interrompeu gritando. — Jasper estava aqui primeiro e então você chega e tudo vira de cabeça pra baixo. Edward só quer saber de você, Jasper só quer saber de você, os dois brigaram, você não percebe? Isso é tudo sua culpa. Se levanta.
— Jessica...
— Se levanta! — ela gritou segurando a arma com as duas mãos.
Chorando, Bella se levantou e limpou a mão ensanguentada no jeans, então a colocou no nariz novamente, que continuava sangrando.
Jessica nervosa vendo seu sangramento com uma faísca de arrependimento brilhando em seus olhos, ela olhou ao redor e pegou um pano de prato que estava sobre uma panela, jogando-o em sua direção.
— Obrigada. — agradeceu acenando com a cabeça. Abriu o pano, cuspiu saliva ensanguentada dentro, dobrou novamente e colocou um lado limpo no nariz, soltando um pequeno gemido de dor pela pressão que fez.
— Não era pra isso acontecer, você sabe. A culpa é sua, toda sua. Você só tinha que ter ido embora, por que você não foi embora?! E eu tentei fazer você ir por bem, eu tentei!
— O que? — murmurou abafadamente pelo pano.
— Eu mandei uma mensagem pra Tanya e a convidei em nome do Edward, pensei que você fosse se afastar se descobrisse que ele e o Jasper tinham gostosos excêntricos, mas você ficou! Eu consegui fazer alguém do Volterra comer a porcaria das suas sobremesas e então o próprio dono veio te oferecer um emprego melhor que esse, mas você não aceitou! Eu mexi nas suas sobremesas pra você ser demitida, mas você não foi e acabou prejudicando o Jasper!
— Deus. — Bella suspirou, horrorizada. — O Jasper não... Foi tudo você...
— Não era pra ele ser prejudicado, era você, só você! Você! Você estragou tudo, Isabella, é tudo sua culpa! Ele devia ser meu! — e pela primeira vez lágrimas desceram pelo seu rosto vermelho de raiva.
— Quem? O Edward? Isso tudo é por causa do Edward?
— Edward... — bufou com desdém. — Não, vadia estúpida, o Jasper! Ele é meu! Ele era meu! E então você chegou e tudo mudou. Tudo!
— O que? — Bella franziu o cenho. — Não, Jessica, por favor, você está confundindo as coisas, eu não tenho nada com o Jasper, eu estou com o Edward, você sabe.
— Mas você continua de graça com o Jasper, não me faça de idiota, eu vi vocês na cozinha, perto, quase se beijando...
— Não! — a interrompeu. — Estávamos brigando!
— Não importa! Você machucou o Jasper quando escolheu o Edward e fez os dois brigarem, afastou o Jasper de mim, você estragou tudo! É tudo sua culpa! E você só tinha que ir embora, por que você não foi embora?! Eu tentei te fazer ir embora por bem, mas você não foi. Merda, por que você não foi?!
Jessica olhou pra trás quando ouviu passos, mas não abaixou a arma ou parou de aponta-la para a Bella, em pé na sua frente a poucos metros de distancia.
— Jessica?
— Jasper? — suspirou surpresa.
— Jess, querida, a Bella está com você? — elas escutaram a voz suave de Jasper se aproximar.
— Vai embora, Jasper! — Jessica gritou. — O que você está fazendo aqui? Você não devia estar aqui, eu estou cuidando de tudo pra nós, você precisa ficar longe!
— Bella, você está ai? Está tudo bem? Jess, por favor, eu preciso saber se vocês estão bem.
— Responde. — Jessica mandou.
— Eu tô aqui, Jasper. — respondeu chorosa. — Ela está armada.
— Cala a boca, sua puta!
— Jessica, eu vou entrar, está bem? Eu estou sozinho, querida, eu preciso ver se você está bem, posso entrar?
— Tudo bem, tudo bem, tudo bem. — respondeu ofegante, acenando freneticamente.
Segundos depois Jasper entrou lenta e cautelosamente com as mãos erguidas, olhou na direção da Bella e depois para a Jessica.
— Vai pra lá, do outro lado do balcão. — mandou e ficou olhando para ele, com o braço para o lado erguido e o revólver na direção da Bella. — Você não precisa manter as mãos erguidas, Jas, sabe que nunca vou machucar você.
— Eu só não quero que você se assuste e machuque alguém, mas eu sei que você nunca me machucaria de propósito. — ele sorriu carinhosamente. — Agora, querida, me dá essa arma antes que você se machuque, por favor.
— Não, eu não vou me machucar, eu vou machucar ela! — agitou o braço. — Ela merece por tudo que ela fez.
— Ela não fez nada, Jess, vamos conversar com calma, agora me dá essa arma.
— Ela não fez nada? Será que você não percebe tudo que ela fez? Tudo que ela fez com você? Ela te afastou dos teus amigos, te afastou de mim! Se ela não vai embora por bem, ela precisa ir embora por mal!
— Jessica olha pra mim, isso, querida. — ele sorriu para lhe passar confiança. — Ninguém me afastou dos meus amigos ou de você, eu estou bem, você não precisa fazer nada, eu te juro, eu estou bem.
— Você estava com raiva ontem e foi por causa dela, por causa dessa raiva você gritou comigo quando eu fui à tua casa te ajudar, você me expulsou e disse que nunca tivemos nada, que eu imaginei coisas, mas você gostava de mim! Você gostava de mim antes que ela aparecesse!
— Eu gosto de você, Jessica, eu sempre gostei de você. Eu fui um estúpido quando gritei contigo e peço desculpas, eu estava chateado, mas não era com a Bella, era com o Edward por não ter acredito em mim e na nossa amizade.
— Isso também é culpa dela, Jas, antes que ela aparecesse a amizade de vocês era forte, ela atrapalhou isso.
— Minha culpa? Você bagunçou as tortas, você fez isso pra que eu fosse demitida, sua vadia louca! — Bella gritou furiosa.
— Era pra foder você e não o Jasper! Eu nunca iria prejudicar o Jasper! — Jessica gritou de volta.
— Cala a boca, Isabella. — Jasper rosnou.
Bella ficou surpresa com a ordem, mas logo entendeu que não devia provocar ainda mais a raiva e instabilidade de Jessica, devia deixar que Jasper a acalmasse.
— Eu nunca te prejudicaria, Jas. — ela repetiu numa voz um pouco mais alta que um sussurro, choramingando. — Nunca.
— Eu sei disso, querida. — Jasper garantiu.
— Eu só quero te ajudar, como você me ajudou, então se ela sumir, você terá seu amigo de volta e eu vou ter você, vai ser bom para todos.
— Então deixa eu te ajudar primeiro, Jessica. Eu passei no seu apartamento antes de vim aqui, eu vi a bagunça na mesa.
— Oh — o corpo dela se agitou com o soluço de choro e abaixou a cabeça. — Eu sinto muito, eu sinto muito, Jasper.
— Está tudo bem, querida, porque você não coloca a arma no balcão e me diz o que você usou.
— Eu te prometi que não ia usar e eu tava limpa, eu te juro. — ela ergueu a cabeça. — Eu tava chateada porque você me expulsou da sua casa, eu queria me acalmar e o que eu bebi não me acalmou, ai eu fui no Eric pegar uma dose.
— E foi lá que você conseguiu a arma?
— Foi. Mas foi só isso e o pó, eu juro.
— Eu vi o resto do pó na mesa, mas também tinha seringa lá, Jess.
— Mas eu não usei, eu te juro. Eu só cheirei, eu fui fraca e quebrei minha promessa, mas eu cheirei pouco e eu não vou cheirar mais, eu não vou, eu te juro, me desculpa Jas, me desculpa.
— Está tudo bem, Jess, você fez bem em não misturar as drogas, você errou e ainda pode consertar isso, abaixa a arma, querida, você não quer fazer isso de verdade, você está nervosa e acelerada pela cocaína e o álcool, mas quando estiver lúcida e sóbria vai perceber a merda que está pra fazer, vamos, coloca a arma no balcão e vamos embora, eu vou te levar daqui e cuidar de você.
— Cuidar de mim? — perguntou esperançosa. — Na sua casa?
— Sim. — sorriu. — Talvez você precise passar mais alguns dias na casa de repouso, mas agora vamos pra minha casa.
— Não! Eu não quero voltar pra reabilitação, Jasper, eu não tô viciada mais, foi um erro, foi um erro! Por favor!
— Mas você precisa cuidar disso pra que não se repita.
— Não vai! Eu prometo!
— Jessica...
— Está vendo? Está vendo o que você fez?! — gritou se virando pra Bella novamente, empunhando a arma com as duas mãos. — Agora ele quer me levar para aquele maldito lugar de novo, ele quer me colocar na maldita reabilitação e ai eu vou ficar longe dele e é tudo sua culpa!
— Jessica! — Jasper a chamou com a voz firme. — Olha pra mim, querida, olha aqui. Você não precisa ir se não quiser, está bem?
— Mas você vai me obrigar e eu só quero ficar com você! — ela puxou o martelo da parte superior do revólver para trás, engatilhando a arma.
Bella abafava o barulho do seu choro com o pano sobre a boca e tentava não reagir aos movimentos do Jasper, que se aproximava da Jessica lentamente por trás.
— Como você vai ficar comigo se machucar a Bella, Jess? Respira fundo e pensa um pouco, querida, você vai acabar tendo problemas que eu não vou poder resolver e vão te levar pra longe de mim. Vamos, Jess, você não quer isso, você não precisa fazer isso.
— Sim, eu preciso!
— Ela não devia ter aparecido! Ela não devia ter entrado nas nossas vidas! É tudo culpa sua! Eu vou te matar! — e seu dedo foi paro gatilho.
— Jessica, não! — Jasper gritou quando se jogou em cima dela, passando os braços ao redor de seu corpo e agarrando seus braços, erguendo-os para que apontasse a arma para o teto!
— Não! Me solta!
Bella fechou os olhos e gritou quando o barulho do tiro ecoou na cozinha.
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