You & Me

30 Km :: 28 pt 1


Notas iniciais
Esse capítulo mostra os problemas de uma pseudo autora com problemas pra se controlar na hora de escrever e por isso acaba escrevendo capítulos detalhistas demais que por consequencia acabam ficando enormes tendo a necessidade de ser dividido em duas partes e assim estragando o cronograma dela. Pois é KKKKKKK Mas espero que vcs nao se importem com isso.

Apenas seu grupo de amigos e familiares estavam na sala de espera do centro cirúrgico já que aquela era a única cirurgia de emergência acontecendo no momento, mas ninguém conversava. O único barulho era exterior, do choro feminino ou da reza sussurrada em espanhol, e Edward era grato por isso porque não conseguia falar com ninguém. Estava desnorteado, sentado em um dos bancos da sala com os cotovelos sobre os joelhos, com a cabeça baixa e os dedos enterrados nos próprios cabelos, ele lutava contra as lágrimas e o medo enquanto esperavam algum médico ou enfermeira dar alguma notícia.

Carlisle abraçava e tentava tranquilizar Esme, que chorava em seu peito. Carmen estava sentada com um terço nas mãos, sussurrando uma reza em espanhol atrás da outra com os olhos fechados; Eleazar estava quieto e sério sentado ao lado da esposa. Kate estava sentada no chão junto à parede abraçando os joelhos junto ao peito e chorando silenciosamente. Leah e Rose não tinham chegado ainda, mas já estavam a caminho.

Todos ergueram a cabeça e olharam para as portas duplas da sala quando elas se abriram na esperança de ser uma enfermeira, mas era apenas Rosalie e Royce. Ela estava afobada e apressada com o pânico estampado em seu rosto e o marido logo atrás, obviamente despreocupado. Por um segundo Edward pensou que era bom que ele não falasse nenhuma gracinha, mas depois reconsiderou o pensamento, na verdade, esperava que ele falasse alguma graça, estava realmente precisando de alguém para descontar o ódio que sentia aquele momento.

— O que aconteceu? Tem alguma notícia? — Rosalie perguntou rapidamente.

— Não, ainda estão na cirurgia. — Edward respondeu.

Rose chorou e foi para o irmão. Edward não se levantou, deixou que Rosalie ficasse entre suas pernas e abraçou sua cintura, com o rosto em sua barriga e sentindo o carinho dela em seus cabelos.

— Vai ficar tudo bem, Edward, você vai ver.

Ele acreditava nisso. Tinha que ficar tudo bem, ele não podia aceitar de outra maneira, não tinha como viver se acontecesse de outra maneira. Não seria justo se acontecesse de outra maneira.

Menos de cinco minutos depois Leah chegou acompanhada de Sam e perguntou a mesma coisa ao grupo, se tinham alguma notícia.

— O que você está fazendo aqui? — Kate rosnou em pé olhando para Sam.

— Kate, por favor. — Carmen pediu suavemente.

— Eu vim trazer a Leah e dar meu apoio a ela, Kate, esse não é o momento. — Sam disse concisamente.

Kate ia abrir a boca pra falar algo, mas ficou calada, mas obviamente borbulhando de raiva e voltou a sentar no chão.

Edward nem lhes deu atenção, deixou que se acertassem, nem Rosalie sentada ao seu lado e segurando sua mão tinha sua atenção, estava mergulhado nos próprios pensamentos e pânico.

Ele não conseguia falar com ninguém e nem entender a situação. Estava tudo bem em um momento e no outro estava tudo desabando. Tinha metade do seu coração no centro cirúrgico e a outra metade na enfermaria, queria estar nos dois lugares ao mesmo tempo, mas mal conseguia fazer suas pernas obedecer aos seus comandos, estava perdido no próprio desespero, jamais tinha se sentido daquela maneira.

Nunca sentiu tanto medo em toda sua existência. Era o mais cru pânico de perder uma das pessoas mais importantes e que mais amava em toda sua vida.

Nem em um milhão de anos ele esqueceria o que passou naquela noite. Jamais se esqueceria do barulho do disparo que ouviu quando acabara de descer do carro em frente ao restaurante; jamais esqueceria o pânico que pareceu congelar sua alma e corpo por alguns segundos a ponto de deixá-lo paralisado; jamais esqueceria o que viu ao entrar na cozinha, o corpo no chão e o sangue; jamais esqueceria a sensação de ter seus joelhos se dobrando, atingindo o chão enquanto se debruçava sobre o corpo; jamais esqueceria a sensação do sangue quente em suas mãos enquanto pressionava a ferida; jamais esqueceria as lágrimas que desceu por seu rosto enquanto mesmo com dor e podendo morrer Jasper sorria, tentando lhe acalmar.

Com aquela lembrança, uma lágrima desceu pelo rosto dele e Edward se ajeitou na cabeça, recostando a cabeça na parede e erguendo rosto para o teto.

. . .

— Ela não devia ter aparecido! Ela não devia ter entrado nas nossas vidas! É tudo culpa sua! Eu vou te matar! — e seu dedo foi paro gatilho.

— Jessica, não! — Jasper gritou quando se jogou em cima dela, passando os braços ao redor de seu corpo e agarrando seus braços, erguendo-os para que apontasse a arma para o teto!

— Não! Me solta!

Bella fechou os olhos e gritou quando o barulho do tiro ecoou na cozinha.

Ela esperou o golpe, a dor, a escuridão, mas nada lhe atingiu. Escutou apenas o barulho de pedaços do teto cair. Abriu os olhos. Jessica e Jasper lutando pela arma. Os dois gritavam, outro disparo foi feito e dessa vez para o lado. Bella se jogou no chão, atrás do balcão e esperou, mas não conseguia ver nada. Então outro disparo. Jasper gritou. Jessica gritou. Os dois foram ao chão. Silêncio.

— Não, não, não, não, não, não... — Jessica repetia freneticamente, chorando.

Bella deixou o pano ensanguentado que segurava no nariz no chão e engatinhou pra ver o que acontecia. Jasper estava deitado no chão e Jessica sobre ele.

— Oh meu deus. — Bella chorou ao entender o que estava acontecendo, Jasper tinha sido atingido. — Jasper.

— Não, eu não quis feri-lo, eu não queria te machucar, Jasper, oh Deus, Jasper, me perdoa, me perdoa, por favor, me perdoa, Jasper...

Bella se levantou rapidamente, chutou a arma que estava no chão para longe, pra que Jessica não surtasse e tentasse usá-la novamente, então foi para o lado de Jasper.

— Bella! Jasper!

Ela ergueu a cabeça ao escutar o grito de Edward.

— Na cozinha! Precisamos de ajuda! — gritou de volta. — Jessica, pega panos de prato, precisamos fazer pressão nesse ferimento. Vai ficar tudo bem, Jasper.

— Eu sinto muito, Jasper, me desculpa...

— Jessica! Faz o que eu te pedi! — Bella gritou e ela lhe obedeceu, mas sem parar de chorar e falar o quanto sentia muito.

— Merda... — ele ofegou. — Isso... Dói... Caralho...

Edward entrou na cozinha correndo.

— O que... — e parou ao ver a cena. — Jasper.

— Edward, o celular, precisamos de uma ambulância, rápido.

Ele agitou a cabeça e tirou o celular do bolso, então entregou a Bella e se ajoelhou ao lado de Jasper. De joelhos, Bella discou o número da emergência para pedir uma ambulância. Edward não sabia o que fazer, mas então pensou no óbvio, fazer pressão no ferimento pra conter um pouco o sangramento, então se debruçou um pouco e colocou as duas mãos sobre o ferimento de seu abdômen. A camisa dele era azul marinho, mas ainda assim conseguia ver o sangue nela, empapando o tecido e escorrendo, sujando o chão. O rosto de Jasper estava empalidecendo e a camada de suor frio começava a brilhar em sua pele

— Eu sinto muito, irmão. — pediu antes de fazer pressão.

Jasper gritou.

— Porra! — rosnou ofegante e fechou os olhos. — Porra.

— Jasper, me desculpa Jasper, por favor, por favor... — Jessica continuava chorando e implorando seu perdão quando voltou com uma pilha de panos de prato nas mãos.

— Está tudo bem, Jess. — ele tentou sorrir, mas seu rosto se contorceu de dor.

Ela colocou os panos junto a cabeça de Jasper e se afastou, indo pro outro lado do balcão, andando de um lado pro outro, repetindo o quanto sentia muito e que não queria ferir Jasper.

Edward queria manda-la calar a boca, mas não conseguia pensar em outra coisa que não fosse Jasper. Com as mãos onde estava conseguia sentir seus batimentos cardíacos acelerados, o peito subindo e descendo rapidamente de acordo com a sua respiração ofegante, o sangue quente sob seus dedos. Ele tirou uma das mãos do ferimento apenas para pegar um pano, então colocou no ferimento e fez pressão. Como uma esponja, o pano absorveu o sangue e foi ficando vermelho, então colocou outros dois panos por cima.

— Eles estão vindo. — Bella disse ao desligar o telefone. — Aguenta firme, Jasper, aguenta firme.

— Estou aguentando, doçura, estou ótimo. — ele sorriu. — Você devia ver o outro cara.

Ele fechou os olhos e tentou respirar fundo, mas então gemeu de dor e seu rosto se contorceu. Bella pegou o pulso dele para contar seus batimentos.

— Jasper, você precisar ficar acordado, olha pra mim, abre os olhos. — Edward pediu nervosamente.

— Relaxa cara... Não vou... Dormir. — ele abriu os olhos. — Edward... Para de me olhar... — engoliu seco. — Assim. Como se eu estivesse... Morrendo.

— Cala a boca, você não está morrendo. Eu não te deixo morrer, está me escutando? Você não tem essa permissão.

— Você é... Tão mandão.

— Fica acordado, mas calado, Jasper, você precisa se poupar.

— Bella, ele é... Dominador assim na cama também ou... Só gosta de falar mesmo? — ele perguntou com um quase sorriso divertido.

Bella riu entre as lágrimas. Edward também não pode segurar o sorriso; estavam no meio de uma situação fodidamente estressante, ele estava ferido e com dor, mas ainda assim tentava sorrir e acalmá-los a sua maneira, não tinha ideia de como ele fazia aquilo, mas aquele era Jasper – aquele era seu melhor.

— Ele assume o controle na cama também. — Bella respondeu.

— Meu garoto. — ele tentou rir, mas acabou se transformando numa tosse. — Porra, isso dói.

— Onde está a maldita ambulância?! — Edward rosnou e tirou um dos panos encharcados, trocando por um limpo.

— Jasper, eu sinto muito pelo aconteceu, eu te culpei por tudo e não foi você, me desculpa.

— Shhh, está tudo bem. — ele sorriu. — Eu faria o mesmo. Vocês não... Me devem... Nada.

— Eu te devo um perdido de perdão, Jasper. — Edward disse. — Você é meu melhor amigo, sempre foi e sempre vai ser, claro que eu sabia que não tinha sido você, eu devia ter ido atrás de você e deixado isso claro. Se eu não disse nada naquele momento não foi por pensar que tinha sido você, mas...

— Porque eu fui um idiota. — Jasper o interrompeu. — Eu sei. Vocês se... Amam. Eu fui um... Idiota com a mulher que você ama e você a protegeu, eu faria o mesmo e... Estou orgulhoso de você, cara.

— Eu sinto muito, Jas.

— Você pode me pagar uma cerveja ou duas e... — ele ofegou, parecendo lutar com a dor pra respirar. — Ficaremos bem.

— Eu te amo, Jasper, meu irmão. — Edward jurou.

Jasper o encarou em silencio por alguns segundos, olhando nos seus olhos, antes de sorrir.

Eles escutaram o barulho da ambulância e Bella se levantou, correndo pra fora da cozinha para ajuda-los a chegar até Jasper.

— A ambulância está aqui, irmão, vai ficar tudo bem. — Edward disse.

— Bom, mas eu... Eu... Acho que... — fechou os olhos, ofegante. — Vou precisar... Descansar...

— Não, não. Você não pode dormir agora, irmão. Vamos Jasper, abre os olhos e fica comigo. — Edward o chamava em desespero. — Jasper! Porra! Jasper! Não, cara, não faz isso comigo, não faz isso comigo, Jasper!

Três paramédicos do resgate – dois homens e uma mulher – entraram na cozinha com seus equipamentos e uma maca.

— Façam alguma coisa, ele desmaiou!

— Está tudo bem, senhor, vamos cuidar dele. — a mulher garantiu e foi para o seu lado, se ajoelhando. — Qual o nome dele? O senhor sabe se ele é alérgico a alguma medicação?

— Jasper. E... Não, não é alérgico.

— Bom. Vamos cuidar dele, senhor.

Levantou-se e se afastou, dando espaço para que a equipe trabalhasse nele. Queria ficar com Jasper, mas então percebeu que Bella não voltara para a cozinha então saiu para procura-la.

Ela estava em pé junto ao balcão com as mãos sobre a boca.

— Bella? — a chamou.

Lentamente ela ergueu a cabeça e olhou na sua direção. Edward se aproximou e ela abaixou as mãos. Parecia tão pequena e frágil. Seu rosto estava pálido, seu cabelo desgrenhado, seus olhos arregalados e cheios de lágrimas, seu nariz parecia inchado e sangue seco o sujava, assim como seu queixo, pescoço e roupa. Sem se importar com o sangue das próprias mãos, pegou a mão dela com cuidado e a puxou para seus braços, ela hesitou em lhe abraçar de volta, mas quando o fez, ela quebrou no choro forte e duro que agitava seu corpo.

Ele respirou fundo para juntar forças, colocando sua própria dor e preocupação de lado para cuidar da dela, ela precisava disso depois de tudo que tinha passado.

— Está tudo bem, meu amor, vai ficar tudo bem.

— Eu sinto muito, eu sinto muito...

— Não foi sua culpa, amor.

— Sim, foi. A Jessica ela... Aquela bala era pra mim, a Jessica queria me machucar não o Jasper, mas ele... Edward, o Jasper salvou minha vida, ele... — chorou ainda mais forte e Edward só pode segurá-la.

Edward se sentia em um universo paralelo onde nada mais fazia sentido. Estava com dificuldade para aceitar que tudo aquilo estava acontecendo realmente.

Bella parou de chorar e ergueu a cabeça quando os paramédicos saíram da cozinha empurrando a maca com Jasper sobre ela e a paramédica logo atrás carregando a mala da equipe.

Jasper estava desacordado e parecia ainda mais pálido com uma máscara de oxigênio em seu rosto, sua camisa estava aberta com algum tipo de bandagem sobre seu ferimento que o paramédico segurava com uma mão enquanto com a outra segurava a maca, tinham colocado um oxímetro em seu dedo e um acesso venoso em seu antebraço.

— Ele perdeu muito sangue e está entrando em choque, precisa ir para o centro cirúrgico e de uma transfusão, precisamos ir agora. — a paramédica disse enquanto os outros levavam Jasper para a ambulância. — O levaremos para o Seattle Grace.

— Vai com ele. — Bella mandou.

— Bella...

— Jasper precisa disso e você o conhece melhor que ninguém. Eu vou ligar para os outros e logo estaremos lá.

— Ok. Eu te amo.

— E eu amo você. — eles se beijaram suavemente antes que Edward corresse para a ambulância com eles.

Ela nem pensou em Jessica até que dois policiais entraram no lugar. Ela pegou o celular e ligou para o irmão, como advogado, ele saberia o que fazer.

. . .

Novamente todos ergueram a cabeça quando as portas foram abertas, mas era apenas Jacob entrando e segurando a porta para que Emmett pudesse entrar empurrando a cadeira de rodas da irmã.

— Bella. — Edward disse com um suspiro aliviado e se levantou.

Só a tinha visto rapidamente quando ela chegou e subiu ao centro cirúrgico, mas estava com dor e precisava ser atendida pelo ferimento no nariz, então Emmett e Jacob a levaram, mesmo que forçada, para a enfermaria pra que fosse tratada.

Ela tinha se limpado e agora estava com os cabelos presos em um rabo de cavalo e usava uma camisa de flanela maior que ela com os botões fechados – Jacob tinha lhe emprestado a que usava por cima da blusa pra que ela pudesse tirar a blusa ensanguentada. Tinha um curativo no nariz e seu rosto estava começando a inchar pelo ferimento nele, tinha um acesso venoso no seu braço conectado ao soro preso no suporte da sua cadeira de rodas, ela parecia exausta e sonolenta.

Edward beijou sua testa e se ajoelhou na sua frente.

— Você não devia estar descansando na enfermaria? Não está com dor?

— Ela se recusa a ficar lá. — Emmett disse mal humorado.

— Eu estou bem, pelo amor de deus. — ela respondeu com a voz meio anasalada.

— Ela está realmente bem? — Edward perguntou a Emmett. Ela bufou.

— Não chegou a fraturar o nariz e cauterizaram pra parar o sangramento, depois colocaram esse soro para hidrata-la por causa da perda de sangue, mas como a anestesia local e os medicamentos pra dor que deram pra ela são fortes a recomendação era ficar de repouso, mas ela queria vim pra cá com vocês então a trouxemos na cadeira.

— Bella...

— Eu precisava saber como o Jasper está. — ela o interrompeu. — E ninguém me deu notícias, eu precisava estar aqui. Como ele está?

— Ainda em cirurgia, não tivemos notícias ainda.

Instantaneamente os olhos dela se encheram de lágrimas. Edward pegou sua mão e a beijou suavemente.

— Não se preocupa, o Jasper vai ficar bem, bebê. — beijou sua mão novamente tentando lhe passar confiança, mesmo que não a tivesse. — Ele é um filho da puta forte e durão, não vai cair assim tão fácil.

— Sim. — ela fungou e secou uma lágrima de sua bochecha com a mão livre. — Ele vai ficar bem.

— Exatamente.

Beijando pela terceira vez a mão dela, Edward se levantou.

— Bella, querida, fico tão feliz que você está bem. — Esme disse carinhosamente com o rosto molhado pelas lágrimas se aproximou, se abaixando para lhe abraçar.

E todos – exceto Sam e Royce – se aproximaram para lhe abraçar da mesma maneira que Esme, enquanto isso, Edward olhou para Emmett:

— E Jessica? Onde ela está?

— Ela está sob custódia da polícia, presa em flagrante. Os policiais vão precisar tomar os depoimentos de vocês, mas eu não ia deixá-los interrogar a Bella ferida e sabia que você não ia sair daqui, então eles concordaram em esperar até o Jasper sair do centro cirúrgico.

— Eu quero essa filha da puta na cadeia. — Edward rosnou. — Ela quase matou a Bella e Jasper, ela é louca e instável, um risco pra vida de todos aqui, quero essa desgraçada na cadeia.

— O Jasper não vai deixar isso acontecer. — Bella avisou.

— O que?

— Ele vai querer levá-la para a reabilitação, ele disse enquanto estávamos lá.

— Ele já tentou fazer isso. Pagou toda a porra do tratamento dela, uma casa longe do buraco de merda onde ela conseguia as drogas, arranjou o emprego pra ela e olha no que deu. — Edward disse irritado.

— Ele estava instável e sob efeitos das drogas, Edward. — Emmett disse. — Qualquer advogado com o mínimo de inteligência usará isso na defesa para coloca-la numa clínica.

— Você é advogado, não é? Faça alguma coisa, porra, ela quase matou sua irmã! Ou então eu contrato um bom, pago o dinheiro que for, mas não vou deixar essa filha da puta solta.

— Edward, por favor. — Esme se aproximou do filho, segurando seu braço. — Eu sei que você está chateado, mas você não pode descontar isso no Emmett, ok? Ele não está aqui trabalhando pra você, ele está aqui pela irmã.

Frustrado, ele passou a mão nos cabelos.

— O Jasper não perdeu as esperanças nela, ela precisa de tratamento. — Bella disse suavemente.

— O que? Agora você vai ficar do lado dela? Esqueceu que ela tinha a porra de um revólver apontado pra você? Olha o que ela fez com o teu nariz e com o Jasper. Seria você naquele centro cirúrgico se não fosse pelo Jasper! Se ela quer um tratamento ela pode ter isso na porra de um presídio!

— Tudo bem, isso já é o suficiente, Edward! — Esme disse firme.

— Eu sei disso, Edward. — Bella disse com a voz ferida e as lagrimas em seus olhos. — Você não precisa jogar na minha cara, eu já estou me sentindo horrível suficiente sem você fazer isso.

Edward hesitou ao perceber o idiota que tinha sido.

— Vamos filho, vamos tomar um café, você precisa respirar um pouco e esfriar a cabeça antes que fale mais alguma merda que se arrependa.

— Mãe...

— Agora, Edward.

Sem dar chance de resposta, ela o puxou pelo braço pra fora da sala de espera.

Bella suspirou e as lágrimas que tentou segurar antes desceram naquele momento.

— Bella, o Edward está estressado e apavorado, o que ele disse não foi pra te chatear. — Rosalie disse. — Tenho certeza que ele está grato pelo Jasper ter estado lá por você.

Emmett apertou o ombro da irmã suavemente, mostrando que estava ali por ela, enquanto seus olhos estavam em Rosalie, grato por ela estar tentando acalmar e consolar sua irmã.

Dez minutos depois Edward voltou com Esme, os dois carregando bandejas com cafés e pacotes de açúcar, que distribuíram para o grupo.

Deixando a bandeja com Carlisle, Edward se aproximou de Bella e se ajoelhou na frente da sua cadeira de rodas.

— Me desculpa pelo que eu disse.

— Está tudo bem. — Bella disse sonolenta.

— Não foi sua culpa que aquilo aconteceu e eu nunca vou poder agradecer o suficiente o Jasper por ter salvado a sua vida, a minha vida com você.

Bella sorriu com um pequeno suspiro.

— Você devia voltar pro quarto do repouso e descansar um pouco, — ele sugeriu. — tentar dormir.

— Não, quero ficar aqui até ter notícias do Jasper e então eu vou, eu juro.

— Tudo bem. — ele pegou a mão dela novamente — Eu te amo, Bella.

— Eu te amo também.

Compartilharam um beijo suave e Edward posicionou a cadeira dela ao lado do banco em que sentou e ficou segurando sua mão. Jacob e Emmett se sentaram juntos, enquanto os outros continuavam do mesmo jeito que antes, apenas esperando.

Vinte minutos depois quando um médico entrou na sala com a roupa do centro cirúrgico, Edward foi o primeiro a se levantar.

— Vocês são os familiares e acompanhantes de Jasper Whitlock?

— Sim. — Edward disse ao se aproximar.

— Eu sou Marcus Langdon, fui o cirurgião do senhor Whitlock.

— E como ele está doutor?

— Ele acabou de sair do centro cirúrgico e está sendo transferido para a terapia intensiva, mas nós conseguimos estabilizá-lo.

— Porra. — Edward suspirou aliviado, com um grande peso sendo tirado de seu peito. E escutou vários outros suspiros de alivio e agradecimentos aos céus.

— Ele teve um rompimento do baço pelo projétil e isso gerou a hemorragia interna, que foi a nossa maior preocupação, ele sofreu uma grande perda de sangue e estava entrando em choque quando chegou, mas conseguimos controlar a hemorragia, retiramos o baço e estamos repondo o volume perdido, ele agora está em observação, mas temos um bom prognóstico.

— Obrigado, doutor, muito obrigado. — Edward o agradeceu e passou a mão nos olhos para enxugar as lagrimas antes que elas descessem por seu rosto.

— Mas eu vim aqui também porque estamos tendo um problema com o sangue da transfusão dele.

— O que?

— Ele está precisando de mais. O tipo sanguíneo dele é B negativo e é um tipo um pouco raro, tínhamos pouco no banco de sangue e usamos na cirurgia, estamos transfundindo uma bolsa agora e então só nos restará uma do tipo dele, é pouco para o caso de alguma intercorrência. Estamos tentando providenciar mais da central, mas sempre tentamos ver se alguém próximo é compatível e está disposto a doar.

— Eu sou O positivo. — Edward disse e se virou. — Alguém aqui é B negativo?

— O Royce é. — Rosalie disse rapidamente olhando para o marido, que estava sentado todo espalhado em uma das cadeiras. — Você pode doar.

— É... Acho melhor não.

— O que? Royce é para salvar o Jasper.

— Me desculpe Rosalie, mas ele não é o meu amigo, ele nem gosta de mim, por que arriscaria minha vida por ele? — perguntou debochado.

— Senhor, a doação de sangue é um processo totalmente seguro e o senhor não corre risco algum de vida. — o médico garantiu.

— Não é que eu não confie no senhor, mas eu acho melhor não, me desculpem.

— Royce... — Rosalie começou.

— Seu idiota, filho da puta! — Edward gritou, pronto pra avançar em Royce, mas foi segurado por Emmett e Jacob.

— Doutor, AB positivo pode ser doador? — Bella perguntou. — É universal, certo?

— Sim, alguém aqui tem esse tipo sanguíneo?

— Eu posso doar. — Bella confirmou. — Eu sou AB positivo.

— Você não pode doar nada, Isabella. — Emmett disse firme e soltou Edward pra olhar a irmã. — Você estava tomando soro para se reidratar por já ter perdido sangue, está cheia de remédio na veia, você não pode doar hoje.

— Mas é pelo Jasper.

— Então eu vou. Se AB positivo serve pro Jasper, eu posso doar.

— Você vai fazer isso, Emmett? — Edward perguntou.

— Ele salvou a vida da minha irmãzinha, eu devo a ele a minha vida. Você toma conta da Bella enquanto eu faço isso?

— Claro. Cara, muito obrigado por isso.

Emmett abraçou Edward e depois deu um beijo na irmã, antes de sair com o médico para doar o sangue, Esme também lhe abraçou e beijou seu rosto, agradecendo pelo que estava fazendo por Jasper. E antes de sair da sala, seu olhar encontrou o de Rosalie que estava cheio de lágrimas e gratidão.

–

Aos poucos Bella foi acordando e a primeira que coisa que sentiu foi a mão de Edward na sua. Ao abrir os olhos, viu que ele estava sentado na poltrona ao lado da sua cama, segurando sua mão, cochilando.

Aquela noite estava sendo mais longa do qualquer um esperava. Após terem notícias de Jasper e Emmett doar sangue, eles tiveram que falar com a polícia e só então ela foi para o repouso do hospital, tentar descansar. Nem percebera o quanto precisava daquilo até adormeceu em poucos minutos. A enfermeira tinha desconectado o soro do seu braço, mas continuava com um acesso venoso salinizado em seu braço para medicação.

Não queria acordar Edward, mas estava com a boca seca então tentou soltar sua mão com cuidado, mas seu esforço foi em vão e ele acordou. Pareceu desnorteado por alguns segundos, tentando saber onde estava e o que estava acontecendo, seu corpo relaxou com o reconhecimento.

— Ei, bebê. — ele disse sonolento, passou a mão no rosto e no cabelo. — Você está bem? Está com dor? A enfermeira disse que se você acordasse com dor era só chama-la e ela te daria mais remédio.

— Não, eu estou bem, não queria te acordar, só estou com a boca seca e ia beber água.

— Não tem problema. — na mesinha ao lado da cama, Edward pegou a jarra de água e um copo.

— Como está o Jasper? Teve mais alguma notícia?

— Ele já foi transferido por quarto lá na clínica cirúrgica e continua estável. — encheu o copo dela. — Vou subir um pouco a cama pra você beber.

Apertando um botão na lateral da cama, ele a subiu até que Bella ficasse sentada e deu o copo a ela.

— Você devia estar lá com ele. — Bella disse antes de beber a água.

— Bebe devagar. E eu estou exatamente onde deveria estar, aqui com você. Meus pais estão com o Jasper e vão me ligar a qualquer alteração. Mas ele ainda está sob os efeitos da anestesia e toda a medicação, deve acordar só pela manhã.

— Mais um pouco, por favor. — esticou o copo e ele o encheu. — E os outros? Cadê o meu irmão?

— Meus pais estão com Jasper; Rose foi falar com o pessoal do restaurante, explicar a situação e logo vai voltar; Leah e Eleazar foram arrumar o restaurante pra mim, limpar o sangue e a bagunça; Kate e Carmen fora buscar as coisas do Jasper; seu irmão está lidando com a polícia, as coisas do boletim de ocorrência e todas essas merdas; Jacob foi buscar uma bolsa com as suas coisas e roupas pra você tomar banho de manhã.

Ela terminou de beber a água, devolveu o copo e Edward abaixou sua cama novamente. Bella fechou os olhos e respirou fundo.

— Bella, amor, você está bem? Se você está sentindo dor ou enjoo precisa me dizer e eu chamo uma enfermeira.

— Não, eu... Eu tô bem, é que... — ela abriu os olhos e o encarou. — Estava tudo tão bem mais cedo. Estávamos falando sobre o seu ciúme e mãos femininas, — riu suavemente. — agora estamos num hospital, eu podia ter sido ferida, o Jasper quase morreu e isso tudo é tão... — ela ofegou com as lágrimas descendo por seu rosto. — Assustador. Isso me fez perceber o quanto tudo tão... Frágil Tudo pode acabar a qualquer momento.

— Não fica pensando nisso agora, bebê, você precisa descansar mais, foi uma noite difícil.

— Você pode deitar comigo?

— Eu não quero te machucar, Bella.

— Por favor. — sussurrou. — Eu preciso de você, eu quero sentir você perto de mim. Devo soar patética implorando, mas eu não me importo, só preciso sentir você me segurando, por favor.

— Por Deus, Bella, você nunca será patética e jamais terá que implorar pra me ter com você. — Edward tirou os sapatos e se levantou.

Bella se ajeitou na cama, abrindo espaço para que Edward subisse na cama e quando ele subiu, se aconchegou nele com o rosto em seu peito e o braço sobre sua cintura enquanto ele lhe segurou suavemente contra seu peito.

— E eu não tenho mãos femininas. — ele sussurrou divertido.

— Tem sim. — ela riu. — Mas elas fazem eu me sentir segura.

— Dorme, meu amor, eu estou aqui com você e não vou a lugar nenhum. — Edward prometeu e beijou o topo da cabeça dela.

–

Pela manhã, Bella encarava seu reflexo no espelho do banheiro com uma careta.

— Me sinto escrota por reclamar, podia ser bem pior, mas eu estou parecendo uma merda. — Bella disse se olhando no espelhando. Seu nariz estava inchado e era perceptível mesmo com o curativo sobre ele, seu rosto todo parecia meio inchado, mas o pior eram os hematomas ao redor de seu nariz, sob seus olhos, quase parecendo olheiras e que segundo a enfermeira era normal sumir gradualmente.

— Você tem o direito de reclamar, Bella, isso não devia ter acontecido com você também. — Edward disse atrás dela e beijou seu ombro.

Ela já tinha tomado banho e se trocado com as roupas que Jacob trouxera, enquanto ele só trocou a camisa e se limpou rapidamente na pia, depois de ajuda-la com o banho. O médico da manhã já tinha lhe checado, passado uma medicação endovenosa, receitado a medicação para os outros dias e assinado sua alta. Bella tomou o café do hospital – chá com torradas e geleia –, a enfermeira administrou sua medicação e então retirou seu acesso, agora ela podia ir embora. Ou para o andar de Jasper, como pretendia fazer mesmo que Edward reclamasse.

— Só precisamos lá no posto de enfermeira pra checar sua alta, vamos? — Edward a chamou.

— Só preciso usar o vaso e já vou.

— Precisa de ajuda?

— Não, sai daqui. — riu enquanto ele saia.

Não precisava dele pra fazer xixi, mas sabia que se pedisse, ele estaria ali com ela sendo o melhor namorado do mundo como já estava sendo, não podia pedir mais. Dormiu com ela mesmo que desconfortável e ela podia apostar que ele estava; pela manhã, segurou sua mão enquanto a enfermeira limpava seu nariz e refazia seu curativo, então a ajudou com o banho sem segundas intenções para que não caísse ou molhasse o nariz, depois ainda lhe vestiu e a ajudou a comer; pegou a receita e escutou cada recomendação do médico. Edward estava sendo mais do que ela merecia naquele momento.

— Seu irmão mandou uma mensagem aqui no seu celular. — Edward avisou. — Lê pra mim, por favor.

— Ele e Jacob já estão chegando, se atrasaram porque tiveram que parar numa lanchonete para comer.

— Claro que eles pararam pra comer. — Bella riu. — Se fosse de outra maneira ai sim eu ficaria preocupada com algo estar errado.

Não houve resposta porque o celular dele tocou. Quando ela saiu do banheiro, Edward estava em pé com o celular na mão e segurando a mochila com as roupas dela na outra.

— Era a minha mãe, Jasper acordou.

Não demoraram a checar e assinar os papéis da alta dela antes de subir de elevador para o andar em que Jasper estava. Mandaram uma mensagem para Emmett avisando onde estariam então foram para o apartamento em que ele estava.

Eles entraram no quarto no meio da frase da enfermeira:

—... Pra dor. Não vai demorar a fazer efeito porque está indo direto na sua veia.

— Muito obrigada, Sophia. — Jasper agradeceu.

Edward ainda não o tinha visto, mas sua voz parecia mais rouca e baixa, meio letárgica. Esme estava de um lado da cama, Carlisle junto ao pé da cama e a enfermeira do outro lado.

— Ser cuidado por alguém tão bonita como você quase faz valer a pena ser baleado.

— Quase, hein? — enfermeira brincou.

— Aceite meu convite para jantar e terá valido completamente, querida.

— Você não tem jeito mesmo, né? — Esme disse carinhosamente, acariciando a mão de Jasper.

— O que eu posso fazer? Se a mulher que seria minha primeira opção é casada, preciso encontrar alguém que preencha o buraco do meu coração. A não ser que a senhora tenha mudado de ideia e percebido que idade é apenas um número e juntos podemos superar isso.

Esme deu uma risadinha coquete, corando.

— Sua sorte é que você está nessa cama ou iria te dar uma coça, Jasper. Pare de paquerar minha esposa. — Carlisle mandou.

— Não, Papa Cullen, sorte sua que eu não conheci a Esme antes que vocês se casassem ou então ela seria minha esposa.

— E então você seria meu pai, Jasper? — Edward ironizou.

Só então todos perceberam a presença do casal. Carlisle se virou e foi o lado, dando a Jasper espaço para ver Edward e vice-versa. Jasper riu.

— Claro que não, faríamos filhos mais lindos.

Edward gargalhou. Deixou a mochila no sofá junto a parede e se aproximou.

— Se você já está flertando com enfermeiras, com a minha mãe e sendo um filho da puta, acho que você já está bem, né? Isso deve ser tudo um truque pra conseguir atenção extra.

— Com certeza. — ele sorriu de lado, como sempre fazia.

Bem que Edward queria que fosse apenas um truque para conseguir atenção, mas seu melhor amigo parecia uma merda. Estava com uma aparência cansada e abatida, pálido e com olheiras. Usava um pijama hospitalar azul claro e a fina coberta branca do hospital ia até a altura de seu peito. Tinha um cateter de oxigênio sob seu nariz; um acesso venoso conectado ao seu antebraço lhe ligado a um soro preso num suporte; preso a sua cama um saco com líquido amarelo e um tubo que ia para a cama sob os lençóis, ele logo entendeu ser de uma sonda vesical; do outro tubo mais grosso estava conectado em Jasper na lateral de seu tórax, um pouco abaixo de sua axila, conectado a um frasco também preso a sua cama.

— Para de me olhar assim, cara, está me dando complexo. — Jasper brincou enquanto a enfermeira tirava um termômetro de sua axila. — Sem febre?

— Sem febre. — ela confirmou sorrindo.

— Eu... — Edward engoliu seco.

Jasper riu.

— Você vai vomitar? Tenho certeza que a minha linda enfermeira Sophia pode te ajudar. Certo, Sophia?

— Claro. — a jovem enfermeira loira riu enquanto colocava um aparelho de aferir pressão no pulso dele.

Tirou uma pequena agenda do bolso de seu jaleco e fez uma anotação após olhar a bolsa de sua sonda vesical, depois foi para o outro lado e fez o mesmo após olhar o frasco do tubo conectado ao tórax dele, que Edward não sabia o que era.

— Quando eu vou poder tirar essa coisa, querida? Urinar desse jeito não é uma sensação agradável.

— Você está sentindo alguma dor?

— Viu Edward? Ela se preocupa comigo. — agitou uma sobrancelha.

— Você vai acabar recebendo um processo de assédio sexual, Jasper. — Carlisle o alertou.

Todos no quarto riram.

— Sem dor, querida, apenas gostaria de ter controle sobre o meu... Você sabe... Corpo.

—Você ainda não pode se mover muito então terá que aguentar mais alguns dias a sonda e o dreno de tórax. Sei que pode ser desconfortável, mas o melhor pra você. — ela tirou o aparelho do pulso dele. — Sua pressão está ótima, sem febre, seu curativo está limpo e seco, você está fazendo isso muito bem, querido.

— Tudo por você, querida.

Sophia riu.

— Eu vou deixar vocês à vontade e qualquer coisa é só me chamar, ok? Com licença.

— Obrigado, linda. — Jasper agradeceu sorrindo.

— Obrigada, principalmente por aguentar esse meu adorável filho. — Esme disse divertida.

Quando a enfermeira saiu do quarto, Esme voltou a se aproximar dele e acariciou seu rosto, Jasper fechou os olhos ao seu toque.

— Por que o cateter de oxigênio? — Edward perguntou ao pai.

— O médico disse que é só um auxílio pra que ele não tenha problemas com esforço para respirar, mas só vai ficar com ele no pós-operatório imediato e se estiver bem depois, vão tirar.

— Você devia estar mais preocupado com o fato de ter uma sonda no meu pau.

— Jasper. — Esme o repreendeu suavemente.

— Desculpe, eu quis dizer, no meu pênis. — ele sorriu divertido para Esme.

Edward se aproximou pelo lado da cama que antes a enfermeira estava.

— Porra, você assustou uns dez anos de vida pra fora de mim, cara, não faz mais isso.

— Eu não pretendo mesmo, essa merda dói como um filho da puta.

— Nunca fiquei com tanto medo na vida, não sei o que faria se algo tivesse acontecido com você, irmão. — Edward confessou com a voz rouca pela emoção e o nó das lágrimas em sua garganta.

— Estou bem agora, eu sou um filho da puta duro de quebrar. — Jasper riu.

— Mas se você sonhar em me fazer passar por essa merda de novo pode ter certeza que acharei um jeito de te quebrar.

Jasper riu novamente e olhou pra frente.

— Você sabe que pode se aproximar né, Bella?

— Eu... Claro, é que... Não sei se você iria querer me ver depois de... Tudo.

— Besteira. Vem aqui, não me faça ir até você.

Bella sorriu e se aproximou do pé da cama, ao lado de Carlisle.

— Jesus, doçura, olha o seu rosto, eu sinto muito que isso tenha acontecido.

— Podia ter sido pior se... Não fosse por você, Jasper. — seus olhos marejaram instantaneamente. — Mesmo depois do que eu te disse você estava lá pra me ajudar, eu nunca vou poder me desculpar ou te agradecer o suficiente por isso.

— Eu falei umas merdas pra você também, Bella, eu espero que isso mostre o quanto eu sinto muito e espero que possamos ser amigos de novo.

— No final isso tudo deve ter sido uma cena pra conseguir sua desculpa, amor, esse Jasper sempre foi dramático. — Edward brincou.

— Edward, eu e seu pai vamos em casa tomar banho, nos trocar e comer algo então voltamos, você fica aqui com o Jasper? Não queremos deixá-lo sozinho.

— Aprecio isso, Esme, mas eu estou bem.

— Isso não está em discussão, Jasper, você não ficará sozinho. — ela disse firme.

— Tudo bem, mãe. Vocês podem dormir um pouco em casa e voltar à noite, eu vou ficar aqui e qualquer coisa ainda tem os outros, Kate, Carmen, Eleazar, Leah.

Esme sorriu e beijou a testa de Jasper, sussurrando que ficasse bem e que o amava, então fez o mesmo com Edward e por ultimo Bella. Carlisle se despediu de todos também e seguiu a esposa pra fora do quarto.

— Cadê a Jessica? — Jasper perguntou.

— Na cadeia, onde é o lugar dela ou você achou que a iria deixar livre depois do que ela fez com você e a Bella? Emmett está cuidando disso como advogado.

— Ela não precisa ficar presa, ela precisa de tratamento, mas dessa vez não acho que a clínica de desintoxicação será suficiente.

— Ela já está sendo acusada por duas tentativas de homicídio, agressão física da Bella, porte ilegal de arma e drogas, eles foram até o apartamento dela e acharam as merdas dela. Ela precisa passar um tempo presa pra ver se cai na real, Jasper.

— Ela está doente, mas não é uma má pessoa, Edward, nada do que você diga vai mudar minha mente sobre isso. Eu não vou retirar a denúncia, mas apenas pra que ela seja obrigada a fazer o tratamento, mas então será feito um acordo e ela cumprirá a pena em uma clínica psiquiátrica.

Edward bufou e passou a mão cabelo, frustrado novamente, mas não discutiu.

— Está tudo bem por você, Bella? Ela te agrediu também, sua opinião importa aqui, mas eu te garanto que eu não vou deixá-la solta, ela apenas não vai para uma prisão e sim receber o tratamento que precisa.

— Se você acha que esse é o melhor a ser feito, tudo bem.

— Ótimo. Obrigado Bella.

— Jasper...

— Eu quase estive onde ela está e se você não tivesse chutado meu traseiro talvez eu tivesse acabado desse jeito, Edward, eu sei como é importante ter alguém que acredite que você pode se erguer. E se ela caiu por minha causa, então eu vou ajuda-la a se erguer novamente. E fim de discussão.

No fim de seu pequeno discurso, Jasper bocejou e fechou os olhos.

— Você pode dormir Jas, estaremos aqui quando você acordar. — Edward garantiu.

— É, acho que vou precisar de um descanso agora. Vocês podem usar o banheiro se precisarem de uma rapidinha, vocês sabem, para relaxar.

Edward riu.

Bella caminhou para o pequeno sofá do apartamento em que ele estava. Era amplo e era fácil ver que devia ser um dos mais caros do hospital – apenas uma cama, uma porta que devia dar ao banheiro, um sofá junto à parede, uma poltrona mais próxima à cama e o resto do equipamento médico, tudo em branco, creme ou cinza. Até o cheiro hospitalar daquele quarto parecia mais ameno que do resto do hospital, mas ainda tinha os bipes das máquinas.

Edward sentou ao seu lado, passou o braço sobre seu ombro e ela se aconchegou.

— Não fica chateado com ele, amor. — Bella pediu num sussurro. — Jasper se sente culpado pelo estado que a Jessica acabou e eu entendo porque me sinto da mesma maneira.

— Isso é estúpido, não é culpa de nenhum dos dois.

— Eu sei que não é, mas se os ‘talvez’ ficam martelando na minha cabeça então imagino é a mesma coisa com o Jasper. Não é explicável, mas saber que talvez essa situação possa ser revertida nos ajude a deitar a cabeça no travesseiro a noite e dormir tranquilamente.

Edward suspirou.

— Tudo bem. — ele beijou o topo da cabeça dela.

Notas finais
Será que no começo consegui deixar vcs confusas sobre quem era o atingido? Queria dar essa impressão kkkkkk As coisas estão agitadas, sentimentais e ainda nao acabou. Bella e Jasper ainda terão uma conversa franca antes de se acertarem completamente... (só queria comentar: eu vivo dizendo que amo Jasper e ele é o que eu mais faço sofrer, imaginem o ele nao passaria se eu nao gostasse hein kkk). Só comentar e nos vemos em breve, bjsbjs s2