You & Me
25 Km :: 23
O que era para ser um dia de animação tinha começado de um jeito terrível e, trancada na dispensa, sentada um balde de manteiga – que estava começando a parecer o seu refúgio –, tudo que Bella queria era correr de volta para casa.
Mas era adulta e precisava agir como uma, cumprindo suas obrigações e aceitando suas responsabilidades.
Porém, na teoria, isso era lindo e fácil. Na prática, nem tanto.
Então encontrou um meio termo que lhe agradasse – não iria correr de volta para casa, mas também não estava com planos de sair da cozinha naquele momento, não podendo trombar com Jasper. Ficaria trabalhando sozinha na cozinha até que o resto do pessoal começasse a chegar pra lhe ajudar.
Grande parte do trabalho estava pronto, faltava realmente muito pouco, apenas montar as camadas de recheio nas bases de massas já prontas de algumas tortas ou fazer a cobertura e decorar outras, mas estava feliz em fazê-lo, ao menos cozinhar lhe servia de terapia e a relaxava um pouco, por mais que sua mente não saísse daquele assunto.
A discussão com Edward e o ultimato de Jasper. Remoendo o que foi dito, o que poderia ter dito, o que devia ter dito. Tinha errado com Edward então errado com Jasper, mas não era a única errada naquela história, isso tinha certeza, mas não conseguia parar de remoer então tentou se distrair no chocolate.
Quando Rosalie entrou na cozinha, parou na porta observando Bella.
Sozinha, com o cabelo preso sob uma touca de rede e um avental branco, ela cortava pequenos pedaços de morangos para a decoração de uma torta já coberta de chocolate que estava ao lado. Estava tão perdida em seus pensamentos ou concentrada em seu trabalho, que nem percebeu sua presença.
Quando terminou de cortar, Bella sorriu para o resultado e ergueu a cabeça para coloca-los na torta, então se assustou ao perceber que a presença dela.
— Eu não queria te assustar. — Rosalie riu. — Bom dia.
— Não, tudo bem, eu só não percebi que você estava ai. Chegou há muito tempo?
— Não, só a uns dois morangos. — sorriu. — Você parecia tão concentrada que preferi esperar pra não te atrapalhar. Acabei de chegar, a Bree disse que o Edward ainda não desceu, você sabe por quê?
Bella hesitou com um suspiro.
— Acho que seria melhor você perguntar isso pro Jasper.
— O que aconteceu? Vocês brigaram? — perguntou com o cenho franzido e Bella respondeu apenas balançando a cabeça. — E meu irmão falou disso com o Jasper? Será que o Jasper veio tirar satisfação com você?
— Algo assim.
— Claro que sim. Escuta, Bella, eu não sei o que o Jasper falou pra você, mas fala com o Edward antes de qualquer coisa, está bem?
— Como assim?
— O Jasper é... Complicado. Eu não vou falar sobre isso porque é vida dele, não tenho o direito de falar disso com você, mas o Edward foi a primeira pessoa na vida dele e isso o tornou tão próximos, por isso o Jas é tão protetor com o meu irmão, às vezes isso pode ser meio exagerado e nem sempre reflete o que o meu irmão quer, mas não é por maldade, então converse com o meu irmão antes de tirar conclusões, está bem?
— Eu pensei que você viria pra cima de mim do mesmo jeito que o Jasper, pronta pra defender o seu irmão a qualquer custo.
Rosalie hesitou. Sim, normalmente, era o que faria, mas depois da pequena discussão com Emmett, tinha repensado muitas coisas, principalmente sua opinião sobre Bella e já não a achava tão terrível, muito menos aproveitadora, agora achava até que ela era boa pro seu irmão, torcia pelos dois.
— Assim como eu não gosto que o Edward dê palpites no meu relacionamento, não farei com vocês. E eu gosto de você. Além do que, é como minha mãe vive dizendo: “quem meu irmão beija, minha boca adoça”.
— O certo é filho? — Bella brincou.
— Pequenas adaptações. — Rose riu. — Eu vou lá ver como ele está e depois volto pra te ajudar a organizar os pedidos.
— Tudo bem.
— E pode deixar, eu volto também pra te dizer como ele está.
Bella sorriu.
— Muito obrigada, Rose.
Dando uma piscadinha e um sorriso para ela, Rosalie saiu da cozinha.
Foi apenas guardar sua bolsa antes de ir ao apartamento de Edward. Como já tinha sido seu próprio apartamento ainda tinha a chave, subiu direto e entrou sem bater.
Estava tudo arrumado e silencioso, foi para o quarto do irmão e o encontrou na cama, espalhado de bruços apenas de samba-canção. Acendeu a luz e, ao lado da cama, o chamou suavemente algumas vezes até que começasse a murmurar e se mexer, acordando aos poucos.
— Para de gritar... — ele murmurou afundando o rosto no travesseiro.
— Eu não estou. — Rosalie riu. — Você bebeu?
— Algo assim. Porra, minha cabeça tá explodindo.
— Tem uma garrafa de água e advil aqui.
Lentamente, Edward ergueu a cabeça e viu as coisas na mesinha de cabeceira.
— Deve ter sido o Jasper. — murmurou.
— Você tá parecendo uma merda. — Rosalie comentou enquanto ele se sentava. O cabelo dele estava desgrenhando e a sombra da barba começava a escurecer seu rosto, os olhos estavam meio avermelhados e inchados, não parecia ter dormido muito.
— Obrigado, irmãzinha. — ele agradeceu sarcástico. Passou a mão no cabelo e no rosto, antes de pegar a cartela de comprido e tirar dois. Rosalie abriu a garrafa e deu pra ele, colocando a cartela a mesinha de novo, rapidamente ele colocou os compridos na boca e empurrou garganta abaixo com a água.
— Vai tomar um banho, que eu preparo café e algo pra você comer.
Edward assentiu com os olhos fechados e respirando profundamente.
Passou a mão no cabelo dele suavemente e foi para a cozinha. Jogou o resto velho de café da cafeteira na pia e foi passar um fresco, depois fez dois queijos quentes usando uma frigideira como chapa. Colocou os sanduíches em pratos no balcão e aproveitou pra lavar as coisas que tinha usado, assim como algumas louças que tinha na pia.
Não que fosse uma pessoa maníaca por limpeza ou organização, era apenas um costume que tinha adquirido em casa, manter tudo limpo e organizado. Enquanto esperava o irmão, lavou, secou e guardou a louça, arrumou e secou a pia, passou um pano no balcão e uma vassoura no chão.
Estava recolhendo a sujeira do chão quando Edward veio parecendo se arrastar, ainda sonolento, mas com uma aparência mais humana – jeans e camisa de flanela, barba feita e cabelos ainda desgrenhados como sempre, mas agora aparentavam estar limpos.
— Não precisa fazer isso, Rose.
— Não me importo em fazer, realmente. Senta aí.
Ela jogou na pequena lixeira todo o pó que tinha recolhido com a pá-de-lixo, guardou as coisas e levou a mão. Pegou duas canecas no armário e colocou café nos dois, pegou leite na geladeira e colocou em seu copo.
— Servido?
— Não, puro mesmo, obrigado.
Enquanto colocava açúcar no próprio café, viu o irmão beber o dele ainda amargo apenas franzindo o cenho.
— Quer conversar sobre o que aconteceu?
— Não muito. Mas se você está aqui é porque já sabe o que aconteceu.
— Você brigou com a Bella.
Edward não disse nada, pegou um sanduíche e deu uma grande mordida.
— Ela já está no restaurante, trabalhando.
— Bom. — disse mastigando. — Não queria que nossa discussão atrapalhasse o trabalho dela.
— Ela é bem profissional. Agora me conta o que aconteceu.
Depois de bebericar seu café, Edward colocou a caneca na mesa e começou a contar. Rosalie escutou tudo atenciosamente e quando ele terminou de contar toda a história, não disse nada, apenas deu um gole em seu café.
— Diz.
Ela franziu o cenho.
— O que?
— Sua opinião, eu sei que você tem uma.
— Minha opinião não interessa, só estou preocupada com você. Como você está com tudo isso?
— Fodido? — ironizou com uma risada sem humor.
Rosalie riu.
— Com certeza.
— Eu nunca fiz isso, Rose, eu nunca me senti assim. Porra, eu vivi de ménages por praticamente metade da minha vida e agora quero bater em homens se aproximam da mulher que eu tô fodendo? — com um longo suspiro frustrado, passou a mão no cabelo. — Eu não tenho ideia do que eu tô fazendo aqui.
— Primeiro, para de tentar vulgarizar o que você está vivendo pra que deixe de ser importante porque não vai funcionar. Segundo, você devia parar de tentar ir contra isso.
— O que?
— Eu acho que você fica dizendo a si mesmo que nunca foi assim porque você gostaria de continuar assim, mas olha que surpresa, você mudou! Por mais que essa mudança esteja te assustando, para de tentar ir contra isso, aceita e aproveita essa mudança.
— O que você quer dizer com isso?
— Para de ser fazer de sonso, Edward. — ela riu.
— Ok. — ele riu também. — Mas sério, Rose, você nunca se assustou com isso?
— Com o que?
— Com... Se entregar totalmente a alguém que... — com o cenho franzido, ele suspirou novamente parecendo procurar palavras pra explicar o que sentia em meio a sua confusão. —Você se sente vulnerável nas mãos dessa pessoa?
— Nunca, porque foi o que eu sempre sonhei. Gosto da sensação de ser de alguém e ter alguém.
— Mesmo com todas as coisas que podem errado?
— Não pelas coisas que podem dar errado, mas por todas as coisas que podem dar certo. E nós principalmente temos que ter esperança nisso pelo exemplo que nossos pais são.
Edward sorriu com a lembrança do casamento dos dois. Mesmo depois de tantos anos, eles ainda eram incrivelmente apaixonados um pelo outro e muito felizes juntos. Nem sempre foi um mar de rosas, já tinha presenciado algumas brigas, um gritando com o outro, Esme chorando em algum momento e Carlisle dormindo no quarto de hóspedes, mas eles sempre passavam por cima disso e pareciam ficar ainda mais fortes juntos, ainda mais apaixonados.
Sim, eles eram um exemplo do que queria para o futuro, mas também não era idiota em pensar que achar aquilo seria algo tão fácil.
— Nossos pais são exceções a regras, você sabe.
— Para de ser tão cético. — Rosalie ralhou.
— Para de ser tão romântica. — rebatou com o mesmo tom, mas sorrindo.
— Nós somos duas ervilhas da mesma vagem Cullen, Edward, ter um casamento longo e feliz está no nosso sangue.
— Como você e Royce? — ele a provocou sarcástico e Rosalie fechou a cara no mesmo instante.
— Não começa. E para o seu governo, sim, estou satisfeita com o meu casamento e pretendo fazê-lo ser tão longo e feliz quanto o dos nossos pais. — Rosalie disse com firmeza.
— Ok, estava brincando, me desculpa.
— Tudo bem. — Rose se levantou e levou sua caneca para pia, jogando o resto de café na pia pra que pudesse lavar. — Logo você vai entender que num relacionamento sério nem tudo são flores, mas vale a pena.
Pegou um pano para secar a caneca limpa e olhou para o irmão, que mastigava seu sanduíche com o cenho franzido. Ela riu.
— Olha pra você, está tão caído pela Bella que nem sabe o que te atingiu, então prevejo que logo terei que providenciar um vestido de madrinha.
— O que?
Com um ar divertido Rosalie começou a cantarolar uma marcha nupcial.
–
Quando desceu para o restaurante, Edward foi primeiro a cozinha.
Mesmo depois de tudo que tinha bebido durante a noite, ainda se lembrava de tudo que tinha dito e escutado durante a madrugada. Ele se lembrava de voltar pra casa fervendo de raiva e estranhamente magoado, nunca tinha sentido aquele tipo de dor e tentou entorpece-la com álcool. O bar ainda estava cheio, mas ele não queria papo com ninguém, pegou cinco garrafas de bebidas diferentes no estoque do bar e subiu para o apartamento pra começar a beber, misturando tudo com cerveja. Não chegou a beber tudo ou teria acabado em coma alcoólico, mas foi suficiente pra acabar bêbado como um gambá. Não se lembrava de que horas Jasper apareceu, mas ele chegou após fechar o bar pra se certificar de que estava bem e ali ficou; não lembrava exatamente tudo que tinha dito a Jasper no meio do porre, mas tinha bebido o suficiente pra acabar vomitando e amanhecer com dor de cabeça, algo muito raro em sua vida atual, mas isso não tinha apagado as lembranças da discussão.
Mas ao menos, ele tinha extravasado sua raiva e mágoa, mesmo que sozinho, remoendo toda a situação, tinha entendido a própria reação ao que tinha visto e sabia que só tinha uma maneira de resolvê-la, por isso precisava ter uma conversa séria com Bella. Não queria achar culpados, queria resolver as coisas de um jeito que ficasse feliz. E ele sabia como seria feliz: com Bella – e não estava indo a desistir disso sem luta.
Bella estava concentrada terminando de decorar uma torta com glacê enquanto Mary, Kebi e Makenna, outras ajudantes da cozinha, ajudavam com outras. Quando Mary lhe cumprimentou, Bella ergueu a cabeça e lhe encarou em silêncio, parecendo hesitante em dizer qualquer coisa.
Cumprimentou as outras educadamente e parou olhando para Bella, tão hesitante quanto ela até limpar a garganta para perguntar:
— Bella, podemos conversar?
— Claro, só... Estou um pouco ocupada agora, será que pode ser na minha pausa?
— Só preciso de um minuto e terminamos nossa conversa no almoço, por favor, é importante.
— Está tudo bem, Bella, podemos dar conta por um minuto. — Kebi garantiu sorrindo.
— Obrigada meninas. — Bella sorriu para elas e tirou suas luvas, deixando em cima do balcão, antes de acompanhar Edward para fora da cozinha.
Edward nem lhe deu tempo de falar nada, agarrou sua nuca com uma mão e passou o outro braço ao redor de sua cintura, juntou suas bocas e seus corpos ao mesmo tempo. Provou seu lábio inferior antes que Bella cedesse e ele a beijou completamente, dominando e possuindo sua boca em um beijo ágil, mas não apressado, apenas profundamente apaixonado.
Bella se agarrou a sua blusa na altura do peito, apertando os dedos enquanto seguia seu ritmo e o beijava de volta com a mesma vontade.
Quando ele começou a separar suas bocas por um instante, ela começou a falar um “Edward, eu...”, mas foi calada por seu beijo novamente.
Edward soltou sua cintura e sua nuca para segurar seu rosto entre suas mãos, interrompeu o beijo que os deixou ofegantes e manteve a testa na sua.
— O que quer que nós tenhamos que resolver, será resolvido em privado na hora do almoço, lá no meu apartamento, está bem? Agora eu só queria deixar claro isso.
— O que? — ela perguntou ofegante com os olhos fechados.
— Olha pra mim, Bella.
Quando ela os abriu, ele afastou seus rostos apenas para que se olhassem nos olhos.
— Eu só não te carrego pra lá agora porque sei o quanto manter nossa vida pessoal separada da profissional é importante pra você, mas quero que fique claro que quando subirmos pro meu apartamento a gente não vai brigar, vamos nos resolver definitivamente porque isso, nós dois, não acabou, ok?
Bella respirou fundo, segurando as lágrimas, e abriu um sorriso trêmulo.
— Sim. — sussurrou.
— Bom. — ele beijou sua testa e apertou seus lábios juntos novamente, então ela o abraçou com força, enterrando o rosto em seu pescoço e Edward beijou seus cabelos algumas vezes antes eu ela saísse de seus braços com um sorriso no rosto.
Deu alguns pequenos beijos nos lábios dela antes que ela voltasse pra cozinha. Dissipara metade do peso de seu peito e logo dissiparia o resto, então tudo ficaria bem. Ele faria tudo ficar bem. Sorrindo, ele se virou pra sair de trás do balcão e viu Jasper lhe observando da porta do escritório.
. . .
Leah terminava de preparar seu macarrão com atum de almoço quando a campainha tocou. Mexeu mais um pouco antes de desligar o fogo, lavar as mãos e ir atender a porta, para dar cara com Sam.
De jeans escuro, uma camisa branca e um blazer marrom, seus cabelos bem penteados para trás com gel e segurando algumas sacolas pretas que ela nem se importou em tentar ver de que lojas eram. Ele era um babaca vaidoso e gastava mais no shopping do que ela então não era surpresa que tivesse feito compras antes de ir a sua porta despejar as mesmas desculpas de sempre.
— O que você está fazendo aqui? — perguntou secamente ao lhe dar as costas e voltar para a cozinha.
— Eu sei, eu sei. — entrou fechando a porta atrás dele e colocou as sacolas no sofá, seguindo-a para a cozinha. — Eu pisei na bola ontem, eu disse que viria aqui e não vim, mas eu realmente tive um problema no trabalho.
— Como sempre. — bufou.
— Mas agora o projeto está finalizado e será entregue hoje, então vou diminuir o ritmo, Lee-lee. E como meu pedido formal de desculpas eu vim te chamar pra jantar, eu fiz reserva naquele restaurante grego que eu adoro.
— Não, obrigada, eu fiz macarrão.
— Você vai dispensar meu convite pra ir ao restaurante grego mais caro da cidade pra comer macarrão de sardinha enlatada?
— Na verdade, é atum.
Sam abriu a boca pra falar algo, mas a fechou e respirou fundo, indo até ela e pousou as mãos em sua cintura.
— Eu sinto muito, Lee-lee. — beijou sua boca suavemente. — Se você prefere ficar aqui, tudo bem, ficamos juntos.
— Não sei se tem macarrão suficiente pra nós dois.
— Eu posso fazer alguns sanduíches pra mim, eu só quero ficar com você.
Com seu tom suave, Leah relaxou e colocou os braços sobre os ombros dele antes de beijá-lo, mas ele quebrou o beijo rapidamente.
— E eu tenho um convite pra você.
— Convite? — franziu o cenho.
— Como eu disse, hoje é o dia da entrega do projeto em que eu estava trabalhando, o prédio em Port Angeles, e terá um coquetel de inauguração, quero que você vá comigo.
— Hoje? Eu tenho compromisso no Cullen’s hoje, Sam, eu tinha te avisado.
— Você está falando sério? — ele soltou sua cintura e se afastou. — Você vai me trocar por algumas tortas naquele bar?
— Você sempre faz isso comigo. Não é uma sensação muito agradável, né? — ela disse com uma risada cínica.
— Leah, por favor, hoje é um dos dias mais importantes da minha vida e eu quero minha namorada comigo, me dando apoio. Olha — ele voltou para a sala, pegando as quatro sacolas – duas grandes e duas pequenas. — Eu até comprei isso pra você.
— Pra mim?
Desconfiada, ela foi até ele. Sam lhe entregou três sacolas.
Ela deixou no sofá e tirou um pedaço de pano preto da primeira, abrindo no ar ela percebeu ser um vestido de bandage de grife, um Hervé Léger. Definitivamente não era algo que ela compraria pra si mesma, mas não disse nada, colocou o vestido na sacola e abriu a outra. Uma caixa de sapatos, era uma platform bootie preta de camurça; se não fosse o salto ridiculamente alto e fino, ela até usaria. Deixando no sofá, pegou uma sacola pequena e só naquele momento reparou ser da Chanel, dentro tinha uma pequena bolsa carteira branca com alça de corrente e detalhes dourados.
— É pra você usar hoje à noite e ir comigo.
— Você escolheu tudo isso?
— Sim. Com uma pequena ajuda da vendedora. Não trouxe nada muito extravagante, porque não queria deixar você desconfortável, só um pouco mais elegante.
— Um pouco mais elegante? — ergueu a sobrancelha.
— É um presente, amor. Será que você não pode perceber isso? Eu só queria mimar minha namorada.
— Chega a ser engraçado como você faz parecer que está fazendo algo por mim quando só está fazendo por você mesmo. Você sempre quis me mudar e agora achou um jeito sutil de fazê-lo, acho que até ganha pontos pela criatividade. — Leah disse rindo
— Se eu quisesse apenas te mudar então porque compraria isso junto. — Sam pegou uma caixa quadrada de veludo vermelho da sacola pequena que sobrava. Quando abriu, Leah se assustou e não conseguiu segurar exclamação surpresa.
— Sam... É... — suspirou. Até ela que não era uma fã de joias caras tinha que confessar. — Linda.
Era uma gargantilha que parecia ser três correntes, mas na verdade era apenas uma com três correntes de cumprimentos diferentes conectadas e fazendo camadas, a corrente era dourada com brilhantes.
— É ouro e diamantes. Você merece, Lee-lee. Não queria te mudar, apenas te mimar um pouco. O evento exige uma vestimenta mais elegante então pensei em te ajudar com isso porque quero que todos naquele lugar te olhem e sintam inveja de mim por estar com a mulher mais linda do coquetel.
— Sam...
— Eu preciso de você lá, Leah. Eu preciso da mulher que eu amo comigo.
Lentamente Leah desenrolou um sorriso e pegou a caixa, fechando-a para se aproximar de Sam e o beijar.
. . .
Edward tinha pedido comida de um restaurante brasileiro para o almoço e desempacotava as coisas no balcão quando Bella entrara. Deixara às chaves na caixa registradora e pediu às garçonetes que avisassem a Bella quando ela saísse da cozinha, então subiu usando as chaves de Jasper.
— Posso entrar?
— Claro. — Edward sorriu, deixando tudo o balcão e foi até, pousando a mão em sua bochecha. — Acho que o almoço nunca demorou tanto pra chegar quanto hoje.
— Concordo. — ela riu. — E a ansiedade pra essa conversa até tirou minha fome. Mas pelo menos você me acalmou um pouco dizendo que íamos nos acertar porque eu estava tão... Assustada.
— Assustada? Deus, eu jamais iria te machucar, Bella.
— Eu sei. Não era isso, estava assustada com... Com a ideia de perder você, Edward. Que o que eu falei ou a impressão errada que você teve fosse te afastar de mim. Eu sinto tanto, Edward, por favor, me desculpa...
— Shhh. — ele a calou com um beijo suave. — Se alguém aqui precisa te pedir desculpas sou eu, que fui um idiota imaturo.
— Eu estava chateada quando eu disse isso, Edward.
— Mas você estava certa, eu sei disso agora. Olha, Bella, eu nunca fiz isso antes. Eu sei que não é uma boa desculpa — ele riu suavemente. — mas é a única que eu tenho. Eu nunca fiz essa coisa de relacionamento sério em toda minha vida, eu nunca quis tanto uma pessoa quanto eu quero você e isso me assusta um pouco porque é como se eu pudesse enlouquecer sem ter você e com a ideia de perder você, como se eu pudesse matar qualquer um que tente te tirar de mim. Eu nem sabia que eu era ciumento até te encontrar, mas porra, eu sou. Quando eu te vi com o Jacob... Com o teu ex e falando passado tudo que eu podia pensar era... Ela vai voltar pra ele, ela vai me deixar.
— Não... — Bella agitava a cabeça com as lágrimas brilhando em seus olhos. —Eu nunca tive com o que comparar, mas agora tenho você e... Edward, eu nunca senti com o Jacob nem metade do que eu sinto com você, ele é apenas meu amigo agora, nunca vai ser mais do que isso.
— Algo dentro de mim sabia disso, mas eu não queria ser racional, eu queria enterrar meu punho na cara dele e deixar claro que você é minha. — ele segurou o rosto dela entre as mãos, um pouco abaixo das orelhas, com firmeza. — Só minha! Você me faz possessivo e ciumento como nunca fui com ninguém, me assusta porque é diferente de qualquer coisa que eu já senti em toda minha vida, é avassalador e... Eu não quero que isso acabe.
— Nem eu.
— Porra, eu acho que tô apaixonado por você, Isabella Swan.
Quando Bella arregalou os olhos de surpresa, as lágrimas desceram por seu rosto e antes que dissesse qualquer coisa, Edward lhe beijou. Ele não estava em busca de uma resposta em troca do que tinha dito, não queria que ela se sentisse pressionada a lhe corresponder, só estava seguindo o conselho de sua irmã – aceitando sua mudança – e garantido ter tudo que precisava para ser feliz.
Segurando o rosto dela entre as mãos, ele olhou em seus olhos.
— Ótimo. Então vamos deixar algumas coisas claras. Primeiro: quando tivermos um problema, vamos resolver isso. Nós vamos discutir ou gritar um com outro se for preciso, mas não vamos fugir mais, está bem? Segundo: vamos acabar essa merda de relacionamento ou sexual casual.
Os olhos dela se arregalaram em pânico. O que? Em um momento ele estava fazendo declarações e agora estava indo pra terminar?
— O que...
— Vamos cortar essa merda casual porque eu não quero nada casual com você, Bella, eu quero algo sério. Eu quero toda a cafonice do pacote completo, aquilo que meus pais tiveram a vida toda, eu quero ser seu namorado e planejar um futuro com você. Eu tô cansado de não saber como se referir a nós e a você, cansado de pensar sobre nós com medo de estar apressando ou confundindo as coisas, eu quero certeza do compromisso e de saber de uma vez por todas que você é minha.
— Oh meu deus. — Bella disse ao soltar sua respiração.
— Você parece tão surpresa, assustada e confusa que está ferindo meu ego, Coisa Doce. — ele riu. — Mas só pra deixar claro, eu acabei de te pedir em namoro.
— Eu... Deus, Edward, eu... Eu só estou surpresa e... Atordoada e... — agitou a cabeça, tentando colocar os pensamentos em ordem. — Você não acha que isso é rápido demais? E que logo vai se cansar de mim e querer sua outra vida de volta?
— Rápido? Claro que não, acho até que demorei demais. Eu não tenho a menor dúvida de que o que eu tenho agora é o que eu quero pra mim, quero você na minha vida e quero estar na sua vida, Bella, mas eu posso te dar um tempo pra pensar, se você quiser. Tipo uns cinco minutos pra você beber água, recuperar seu fôlego e voltar aqui pra me dizer sim porque não acho que vou aceitar outra resposta.
Bella riu, emocionada.
— Não é como se eu tivesse outra resposta pra essa pergunta, né? Sim, Edward! Eu aceito! Sim!
— Graças a Deus, mulher! Sabe como foi difícil manter essa postura firme nessa sua hesitação? Eu quase caí de joelhos aqui pra implorar.
— Isso seria divertido. — ela riu.
— Acho que não.
Bella envolveu o pescoço dele com os braços e se apertou contra ele ao abraça-lo, com o rosto em seu pescoço.
— Eu vou cometer erros, Bella. — Edward sussurrou com os dedos enterrados nos cabelos dela, acariciando sua cabeça e apertando a pequena cintura com o outro braço. — Isso é tudo novidade pra mim e, mesmo me esforçando, eu vou acabar errando em alguns momentos, tenho tendência a me afastar quando estou com raiva porque sei como fico idiota e grito quando estou com a cabeça quente, provavelmente terei crises de ciúmes que vão querer te fazer me chutar pra longe, eu poderia ficar aqui fazendo uma lista de coisas que no futuro podem te fazer se arrepender disso e ainda assim quero que você não desista mim ou de nós. Não me deixa estragar tudo e te afastar de mim.
Bella riu suavemente e saiu de seu abraço para olhar em seus olhos novamente.
— O que eu ganho em troca por te aguentar vale muito a pena e eu aposto que tenho uma lista tão grande ou pior que a sua, mas não vou desistir e nem estou indo a lugar nenhum, Edward, então faça a mesma coisa por mim.
— Vamos fazer isso dar certo.
Seu sorriso passava tanta confiança que quando o beijou, Bella estava confiante também.
Fale com o autor